{"id":10729,"date":"2012-09-27T09:28:33","date_gmt":"2012-09-27T09:28:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10729"},"modified":"2012-09-27T09:28:33","modified_gmt":"2012-09-27T09:28:33","slug":"atletas-dos-camares-enfrentam-grandes-desafios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/africa\/atletas-dos-camares-enfrentam-grandes-desafios\/","title":{"rendered":"Atletas dos camar&otilde;es enfrentam grandes desafios"},"content":{"rendered":"<p>YAOUND&Eacute;, 27\/09\/2012 &ndash; Victorine Fomum &eacute; a campe&atilde; africana de t&eacute;nis de mesa de 2005. Costumava &quot;treinar sem raquetes, sem bolas, sem roupa apropriada e sem boas mesas.&quot; <!--more--> Mas, apesar disso, ganhou a medalha de ouro no Campeonato Africano das Na&ccedil;&otilde;es de 2005. E como recompensa pela sua conquista o governo deu-lhe um cheque &#8211; de 25 d&oacute;lares.              &quot;Pode imaginar o que acontece a n&iacute;vel local. Muitas vezes ganhava 10 d&oacute;lares de pr&eacute;mio monet&aacute;rio &#8211; por ter ganho a medalha de ouro! Se n&atilde;o fosse funcion&aacute;ria p&uacute;blica, talvez tivesse fugido tamb&eacute;m,&quot; disse &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Est&aacute; a referir-se aos sete atletas dos Camar&otilde;es que desapareceram durante os Jogos Ol&iacute;mpicos em Londres no dia sete de Agosto. Fomum compreende por que motivo o fizeram.<\/p>\n<p>&quot;As condi&ccedil;&otilde;es de treino aqui s&atilde;o horr&iacute;veis,&quot; declarou, &quot;Os atletas t&ecirc;m indubitavelmente o direito de quererem melhores condi&ccedil;&otilde;es,&quot;<\/p>\n<p>Os atletas &#8211; cinco pugilistas, um nadador e um futebolista &#8211; desapareceram da aldeia ol&iacute;mpica e reapareceram mais tarde pedindo asilo no Reino Unido. Disseram que n&atilde;o queriam regressar &agrave; sua na&ccedil;&atilde;o na &Aacute;frica Ocidental devido &agrave;s dif&iacute;ceis condi&ccedil;&otilde;es de treino.<\/p>\n<p>Um dos pugilistas, Thomas Essomba, disse &agrave; BBC que o seu pa&iacute;s n&atilde;o lhe conseguia oferecer as oportunidades que lhe eram proporcionadas no Reino Unido. &quot;Tudo o que pedimos &eacute; podermos ser campe&otilde;es. A Inglaterra oferece-nos melhores oportunidades. A quest&atilde;o mais importante agora &eacute; encontrarmos patrocinadores e tornarmo-nos membros de clubes de pugilismo,&quot; asseverou.<\/p>\n<p>Mesmo o futebol, o desporto mais popular no pa&iacute;s &#8211; em 1990 a equipa nacional foi a primeira equipa africana a atingir os quartos-de-final no Camponato do Mundo de Futebol &#8211; &eacute; sobejamente conhecido pelas m&aacute;s infraestruturas e pela falta de fundos.<\/p>\n<p>Os Camar&otilde;es est&atilde;o neste momento classificados em 59&ordf; posi&ccedil;&atilde;o pela Federa&ccedil;&atilde;o de Futebol Internacional, FIFA &#8211; oito lugares &agrave; frente da &Aacute;frica do Sul que tem consideravelmente mais recursos. A &Aacute;frica do Sul vai ser a anfitri&atilde; do Campeonato Africano das Na&ccedil;&otilde;es em 2013, com um custo de 400 milh&otilde;es de d&oacute;lares, 300 milh&otilde;es dos quais ser&atilde;o pagos pela Federa&ccedil;&atilde;o de Futebol do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Mas nos Camar&otilde;es, Simon Lyonga, analista desportivo da empresa estatal de radiodifus&atilde;o R&aacute;dio e Televis&atilde;o dos Camar&otilde;es, disse &agrave; IPS que os futebolistas locais ganhavam uns meros 25 d&oacute;lares por m&ecirc;s.<\/p>\n<p>E embora os outros atletas n&atilde;o ganhem o seu sal&aacute;rio aqui, as competi&ccedil;&otilde;es locais atribuem pr&eacute;mios de baixo valor monet&aacute;rio. Os medalhistas de ouro dos Camar&otilde;es muitas vezes recebem apenas seis d&oacute;lares. <\/p>\n<p>Mesmo num pa&iacute;s onde, segundo o Banco Mundial, 40 por cento da popula&ccedil;&atilde;o vive abaixo do limiar da pobreza com 1.25 d&oacute;lares por dia, seis d&oacute;lares de pr&eacute;mio monet&aacute;rio &eacute; considerado um valor extremamente baixo.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o s&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es que atraiam os jovens,&quot; disse &agrave; IPS Fondo Sikod, professor de economia na Universidade de Yaounde II.<\/p>\n<p>Fomum sabe tudo acerca da compensa&ccedil;&atilde;o financeira limitada. Apontou para uma prateleira com mais de 50 trof&eacute;us, a maior parte deles pr&eacute;mios por ter ganho o primeiro lugar.<\/p>\n<p>&quot;Com base em tudo o que est&aacute; aqui, podem pensar que sou rica. Mas todo o treino culminou s&oacute; com a gl&oacute;ria de ganhar. Tem muito pouco a ver com compensa&ccedil;&atilde;o financeira, o que &eacute; muito frustrante.&quot;<\/p>\n<p>O Presidente do Comit&eacute; Ol&iacute;mpico dos Camar&otilde;es, Kalkaba Malboum, admitiu que o pa&iacute;s n&atilde;o tinha boas instala&ccedil;&otilde;es de treino.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o temos boas condi&ccedil;&otilde;es de treino como noutros pa&iacute;ses. Por conseguinte, os nossos atletas n&atilde;o hesitam em partir para outros pa&iacute;ses com melhores condi&ccedil;&otilde;es de treino que podem melhorar o seu desempenho, realizar os seus sonhos de se tornarem atletas profissionais e proporcionar mais dinheiro para melhorarem as suas condi&ccedil;&otilde;es de vida e tamb&eacute;m as das suas fam&iacute;lias,&quot; afirmou na televis&atilde;o estatal no dia 10 de Agosto. <\/p>\n<p>Um exemplo da falta de boas infraestruturas &eacute; o est&aacute;dio Ahmadou Ahidjo, que foi constru&iacute;do para acolher o Campeonato Africano das Na&ccedil;&otilde;es em 1972. Ainda est&aacute; a ser utilizado como principal est&aacute;dio dos Camar&otilde;es, apesar de a FIFA frequentemente suspender a sua utiliza&ccedil;&atilde;o para jogos internacionaais por n&atilde;o ter sido mantido. <\/p>\n<p>&quot;A falta de constru&ccedil;&atilde;o das infraestruturas desportivas do pa&iacute;s fica a dever-se apenas &agrave; falta de vontade pol&iacute;tica e n&atilde;o de recursos financeiros,&quot; disse Lyonga.<\/p>\n<p>Acrescentou que os desportos, especialmente o futebol, traziam recursos financeiros para o pa&iacute;s. Parte destes recursos, disse Lyonga, deviam ser utilizados na constru&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o das infraestruturas desportivas locais.<\/p>\n<p>&quot;Em 2010, os Camar&otilde;es receberam 800.000 d&oacute;lares pela sua participa&ccedil;&atilde;o do Campeonato do Mundo de 2010 na &Aacute;frica do Sul. Ningu&eacute;m sabe de que forma foi usado o dinheiro,&quot; explicou.<\/p>\n<p>Espera-se que os Camar&otilde;es registem um crescimento econ&oacute;mico de 5.2 por cento em 2012, uma subida em compara&ccedil;&atilde;o aos 4.8 por cento de 2011. E Malboum espera que o governo possa investir mais no sector dos desportos.<\/p>\n<p>Actualmente, o governo chin&ecirc;s co-financia os custos da constru&ccedil;&atilde;o de quatro est&aacute;dios. Al&eacute;m disso, existem planos para a constru&ccedil;&atilde;o de um Centro Nacional de Prepara&ccedil;&atilde;o Ol&iacute;mpica em Obala, nos arredores de Yaounde, capital do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Entretanto, os atletas locais esperam que se verifique uma mudan&ccedil;a na atitude demonstrada em rela&ccedil;&atilde;o ao patroc&iacute;nio desportivo. Actualmente os atletas locais n&atilde;o t&ecirc;m qualquer patroc&iacute;nio.<\/p>\n<p>&quot;Cada atleta luta sozinho,&quot; refere Fomum. Acrescentou que, embora os Camaroneses gostem de desporto e de vencer, n&atilde;o gostavam da ideia de investir neste sector. Por isso, ela tinha de usar o seu pr&oacute;prio dinheiro para poder continuar a sua carreira desportiva. <\/p>\n<p>&quot;O meu pai diz que as pessoas de sucesso devem sempre enfrentar os desafios.&quot;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>YAOUND&Eacute;, 27\/09\/2012 &ndash; Victorine Fomum &eacute; a campe&atilde; africana de t&eacute;nis de mesa de 2005. 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