{"id":10699,"date":"2012-09-21T08:41:28","date_gmt":"2012-09-21T08:41:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10699"},"modified":"2012-09-21T08:41:28","modified_gmt":"2012-09-21T08:41:28","slug":"israel-palestina-coabitando-em-separado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/direitos-humanos\/israel-palestina-coabitando-em-separado\/","title":{"rendered":"ISRAEL-PALESTINA: Coabitando em separado"},"content":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, Israel, 21\/09\/2012 &ndash; &quot;Olhe as balas das guerras de 1948 e 1967&quot;, disse o palestino Badr Abu Ad-Dula, mostrando as marcas nos muros exteriores do pr&eacute;dio de Jerusal&eacute;m oriental onde vive com sua fam&iacute;lia de 13 membros.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10699\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/palestino.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10699\" class=\"size-medium wp-image-10699\" title=\"O palestino Badr Abu Ad-Dula na entrada de sua casa, em Jerusal&eacute;m oriental. - Pierre Klochendler\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/palestino.jpg\" alt=\"O palestino Badr Abu Ad-Dula na entrada de sua casa, em Jerusal&eacute;m oriental. - Pierre Klochendler\/IPS\" width=\"200\" height=\"112\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10699\" class=\"wp-caption-text\">O palestino Badr Abu Ad-Dula na entrada de sua casa, em Jerusal&eacute;m oriental. - Pierre Klochendler\/IPS<\/p><\/div>  &quot;Aqui ficava o posto de controle jordaniano&quot;, acrescentou, apontando um buraco onde agora &eacute; a janela de um quarto. Cruzando a viela, uma quantidade indescrit&iacute;vel de metal amassado e arame farpado enferrujado marca onde antes ficava a fronteira.<\/p>\n<p>A casa de Ad-Dula fica no que antes de 1967 era terra de ningu&eacute;m, entre os setores oriental e ocidental da cidade. Quarenta e cinco anos depois, o edif&iacute;cio de tr&ecirc;s andares est&aacute; na primeira linha de muitas disputas que ocorrem em bairros palestinos de Jerusal&eacute;m oriental. As cinco fam&iacute;lias que vivem ali sob um &uacute;nico teto &#8211; 70 pessoas no total &#8211; est&atilde;o unidas contra uma amea&ccedil;a comum: despejo por parte de uma organiza&ccedil;&atilde;o de colonos israelenses chamada Nahalat Shimon, cujo fim &eacute; que mais judeus se estabele&ccedil;am na vizinhan&ccedil;a.<\/p>\n<p>Enquanto durou o mandato jordaniano (1948-1967), foram dados aos palestinos &#8211; muitos deles refugiados &#8211; direitos de ocupantes em casas de Jerusal&eacute;m oriental, sob a jurisdi&ccedil;&atilde;o da Cust&oacute;dia Jordaniana de Propriedades Inimigas. Foi assim que substitu&iacute;ram os judeus que haviam deixado suas casas para viver do lado israelense. Agora, israelenses ultranacionalistas invocam a Lei de Propriedade de Ausentes, imposta &agrave; parte ocupada da cidade, para despejar palestinos de casas onde vivem h&aacute; d&eacute;cadas.<\/p>\n<p>Na mesma rua da casa de Ad-Dula, um ativista judeu sai de uma casa &aacute;rabe que at&eacute; h&aacute; cinco anos era ocupada exclusivamente pelos Al-Kurd. Em sua fachada um grafite reflete o amargo conflito que o intruso enfrentou com a fam&iacute;lia palestina: &agrave; frase &quot;Libertem a Palestina&quot; foi acrescentado &quot;da esc&oacute;ria esquerdista&quot;. &quot;Os ativistas pr&oacute;-palestinos escreveram sua parte, e n&oacute;s acrescentamos a nossa&quot;, explica Yaakov Fauci, um dos moradores judeus que agora ocupam os c&ocirc;modos da frente. Os Al-Kurd foram relegados &agrave; parte traseira da casa.<\/p>\n<p>&quot;A Corte Suprema (de Israel) decidiu a nosso favor&quot;, afirmou. &quot;Mas a parte da frente &eacute; uma extens&atilde;o ilegal da constru&ccedil;&atilde;o original que est&aacute; atr&aacute;s. N&atilde;o contava com autoriza&ccedil;&atilde;o de constru&ccedil;&atilde;o, por isso foi violado o acordo sobre os direitos de ocupa&ccedil;&atilde;o&quot;, acrescentou. &quot;Assim, a Corte determinou que os &aacute;rabes tinham que se mudar para a parte de tr&aacute;s. N&oacute;s, na verdade, nos mudamos para o anexo ilegal&quot;, explicou. Fauci admite que &quot;&eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o estranha, sem precedentes para as leis israelenses. Se poderia dizer que vivemos legalmente em uma constru&ccedil;&atilde;o ilegal. Mas hoje em dia ocorrem muitas coisas estranhas. Simplesmente &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o muito ruim&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Implantada por meio de batalhas legais que podem demorar anos, a coabita&ccedil;&atilde;o for&ccedil;ada &eacute; vigiada de perto: as casas ocupadas por colonos judeus est&atilde;o equipadas com c&acirc;meras de circuito fechado de televis&atilde;o. E n&atilde;o h&aacute; coexist&ecirc;ncia genu&iacute;na quando a percep&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua &eacute; que a exist&ecirc;ncia nacional est&aacute; em jogo. &quot;Cada um se importa consigo. Temos que nos aferrar ao que temos&quot;, disse Fauci. Na mesma rua, a frase &quot;Aferrarmos ao que temos&quot; reflete com precis&atilde;o a mentalidade de Ad-Dula.<\/p>\n<p>&quot;S&oacute; me tirar&atilde;o daqui com os tratores&quot;, afirma indignado este chefe de fam&iacute;lia, imitando com os bra&ccedil;os o movimento das m&aacute;quinas. &quot;Vivi aqui os &uacute;ltimos 57 anos. Fico. Isto &eacute; tudo&quot;, afirmou Ad-Dula, que vive neste pr&eacute;dio desde seus tr&ecirc;s anos. Ap&oacute;s a guerra de 1948, a constru&ccedil;&atilde;o foi abandonada por seus donos judeus. Ent&atilde;o, os Ad-Dula viviam na parte antiga da cidade e eram pobres. Quando as autoridades jordanianas lhes concederam os direitos de ocupa&ccedil;&atilde;o, em 1955, se mudaram para o que hoje &eacute; seu lar. &quot;Ningu&eacute;m queria viver aqui, perto da fronteira. Pensavam que est&aacute;vamos loucos&quot;, lembrou.<\/p>\n<p>Dois meses depois da reunifica&ccedil;&atilde;o da cidade sob o comando israelense, em 1967, os herdeiros dos propriet&aacute;rios judeus reclamaram a propriedade. &quot;Em 1972, o Tribunal Distrital israelense decidiu que o edif&iacute;cio pertencia aos judeus. Mas tamb&eacute;m proibiu que nos despejassem. Fomos proibidos de fazer reformas. E tamb&eacute;m proibiu os donos de aumentarem o aluguel&quot;, disse Ad-Dula. H&aacute; dois anos, os donos &quot;leg&iacute;timos&quot; venderam a propriedade ao magnata judeu norte-americano Irving Moskowitz, apoio de muitos projetos de assentamentos dentro das &aacute;reas palestinas da cidade.<\/p>\n<p>Agora o caso voltou ao tribunal. &quot;Moskowitz quer despejar todos os &aacute;rabes daqui. H&aacute; uma decis&atilde;o judicial. N&oacute;s pagamos o aluguel&quot;, protesta Ad-Dula, que trabalha como diretor de manuten&ccedil;&atilde;o do Hotel Monte Scopus. Sua vizinha, Umm Auni Bashiti, afirma que antes de 1948 sua fam&iacute;lia tinha &quot;quatro com&eacute;rcios e sete casas&quot; no bairro judeu da parte antiga de Jerusal&eacute;m. &quot;Deixem que os israelenses me devolvam essas propriedades&quot;, reclamou.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, os israelenses gozam de um privil&eacute;gio que os palestinos n&atilde;o t&ecirc;m: o direito de ter de volta propriedades abandonadas ap&oacute;s a guerra de 1948. A l&oacute;gica dos colonos &eacute; resumida por um deles, que vive no bairro e que n&atilde;o quis ser identificado: &quot;As propriedades de Jerusal&eacute;m oriental foram tomadas por uma guerra e uma conquista leg&iacute;timas. Assim, se eles querem nos desafiar legalmente, estou certo de que ter&atilde;o sua oportunidade nos tribunais&quot;, enfatizou. Os colonos est&atilde;o certos de que suas muitas batalhas legais pelos direitos e t&iacute;tulos de propriedade em Jerusal&eacute;m oriental logo dar&atilde;o frutos irrevers&iacute;veis.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a pol&iacute;tica israelense de &quot;deixar fazer&quot;, em rela&ccedil;&atilde;o aos colonos, aumenta a paralisa&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica. &quot;O caminho para a paz &eacute; a afirma&ccedil;&atilde;o de nossas reclama&ccedil;&otilde;es e nossos direitos&quot;, este &eacute; o lema dos colonos. Anoitece, &eacute; hora de cear. A comida &eacute; simples no lar de Ad-Dula: frango assado, arroz fervido e saladas. Em tempos de incerteza, tamb&eacute;m se deve buscar conforto na fam&iacute;lia, e orar. &quot;Gostaria que meus filhos e netos vivessem aqui a vida toda, como eu. Mas ter&atilde;o que ir. Os colonos t&ecirc;m leis e advogados; n&oacute;s s&oacute; temos a justi&ccedil;a de Deus&quot;, lamentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Este artigo &eacute; o primeiro de uma s&eacute;rie de dois sobre a batalha que travam os colonos israelenses pela terra e pelas propriedades dentro dos bairros palestinos de Jerusal&eacute;m oriental.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, Israel, 21\/09\/2012 &ndash; &quot;Olhe as balas das guerras de 1948 e 1967&quot;, disse o palestino Badr Abu Ad-Dula, mostrando as marcas nos muros exteriores do pr&eacute;dio de Jerusal&eacute;m oriental onde vive com sua fam&iacute;lia de 13 membros. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/direitos-humanos\/israel-palestina-coabitando-em-separado\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":430,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[16],"class_list":["post-10699","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10699","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/430"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10699"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10699\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}