{"id":10644,"date":"2012-09-12T10:07:42","date_gmt":"2012-09-12T10:07:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10644"},"modified":"2012-09-12T10:07:42","modified_gmt":"2012-09-12T10:07:42","slug":"hortas-senegalesas-expostas-ao-vrus-da-especulao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/africa\/hortas-senegalesas-expostas-ao-vrus-da-especulao\/","title":{"rendered":"Hortas senegalesas expostas ao v&iacute;rus da especula&ccedil;&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Dacar, Senegal, 12\/09\/2012 &ndash; A especula&ccedil;&atilde;o comercial amea&ccedil;a o bom desempenho produtivo de milhares de camponeses senegaleses que cultivam frutas e verduras nos Niayes, uma faixa de terra f&eacute;rtil que se estende ao longo da costa ocidental do pa&iacute;s. <!--more--> &quot;Este ano vendemos cem toneladas de manga, tanto para o mercado interno quanto para o externo&quot;, disse Ibrahima Mbengue, presidente da Federa&ccedil;&atilde;o de Cultivadores de Vegetais dos Niayes (FPMN), vigiando os jovens trabalhadores que pesavam centenas de cestas carregadas com essa fruta.<\/p>\n<p>A FPM, criada em 1994, tem agora 2,25 mil membros, que no ano passado cultivaram seis mil hectares na zona, uma faixa de lagos e p&acirc;ntanos, os &quot;niayes&quot; que d&atilde;o nome &agrave; regi&atilde;o. &quot;Os agricultores dos Niayes est&atilde;o fazendo muito dinheiro, milhares de milh&otilde;es&quot; de francos CFA, disse Abdoulaye Barry, jornalista radicado em Dacar e especializado em agricultura. &quot;H&aacute; muitos estrangeiros, especialmente da Guin&eacute;, que trabalham nas planta&ccedil;&otilde;es daqui. A popula&ccedil;&atilde;o construiu moradias permanentes com a renda obtida com as verduras&quot;, destacou.<\/p>\n<p>A produ&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o passou de 78 mil toneladas em 2009 para 261 mil toneladas no ano passado, segundo dados do Instituto Nacional de Estat&iacute;sticas Demogr&aacute;ficas, publicados em agosto no jornal estatal Le Soleil. Este aumento &eacute; consequ&ecirc;ncia da expans&atilde;o da &aacute;rea de cultivo, que passou de cinco mil hectares em 2009 para 8,7 mil em 2011, segundo o Instituto. Estimativas dessa entidade indicam que a renda total dos produtores &eacute; de US$ 430 milh&otilde;es. As 750 mil toneladas de frutas e verduras produzidas aqui em 2011 representaram mais de 40% do total do pa&iacute;s. Cebola, tomate e couve foram os cultivos mais importantes, e em conjunto representaram dois ter&ccedil;os do volume produzido.<\/p>\n<p>Apesar deste forte aumento, Mbengue se queixa da falta de apoio governamental na &aacute;rea t&eacute;cnica. Ano ap&oacute;s ano, a produ&ccedil;&atilde;o cresce, mas os agricultores n&atilde;o conseguem competir no mercado internacional, afirmou. &quot;A produ&ccedil;&atilde;o excede em muito a demanda interna, e o produto &eacute; perec&iacute;vel. &Agrave;s vezes, alguns produtores vendem a perda, j&aacute; que n&atilde;o t&ecirc;m acesso ao mercado internacional&quot;, disse &agrave; IPS. Barry concorda, dizendo que estes produtores &quot;n&atilde;o est&atilde;o em posi&ccedil;&atilde;o de competir no mercado internacional. As cadeias de valor n&atilde;o est&atilde;o bem organizadas. &Eacute; escassa a organiza&ccedil;&atilde;o de transporte, embalagem e comercializa&ccedil;&atilde;o do produto&quot;.<\/p>\n<p>Segundo Sidy Gu&egrave;ye, coordenador da FPMN no distrito rural de Sangalkam, &quot;frequentemente h&aacute; uma excessiva oferta no mercado interno, o que prejudica os pre&ccedil;os&quot;. As cebolas, por exemplo, &agrave;s vezes s&atilde;o vendidas a pre&ccedil;os irris&oacute;rios, a 20 ou 35 centavos o quilo, enquanto em outros tempos o pre&ccedil;o podia chegar at&eacute; aos 80 centavos no mercado local, apontou Madiagne Di&egrave;ye, comerciante de Dacar. Os produtores colhem tr&ecirc;s ou quatro cultivos a cada ano, principalmente trabalhando em terras familiares de at&eacute; cinco hectares, enquanto algumas associa&ccedil;&otilde;es de agricultores t&ecirc;m opera&ccedil;&otilde;es que cobrem v&aacute;rias centenas de hectares, segundo Gu&egrave;ye.<\/p>\n<p>&quot;Do ponto de vista financeiro, as pessoas daqui est&atilde;o bem. Em outras partes do pa&iacute;s vive-se em condi&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias&quot;, explicou Gu&egrave;ye &agrave; IPS, referindo-se ao valor de cultivar verduras em Sangalkam. &quot;Nos Niayes, entre 90% e 95% dos agricultores herdaram sua terra. Outros adquiriram a sua gra&ccedil;as &agrave; boa vontade das autoridades agr&aacute;rias competentes&quot;, destalhou. A horticultura &eacute; t&atilde;o importante para a economia senegalesa que o governo a integrou &agrave; sua estrat&eacute;gia de crescimento acelerado da agricultura e das agroind&uacute;strias, um plano multianual que implanta junto com o setor privado.<\/p>\n<p>No entanto, por estar t&atilde;o perto da capital, a regi&atilde;o dos Niayes &eacute; alvo de intensa especula&ccedil;&atilde;o agr&aacute;ria. Os poderosos &quot;compram terras dos produtores, e n&atilde;o as usam&quot;, disse Wor&eacute; Gana Seck, da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental Green Senegal. &Eacute; preciso manter o ativismo contra esta forma de apropria&ccedil;&atilde;o de terras, afirmou &agrave; IPS. Barry acredita que o governo deveria preservar os Niayes exclusivamente para os horticultores, e designar para o desenvolvimento residencial outro espa&ccedil;o em &aacute;reas menos adequadas para plantar. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dacar, Senegal, 12\/09\/2012 &ndash; A especula&ccedil;&atilde;o comercial amea&ccedil;a o bom desempenho produtivo de milhares de camponeses senegaleses que cultivam frutas e verduras nos Niayes, uma faixa de terra f&eacute;rtil que se estende ao longo da costa ocidental do pa&iacute;s. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/africa\/hortas-senegalesas-expostas-ao-vrus-da-especulao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":190,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8,5],"tags":[21],"class_list":["post-10644","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10644","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/190"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10644"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10644\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10644"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10644"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10644"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}