{"id":10682,"date":"2012-09-18T10:18:19","date_gmt":"2012-09-18T10:18:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10682"},"modified":"2012-09-18T10:18:19","modified_gmt":"2012-09-18T10:18:19","slug":"reportagem-empresas-calculam-quanto-devem-ao-planeta-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/america-latina\/reportagem-empresas-calculam-quanto-devem-ao-planeta-terra\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Empresas calculam quanto devem ao planeta Terra"},"content":{"rendered":"<p>JEJU, Coreia do Sul, 18\/09\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Desde a Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial o mundo empresarial opera sem estimar economicamente os recursos naturais.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10682\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/595_foto_Amantha_Perera.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10682\" class=\"size-medium wp-image-10682\" title=\"&quot;Samsung Smart &eacute; indecente e miser&aacute;vel&quot;\u009d, afirmam ativistas. Corpora&ccedil;&otilde;es sob rigoroso exame no congresso da UICN - Amantha Perera\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/595_foto_Amantha_Perera.jpg\" alt=\"&quot;Samsung Smart &eacute; indecente e miser&aacute;vel&quot;\u009d, afirmam ativistas. Corpora&ccedil;&otilde;es sob rigoroso exame no congresso da UICN - Amantha Perera\/IPS\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10682\" class=\"wp-caption-text\">&quot;Samsung Smart &eacute; indecente e miser&aacute;vel&quot;\u009d, afirmam ativistas. Corpora&ccedil;&otilde;es sob rigoroso exame no congresso da UICN - Amantha Perera\/IPS<\/p><\/div>  Grandes devoradoras de recursos naturais, as empresas come&ccedil;am a reconhecer que t&ecirc;m uma d&iacute;vida em d&oacute;lares com o planeta, e apontam o l&aacute;pis para calcul&aacute;-la. Em 2004, quando a Uni&atilde;o Internacional para a Conserva&ccedil;&atilde;o da Natureza (UICN) realizou seu quarto congresso mundial, em Bangcoc, participaram apenas dois empres&aacute;rios importantes, recordou Peter Bakker, presidente do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (WBCSD).<\/p>\n<p>&quot;Em 2008, em Barcelona, houve mais alguns. Desta vez, o que se via primeiro, ao entrar na sede do &uacute;ltimo congresso da UICN, era o pavilh&atilde;o empresarial&quot;, conta Bakker ao Terram&eacute;rica. A not&aacute;vel presen&ccedil;a dos neg&oacute;cios no Congresso Mundial da Natureza, que aconteceu entre os dias 6 e 15 deste m&ecirc;s em Jeju, ilha vulc&acirc;nica da Coreia do Sul, &eacute; um indicador da responsabilidade que cabe ao empresariado na tarefa de salvar o meio ambiente e criar desenvolvimento sustent&aacute;vel.<\/p>\n<p>Quando, em 1992, foi realizada a C&uacute;pula da Terra, no Rio de Janeiro, a grande novidade foi o WBCSD, que garantiu a presen&ccedil;a do setor privado nas discuss&otilde;es ambientais. A ideia dominante na &eacute;poca postulava que os neg&oacute;cios eram os piores inimigos da natureza. Duas d&eacute;cadas mais tarde, esse pensamento evoluiu. Corpora&ccedil;&otilde;es como a gigante do cimento Holcim e firmas de porte m&eacute;dio como a elaboradora de ch&aacute; Dilmah, do Sri Lanka, mostraram no Congresso seu rosto mais amig&aacute;vel com a natureza.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, as boas inten&ccedil;&otilde;es n&atilde;o bastam. Especialistas como Bakker afirmam que o setor tem que se atualizar e recalibrar suas opera&ccedil;&otilde;es. Grande parte da transforma&ccedil;&atilde;o consiste em considerar o impacto no entorno como elemento fundamental das decis&otilde;es. Uma das principais mudan&ccedil;as &eacute; avaliar e atribuir um valor &agrave; pegada que cada empresa, grande ou pequena, deixa na natureza.<\/p>\n<p>&quot;Muitas companhias apresentaram um alto ciclo de aprendizagem&quot;, afirmou Bakker. O dirigente do WBCSD alertou que, na medida em que as empresas levarem em conta essa pegada, &eacute; prov&aacute;vel que tenham seus custos aumentados, especialmente se realizarem mudan&ccedil;as. &quot;Um dos maiores desafios ser&aacute; analisar os efeitos sobre o capital natural. Como vamos avaliar isso?&quot;, acrescentou. N&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil em um mundo onde recursos como a &aacute;gua costumam ter valor zero.<\/p>\n<p>Pavan Sukhdev, autor do livro Corporation 2020 &#8211; Transforming Businesses for Tomorrow&#39;s World (Corpora&ccedil;&atilde;o 2020 &#8211; Transforma&ccedil;&atilde;o das Empresas para o Mundo de Amanh&atilde;), afirmou que, desde a Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, o mundo empresarial opera sem estimar economicamente os recursos naturais. &Eacute; necess&aacute;ria uma reforma regulat&oacute;ria para que as normas cont&aacute;beis reflitam os efeitos de cada empresa em seu entorno. &quot;Os &oacute;rg&atilde;os cont&aacute;beis devem exigir das companhias que registrem esse impacto sobre o capital natural&quot;, disse Sukhdev ao Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p>Mesmo com grandes corpora&ccedil;&otilde;es, como o Walmart, realizando uma mudan&ccedil;a semelhante, o efeito chega a uma por&ccedil;&atilde;o limitada da popula&ccedil;&atilde;o mundial, mas, se forem modificados os sistemas regulat&oacute;rios, o efeito ser&aacute; visto em todas as partes, ressaltou Sukhdev. O autor tocou no ponto nevr&aacute;lgico ao afirmar que o setor privado deve orientar-se para um modelo empresarial que n&atilde;o gere apenas lucro, mas ganhos humanos, sociais e naturais.<\/p>\n<p>Um dos gigantes mundiais que asseguram estar nesse caminho &eacute; a Puma, companhia de cal&ccedil;ados e roupas para esportes que est&aacute; atualizando seus m&eacute;todos cont&aacute;beis para incluir &quot;os custos naturais de fazer neg&oacute;cios&quot;, declarou seu representante, Holly Dublin. A corpora&ccedil;&atilde;o contratou as consultorias PricewaterhouseCoopers e Trucost para desenvolverem a Conta de Ganhos e Perdas Ambientais, aplicada pela primeira vez em 2011. Em uma primeira fase, foram quantificadas as toneladas de gases causadores do efeito estufa emitidas e os metros c&uacute;bicos de &aacute;gua consumidos em seus neg&oacute;cios e opera&ccedil;&otilde;es em toda sua cadeia de fornecimento, e depois foi atribu&iacute;do um valor monet&aacute;rio a estes itens.<\/p>\n<p>Os primeiros resultados apresentaram a quantia de US$ 185 milh&otilde;es em efeitos causados nos ecossistemas e no meio ambiente durante 2010. O consumo de &aacute;gua e os gases-estufa geraram um impacto de quase US$ 121 milh&otilde;es. O restante, calculado em uma segunda inst&acirc;ncia, correspondeu a mudan&ccedil;as no uso do solo, pela produ&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;rias-primas, contamina&ccedil;&atilde;o do ar e produ&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos, quase todos na cadeia de fornecimento.<\/p>\n<p>A Puma planeja adotar uma conta completa de perdas e ganhos ambientais e sociais na qual tamb&eacute;m calcular&aacute; chuva &aacute;cida, fontes de n&eacute;voa t&oacute;xica, compostos org&acirc;nicos vol&aacute;teis, sal&aacute;rios justos, gera&ccedil;&atilde;o de empregos e pagamentos de tributos. A partir de sua primeira estimativa de impactos, a empresa se comprometeu a que 100% de suas embalagens e seus inv&oacute;lucros sejam sustent&aacute;veis e a reduzir em 25% sua produ&ccedil;&atilde;o de carbono e seu consumo de energia e de &aacute;gua, at&eacute; 2015.<\/p>\n<p>Dublin afirmou que, desde a Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (Rio+20), em junho, a Puma se viu admirada pelo interesse de outras empresas neste sistema informatizado. Por isso acredita que, para todos disporem desse instrumento, seu &quot;c&oacute;digo deve ser aberto&quot;. Entretanto, as repercuss&otilde;es destes esfor&ccedil;os devem ser maiores e isso exige um ator principal, segundo Bakker: o setor empresarial de economias emergentes como &Iacute;ndia, China e Brasil. Com uma popula&ccedil;&atilde;o de quase tr&ecirc;s bilh&otilde;es de habitantes, esses gigantes devem adotar uma posi&ccedil;&atilde;o firme para n&atilde;o colocar em jogo o bem-estar natural em troca de um r&aacute;pido desenvolvimento.<\/p>\n<p>&quot;Se n&atilde;o conseguirmos que estes pa&iacute;ses se desenvolvam de modo sustent&aacute;vel, n&atilde;o teremos esperan&ccedil;as&quot;, destacou Bakker. Ele considera que as na&ccedil;&otilde;es emergentes podem passar para uma via mais avan&ccedil;ada de tecnologias verdes, com a telefonia m&oacute;vel em lugar da fixa, ou fontes alternativas de energia, como o vento e o Sol, em lugar da contaminante gera&ccedil;&atilde;o t&eacute;rmica. &quot;Se copiarem o consumismo do Ocidente estaremos perdidos&quot;, enfatizou. E o WBCSD j&aacute; calculou os danos desse consumismo.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos 50 anos, se degradaram 60% dos servi&ccedil;os e bens que os ecossistemas naturais prestam, como &aacute;gua pot&aacute;vel, fibras, alimentos, regula&ccedil;&atilde;o do clima, controle das inunda&ccedil;&otilde;es e tratamento e purifica&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas, afirma um estudo divulgado em Jeju pelo WBCSD. O custo dessa degrada&ccedil;&atilde;o &eacute; descomunal: somente pelo desmatamento, perdemos anualmente entre US$ 3 trilh&otilde;es e US$ 5 trilh&otilde;es, diz o informe Biodiversity and Ecosystem Services &#8211; Scaling Up Business Solutions (Biodiversidade e Servi&ccedil;os de Ecossistemas &#8211; Incrementando as Solu&ccedil;&otilde;es Empresariais). De fato, parece que a natureza tem um pre&ccedil;o exorbitante.<\/p>\n<p>*<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JEJU, Coreia do Sul, 18\/09\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Desde a Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial o mundo empresarial opera sem estimar economicamente os recursos naturais. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/america-latina\/reportagem-empresas-calculam-quanto-devem-ao-planeta-terra\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,4],"tags":[17,21],"class_list":["post-10682","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10682","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10682"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10682\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10682"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10682"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10682"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}