{"id":10713,"date":"2012-09-25T09:08:15","date_gmt":"2012-09-25T09:08:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10713"},"modified":"2012-09-25T09:08:15","modified_gmt":"2012-09-25T09:08:15","slug":"sria-aleppo-a-cidade-onde-todos-perdem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/direitos-humanos\/sria-aleppo-a-cidade-onde-todos-perdem\/","title":{"rendered":"S&Iacute;RIA: Aleppo, a cidade onde todos perdem"},"content":{"rendered":"<p>Aleppo, S&iacute;ria, 25\/09\/2012 &ndash; &quot;O ELS se colocou entre n&oacute;s e agora o regime nos bombardeia&quot;, protesta um homem em uma rua desta cidade do norte da S&iacute;ria, enquanto observa a destrui&ccedil;&atilde;o causada por m&iacute;sseis lan&ccedil;ados por for&ccedil;as do governo.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10713\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/residente.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10713\" class=\"size-medium wp-image-10713\" title=\"Morador de Aleppo em meio a um pr&eacute;dio bombardeado pelas for&ccedil;as do presidente Bashar al-Assad. - Zak Brophy\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/residente.jpg\" alt=\"Morador de Aleppo em meio a um pr&eacute;dio bombardeado pelas for&ccedil;as do presidente Bashar al-Assad. - Zak Brophy\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10713\" class=\"wp-caption-text\">Morador de Aleppo em meio a um pr&eacute;dio bombardeado pelas for&ccedil;as do presidente Bashar al-Assad. - Zak Brophy\/IPS<\/p><\/div>  &quot;Por que temos que morrer por isto? Durante um ano e meio conseguimos viver em paz, at&eacute; que o ELS chegou ao nosso bairro&quot;, lamenta, enquanto algumas pessoas ao seu lado participam de uma acalorada discuss&atilde;o.<\/p>\n<p>Os enfrentamentos pelo controle de Aleppo entre o ELS (Ex&eacute;rcito Livre da S&iacute;ria) e as for&ccedil;as do presidente Bashar al-Assad come&ccedil;aram h&aacute; cerca de dois meses. Agora a oposi&ccedil;&atilde;o controla quase dois ter&ccedil;os desta cidade. O governo n&atilde;o conseguiu recuperar o controle, o que afetou gravemente sua moral, e lan&ccedil;ou uma campanha implac&aacute;vel de bombardeios a&eacute;reos com avi&otilde;es, helic&oacute;pteros e artilharia, em uma tentativa de sufocar os rebeldes.<\/p>\n<p>A &aacute;rea &eacute; densamente povoada, por isso casas, f&aacute;bricas, escolas e hospitais est&atilde;o sendo destru&iacute;dos. Ningu&eacute;m sabe exatamente o n&uacute;mero de mortos. Mais de 200 mil pessoas abandonaram a &aacute;rea. Pode ser que as bombas do regime de Assad tenham destru&iacute;do a legitimidade que talvez tivesse na zona, mas tamb&eacute;m &eacute; certo que o ELS &eacute; considerado um intruso. &quot;As pessoas come&ccedil;am a nos culpar&quot;, disse Abdul Fader, erudito isl&acirc;mico de Aleppo e l&iacute;der de brigada de aproximadamente 150 combatentes rebeldes. &quot;Temos muita press&atilde;o para acabar r&aacute;pido com isto&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>No distrito vizinho de Sharaiyeh, um edif&iacute;cio inteiro foi destru&iacute;do por ataques a&eacute;reos e reina uma calma desconcertante. Um caminh&atilde;o ficou soterrado pelos escombros, uma torre de alta tens&atilde;o permanece atravessada na rua e n&atilde;o se ouve mais do que o incessante fluir da &aacute;gua de uma caixa d&#39;&aacute;gua arrebentada sobre um telhado. &quot;Cheguei esta manh&atilde; e encontrei isto&quot;, disse um comerciante enquanto recolhia lentilhas do ch&atilde;o de sua loja destru&iacute;da. &quot;N&atilde;o posso falar mais&quot;, acrescentou. N&atilde;o percebe dois homens do ELS parados a poucos metros dele.<\/p>\n<p>Khalil, combatente rebelde, assegura que a maioria das pessoas os recebe bem e os apoia, &quot;mas &eacute; verdade que muitos n&atilde;o nos querem aqui. S&oacute; pensam em comer, beber e dormir. N&atilde;o compreendem que lutamos contra a ditadura&quot;, afirma. Como muitos combatentes, Khalil n&atilde;o &eacute; de Aleppo e se sente frustrado pelas boas-vindas pouco entusiasmadas que recebem.<\/p>\n<p>A luta pela cidade, motor comercial e industrial da economia s&iacute;ria, tem suas ra&iacute;zes nos meses de enfrentamentos que ocorrem em todo o pa&iacute;s. Os combatentes do ELS foram controlando a regi&atilde;o desde a fronteira com a Turquia at&eacute; os arredores de Aleppo, povoado a povoado, cidade por cidade. O apoio aos rebeldes nessas &aacute;reas empobrecidas e quase exclusivamente sunitas &eacute; mais evidente. Muitos combatentes s&atilde;o origin&aacute;rios desses lugares. Contudo, esse apoio fica dif&iacute;cil de assegurar na medida em que chegam a zonas mais urbanas, pr&oacute;speras e multiconfessionais.<\/p>\n<p>O nome Ex&eacute;rcito Livre da S&iacute;ria implica que h&aacute; uma for&ccedil;a militar unificada, mas a realidade no terreno &eacute; bem mais ca&oacute;tica. A coordena&ccedil;&atilde;o das unidades de combate mais localizadas foi um &ecirc;xito durante a campanha no campo, mas na cidade a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; mais fragmentada, o que afeta a capacidade do ELS de enfrentar o regime e tamb&eacute;m gera um ambiente de caos e desordem.<\/p>\n<p>&quot;Um jovem, nosso familiar, foi detido, ou mesmo sequestrado em um posto de controle de voc&ecirc;s&quot;, reclama um grupo de pessoas com o chefe de uma brigada de 200 combatentes que os recebeu em uma base do ELS. Ele se desculpa e afirma que o controle em quest&atilde;o n&atilde;o fica em uma &aacute;rea sob seu dom&iacute;nio. Os homens se despedem com um aperto de m&atilde;os, mas sua frustra&ccedil;&atilde;o, e, talvez, seu desprezo, &eacute; evidente.<\/p>\n<p>Sequestros, extors&otilde;es e saques por supostos combatentes da oposi&ccedil;&atilde;o geram desprezo nas fileiras do ELS. Entretanto, na confus&atilde;o em que Aleppo est&aacute; afundada &eacute; muito pouco o que podem fazer, afirmam. &quot;Existem pessoas que cometem delitos, tentamos det&ecirc;-los, mas &eacute; uma revolu&ccedil;&atilde;o e o caos existe&quot;, justifica Abu Fares, coordenador de imprensa do ELS.<\/p>\n<p>O Ex&eacute;rcito Livre da S&iacute;ria tenta criar uma estrutura dirigente unificada em Aleppo, unindo as maiores for&ccedil;as que combatem: Conselho Militar, as brigadas Al-Tawheed, Al-Fateh e Soqour Shahbaa, sob o manto de um Comando Militar Revolucion&aacute;rio. Por&eacute;m, no terreno, a oposi&ccedil;&atilde;o &eacute; uma for&ccedil;a de perfis e interesses muito diversos. Al&eacute;m disso, n&atilde;o se pode esquecer o aspecto sect&aacute;rio de alguns setores que integram a insurg&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Um carro da pol&iacute;cia passa diante de um hospital levando uma bandeira da rede extremista Al Qaeda e transmitindo a todo volume versos do Alcor&atilde;o (livro sagrado do Isl&atilde;), o que gera algumas poucas simpatias. Mesmo dentro do ELS, a presen&ccedil;a de pequenos grupos de mujaidines de pa&iacute;ses como a L&iacute;bia &eacute; uma realidade que divide.<\/p>\n<p>O terror despejado pelos avi&otilde;es do governo s&iacute;rio na maior parte de Aleppo pode chegar a unificar a popula&ccedil;&atilde;o em sua avers&atilde;o ao regime de Assad, mas n&atilde;o necessariamente os re&uacute;ne nas fileiras do ELS. Quanto mais durar a batalha de Aleppo, mais problemas os rebeldes ter&atilde;o para garantir o apoio da popula&ccedil;&atilde;o local sob seu controle. Na medida em que aumenta a quantidade de mortos, que a economia de guerra se contrai e que os criminosos tomam conta da cidade, a legitimidade dos combatentes rebeldes diminui. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aleppo, S&iacute;ria, 25\/09\/2012 &ndash; &quot;O ELS se colocou entre n&oacute;s e agora o regime nos bombardeia&quot;, protesta um homem em uma rua desta cidade do norte da S&iacute;ria, enquanto observa a destrui&ccedil;&atilde;o causada por m&iacute;sseis lan&ccedil;ados por for&ccedil;as do governo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/direitos-humanos\/sria-aleppo-a-cidade-onde-todos-perdem\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1223,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[16],"class_list":["post-10713","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10713","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1223"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10713"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10713\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10713"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10713"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10713"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}