{"id":10656,"date":"2012-09-13T09:59:11","date_gmt":"2012-09-13T09:59:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10656"},"modified":"2012-09-13T09:59:11","modified_gmt":"2012-09-13T09:59:11","slug":"grande-muralha-verde-contra-o-deserto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/economia\/grande-muralha-verde-contra-o-deserto\/","title":{"rendered":"Grande muralha verde contra o deserto"},"content":{"rendered":"<p>Chifeng China, 13\/09\/2012 &ndash; O Sol ainda brilha sobre os &aacute;lamos, que formam uma barreira natural no horizonte, mas Horquin Lianjun decide encerrar seu trabalho na fazenda.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10656\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/agricultor.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10656\" class=\"size-medium wp-image-10656\" title=\"Um agricultor de Taipingdi, protegido pela barreira de &aacute;rvores. - Manipadma Jena\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/agricultor.jpg\" alt=\"Um agricultor de Taipingdi, protegido pela barreira de &aacute;rvores. - Manipadma Jena\/IPS\" width=\"150\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10656\" class=\"wp-caption-text\">Um agricultor de Taipingdi, protegido pela barreira de &aacute;rvores. - Manipadma Jena\/IPS<\/p><\/div>  O vento que chega do deserto se torna amea&ccedil;ador. Em seu meio hectare, Lianjun planta milho, como seu vizinho, Hua Limei, e outros agricultores da regi&atilde;o. &quot;Ganhamos cerca de 400 yuans (US$ 63) para cada &#39;mu&#39; colhido&quot;, disse &agrave; IPS. &quot;Mu&quot; &eacute; uma medida chinesa equivalente a 1\/15 hectare.<\/p>\n<p>Os dois agricultores, de aproximadamente 40 anos, vivem com suas respectivas fam&iacute;lias na localidade de Taipingdi, na regi&atilde;o de Chifeng, sudeste da Mong&oacute;lia Interior. Esta regi&atilde;o aut&ocirc;noma chinesa, com majorit&aacute;ria popula&ccedil;&atilde;o mongol, possui pastagens no leste e desertos no oeste, e fronteira com Mong&oacute;lia e R&uacute;ssia no norte. &Eacute; dif&iacute;cil acreditar que h&aacute; 60 anos estas terras de cultivo eram parte do deserto. Na &eacute;poca, menos de 66 hectares de floresta estavam rodeados por dunas de areia. O av&ocirc; de Lianjun conseguia apenas um quarto do que ele colhe agora. Hoje, as &aacute;rvores servem de abrigo para dez mil hectares de terra cultiv&aacute;vel.<\/p>\n<p>Chifeng tem uma precipita&ccedil;&atilde;o anual entre 300 e 450 mil&iacute;metros, e uma desproporcional evapora&ccedil;&atilde;o, entre dois mil e 2,3 mil mil&iacute;metros. A precipita&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia na China &eacute; de 619 mil&iacute;metros, e na costeira Xangai chega a 1,144 mil mil&iacute;metros. Nas zonas mais secas, a regenera&ccedil;&atilde;o da pastagem &eacute; dif&iacute;cil. Enquanto Taipingdi e outras localidades chinesas lutam contra a degrada&ccedil;&atilde;o, cada vez mais terras esgotadas por pastores se convertem em pequenos desertos neste pa&iacute;s, formando verdadeiros oceanos de areia. Nos &uacute;ltimos 50 anos a China perdeu para o deserto uma &aacute;rea equivalente ao tamanho da Groenl&acirc;ndia, segundo especialistas.<\/p>\n<p>O chamado &quot;pote de areia&quot; representa a maior perda de terra produtiva no mundo. Enquanto a areia degrada progressivamente as &aacute;reas cultiv&aacute;veis, a pobreza cresce e gera um c&iacute;rculo vicioso. &quot;Quanto mais pobre &eacute; o agricultor, mais desesperadamente busca se beneficiar da terra. Como consequ&ecirc;ncia, o cultivo excessivo acelera a degrada&ccedil;&atilde;o&quot;, explicou &agrave; IPS o ativista Bao Yongxin, do condado Aohan. Sua miss&atilde;o &eacute; promover as planta&ccedil;&otilde;es como forma de frear o deserto, pelo qual tamb&eacute;m foi duramente afetado.<\/p>\n<p>Yongxin e sua mulher lutaram anos para impedir o avan&ccedil;o da areia sobre sua terra, mas o ponto crucial chegou em 1993, quando, em uma noite de tempestade, seu irm&atilde;o ficou gravemente enfermo. &quot;Caminhei com ele toda a noite em meio aos fortes ventos e &agrave; abundante areia, sem poder enxergar para onde &iacute;amos e sem saber h&aacute; quantas horas est&aacute;vamos andando, at&eacute; chegar &agrave; cl&iacute;nica mais pr&oacute;xima&quot;, recordou.<\/p>\n<p>Depois, nesse mesmo ano, o vento arrancou o telhado de sua casa de apenas um c&ocirc;modo. &quot;Com nossos filhos (o mais novo com apenas alguns meses de idade), minha mulher e eu passamos toda a noite encolhidos num canto enquanto a tempestade e a chuva nos atingiam&quot;, prosseguiu Yongxin. Foi ent&atilde;o que decidiu combater decididamente o deserto. Convenceu a comunidade de Aohan a recuperar 600 hectares de terras invadidas pela areia. Mas, em 1998, Yongxin havia gasto todas as suas economias em uma luta desigual.<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, a comunidade se dirigiu ao Departamento de Florestas local, com o qual elaborou um projeto de quatro anos para recuperar 465 hectares. Os agricultores forneceram a m&atilde;o de obra e as autoridades o apoio t&eacute;cnico. O Departamento capacitou os produtores em diversos m&eacute;todos de convers&atilde;o de terras e luta contra o deserto. A comunidade de Aohan optou por uma combina&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos mec&acirc;nicos e biol&oacute;gicos. As dunas foram niveladas com m&aacute;quinas e demarcadas pequenas &aacute;reas cercadas com barricadas de palha, que ajudam a estabilizar a areia e manter a umidade.<\/p>\n<p>No come&ccedil;o da temporada de mon&ccedil;&otilde;es, em cada uma dessas &aacute;reas foram plantadas diversas esp&eacute;cies de pinheiros, salgueiros e outras &aacute;rvores resistentes &agrave; seca, das quais 75% sobreviveram. Depois, estas foram regadas naturalmente pelas &aacute;guas dos degelos. &quot;Esta tecnologia foi amplamente usada por mais de 20 anos&quot;, disse Dong Haijun, chefe do escrit&oacute;rio florestal do condado de Wengnuite.<\/p>\n<p>At&eacute; 2005, foram recuperados 2,4 mil hectares em Aohan, e 135 hectares de florestas se mantinham firmes como barreiras para impedir a invas&atilde;o de areia. As 120 casas de Aohan agora contam com telhados resistentes aos ventos. Em 2006, foi criada uma estrada para conectar ao condado. Nesse mesmo ano, Yongxin foi eleito presidente da comunidade, e no ano seguinte o primeiro-ministro Wen Jiabao lhe concedeu o t&iacute;tulo de &quot;combatente modelo&quot; contra a desertifica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>At&eacute; agora, 124 milh&otilde;es de agricultores e 32 milh&otilde;es de fam&iacute;lias rurais participaram deste tipo de projeto, disse o diretor do escrit&oacute;rio de convers&atilde;o de terras da Autoridade Estatal de Florestas, Wang Feiyue. &quot;A convers&atilde;o de terras degradadas em florestas, planta&ccedil;&otilde;es e colinas se transformou no maior projeto a favor dos agricultores at&eacute; o momento na China&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Os produtores recebem uma compensa&ccedil;&atilde;o em dinheiro pela falta de renda durante o per&iacute;odo de convers&atilde;o, al&eacute;m de sementes subsidiadas e informa&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica. Por&eacute;m, ainda temem os efeitos da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, que reconhecem como a raiz de seus problemas. &quot;Os invernos s&atilde;o mais longos e mais frios, os ventos sopram mais forte e os ver&otilde;es s&atilde;o mais secos. E quando chegam as chuvas, s&atilde;o fortes e provocam inunda&ccedil;&otilde;es&quot;, lamentou Yongxin. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chifeng China, 13\/09\/2012 &ndash; O Sol ainda brilha sobre os &aacute;lamos, que formam uma barreira natural no horizonte, mas Horquin Lianjun decide encerrar seu trabalho na fazenda. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/economia\/grande-muralha-verde-contra-o-deserto\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":127,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5],"tags":[17],"class_list":["post-10656","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10656","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/127"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10656"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10656\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10656"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10656"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10656"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}