{"id":10706,"date":"2012-09-24T09:46:59","date_gmt":"2012-09-24T09:46:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10706"},"modified":"2012-09-24T09:46:59","modified_gmt":"2012-09-24T09:46:59","slug":"portugal-a-crise-no-pode-com-as-salinas-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/economia\/portugal-a-crise-no-pode-com-as-salinas-do-sul\/","title":{"rendered":"PORTUGAL: A crise n&atilde;o pode com as salinas do sul"},"content":{"rendered":"<p>Castro Marim, Portugal, 24\/09\/2012 &ndash; Com o mercado interno profundamente deprimido, uma alternativa promissora em Portugal parece ser o incentivo &agrave;s exporta&ccedil;&otilde;es tradicionais que, devido &agrave; sua alta qualidade ou sua singularidade, n&atilde;o enfrentam a feroz competi&ccedil;&atilde;o externa.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10706\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/sal.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10706\" class=\"size-medium wp-image-10706\" title=\"Fase final de sele&ccedil;&atilde;o de flor de sal em Castro Marim. - Katalin Muharay\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/sal.jpg\" alt=\"Fase final de sele&ccedil;&atilde;o de flor de sal em Castro Marim. - Katalin Muharay\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10706\" class=\"wp-caption-text\">Fase final de sele&ccedil;&atilde;o de flor de sal em Castro Marim. - Katalin Muharay\/IPS<\/p><\/div>  A chamada flor de sal &eacute; um desses produtos. A recomenda&ccedil;&atilde;o da maioria dos economistas, inclu&iacute;dos simpatizantes do governo, &eacute; retomar as vendas daqueles produtos nos quais Portugal se distingue, como cal&ccedil;ados, laranjas, corti&ccedil;a, vinhos e sal marinho, entre os mais mencionados.<\/p>\n<p>Tal como o leite, o sal marinho tem seu creme: a chamada flor de sal, utilizada pelos chefes dos melhores restaurantes do mundo e que na Gr&atilde;-Bretanha &eacute; vendida como &quot;caviar dos sais&quot;. A extra&ccedil;&atilde;o do sal marinho &eacute; exemplo de uma atividade tradicional em desenvolvimento que se apresenta como uma alternativa de sucesso diante da crise. a IPS visitou as salinas da localidade de Castro Marim, a 330 quil&ocirc;metros de Lisboa, na regi&atilde;o meridional de Algarve, que conta com condi&ccedil;&otilde;es especiais de produ&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Jorge Filipe Raiado, propriet&aacute;rio e gerente da pequena mas emblem&aacute;tica empresa Salmarim, encontrou um nicho de neg&oacute;cios ao centrar seus esfor&ccedil;os na produ&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o de flor de sal, um produto mais rent&aacute;vel do que o sal tradicional. O sal marinho &eacute; produzido somente no ver&atilde;o e n&atilde;o se armazena. &quot;A expans&atilde;o das exporta&ccedil;&otilde;es se baseia essencialmente nos chefes de cozinha, que exigem para seus pratos um produto de primeira qualidade, como &eacute; a flor do sal&quot;, disse &agrave; IPS.<\/p>\n<p>A contra&ccedil;&atilde;o &eacute; n&iacute;tida em quase toda a Europa, e de maneira contundente na vizinha Espanha, principal s&oacute;cia comercial de Portugal, mas Raiado reconhece que em seu ramo &quot;a crise n&atilde;o &eacute; muito sentida&quot;, e acrescenta: &quot;&Eacute; verdade que existe e, talvez, sem as dificuldades atuais tiv&eacute;ssemos mais clientes, mas o certo &eacute; que estamos crescendo, devido principalmente &agrave;s exporta&ccedil;&otilde;es&quot;.<\/p>\n<p>O que &eacute; flor de sal?, perguntou a IPS. &quot;Quando o leite ferve h&aacute; uma diferen&ccedil;a de temperatura entre o l&iacute;quido e o ar, e se forma uma pel&iacute;cula fr&aacute;gil de nata, que facilmente se desintegra sob press&atilde;o entre os dedos. A flor de sal &eacute; exatamente a mesma coisa&quot;, explicou. Este produto &eacute; de coalho cristalino, &uacute;mido, formado por aglomerados de microcristais, que n&atilde;o mudam o sabor dos alimentos, mas produzem uma explos&atilde;o de sabores, ao contr&aacute;rio do sal refinado industrial ins&iacute;pido.<\/p>\n<p>Um quilo de flor de sal custa US$ 25 em Portugal, mas no exterior chega at&eacute; a US$ 129, por isso &eacute; um neg&oacute;cio lucrativo para exportar para Espanha, Fran&ccedil;a, Pol&ocirc;nia, Alemanha, Estados Unidos, Canad&aacute;, Dinamarca, Su&iacute;&ccedil;a, B&eacute;lgica, Gr&atilde;-Bretanha e Hungria, que s&atilde;o os principais destinos. Sua competidora mais pr&oacute;xima &eacute; a francesa Fleur de Sel.<\/p>\n<p>As vendas da Salmarim n&atilde;o s&atilde;o de grande volume, apenas oito toneladas ao ano de flor de sal, mas a criatividade e a tenacidade de Raiado para encontrar caminhos diante da crise v&aacute;rias vezes s&atilde;o citadas como um exemplo de sucesso. A promo&ccedil;&atilde;o da flor de sal de qualidade se centra na distin&ccedil;&atilde;o da marca e do produto como mat&eacute;ria-prima associada a chefes internacionalmente reconhecidos, que s&atilde;o a melhor carta de apresenta&ccedil;&atilde;o do produto. Hoje, o caviar h&uacute;ngaro &eacute; embalado com flor de sal comprada da Samarim, por exemplo.<\/p>\n<p>Raiado admite que o produto pode ser mais caro, mas suas vantagens residem em sua origem, nas salinas da Reserva Natural de Castro Marim, &quot;que garante um produto tradicional com melhor qualidade do que o sal industrial refinado da concorr&ecirc;ncia&quot;, acrescentando-se que n&atilde;o tem efeitos secund&aacute;rios para a sa&uacute;de, especialmente para a press&atilde;o arterial.<\/p>\n<p>Portugal consagrou o sal como uma das exporta&ccedil;&otilde;es de sucesso para paliar os efeitos da tempestade econ&ocirc;mico-financeira, a pior que Portugal j&aacute; sofreu desde a instaura&ccedil;&atilde;o da democracia em 1974. Com uma amostra dessa crise, dados do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a divulgados em julho indicam que 10.379 empresas fecharam suas portas no primeiro semestre do ano, 33% mais do que no mesmo per&iacute;odo de 2011.<\/p>\n<p>Desde o in&iacute;cio do novo governo h&aacute; 15 meses, a administra&ccedil;&atilde;o do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, se empenha a fundo em aplicar a receita ditada pela Uni&atilde;o Europeia, pelo Fundo Monet&aacute;rio Internacional e pelo Banco Central europeu. Em troca de US$ 110 bilh&otilde;es para resgate das finan&ccedil;as p&uacute;blicas, esta troika de credores exigiu redu&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima dos sal&aacute;rios, aumento consider&aacute;vel dos impostos, reduzir as contribui&ccedil;&otilde;es para a Assist&ecirc;ncia Social das empresas e aumentar a dos trabalhadores, para converter Portugal em um pa&iacute;s competitivo atrav&eacute;s da m&atilde;o de obra barata.<\/p>\n<p>Este modelo de &quot;empobrecer para competir s&oacute; pode existir na cabe&ccedil;a de economistas dogm&aacute;ticos&quot;, diz o historiador Rui Tavares, deputado dos Verdes no Parlamento Europeu, em uma coluna de opini&atilde;o publicada no dia 17 pelo jornal P&uacute;blico. Na verdade, todas as diretrizes da UE, do FMI e do governo de Passos Coelho falharam, e a economia segue em um preocupante ritmo descendente, com desemprego na casa dos 15,8% da popula&ccedil;&atilde;o economicamente ativa, in&eacute;dita em Portugal.<\/p>\n<p>O peso das exporta&ccedil;&otilde;es portuguesas em 2011, segundo estudo do Banco do Esp&iacute;rito Santo divulgado no come&ccedil;o do ano, representou 35% do produto interno bruto e a previs&atilde;o para o fechamento de 2012 &eacute; de 37%. Dados do Banco de Portugal e do Instituto Nacional de Estat&iacute;sticas indicam que nos primeiros sete meses deste ano as exporta&ccedil;&otilde;es de bens e servi&ccedil;os chegaram a US$ 48,5 bilh&otilde;es, 6,5% mais do que em igual per&iacute;odo de 2011, mostrando, assim, o melhor desempenho dos &uacute;ltimos cinco anos.<\/p>\n<p>O d&eacute;ficit da balan&ccedil;a comercial chegou, nos sete primeiros meses do ano passado, a 8,5% do PIB, mas no mesmo per&iacute;odo deste ano caiu para 1,8%. A &uacute;ltima vez que Portugal chegou ao equil&iacute;brio exterior foi h&aacute; 70 anos. A empresa de Raiado &eacute; pequena e, portanto, ainda n&atilde;o incide por si s&oacute; na luta por postos de trabalho nem na queda do d&eacute;ficit, mas seu exemplo &eacute; grande e seu crescimento bastante promissor. Em 2010, ano dos &uacute;ltimos dados dispon&iacute;veis, Portugal produziu US$ 44.574 toneladas de sal marinho, 10,5% delas de flor de sal. Isso demonstra que o sal pode ser o sal&aacute;rio em tempo de crise, ao menos no sul de Portugal. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Castro Marim, Portugal, 24\/09\/2012 &ndash; Com o mercado interno profundamente deprimido, uma alternativa promissora em Portugal parece ser o incentivo &agrave;s exporta&ccedil;&otilde;es tradicionais que, devido &agrave; sua alta qualidade ou sua singularidade, n&atilde;o enfrentam a feroz competi&ccedil;&atilde;o externa. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/economia\/portugal-a-crise-no-pode-com-as-salinas-do-sul\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":919,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5],"tags":[18],"class_list":["post-10706","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10706","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/919"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10706"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10706\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10706"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10706"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10706"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}