{"id":10720,"date":"2012-09-26T08:51:22","date_gmt":"2012-09-26T08:51:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10720"},"modified":"2012-09-26T08:51:22","modified_gmt":"2012-09-26T08:51:22","slug":"bancos-de-leite-humano-do-brasil-para-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/america-latina\/bancos-de-leite-humano-do-brasil-para-o-mundo\/","title":{"rendered":"Bancos de leite humano, do Brasil para o mundo"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 26\/09\/2012 &ndash; C&iacute;ntia Rose Regis, de 23 anos, est&aacute; amamentando sua filha Zelda, de 16 meses. Contudo, h&aacute; um ano doa parte de seu leite.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10720\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/leitematerno.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10720\" class=\"size-medium wp-image-10720\" title=\"O leite materno &eacute; vital para beb&ecirc;s como este, que nasceu com apenas 500 gramas. - Manipadma Jena\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/leitematerno.jpg\" alt=\"O leite materno &eacute; vital para beb&ecirc;s como este, que nasceu com apenas 500 gramas. - Manipadma Jena\/IPS\" width=\"150\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10720\" class=\"wp-caption-text\">O leite materno &eacute; vital para beb&ecirc;s como este, que nasceu com apenas 500 gramas. - Manipadma Jena\/IPS<\/p><\/div>  E semanalmente entrega cerca de 600 mililitros. Foi seu pediatra que sugeriu que o fizesse. &quot;Enquanto minha filha continuar mamando e estimulando minha produ&ccedil;&atilde;o de leite, continuarei doando&quot;, afirmou. &quot;Nunca vi os beb&ecirc;s prematuros que recebem o leite, mas s&oacute; de saber que posso salvar alguns estou gratificada&quot;, disse C&iacute;ntia &agrave; IPS. &quot;&Eacute; uma quest&atilde;o de consci&ecirc;ncia. Se tenho e posso tirar, por que n&atilde;o doar?&quot;, acrescentou emocionada. Para ela, este ato &eacute; um exemplo que vale a pena. Se tiver um segundo filho voltar&aacute; a ceder parte de seu leite a outros beb&ecirc;s, garantiu.<\/p>\n<p>Qualquer mulher que produza um volume de alimento superior ao que seu filho consome pode doar o excedente. E o Brasil tem infraestrutura para que este ato privado de solidariedade ganhe impacto social e sanit&aacute;rio: uma rede nacional de bancos de leite humano. O pa&iacute;s est&aacute; se convertendo em refer&ecirc;ncia internacional na mat&eacute;ria, e exporta para 23 pa&iacute;ses t&eacute;cnicas de baixo custo para implantar bancos de leite humano, uma ferramenta eficaz para combater a mortalidade infantil associada &agrave; falta de um alimento insubstitu&iacute;vel.<\/p>\n<p>A partir da iniciativa brasileira, h&aacute; 238 bancos que incentivam e recebem doa&ccedil;&otilde;es em v&aacute;rios pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina, na pen&iacute;nsula ib&eacute;rica e inclusive na &Aacute;frica. Desses, 210 est&atilde;o distribu&iacute;dos em todos os Estados do Brasil, onde, neste ano j&aacute; foram coletados mais de 97 mil litros de 86 mil doadoras, que alimentaram 108 mil beb&ecirc;s. No ano passado, foram recebidos mais de 165 mil litros doados por 166 mil m&atilde;es, que dessa forma ajudaram quase 170 mil crian&ccedil;as.<\/p>\n<p>A lei brasileira exige apenas que a doadora seja saud&aacute;vel e n&atilde;o tome medicamentos. As diretrizes incluem recomenda&ccedil;&otilde;es simples de higiene pessoal e do entorno, como escolher um lugar tranquilo, limpo e afastado de animais, manter as m&atilde;os limpas, empregar um recipiente esterilizado e conservar o leite no congelador. O alimento doado a um banco de leite passa por um processo de sele&ccedil;&atilde;o, classifica&ccedil;&atilde;o e pasteuriza&ccedil;&atilde;o e depois &eacute; distribu&iacute;do, &quot;com qualidade certificada&quot;, aos beb&ecirc;s internados em unidades neonatais.<\/p>\n<p>Este pa&iacute;s de 192 milh&otilde;es de habitantes &quot;construiu a maior e mais complexa rede de bancos de leite humano do mundo&quot;, disse &agrave; IPS o especialista Jo&atilde;o Arp&iacute;gio Guerra de Almeida, coordenador da Rede Brasileira e Ibero-Americana de Bancos de Leite Humano. &quot;N&atilde;o trabalhamos apenas na coleta e distribui&ccedil;&atilde;o. Temos casas de apoio &agrave; amamenta&ccedil;&atilde;o, mecanismos de controle de qualidade, indicadores nutricionais, monitoramento e consultoria&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Diversos governos apostaram neste esfor&ccedil;o por quase 30 anos, por meio de pesquisas da estatal Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz (Fiocruz) que, em 1985, instalou o primeiro centro latino-americano de pesquisa sobre leite humano, para entender as caracter&iacute;sticas biol&oacute;gicas, f&iacute;sico-qu&iacute;micas e imunol&oacute;gicas deste alimento. &quot;Notamos que esse trabalho podia se transformar em uma grande estrat&eacute;gia sanit&aacute;ria para promover condi&ccedil;&otilde;es que permitissem reduzir os absurdos &iacute;ndices de mortalidade que t&iacute;nhamos no Brasil&quot;, afirmou Almeida, pesquisador da Fiocruz. &quot;Eram n&uacute;meros alarmantes, muito superiores &agrave; m&eacute;dia mundial&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>A partir da d&eacute;cada de 1990, o pa&iacute;s conseguiu reduzir em 73% as mortes infantis, e este ano alcan&ccedil;ou a meta fixada nos Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio: reduzir em dois ter&ccedil;os a mortalidade de menores de cinco anos at&eacute; 2015, a partir de dados de 1990. &quot;Por nosso trabalho, a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de reconheceu o Brasil como o pa&iacute;s que mais contribuiu para a queda desse indicador&quot;, acrescentou Almeida. Antes deste esfor&ccedil;o &quot;&eacute;ramos totalmente dependentes do Hemisf&eacute;rio Norte. Para processar o leite dev&iacute;amos importar equipamentos da Europa e dos Estados Unidos, que custavam na &eacute;poca cerca de US$ 35 mil&quot;, recordou.<\/p>\n<p>A coopera&ccedil;&atilde;o internacional come&ccedil;ou em 2007. Hoje, pa&iacute;ses como Argentina, Bol&iacute;via, Equador, Paraguai, Venezuela e Uruguai j&aacute; contam com infraestrutura para captar e distribuir doa&ccedil;&otilde;es de leite materno. &quot;Apoiamos e assessoramos na implanta&ccedil;&atilde;o destes bancos e treinamos profissionais&quot;, disse Almeida. Ao ampliar-se a iniciativa no &acirc;mbito ibero-americano, Portugal e Espanha entraram no circuito e se beneficiaram de uma incomum transfer&ecirc;ncia de tecnologia Sul-Norte.<\/p>\n<p>A cria&ccedil;&atilde;o de bancos de leite &quot;se internacionalizou e, em 2007, os presidentes dos pa&iacute;ses ibero-americanos decidiram convert&ecirc;-la em uma a&ccedil;&atilde;o intergovernamental&quot;, destacou Almeida. Assim, na c&uacute;pula realizada naquele ano, em Santiago, foi criado o programa ibero-americano de bancos de leite humano. O primeiro banco espanhol foi instalado em Madri. E em Portugal a maternidade lisboeta Dr. Alfredo da Costa recebeu uma instala&ccedil;&atilde;o similar em 2008.<\/p>\n<p>O primeiro pa&iacute;s africano a adotar este sistema foi Cabo Verde, cujo banco de leite come&ccedil;ou a funcionar em agosto do ano passado. Miss&otilde;es da Fiocruz estiveram em Mo&ccedil;ambique e Angola em 2010 e 2011, onde j&aacute; h&aacute; projetos em fase de implanta&ccedil;&atilde;o. Todo este esfor&ccedil;o aponta para a vontade de doar. O Brasil promove a ado&ccedil;&atilde;o do dia 19 de maio como Dia Mundial da Doa&ccedil;&atilde;o de Leite Materno. &quot;Foi nesse dia, em 2005, que aqui foi assinado o primeiro acordo, firmado por 13 pa&iacute;ses e organiza&ccedil;&otilde;es internacionais, para criar uma rede de bancos de leite&quot;, enfatizou Almeida.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, o Instituto Nacional de Sa&uacute;de da Mulher, da Crian&ccedil;a e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) &eacute; a unidade da Fiocruz especializada em aten&ccedil;&atilde;o neonatal e recep&ccedil;&atilde;o de leite. Rosane Xavier, de 35 anos, enfermeira que trabalha no laborat&oacute;rio pr&eacute;-natal do IFF, estimula as m&atilde;es a amamentarem e, se puderem, doar leite. Ela mesma amamenta seu primeiro filho, de dois anos e dois meses, e &eacute; doadora. &quot;Quando a produ&ccedil;&atilde;o de leite &eacute; abundante, convido a m&atilde;e a doar. &Eacute; preciso entender a import&acirc;ncia deste alimento para os beb&ecirc;s prematuros&quot;, contou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Rosane assegura que doar algo t&atilde;o pessoal como o leite materno traz benef&iacute;cios &agrave;s duas partes. Para a mulher, a vantagem consiste em retirar o leite em excesso, que pode causar v&aacute;rios problemas se ficar acumulado. Para o beb&ecirc; receptor, implica menos enfermidades e melhor crescimento. &quot;Quando um beb&ecirc; n&atilde;o &eacute; amamentado, n&atilde;o se desenvolve com a mesma qualidade daquele que recebe o leite materno&quot;, explicou a enfermeira. Com o leite materno &quot;h&aacute; maior desenvolvimento mental, da fala, da denti&ccedil;&atilde;o e da imunidade&quot;, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 26\/09\/2012 &ndash; C&iacute;ntia Rose Regis, de 23 anos, est&aacute; amamentando sua filha Zelda, de 16 meses. 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