{"id":10718,"date":"2012-09-25T09:17:56","date_gmt":"2012-09-25T09:17:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10718"},"modified":"2012-09-25T09:17:56","modified_gmt":"2012-09-25T09:17:56","slug":"reportagem-agricultura-urbana-brota-nas-favelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/america-latina\/reportagem-agricultura-urbana-brota-nas-favelas\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Agricultura urbana brota nas favelas"},"content":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, Brasil, 25\/09\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- A agricultura org&acirc;nica marca tend&ecirc;ncia nas grandes cidades do mundo e da Am&eacute;rica Latina. E as favelas brasileiras n&atilde;o poderiam estar ausentes.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10718\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/596_horta14SeuBeto_Fabiola_OrtizIPS.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10718\" class=\"size-medium wp-image-10718\" title=\"Luiz Alberto de Jesus junto dos canteiros rec&eacute;m-plantados em seu terra&ccedil;o na favela Babil&ocirc;nia - Fab\u00c3\u00adola Ortiz\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/596_horta14SeuBeto_Fabiola_OrtizIPS.jpg\" alt=\"Luiz Alberto de Jesus junto dos canteiros rec&eacute;m-plantados em seu terra&ccedil;o na favela Babil&ocirc;nia - Fab\u00c3\u00adola Ortiz\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10718\" class=\"wp-caption-text\">Luiz Alberto de Jesus junto dos canteiros rec&eacute;m-plantados em seu terra&ccedil;o na favela Babil&ocirc;nia - Fab\u00c3\u00adola Ortiz\/IPS<\/p><\/div>  Para praticar a horticultura n&atilde;o &eacute; preciso viver no campo. Sabem disso, desde Havana at&eacute; Buenos Aires, centenas de milhares de pessoas que se dedicam &agrave; agricultura urbana. Agora a tend&ecirc;ncia chega &agrave;s favelas do Rio de Janeiro. A horta pode prosperar no centro da cidade, em jardins, terrenos elevados, terra&ccedil;os, sacadas e varandas das casas de comunidades pobres do Brasil, as favelas. Uma iniciativa pioneira ganha for&ccedil;a em duas delas. Babil&ocirc;nia e Chap&eacute;u da Mangueira, no bairro do Leme, zona sul da cidade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A horta faz parte do programa Rio Cidade Sustent&aacute;vel, realizado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (CEBDS), que hoje tem 16 moradores que se ofereceram como volunt&aacute;rios para aprender, durante cinco meses, as t&eacute;cnicas de cultivar um canteiro dom&eacute;stico. A agricultura org&acirc;nica marca tend&ecirc;ncia nas grandes cidades, disse Marina Grossi, presidente do CEBDS. &quot;N&atilde;o s&oacute; pela busca de uma alimenta&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica, mas porque encurtam dist&acirc;ncias e geram renda&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Em Cuba, a experi&ecirc;ncia tem mais de duas d&eacute;cadas e &eacute; um grande sucesso. No ano passado, sua colheita de hortali&ccedil;as e ervas arom&aacute;ticas superou um milh&atilde;o de toneladas, enquanto o total nacional de produ&ccedil;&atilde;o hortense foi de 2,2 milh&otilde;es de toneladas. O setor emprega cerca de 300 mil pessoas, e os produtos s&atilde;o vendidos sem intermedi&aacute;rios. Tamb&eacute;m s&atilde;o criados animais de granja e a capacita&ccedil;&atilde;o inclui melhoria do solo, gest&atilde;o da &aacute;gua e manejo agroecol&oacute;gico de pragas. A partir de 2007, o governo cubano decidiu estender esta produ&ccedil;&atilde;o a &aacute;reas suburbanas, principalmente em pequenas propriedades organizadas em cooperativas.<\/p>\n<p>O Brasil, com 192 milh&otilde;es de habitantes, &eacute; uma pot&ecirc;ncia agropecu&aacute;ria mundial, impulsionada por seu din&acirc;mico agroneg&oacute;cio exportador. E h&aacute; apenas 120 mil agricultores urbanos, e pouco mais da metade recebe apoio do governo para manter suas hortas e cobrir seu pr&oacute;prio consumo e mercados locais.<\/p>\n<p>&quot;Fizemos um levantamento para saber o que comem os moradores da Babil&ocirc;nia e do Chap&eacute;u da Mangueira. E decidimos por um sistema de produ&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua em agroecologia&quot;, sem fertilizantes nem pesticidas, qu&iacute;micos, explicou ao Terram&eacute;rica o coordenador do curso de agricultura org&acirc;nica, Suy&aacute;, Presta. Em um mesmo canteiro se consegue a m&aacute;xima diversifica&ccedil;&atilde;o. &quot;A cada semana s&atilde;o colocadas v&aacute;rias mudas para que nunca falte produ&ccedil;&atilde;o&quot;, detalhou.<\/p>\n<p>Luiz Alberto de Jesus, de 52 anos, morador da Babil&ocirc;nia, &eacute; um dos alunos do curso. Tem um terra&ccedil;o onde compartilha a horta com quatro vizinhos. &quot;Quando ouvia falar de alimenta&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica, n&atilde;o sabia do que se tratava. A produ&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tem mist&eacute;rios, em uma superf&iacute;cie m&iacute;nima se pode fazer um canteiro. Eu pensava que era preciso um terreno grande para plantar&quot;, contou. Em sua horta tem alface, r&uacute;cula, agri&atilde;o, pimenta, alecrim, menta e tomate cereja. A primeira colheita ser&aacute; em fevereiro, e os aprendizes de agricultor a esperam com ansiosos. &quot;Quero conscientizar as pessoas para que usem produtos org&acirc;nicos. Vou transmitir essa informa&ccedil;&atilde;o aos jovens e &agrave;s crian&ccedil;as&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Em 1990, a Argentina inaugurou o programa Pr&oacute;- Horta, de pequena agricultura org&acirc;nica urbana e rural de grande sucesso. Em 2005, a experi&ecirc;ncia foi implantada no Haiti e, gra&ccedil;as a ela houve fam&iacute;lias que driblaram a fome quando o terremoto de 2010 demoliu a capital e outras cidades.<\/p>\n<p>Entre as estrat&eacute;gias de soberania alimentar da Venezuela, grande importadora de alimentos, a tentativa come&ccedil;ou em 2004. N&atilde;o h&aacute; dados consolidados do volume de alimentos das unidades de produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola (UPA) urbana e periurbana, nem da quantidade de consumidores ou de pessoas que trabalham nelas. Mas os volumes nacionais de produ&ccedil;&atilde;o hortense para um mercado de 29 milh&otilde;es de habitantes permitem estimar que a agricultura urbana abastece n&atilde;o mais do que alguns milhares, ou talvez, algumas dezenas de milhares, de fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>Diferentes dados oficiais indicam cerca de 20 mil UPA urbanas registradas, das quais 2.400 estariam consolidadas e outras quatro mil em processo de consegui-lo. Em 2011, o governo investiu neste setor US$ 2,5 milh&otilde;es, segundo o Minist&eacute;rio de Agricultura e Terras. Na capital Caracas e em oito Estados, sobretudo do norte, planta-se hortali&ccedil;as, ervas arom&aacute;ticas e medicinais. Algumas incursionam em frutas &#8211; banana, papaia, laranja, tangerina &#8211; e em elabora&ccedil;&atilde;o de adubo org&acirc;nico.<\/p>\n<p>Mas, na equa&ccedil;&atilde;o venezuelana jogam outros fatores. O Banco de Desenvolvimento da Mulher da Venezuela (Banmujer) decidiu financiar este tipo de esfor&ccedil;o para combater a feminiza&ccedil;&atilde;o da pobreza e a perda das ra&iacute;zes agr&aacute;rias das popula&ccedil;&otilde;es pobres que se mudam do campo para povoados ou cidades. Em 2010, 47% de seus microcr&eacute;ditos eram agr&aacute;rios e &quot;muitos s&atilde;o urbanos e periurbanos&quot;, disse sua presidente, Nora Casta&ntilde;eda, ao Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p>&quot;J&aacute; temos produtoras cujo trabalho &eacute; esse e o fazem com uma for&ccedil;a incr&iacute;vel&quot;, destacou a presidente do Banmujer. &quot;Uma delas, uma camponesa violentada por mais de 20 anos por seu marido, veio dar um curso sobre produ&ccedil;&atilde;o de h&uacute;mus&quot;, contou. &quot;Para ela, o mais importante n&atilde;o &eacute; ser a produtora que &eacute; hoje, mas ter superado a situa&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia, gra&ccedil;as a uma base econ&ocirc;mica que a fez forte e a valorizou, inclusive por si mesma&quot;, explicou.<\/p>\n<p>A autoestima tamb&eacute;m foi apontada pela carioca Reina Maria Pereira da Silva, de 58 anos, que se inspirou no curso do CEBDS e planeja uma horta em sua casa. &quot;&Eacute; um aprendizado novo. Nunca &eacute; tarde e isto at&eacute; aumenta minha autoestima. J&aacute; me sinto mais capaz. &Eacute; uma del&iacute;cia colher alimentos saud&aacute;veis que eu mesma plantei&quot;, afirmou. &quot;Sempre gostei de plantar, mas n&atilde;o sabia como. H&aacute; t&eacute;cnicas e planejamento at&eacute; da hora em que se deve colher no ver&atilde;o e no inverno. Tudo vai ser para consumo pr&oacute;prio e em doa&ccedil;&atilde;o para escolas&quot;, disse ao Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p>Em 2050, 90% da popula&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica Latina viver&aacute; em cidades. Hoje, 111 milh&otilde;es de pessoas da regi&atilde;o moram em bairros com um n&uacute;mero grande de habitantes, como as favelas, segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). A demanda por alimentos ser&aacute; maior e haver&aacute; menos gente produzindo nas zonas rurais. Assim, a horta citadina &eacute; uma &quot;estrat&eacute;gia de emancipa&ccedil;&atilde;o e parte do eixo da curva social&quot; para melhorar a qualidade de vida das cidades, afirmou o coordenador de agricultura urbana e periurbana da Secretaria Nacional de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional do Brasil, H&eacute;lio Tomaz Rocha.<\/p>\n<p>Ele defende sua implanta&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas ociosas de regi&otilde;es metropolitanas, que, quando n&atilde;o s&atilde;o aproveitados, acabam acumulando escombros, lixo e assentamentos informais, ou se tornam alvo de especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria. Contudo, admite que a agricultura urbana n&atilde;o se consolidou como pol&iacute;tica p&uacute;blica. &quot;Sabemos que funciona, h&aacute; espa&ccedil;o nas cidades, mas n&atilde;o est&aacute; formalizada. Embora siga o caminho da sustentabilidade, requer fomento inicial&quot;, opinou. O governo federal come&ccedil;ou a financiar estes projetos em 2003, e muitos benefici&aacute;rios est&atilde;o inclu&iacute;dos no programa de transfer&ecirc;ncia de renda Bolsa Fam&iacute;lia.<\/p>\n<p>At&eacute; 2010 foram investidos quase US$ 20 milh&otilde;es, mediante conv&ecirc;nios com prefeituras e governos estaduais que beneficiaram 74 mil pessoas que trabalhavam em hortas urbanas. Dos projetos, 38% se concentram em Estados do sudeste, 30% no sul e o restante se divide em outras regi&otilde;es, exceto norte e nordeste. Este ano ser&atilde;o investidos aproximadamente US$ 5 milh&otilde;es em 42 iniciativas selecionadas em uma convoca&ccedil;&atilde;o anual. A maior parte estar&aacute; no nordeste, onde 17 munic&iacute;pios se inscreveram. Envolverde\/Terram&eacute;rica<\/p>\n<p>* * A autora &eacute; correspondente da IPS. Com colabora&ccedil;&otilde;es de Humberto M&aacute;rquez e Estrella Guti&eacute;rrez (Caracas), e Patricia Grogg (Havana).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, Brasil, 25\/09\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- A agricultura org&acirc;nica marca tend&ecirc;ncia nas grandes cidades do mundo e da Am&eacute;rica Latina. 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