{"id":10673,"date":"2012-09-18T10:01:21","date_gmt":"2012-09-18T10:01:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10673"},"modified":"2012-09-18T10:01:21","modified_gmt":"2012-09-18T10:01:21","slug":"destaques-pouca-ecologia-no-acordo-ue-amrica-central","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/america-latina\/destaques-pouca-ecologia-no-acordo-ue-amrica-central\/","title":{"rendered":"DESTAQUES: Pouca ecologia no acordo UE-Am&eacute;rica Central"},"content":{"rendered":"<p>CIDADE DA GUATEMALA, Guatemala, 18\/09\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- O Acordo de Associa&ccedil;&atilde;o entre a UE e a Am&eacute;rica Central poder&aacute; agravar os problemas de sustentabilidade desta regi&atilde;o latino-americana.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10673\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/595_foto_Danilo_Valladares.JPG\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10673\" class=\"size-medium wp-image-10673\" title=\"Uma crian&ccedil;a trabalha no cultivo de subsist&ecirc;ncia da propriedade familiar em Quich&eacute;, Guatemala - Danilo Valladares\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/595_foto_Danilo_Valladares.JPG\" alt=\"Uma crian&ccedil;a trabalha no cultivo de subsist&ecirc;ncia da propriedade familiar em Quich&eacute;, Guatemala - Danilo Valladares\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10673\" class=\"wp-caption-text\">Uma crian&ccedil;a trabalha no cultivo de subsist&ecirc;ncia da propriedade familiar em Quich&eacute;, Guatemala - Danilo Valladares\/IPS<\/p><\/div>  O Acordo de Associa&ccedil;&atilde;o entre Am&eacute;rica Central e Uni&atilde;o Europeia (UE) elevar&aacute; a press&atilde;o ambiental e social no istmo, alertam especialistas e ativistas. Contudo, nem tudo &eacute; espinho. &quot;Pode-se esperar um aumento na opera&ccedil;&atilde;o de ind&uacute;strias extrativistas&quot;, que trazem consigo &quot;repercuss&otilde;es ambientais e sociais negativas&quot;, disse ao Terram&eacute;rica Juventino G&aacute;lvez, diretor do Instituto de Agricultura, Recursos Naturais e Meio Ambiente da jesu&iacute;ta Universidade Rafael Land&iacute;var.<\/p>\n<p>Este foi um aspecto delicado em v&aacute;rios pa&iacute;ses. Na Guatemala, por exemplo, a empresa Montana Explotadora, subsidi&aacute;ria da canadense Goldcorp, foi acusada de contaminar rios e afetar o fornecimento de &aacute;gua de 18 comunidades ind&iacute;genas no departamento de San Marcos, por explorar ouro na mina Marlin. Em maio de 2010, a Comiss&atilde;o Interamericana de Direitos Humanos solicitou ao Estado a suspens&atilde;o da opera&ccedil;&atilde;o da mina, mas esta continua funcionando. &quot;A institucionalidade nacional &eacute; prec&aacute;ria, e &eacute; conhecida a tend&ecirc;ncia de desrespeitar a legisla&ccedil;&atilde;o, por si s&oacute; vaga e permissiva&quot;, destacou G&aacute;lvez.<\/p>\n<p>A entrada em vigor do Acordo de Associa&ccedil;&atilde;o, assinado em 29 de junho por Uni&atilde;o Europeia, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicar&aacute;gua e Panam&aacute;, depende da ratifica&ccedil;&atilde;o no Parlamento Europeu e nos poderes legislativos dos seis pa&iacute;ses centro-americanos. O Acordo implica compromissos m&uacute;tuos em tr&ecirc;s &aacute;reas: di&aacute;logo pol&iacute;tico, coopera&ccedil;&atilde;o e com&eacute;rcio.<\/p>\n<p>Em mat&eacute;ria comercial, habilita o ingresso rec&iacute;proco sem tarifas alfandeg&aacute;rias de produtos agr&iacute;colas (caf&eacute;, frutas, vegetais e carnes), t&ecirc;xteis e industriais; investimentos em servi&ccedil;os como finan&ccedil;as, comunica&ccedil;&otilde;es e transporte; e compras governamentais, entre outros. Em coopera&ccedil;&atilde;o, promove a assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica e o interc&acirc;mbio no uso de energias limpas, minera&ccedil;&atilde;o, turismo, pesca, transporte, desenvolvimento sustent&aacute;vel e meio ambiente. A parte mais significativa sobre temas ambientais se encontra neste cap&iacute;tulo, cujo T&iacute;tulo V compreende tamb&eacute;m desastres naturais e mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, dois aspectos cruciais para o istmo.<\/p>\n<p>Em di&aacute;logo pol&iacute;tico, prop&otilde;e-se impulsionar interesses comuns no Estado de direito, a boa governan&ccedil;a, a democracia, os direitos humanos, a igualdade de g&ecirc;nero, os direitos dos povos ind&iacute;genas, a redu&ccedil;&atilde;o da pobreza e as migra&ccedil;&otilde;es. Para G&aacute;lvez, se for somada a &quot;potencial&quot; expans&atilde;o das monoculturas, aumentar&atilde;o os conflitos derivados da &quot;competi&ccedil;&atilde;o entre projetos agroindustriais e comunidades rurais pelo acesso a recursos estrat&eacute;gicos&quot;. O cultivo de palma, cuja superf&iacute;cie plantada triplicou entre 2003 e 2010, gerou violentos conflitos agr&aacute;rios, sobretudo no norte guatemalteco, com centenas de camponeses abandonando suas terras e v&aacute;rios mortos em confrontos com a pol&iacute;cia.<\/p>\n<p>Para Miguel Mira, do n&atilde;o governamental Centro de Pesquisa sobre Investimento e Com&eacute;rcio, de El Salvador, &quot;o &uacute;nico interesse destes tratados &eacute; abrir para as grandes empresas transnacionais mais mercados para o com&eacute;rcio e os investimentos, enquanto os temas trabalhista e ambiental n&atilde;o s&atilde;o relevantes&quot;. Na Am&eacute;rica Central, com 43 milh&otilde;es de habitantes, quase metade da popula&ccedil;&atilde;o &eacute; pobre. E a pobreza &eacute; mais profunda nas zonas rurais. A assimetria &eacute; evidente com a UE, de 500 milh&otilde;es de habitantes e uma das zonas mais ricas do planeta, que at&eacute; agora representa apenas 10% do com&eacute;rcio exterior centro-americano.<\/p>\n<p>No ano passado, o bloco europeu vendeu ao istmo produtos no valor de US$ 36 bilh&otilde;es e importou o equivalente a US$ 31,6 bilh&otilde;es, com super&aacute;vit de US$ 4,4 bilh&otilde;es a favor da UE, segundo dados da Comiss&atilde;o Europeia. As vendas centro-americanas se centraram em equipamentos de telecomunica&ccedil;&otilde;es e escrit&oacute;rio (53,9%) e produtos agr&iacute;colas (quase 35%, em 2010), enquanto os bens mais importantes comprados da UE s&atilde;o maquin&aacute;rio e transporte (48%) e produtos qu&iacute;micos (12%).<\/p>\n<p>&quot;A l&oacute;gica do Acordo de Associa&ccedil;&atilde;o &eacute; a do livre com&eacute;rcio e todos os demais aspectos de rela&ccedil;&otilde;es interacionais a ela sujeitos&quot;, explicou o ativista Erik Van Mele, da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental internacional Oxfam Solidariteit. Embora no acordo se aborde o desenvolvimento sustent&aacute;vel e o meio ambiente, n&atilde;o est&aacute; garantida a prote&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica Central, uma das regi&otilde;es do mundo mais ricas em biodiversidade.<\/p>\n<p>O Artigo 284 sobre com&eacute;rcio e desenvolvimento sustent&aacute;vel &quot;estipula que estes temas ficam exclu&iacute;dos dos procedimentos para resolver conflitos eventuais&quot;, detalhou Erik. Al&eacute;m disso, h&aacute; interpreta&ccedil;&otilde;es diversas sobre o desenvolvimento sustent&aacute;vel, acrescentou. Por exemplo, a promo&ccedil;&atilde;o de agrocombust&iacute;veis como &quot;energia verde&quot; para substituir combust&iacute;veis f&oacute;sseis &quot;pode se traduzir em desmatamento para dar lugar a monoculturas, ou em fome derivada da alta de pre&ccedil;os do milho, de consumo b&aacute;sico na regi&atilde;o, por sua alta demanda para transform&aacute;-lo em etanol&quot;, alertou.<\/p>\n<p>Uma avalia&ccedil;&atilde;o do acordo, solicitada pela Comiss&atilde;o Europeia em 2009, concluiu que, al&eacute;m de seus benef&iacute;cios econ&ocirc;micos e comerciais, geraria maior press&atilde;o sobre a terra, os recursos costeiros e mar&iacute;timos, e alertou para o aumento das monoculturas. Tamb&eacute;m sugeriu medidas para minimizar os impactos, a serem adotadas no contexto da coopera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Gustavo Hern&aacute;ndez, coordenador em Bruxelas da representa&ccedil;&atilde;o da n&atilde;o governamental Associa&ccedil;&atilde;o Latino-Americana de Organiza&ccedil;&otilde;es de Promo&ccedil;&atilde;o do Desenvolvimento, disse ao Terram&eacute;rica que os mecanismos de san&ccedil;&atilde;o &quot;n&atilde;o s&atilde;o vinculantes&quot; e h&aacute; &quot;escassa participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil, sobretudo das popula&ccedil;&otilde;es majorit&aacute;rias que ser&atilde;o mais afetadas&quot; pelo acordo.<\/p>\n<p>Para Luiz Mu&ntilde;oz, do Centro Guatemalteco de Produ&ccedil;&atilde;o Mais Limpa, a experi&ecirc;ncia do Tratado de Livre Com&eacute;rcio (TLC) com os Estados Unidos, vigente na Guatemala desde 2006, mostra que foram geradas exig&ecirc;ncias positivas. &quot;Quando se vincula a quest&atilde;o ambiental com a econ&ocirc;mica, se torna atraente para as empresas o investimento de tempo e recursos no ambiental&quot;, explicou.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, deve-se considerar o interc&acirc;mbio de tecnologia e o desejo de competitividade, acrescentou Mu&ntilde;oz. &quot;Antes, a press&atilde;o para aprovar leis ambientais era muito baixa, mas do TLC com os Estados Unidos surgiu o regulamento de &aacute;guas residuais&quot;, ressaltou. Tamb&eacute;m admitiu que toda ind&uacute;stria gera impactos, mas se deve &quot;buscar um equil&iacute;brio&quot;, lembrando que, &quot;sem os benef&iacute;cios do caf&eacute;, por exemplo, quanta gente ficaria sem renda? E n&atilde;o falo dos propriet&aacute;rios&quot;.<\/p>\n<p>*<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CIDADE DA GUATEMALA, Guatemala, 18\/09\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- O Acordo de Associa&ccedil;&atilde;o entre a UE e a Am&eacute;rica Central poder&aacute; agravar os problemas de sustentabilidade desta regi&atilde;o latino-americana. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/america-latina\/destaques-pouca-ecologia-no-acordo-ue-amrica-central\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":52,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2],"tags":[18,21],"class_list":["post-10673","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","tag-europa","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10673","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10673"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10673\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10673"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10673"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10673"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}