{"id":1071,"date":"2005-10-05T00:00:00","date_gmt":"2005-10-05T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1071"},"modified":"2005-10-05T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-05T00:00:00","slug":"frica-reservas-de-petrleo-manchadas-pela-corrupo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/mundo\/frica-reservas-de-petrleo-manchadas-pela-corrupo\/","title":{"rendered":"&Aacute;frica: Reservas de petr&oacute;leo manchadas pela corrup&ccedil;&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Johannesburgo, 05\/10\/2005 &ndash; &quot;Os pa&iacute;ses produtores de petr&oacute;leo figuram entre os mais corruptos e miser&aacute;veis do mundo&quot;, disse Peter Eigen, fundador e presidente da organiza&ccedil;&atilde;o Transpar&ecirc;ncia Internacional. Pa&iacute;ses ricos em petr&oacute;leo como Angola, chade, L&iacute;bia, Nig&eacute;ria e Sud&atilde;o, receberam uma qualifica&ccedil;&atilde;o m&aacute; no &Iacute;ndice de Percep&ccedil;&atilde;o da Corrup&ccedil;&atilde;o de 2004, elaborado pela TI. O estudo, realizado todos os anos por esta organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental com sede em Berlim, avalia v&aacute;rios Estados conforme o grau de percep&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia de corrup&ccedil;&atilde;o segundo empres&aacute;rios e l&iacute;deres de opini&atilde;o.<br \/> <!--more--> <br \/> Nos pa&iacute;ses identificados por Eigen, os lucros por contratos p&uacute;blicos no setor petrol&iacute;fero desapareceram nos bolsos de funcion&aacute;rios locais, intermedi&aacute;rios e executivos estrangeiros, afirmou a TI. &quot;No setor abunda a corrup&ccedil;&atilde;o, a falta de transpar&ecirc;ncia e a m&aacute; administra&ccedil;&atilde;o, especialmente em pa&iacute;ses em transi&ccedil;&atilde;o e economias de p&oacute;s-guerra&quot;, destacou a organiza&ccedil;&atilde;o em uma declara&ccedil;&atilde;o. A corrup&ccedil;&atilde;o custa milhares de milh&otilde;es de d&oacute;lares anuais &agrave; industria petrol&iacute;fera da &Aacute;frica, disse Eigen aos jornalistas na semana passada, durante reuni&atilde;o organizada pela filial sul-africana da TI em Johannesburgo.<\/p>\n<p> Eigen tamb&eacute;m participou do 18&ordm; Congresso Mundial do Petr&oacute;leo, que aconteceu entre 25 e 29 de setembro nesta cidade da &Aacute;frica do Sul com a presen&ccedil;a de mais de quatro mil delegados. &quot;A Guin&eacute; Equatorial, com popula&ccedil;&atilde;o de aproximadamente 521 mil habitantes, deveria ser a mais rica, com todos dirigindo uma Mercedes&quot;, disse Eigen. Mas isso n&atilde;o acontece porque os funcion&aacute;rios desse pa&iacute;s da &Aacute;frica ocidental s&atilde;o corruptos, afirmou. Esse pa&iacute;s, cujas reservas de petr&oacute;leo s&atilde;o estimadas em 1,280 bilh&atilde;o de barris, come&ccedil;ou a exportar o produto em 1991. Semelhantes acusa&ccedil;&otilde;es de corrup&ccedil;&atilde;o contaminam a Nig&eacute;ria, onde o j&aacute; morto ditador Sani Abacha roubou US$ 2,2 bilh&otilde;es entre 1993 e 1998, segundo diversas vers&otilde;es.<\/p>\n<p> Parte desse dinheiro foi depositada em bancos su&iacute;&ccedil;os, que devolveram US$ 290 milh&otilde;es em fundos saqueados &agrave; Nig&eacute;ria. Outros US$ 168 milh&otilde;es seriam transferidos nos pr&oacute;ximos meses. As autoridades su&iacute;&ccedil;as queriam que o Banco Mundial controlasse os fundos repatriados, para garantir que n&atilde;o seriam novamente desviados por funcion&aacute;rios corruptos, e chegaram a sugerir que o dinheiro deveria ser destinado diretamente &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e projetos de infra-estrutura. O Banco Mundial se negou a faz&ecirc;-lo. Mas, fica claro que o dinheiro do petr&oacute;leo n&atilde;o chegou aos cidad&atilde;os comuns da Nig&eacute;ria. Eigen disse que no delta do N&iacute;ger, onde se produz a maior parte do petr&oacute;leo do pa&iacute;s, a minoria &eacute;tnica ogum vive na mais abjeta pobreza. Para combatera a corrup&ccedil;&atilde;o a Nig&eacute;ria pretende abrir sua ind&uacute;stria petrol&iacute;fera a um controle maior. Seu ministro de Petr&oacute;leo e Energia, Edmund Doukoru, disse ao Congresso Mundial do Petr&oacute;leo que seu pa&iacute;s colocaria &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica a informa&ccedil;&atilde;o referente ao petr&oacute;leo. <\/p>\n<p> No Sud&atilde;o a tribo nuer, que habita os vastos campos petrol&iacute;feros do sul, sofre pen&uacute;rias semelhantes &agrave;s dos ogoni, pediu-se aos funcion&aacute;rios nuer que renunciem ao governo de unidade nacional em protesto contra sua aus&ecirc;ncia no gabinete. &quot;&Eacute; um fato indiscut&iacute;vel que 80% do petr&oacute;leo sudan&ecirc;s fica em territ&oacute;rio nuer. A marginaliza&ccedil;&atilde;o dos nuer &eacute; um ato deliberado para impedir os pol&iacute;ticos desse extrato de participarem da divis&atilde;o da riqueza gerada pelo petr&oacute;leo&quot;, afirmou em setembro o Sindicato da Comunidade Nuer na Am&eacute;rica do Norte. Agora, o governo sudan&ecirc;s &quot;est&aacute; empenhado em tratar os nuer como s&atilde;o tratados os ogni na Nig&eacute;ria, cujo petr&oacute;leo &eacute; saqueado enquanto eles vivem na pobreza extrema&quot;, acrescenta a declara&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> Em Angola, como na Nig&eacute;ria, o lucro com o petr&oacute;leo tamb&eacute;m est&aacute; envolvido em um manto de segredo. &quot;O governo poderia fazer qualquer coisa com o dinheiro: comprar armas, contratar mercen&aacute;rios ou roub&aacute;-lo&quot;, afirmou Eigen. Entretanto, o angolano Francisco da Cruz, da British Petroleum, disse na reuni&atilde;o de Johannesburgo que a mudan&ccedil;a estava em marcha em Angola. &quot;No passado, o governo n&atilde;o foi transparente por raz&otilde;es de seguran&ccedil;a. Mas, desde o ano passado, o or&ccedil;amento lentamente est&aacute; se tornando transparente. Acreditamos que isto &eacute; muito bom&quot;, acrescentou Cruz, que solicitou maior tato na luta contra a corrup&ccedil;&atilde;o entre funcion&aacute;rios africanos. <\/p>\n<p> &quot;O melhor &eacute; influir neles tendo uma discuss&atilde;o positiva em um ambiente controlado. O confronto n&atilde;o ajuda&quot;, afirmou Cruz. &quot;Nos governos africanos h&aacute; gente que deseja mudar. A nova gera&ccedil;&atilde;o de l&iacute;deres africanos quer que as coisas mudem. A natureza cuidar&aacute; da velha guarda que se op&otilde;e &agrave;s mudan&ccedil;as. Alguns nem mesmo podem ir ao escrit&oacute;rio trabalhar das 9h &aacute;s 17h. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Johannesburgo, 05\/10\/2005 &ndash; &quot;Os pa&iacute;ses produtores de petr&oacute;leo figuram entre os mais corruptos e miser&aacute;veis do mundo&quot;, disse Peter Eigen, fundador e presidente da organiza&ccedil;&atilde;o Transpar&ecirc;ncia Internacional. Pa&iacute;ses ricos em petr&oacute;leo como Angola, chade, L&iacute;bia, Nig&eacute;ria e Sud&atilde;o, receberam uma qualifica&ccedil;&atilde;o m&aacute; no &Iacute;ndice de Percep&ccedil;&atilde;o da Corrup&ccedil;&atilde;o de 2004, elaborado pela TI. 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