{"id":10637,"date":"2012-09-11T09:51:34","date_gmt":"2012-09-11T09:51:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10637"},"modified":"2012-09-11T09:51:34","modified_gmt":"2012-09-11T09:51:34","slug":"pequenas-represas-passam-de-heronas-a-vils-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/america-latina\/pequenas-represas-passam-de-heronas-a-vils-no-brasil\/","title":{"rendered":"Pequenas represas passam de hero&iacute;nas a vil&atilde;s no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 11\/09\/2012 &ndash; A decis&atilde;o judicial de suspender a constru&ccedil;&atilde;o de pequenas centrais hidrel&eacute;tricas na bacia brasileira do Rio Paraguai colocou em xeque uma alternativa energ&eacute;tica em expans&atilde;o e considerada, at&eacute; h&aacute; pouco tempo, a menos prejudicial para o meio ambiente. <!--more--> A justi&ccedil;a federal, a pedido do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal do Mato Grosso do Sul, ordenou a suspens&atilde;o no Estado das obras, em andamento ou projetadas, deste tipo de represa at&eacute; que seja avaliado seu poss&iacute;vel impacto ambiental.<\/p>\n<p>Os estudos dispon&iacute;veis se referem ao impacto ambiental de cada obra, mas, segundo os promotores, &eacute; preciso avaliar esse efeito de maneira integrada. A decis&atilde;o judicial considerou que as pequenas centrais hidrel&eacute;tricas (PCH) podem causar danos irrevers&iacute;veis, como a altera&ccedil;&atilde;o do ciclo do Pantanal, uma das maiores &aacute;reas de terras &uacute;midas do mundo, com mais de 230 mil quil&ocirc;metros quadrados, localizado no sudoeste do Brasil, norte do Paraguai e leste da Bol&iacute;via.<\/p>\n<p>Por sua vez, essas altera&ccedil;&otilde;es poderiam causar impactos em todo o bioma, afetando as quatro mil fam&iacute;lias que dependem dessa bacia para sobreviver, com atividades como turismo, agricultura e pesca. &quot;&Eacute; quase intuitivo, inclusive para os leigos, que o represamento de &aacute;gua em v&aacute;rios pontos do rio muda a intensidade de fluxos e refluxos. O que est&aacute; em jogo &eacute; a hist&oacute;ria do Pantanal&quot;, afirmou Daniel Fontenele Sampaio, do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal do Mato Grosso do Sul, sobre essa regi&atilde;o protegida e declarada Patrim&ocirc;nio Natural da Humanidade.<\/p>\n<p>Apenas na bacia do Alto Paraguai, h&aacute; mais de 113 projetos de PCH, 30 deles em opera&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de outras dez centrais maiores. O Instituo Brasileiro de Meio Ambiente avalia outras 20 iniciativas similares nos Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<p>A Ag&ecirc;ncia Nacional de Energia El&eacute;trica define como PCH represas de pequeno porte, cuja capacidade instalada fique entre um e 30 megawatts e sua represa ocupe extens&atilde;o inferior a tr&ecirc;s quil&ocirc;metros quadrados. Segundo o Portal PCH, que representa o setor, trata-se de uma alternativa usada principalmente em rios de curta e m&eacute;dia extens&otilde;es e que possuem desn&iacute;veis significativos, capazes de gerar uma pot&ecirc;ncia hidr&aacute;ulica suficiente para mover as turbinas.<\/p>\n<p>&quot;No caso do Pantanal, h&aacute; impactos not&aacute;veis porque rompem o ciclo natural dos fluxos e refluxos do reservat&oacute;rio&quot;, explicou &agrave; IPS o f&iacute;sico Roberto Kishinami, especializado no uso sustent&aacute;vel dos recursos naturais. A entrada em opera&ccedil;&atilde;o de tantas PCH implica manter inundada uma &aacute;rea grande e muito plana de maneira permanente, &quot;em um lugar onde o per&iacute;odo de seca &eacute; fundamental para o ciclo de vida de v&aacute;rios animais, como peixes e p&aacute;ssaros&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>O Brasil possui 423 PCH em opera&ccedil;&atilde;o, que geram cerca de 4,1 milh&otilde;es de quilowatts, 3,5% do total da energia produzida por via hidr&aacute;ulica no pa&iacute;s, segundo dados oficiais. Al&eacute;m disso, h&aacute; 52 em constru&ccedil;&atilde;o e outras 130 foram autorizadas em licita&ccedil;&otilde;es desde 1998. &quot;As pequenas centrais sempre foram objeto de discuss&atilde;o&quot;, disse Kishinami. Basicamente porque seus impactos &agrave;s vezes s&atilde;o maiores em propor&ccedil;&atilde;o do que os das grandes centrais, considerando indicadores como &quot;&aacute;rea inundada por quilowatt instalado ou por energia efetivamente gerada, ou ictiofauna (peixes) afetada por quilowatt&quot;, entre outros, acrescentou.<\/p>\n<p>O questionamento judicial das PCH surge quando grandes projetos de hidrel&eacute;tricas, como Belo Monte, no Rio Xingu, e no Estado do Par&aacute;, tamb&eacute;m sofrem cr&iacute;ticas de ambientalistas e idas e vindas nos tribunais. O Minist&eacute;rio de Minas e Energia promove op&ccedil;&otilde;es alternativas como as PCH por seus supostos menores impactos ambientais. Atualmente, as hidrel&eacute;tricas em seu conjunto representam 75% da oferta el&eacute;trica do pa&iacute;s. O plano de expans&atilde;o energ&eacute;tica prev&ecirc; aumento progressivo at&eacute; 2020 das fontes alternativas de energia, para passar dos atuais 9% da matriz nacional para 13%. As PCH chegariam a quase 3,8% desse total.<\/p>\n<p>A Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Gera&ccedil;&atilde;o de Energia Limpa (Abragel), que re&uacute;ne a grande maioria das PCH, indica que estas representam &quot;potencial significativo, com capacidade para contribuir com a matriz nacional de forma sustent&aacute;vel e limpa&quot;, mas enfrentam desafios econ&ocirc;micos e regulat&oacute;rios que s&atilde;o obst&aacute;culos no caminho. &quot;O Brasil n&atilde;o pode deixar de explorar uma fonte de energia el&eacute;trica limpa, renov&aacute;vel e sustent&aacute;vel, que se localiza perto dos centros de carga e por isso n&atilde;o acarreta custos adicionais de transmiss&atilde;o&quot;, defende no site da Abragel o especialista Charles Lenzi, que n&atilde;o p&ocirc;de dar entrevista &agrave; IPS por estar viajando por v&aacute;rias cidades do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Por sua vez, Pedro Bara Neto, do cap&iacute;tulo brasileiro da organiza&ccedil;&atilde;o conservacionista internacional WWF, afirmou que, &quot;teoricamente&quot;, as PCH teriam menos impacto ambiental do que outras fontes. Mas, isso &quot;n&atilde;o pode ser assumido como uma verdade absoluta&quot;, alertou. Tal benef&iacute;cio depender&aacute; da quantidade de PCH e de sua localiza&ccedil;&atilde;o, &quot;ou seja, do impacto acumulativo e de onde estiverem&quot;, disse Bara &agrave; IPS, quest&atilde;o que considera &quot;central&quot; no caso da prolifera&ccedil;&atilde;o de pequenas centrais na regi&atilde;o do Pantanal.<\/p>\n<p>Este ativista do WWF Brasil mencionou alguns pontos negativos das PCH, como o fato de fragmentarem os rios (normalmente est&atilde;o nas cabeceiras), reduzirem nos trechos o fluxo de &aacute;gua e o custo energ&eacute;tico ser alto. Diante dos problemas apontados com as PCH, a pergunta &eacute; quais outras op&ccedil;&otilde;es restam para aumentar a oferta energ&eacute;tica. Bara considera que a melhor alternativa &eacute; a &quot;diversifica&ccedil;&atilde;o&quot; de fontes alternativas, que tamb&eacute;m contemplem projetos de PCH.<\/p>\n<p>Nesse leque entrariam ainda as fontes e&oacute;licas, t&eacute;rmicas &agrave; base de baga&ccedil;o de cana (a maioria bem perto do mercado consumidor, com no caso da cidade de S&atilde;o Paulo), solar e &quot;inclusive hidrel&eacute;tricas de maior porte, desde que sejam o resultado de um cuidadoso estudo de localiza&ccedil;&atilde;o e de viabilidade t&eacute;cnica e econ&ocirc;mica&quot;, ressaltou Bara. &quot;O que podemos fazer, acrescentou, &eacute; aumentar nossa vulnerabilidade &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas ao aumentarmos nossa depend&ecirc;ncia de grandes projetos distantes e menos eficientes do ponto de vista da seguran&ccedil;a, como as represas da plan&iacute;cie amaz&ocirc;nica&quot;.<\/p>\n<p>Kishinami, por sua vez, admitiu que as alternativas adequadas do ponto de vista ambiental est&atilde;o ficando escassas, &quot;principalmente porque j&aacute; exploramos bastante os recursos naturais&quot;. Por isso, destacou que se trata de uma oportunidade de aumentar a efici&ecirc;ncia no uso da energia dispon&iacute;vel. Nesse sentido, o cientista e ambientalista criticou a pol&iacute;tica de Dilma Rousseff, pois est&aacute; &quot;indo na dire&ccedil;&atilde;o errada. Quer reduzir impostos, o que &eacute; bom quando feito com crit&eacute;rio, para reduzir os custos de energia da ind&uacute;stria, o que, nesse caso, &eacute; um incentivo &agrave; inefici&ecirc;ncia&quot;. Para Kishinami, o melhor seria apoiar o aumento da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica da ind&uacute;stria, para dessa forma reduzir custos e aumentar a competitividade. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 11\/09\/2012 &ndash; A decis&atilde;o judicial de suspender a constru&ccedil;&atilde;o de pequenas centrais hidrel&eacute;tricas na bacia brasileira do Rio Paraguai colocou em xeque uma alternativa energ&eacute;tica em expans&atilde;o e considerada, at&eacute; h&aacute; pouco tempo, a menos prejudicial para o meio ambiente. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/america-latina\/pequenas-represas-passam-de-heronas-a-vils-no-brasil\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,10],"tags":[27,21],"class_list":["post-10637","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","tag-brasil","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10637","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10637"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10637\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10637"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10637"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10637"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}