{"id":1064,"date":"2005-10-03T00:00:00","date_gmt":"2005-10-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1064"},"modified":"2005-10-03T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-03T00:00:00","slug":"balcs-criminosos-de-guerra-srvios-no-escapam-da-justia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/balcs-criminosos-de-guerra-srvios-no-escapam-da-justia\/","title":{"rendered":"Balc&atilde;s: Criminosos de guerra s&eacute;rvios n&atilde;o escapam da justi&ccedil;a"},"content":{"rendered":"<p>Belgrado, 03\/10\/2005 &ndash; A esta altura dos acontecimentos, os criminosos de guerra s&eacute;rvios j&aacute; devem saber que, por mais que corram, em algum momento ser&atilde;o pegos. Dez anos depois de terminadas as guerras de secess&atilde;o da B&oacute;snia-Herzegovina e Cro&aacute;cia, e seis anos depois que as for&ccedil;as de seguran&ccedil;a s&eacute;rvias abandonaram a prov&iacute;ncia de Kosovo, continuam sendo levados perante a justi&ccedil;a os acusados de participa&ccedil;&atilde;o em massacres. Aproximadamente 250 mil pessoas morreram entre 1991 e 1995, durante as guerras em que a Iugosl&aacute;via foi dividida nos atuais Estados independentes de S&eacute;rvia e Montenegro, B&oacute;snia-Herzegovina, Cro&aacute;cia, Eslov&ecirc;nia e Maced&ocirc;nia. Nas &uacute;ltimas semanas houve uma onda de pris&otilde;es em v&aacute;rios pa&iacute;ses.<br \/> <!--more--> <br \/> Na semana passada, as autoridades canadenses anunciaram a deten&ccedil;&atilde;o e extradi&ccedil;&atilde;o de Djan Demirovic, de 30 anos, ex-integrante do grupo paramilitar s&eacute;rvio &quot;Escorpi&otilde;es&quot;, famoso por seus crimes de guerra contra os albano-kosovares em 1999. Demirovic &eacute; acusado de ter participado da execu&ccedil;&atilde;o de 14 pessoas, incluindo seis meninos e meninas, na localidade de Podujevo. Sasa Cvijetan, tamb&eacute;m integrante do grupo, foi condenado a 20 anos de pris&atilde;o pelo mesmo crime em um tribunal de Belgrado. Foi durante seu julgamento, no ano passado, que se descobriu que Demirovic estava escondido com seus pais na cidade canadense de Windsor.<\/p>\n<p> &quot;Levar criminosos de guerra perante a justi&ccedil;a &eacute; a tarefa mais importante hoje para a regi&atilde;o&quot;, disse &agrave; IPS a diretora do Centro de Lei Humanit&aacute;ria de Belgrado, Naasa Kandic. &quot;Deve acabar para sempre a confus&atilde;o que fazem as pessoas comuns, que n&atilde;o sabem se os executores eram her&oacute;is de guerra ou assassinos sem escr&uacute;pulos. Reconhecer os crimes de guerra &eacute; o ponto de partida do processo de reconcilia&ccedil;&atilde;o nos Balc&atilde;s&quot;, acrescentou. As recorda&ccedil;&otilde;es tristes da guerra est&atilde;o muito presentes na popula&ccedil;&atilde;o da ex-Iugosl&aacute;via.<\/p>\n<p> &quot;H&aacute; pouco tempo completaram 13 anos desde que me converti em uma mulher sem nacionalidade, sem nome e sem lar. Estou feliz pelo fato de o homem que causou tudo isso esteja atr&aacute;s das grades&quot;, afirmou Nerma Jelacic, jornalista de Sarajevo, de 28 anos, ao saber da deten&ccedil;&atilde;o de Milan Lukic. O s&eacute;rvio-b&oacute;snio Lukic, de 37 anos, havia sido condenado &aacute; revelia a 20 anos de pris&atilde;o. Seu grupo paramilitar denominado Vingadores, em 1992 prenderam 140 homens, mulheres e crian&ccedil;as mu&ccedil;ulmanas em uma casa do pequeno povoado de Visegrad, na B&oacute;snia-Herzegovina, e colocaram fogo.<\/p>\n<p> O primo de Lukic, Sredoje, acusado do pelo mesmo crime, foi detido no come&ccedil;o deste m&ecirc;s na R&uacute;ssia. Ambos ser&atilde;o levados ao Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugosl&aacute;via, com sede na cidade holandesa de Haia. Nerma Jelacic, que fugiu de Visegrad com sua m&atilde;e quando come&ccedil;ou o massacre de mu&ccedil;ulmanos e ficou 10 anos refugiada na Gr&atilde;-Bretanha, afirmou que a deten&ccedil;&atilde;o de Lukic &eacute; algo muito importante para elas. &quot;&Eacute; uma localidade pequena, e o &uacute;nico nome mencionado, com medo, em liga&ccedil;&atilde;o com os crimes era o de Milan Lukic&quot;, escreveu em sua coluna do influente jornal Danas, de Belgrado.<\/p>\n<p> &quot;Regressei &aacute; B&oacute;snia em 2003, pois as ra&iacute;zes s&atilde;o muito profundas. Procurei Lukic porque se dizia que ele vivia na S&eacute;rvia e na B&oacute;snia. Tinha que saber o motivo de ter feito isso, por que cerca de tr&ecirc;s mil pessoas de meu povoado foram assassinadas. Lamentavelmente, n&atilde;o consegui encontr&aacute;-lo&quot;, acrescentou. A Argentina foi o ref&uacute;gio de outro suspeito de crimes de guerra, Nebojsa Minic, procurado pela execu&ccedil;&atilde;o de dezenas de albono-kosovares em 1999. Foi detido no come&ccedil;o deste ano e extraditado para a S&eacute;rvia. Ele era propriet&aacute;rio de uma rede de restaurantes na cidade argentina de Mendoza.<\/p>\n<p> Al&eacute;m disso, 13 s&eacute;rvio-b&oacute;snios foram presos na cidade norte-americana de Phoenix, acusados de passarem informa&ccedil;&atilde;o falsa &agrave;s autoridades de imigra&ccedil;&atilde;o h&aacute; 10 anos. Alguns deles procediam da localidade B&oacute;snia de Srebrenica, onde mais de oito mil mu&ccedil;ulmanos foram executados em 1995 pelo ex&eacute;rcito s&eacute;rvio-b&oacute;snio. &quot;&Eacute; indigno que pessoas inclu&iacute;das nas listas de mais procurados tenham conseguido documentos e passaportes, evitado r&iacute;gidas leis de imigra&ccedil;&atilde;o e conseguido se alojar em qualquer lugar&quot;, disse &agrave; IPS o analista pol&iacute;tico Dejan Anastasijevic.<\/p>\n<p> A maioria dos pa&iacute;ses adotou severas regras para concess&atilde;o de vistos a s&eacute;rvios em 1991, ano em que o ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic rejeitou todas as propostas internacionais para a paz e precipitou a guerra nos Balc&atilde;s. Os passaportes de muitos suspeitos de crimes de guerra presos no exterior foram emitidos, em muitos casos com nomes falsos, antes de 5 de outubro de 2000, quando Milosevic caiu. &quot;&Eacute; &oacute;bvio que essas pessoas sabiam dos perigos e se armaram de todos os elementos necess&aacute;rios para escapar&quot;, disse &agrave; IPS Bozo Prelevic, um advogado de Belgrado. O dinheiro que tinham era o que roubaram durante anos na guerra, acrescentou.<\/p>\n<p> Agora, os dois principais l&iacute;deres s&eacute;rvios acusados de crimes de guerra, Radovan Karadzic e Ratko Mladic, continua, foragidos. Durante as guerras de secess&atilde;o, a maioria dos s&eacute;rvios acreditou na propaganda do regime de Milosevic, segundo a qual os s&eacute;rvios na Cro&aacute;cia e na B&oacute;snia-Herzegovina se limitavam a defender os s&eacute;rvios residentes nesses territ&oacute;rios. O Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugosl&aacute;via, criado pela ONU, foi considerado, nesse contexto, parte da conspira&ccedil;&atilde;o anti-S&eacute;rvia. Esta corte foi estabelecida em 1993, quando as atrocidades cometidas contra os s&eacute;rvios afloraram durante a guerra.<\/p>\n<p> A situa&ccedil;&atilde;o mudou depois da sa&iacute;da de Milosevic do poder, em outubro de 2000, sua pris&atilde;o e sua entrega ao Tribunal Penal Internacional em Haia, em junho de 2001. O ex-ditador continua ali, enfrentando processos por crimes de guerra e genoc&iacute;dio. Mas apesar de tudo, muitos s&eacute;rvios ainda acreditam no que lhes foi dito durante o regime de Milosevic. Poucos acreditam que tenham sido cometidos crimes de guerra contra n&atilde;o-s&eacute;rvios. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Belgrado, 03\/10\/2005 &ndash; A esta altura dos acontecimentos, os criminosos de guerra s&eacute;rvios j&aacute; devem saber que, por mais que corram, em algum momento ser&atilde;o pegos. Dez anos depois de terminadas as guerras de secess&atilde;o da B&oacute;snia-Herzegovina e Cro&aacute;cia, e seis anos depois que as for&ccedil;as de seguran&ccedil;a s&eacute;rvias abandonaram a prov&iacute;ncia de Kosovo, continuam sendo levados perante a justi&ccedil;a os acusados de participa&ccedil;&atilde;o em massacres. Aproximadamente 250 mil pessoas morreram entre 1991 e 1995, durante as guerras em que a Iugosl&aacute;via foi dividida nos atuais Estados independentes de S&eacute;rvia e Montenegro, B&oacute;snia-Herzegovina, Cro&aacute;cia, Eslov&ecirc;nia e Maced&ocirc;nia. Nas &uacute;ltimas semanas houve uma onda de pris&otilde;es em v&aacute;rios pa&iacute;ses.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/balcs-criminosos-de-guerra-srvios-no-escapam-da-justia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":208,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1064","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1064","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/208"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1064"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1064\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1064"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1064"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1064"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}