{"id":10708,"date":"2012-09-24T09:50:12","date_gmt":"2012-09-24T09:50:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10708"},"modified":"2012-09-24T09:50:12","modified_gmt":"2012-09-24T09:50:12","slug":"mulheres-redefinem-a-cultura-trabalhista-japonesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/economia\/mulheres-redefinem-a-cultura-trabalhista-japonesa\/","title":{"rendered":"Mulheres redefinem a cultura trabalhista japonesa"},"content":{"rendered":"<p>T&oacute;quio, Jap&atilde;o, 24\/09\/2012 &ndash; Descontente com quem foi seu empregador durante cinco anos, a japonesa Chikako Harada, de 34 anos, se demitiu h&aacute; tr&ecirc;s meses e acaba de iniciar um novo trabalho em uma grande empresa de vendas pela Internet. <!--more--> &quot;Saber ingl&ecirc;s foi uma vantagem no dif&iacute;cil mercado de trabalho do Jap&atilde;o&quot;, afirmou. Harada pode n&atilde;o ser a norma entre as mulheres que trabalham, mas, segundo especialistas, reflete a nova determina&ccedil;&atilde;o das jovens japonesas de abrirem caminho com flexibilidade em um mercado complexo.<\/p>\n<p>&quot;As mulheres de 20 e 30 anos est&atilde;o redefinindo o velho modelo trabalhista que cultuava o emprego pela vida toda em um mundo corporativo dominado por homens&quot;, disse Midori Ito, diretor do Centro de A&ccedil;&atilde;o para as Mulheres que Trabalham. &quot;Ao poderem manejar diferentes empregos, as mulheres est&atilde;o insuflando novas ideias em um fr&aacute;gil mercado trabalhista&quot;, disse Ito.<\/p>\n<p>Enquanto o Jap&atilde;o enfrenta um crescente desemprego, com empresas que preferem contratos em per&iacute;odo parcial para combater a recess&atilde;o, as mulheres surgem como modelos importantes, segundo especialistas em assuntos de trabalho. Fumio Ohtake, que pesquisa estes temas na Universidade de Osaka, explicou &agrave; IPS que a crise do desemprego centrou a aten&ccedil;&atilde;o nos perfis convencionais do trabalho feminino, marcados pelo tipo de flexibilidade que pode combater a redu&ccedil;&atilde;o de oportunidades de trabalho.<\/p>\n<p>&quot;No mundo corporativo dominado pelos homens, as trabalhadoras comumente foram relegadas a postos marginais. &Eacute; tempo de avaliar a velha imagem e aprender uma li&ccedil;&atilde;o a partir de como as mulheres adaptam suas carreiras para sobreviverem&quot;, observou Ohtake. A lei de igualdade de oportunidades do Jap&atilde;o, que data de 1985, raramente &eacute; invocada, e as empresas continuam aplicando pr&aacute;ticas discriminat&oacute;rias com impunidade. Assim, o Jap&atilde;o &eacute; classificado como o mais desigual dos pa&iacute;ses ricos em mat&eacute;ria de g&ecirc;nero, segundo o Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).<\/p>\n<p>O sistema de emprego pela vida toda, visto como a pe&ccedil;a fundamental do milagre econ&ocirc;mico do p&oacute;s-guerra no Jap&atilde;o, favoreceu os homens com base em seu papel tradicional de chefes da fam&iacute;lia. Mas, enquanto as empresas se veem obrigadas a realizar demiss&otilde;es em meio a uma prolongada recess&atilde;o, o mercado de trabalho tradicional &eacute; substitu&iacute;do por empregos de meio per&iacute;odo ou por contratos por tempo determinado, onde as mulheres podem ter melhores possibilidades.<\/p>\n<p>Na verdade, as novas oportunidades de trabalho surgidas nos &uacute;ltimos anos foram, em sua maioria, de tempo parcial, e os empregos por contrato agora absorvem quase 34% dos 63 milh&otilde;es de pessoas que integram a for&ccedil;a de trabalho do Jap&atilde;o. As mulheres constituem 70% dos empregados de tempo parcial, principalmente como trabalhadoras dom&eacute;sticas e em restaurantes onde recebem por hora e os benef&iacute;cios s&atilde;o escassos.<\/p>\n<p>Consciente da crescente ansiedade p&uacute;blica em torno do emprego, o governo se comprometeu em agosto a examinar a situa&ccedil;&atilde;o dos que trabalham em tempo parcial e de modo irregular, com vistas a fazer com que as empresas ofere&ccedil;am emprego de per&iacute;odo integral para os que integram seu quadro de funcion&aacute;rios h&aacute; mais de cinco anos. Em outubro o Jap&atilde;o tamb&eacute;m dever&aacute; aumentar o sal&aacute;rio m&iacute;nimo para U$ 7 a hora, em uma tentativa de melhorar a renda dos trabalhadores em tempo parcial.<\/p>\n<p>Entretanto, os especialistas criticam as novas medidas por considerarem que s&atilde;o pouco sistem&aacute;ticas e n&atilde;o apoiam mudan&ccedil;as de longo prazo no mercado de trabalho. Durante muito tempo Ito fez campanha a favor do &quot;trabalho decente&quot;, um conceito internacional que exige que o emprego respeite os direitos dos trabalhadores. Ele acredita que a crise do emprego pode se converter em um catalisador para que tanto trabalhadores quanto trabalhadoras levem vidas est&aacute;veis.<\/p>\n<p>&quot;Mulheres mais jovens, como Harada, com sua determina&ccedil;&atilde;o de encontrar novos trabalhos refletem o desejo das mulheres solteiras &#8211; e, agora, de cada vez mais homens jovens &#8211; de enfrentar o risco do desemprego desenvolvendo uma nova &eacute;tica e novos padr&otilde;es trabalhistas&quot;, disse &agrave; IPS. Yoshiko Otsu, diretora da Sociedade de Mulheres Trabalhadoras, uma organiza&ccedil;&atilde;o que d&aacute; apoio a mulheres que se empregam em tempo parcial, admitiu a necessidade de se concretizarem essas mudan&ccedil;as para ser poss&iacute;vel enfrentar as dificuldades, que s&atilde;o cada vez maiores.<\/p>\n<p>&quot;A situa&ccedil;&atilde;o atual &eacute; dif&iacute;cil para as trabalhadoras, as torna vulner&aacute;veis. O governo deve apoiar as mulheres que querem se liberar das cadeias tradicionais, mas as novas leis que prometem obrigar as empresas a lhes dar trabalho em tempo integral n&atilde;o s&atilde;o realistas&quot;, disse Otsu &agrave; IPS. A organiza&ccedil;&atilde;o de Otsu investiga diariamente centenas de empregadas contratadas que se queixam de falta de pagamento, ass&eacute;dio sexual e abuso de poder por parte de seus chefes.<\/p>\n<p>Otsu criticou as novas regulamenta&ccedil;&otilde;es governamentais, segundo as quais as empresas facilmente podem p&ocirc;r fim aos servi&ccedil;os de suas trabalhadoras antes de completarem cinco anos na empresa, o que tornaria ainda mais insegura a situa&ccedil;&atilde;o das mulheres no mercado de trabalho. Embora n&atilde;o haja estat&iacute;sticas concretas sobre as mulheres, os dados existentes obtidos por pesquisas indicam que elas est&atilde;o come&ccedil;ando a liderar o nicho de oportunidades no trabalho comunit&aacute;rio. Nisto acredita Miki Hara, dona da Drop, uma empresa sem fins lucrativos com sede em Yokohama que oferece servi&ccedil;os a m&atilde;es com filhos pequenos.<\/p>\n<p>&quot;Minha pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia mostra que &eacute; poss&iacute;vel ser economicamente independente sendo inovadora&quot;, disse Hara &agrave; IPS. &quot;A ideia de iniciar uma empresa que d&aacute; espa&ccedil;o &agrave;s que acabam de ser m&atilde;es e aos seus filhos para fazerem coisas juntas me ocorreu depois que o aumento da d&iacute;vida p&uacute;blica derivou em novas pol&iacute;ticas oficiais que reconheceram que os burocratas sozinhos n&atilde;o podiam solucionar os problemas comunit&aacute;rios. Aprendemos a nos mantermos por n&oacute;s mesmas&quot;, acrescentou. Atualmente a Drop emprega cinco trabalhadoras em per&iacute;odo integral e mais de 30 em tempo parcial. E, embora as coisas n&atilde;o sejam f&aacute;ceis, segundo Hara, sua empresa desempenha um papel pioneiro no trabalho comunit&aacute;rio. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>T&oacute;quio, Jap&atilde;o, 24\/09\/2012 &ndash; Descontente com quem foi seu empregador durante cinco anos, a japonesa Chikako Harada, de 34 anos, se demitiu h&aacute; tr&ecirc;s meses e acaba de iniciar um novo trabalho em uma grande empresa de vendas pela Internet. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/economia\/mulheres-redefinem-a-cultura-trabalhista-japonesa\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":200,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,11],"tags":[17,21,24],"class_list":["post-10708","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-politica","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10708","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/200"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10708"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10708\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10708"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10708"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10708"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}