{"id":10731,"date":"2012-09-27T09:46:11","date_gmt":"2012-09-27T09:46:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10731"},"modified":"2012-09-27T09:46:11","modified_gmt":"2012-09-27T09:46:11","slug":"eleies-municipais-refletem-crise-partidria-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/america-latina\/eleies-municipais-refletem-crise-partidria-do-brasil\/","title":{"rendered":"Elei&ccedil;&otilde;es municipais refletem crise partid&aacute;ria do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 27\/09\/2012 &ndash; O tradicional logotipo e a sigla dos partidos pol&iacute;ticos quase despareceram da propaganda de rua para as elei&ccedil;&otilde;es do dia 7 <!--more--> Parece ser uma mostra da extin&ccedil;&atilde;o do protagonismo partid&aacute;rio como representa&ccedil;&atilde;o da cidadania. O candidato a vereador Nelson do Barrac&atilde;o (Nelson, da loja de materiais de constru&ccedil;&atilde;o), por exemplo, apelou para a visibilidade de seu trabalho para que os eleitores de seu munic&iacute;pio, Duque de Caxias, possam melhor identific&aacute;-lo na hora de digitar seu n&uacute;mero na urna eletr&ocirc;nica. O logotipo do Partido Democr&aacute;tico Trabalhista (PDT), ao qual pertence, quase n&atilde;o se nota no cartaz.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m Neguinho da Bananada (Neguinho, do doce de banana), do Partido Verde (PV) e candidato no munic&iacute;pio de S&atilde;o Jo&atilde;o do Meriti, destaca para sua promo&ccedil;&atilde;o o fato de ser um conhecido vendedor ambulante na regi&atilde;o. &quot;Voto em um candidato, n&atilde;o em um partido&quot;, disse &agrave; IPS a consultora comercial Alexandra Cristina. &quot;O que vale &eacute; a pessoa, seu car&aacute;ter, o que tem a oferecer ao pa&iacute;s&quot;, afirmou. &quot;Voto em programa e candidato&quot;, disse, por sua vez, a enfermeira Nat&aacute;lia Vieira ao ser consultada pela IPS. &quot;A gente s&oacute; confia quando conhece a hist&oacute;ria do candidato&quot;, explicou.<\/p>\n<p>Inclusive, o nome do partido &eacute; borrado, quando n&atilde;o desaparece, nas campanhas dos candidatos a prefeito nos mais de cinco mil munic&iacute;pios do Brasil. &quot;Fica claro que os partidos n&atilde;o existem no Brasil&quot;, interpretou, mais drasticamente, o escritor e analista pol&iacute;tico Eric Nepomuceno em entrevista &agrave; IPS. Ele tem duas explica&ccedil;&otilde;es para isso: por um lado, a permanente troca de partido pelos candidatos, que ilustra em uma met&aacute;fora futebol&iacute;stica.<\/p>\n<p>&quot;Antes, os jogadores ficavam toda sua vida esportiva em uma mesma equipe e, em geral, eram torcedores do clube. Hoje, em apenas cinco anos, vestem a camisa do Flamengo, depois do Fluminense, adiante do Vasco da Gama ou do Botafogo&quot;, citou Nepomuceno, como exemplo, os principais times do Rio de Janeiro. &quot;Ou seja, esse mercantilismo do futebol tem seu reflexo imediato no mercantilismo da pol&iacute;tica, com tudo que esta palavra inclui&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Por outro lado, atribui o fato &agrave;s caracter&iacute;sticas locais das elei&ccedil;&otilde;es municipais brasileiras, nas quais &quot;as pessoas votam mais por um s&iacute;ndico&quot;, enquanto uma &quot;pequena parcela do eleitorado vota por raz&otilde;es ideol&oacute;gicas&quot;. &quot;O nome do partido j&aacute; n&atilde;o tem nenhuma import&acirc;ncia&quot;, lamentou Nepomuceno.<\/p>\n<p>Este fen&ocirc;meno tamb&eacute;m ocorre em elei&ccedil;&otilde;es protagonizadas por partidos tradicionais na hist&oacute;ria da democracia brasileira, como o Partido dos Trabalhadores (PT), da presidente Dilma Rousseff e de seu antecessor Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), situados por analistas como de centro-esquerda e centro, respectivamente. Tamb&eacute;m disputam na arena pol&iacute;tica outros partidos hist&oacute;ricos, como o centrista Partido do Movimento Democr&aacute;tico Brasileiro (PMDB), o direitista Democratas (DEM) e outros situados nos matizes da esquerda no leque eleitoral, como o Partido Socialista Brasileiro (PSB) e o Partido do Socialismo e Liberdade (PSOL). Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas somaram-se partidos representados por pastores de igrejas neopentecostais em nome do recente eleitorado que procede de seus fi&eacute;is.<\/p>\n<p>Fernando Gusm&atilde;o, candidato a vereador no Rio de Janeiro, n&atilde;o esconde a estrela vermelha do PT em sua propaganda. &quot;Mantenho o emblema porque fazemos as coisas com base no partido e em sua plataforma pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica&quot;, disse &agrave; IPS. Por&eacute;m, concorda que o Brasil vive &quot;uma baixa da pol&iacute;tica&quot;, com &quot;eleitores que j&aacute; n&atilde;o votam por partidos, mas por pessoas. A refer&ecirc;ncia do sujeito j&aacute; n&atilde;o &eacute; o partido, n&atilde;o &eacute; sua identidade ideol&oacute;gica, n&atilde;o &eacute; uma bandeira&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>H&eacute;lio Jos&eacute; Pereira (Helinho), que disputa uma cadeira de vereador em Duque de Caxias pelo PV, em uma alian&ccedil;a encabe&ccedil;ada pelo PMDB, e que mant&eacute;m o emblema de seu partido, atribui a atual falta de protagonismo dos partidos ao car&aacute;ter &quot;local&quot; das elei&ccedil;&otilde;es municipais. &quot;Nos &uacute;ltimos anos, o eleitor vem se identificando mais com o candidato do que com o partido, porque, quando ocupa algum cargo, suas a&ccedil;&otilde;es sociais fortalecem seu nome&quot;, explicou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>O emaranhado de alian&ccedil;as partid&aacute;rias tamb&eacute;m contribui para a desfigura&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Como destacou Nepomuceno, somente a alian&ccedil;a nacional de apoio ao governo re&uacute;ne PT, &quot;um simulacro do PDT&quot;, que era um partido importante de esquerda e hoje n&atilde;o sabe &quot;o que &eacute;&quot;, o Partido Comunista do Brasil, &quot;cujo presidente &eacute; cat&oacute;lico, apost&oacute;lico, romano, os evang&eacute;licos e o PMDB, que nunca foi um partido, mas uma configura&ccedil;&atilde;o de interesses regionais. De qual partido, de quais alian&ccedil;as estamos falando?&quot;, questionou Helinho.<\/p>\n<p>O analista Williams Gon&ccedil;alves, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), considerou que a distin&ccedil;&atilde;o entre esquerda e direita continua na pol&iacute;tica brasileira, embora n&atilde;o se manifeste &quot;sob a forma de ideologias estruturadas em totalidades&quot;. Ele explicou &agrave; IPS que, &quot;como todos devem coexistir no sistema capitalista de produ&ccedil;&atilde;o, as distin&ccedil;&otilde;es se manifestam em rela&ccedil;&atilde;o a quest&otilde;es que s&atilde;o praticamente impercept&iacute;veis para a maioria do eleitorado&quot;. O analista acrescentou que &quot;os candidatos n&atilde;o querem se arriscar definindo uma identidade partid&aacute;ria porque, embora possa trazer-lhes alguns votos, acreditam que haveria mais a perder&quot;.<\/p>\n<p>As elei&ccedil;&otilde;es municipais s&atilde;o consideradas importantes para definir o mapa de fortalezas pol&iacute;ticas e alian&ccedil;as com vistas &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de outubro de 2014.<\/p>\n<p>O soci&oacute;logo Giuseppe Coco, da URFJ, afirmou que o Brasil passa por &quot;uma crise de ideologias e representa&ccedil;&atilde;o&quot;, mas esclareceu &agrave; IPS que isso n&atilde;o implica extin&ccedil;&atilde;o dos partidos, nem neste e nem nos pa&iacute;ses vizinhos. Coco afirmou que, apesar de v&aacute;rios &quot;novos governos&quot; sul-americanos terem se constru&iacute;do com uma ideologia &quot;orientada de alguma maneira &agrave; esquerda&quot;, isto &eacute;, com &quot;uma ruptura, ainda que moderada, com o neoliberalismo, n&atilde;o s&atilde;o fruto da hegemonia de nenhum modelo ideol&oacute;gico&quot;.<\/p>\n<p>Nesse aspecto, Coco diferenciou governos &quot;com uma grande base popular&quot;, como os de Hugo Ch&aacute;vez, na Venezuela, Cristina Fern&aacute;ndez, na Argentina, e Evo Morales, na Bol&iacute;via, do de Lula. Enquanto os primeiros constru&iacute;ram seus apoios antes de tudo a partir de suas lideran&ccedil;as pessoais, o Brasil &quot;mostra uma trajet&oacute;ria diferente porque atr&aacute;s de Lula havia um partido de esquerda forte e estruturado, como &eacute; o PT&quot;, que depois permitiu a continuidade de Dilma na Presid&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Segundo Coco, embora no Brasil &quot;a crise de representa&ccedil;&atilde;o&quot; ocorra menos do que em outros lugares no desaparecimento dos partidos, as lideran&ccedil;as oriundas da luta contra a ditadura e dos processos de democratiza&ccedil;&atilde;o &quot;come&ccedil;am a mostrar sinais de esgotamento e j&aacute; estamos assistindo batalhas pol&iacute;ticas e eleitorais de um novo tipo&quot;. Por um lado, isto tem como consequ&ecirc;ncia uma piora do processo representativo, &quot;sequestrado por projetos pessoais&quot;, vis&iacute;veis em figuras que transitam de um partido a outro para afirmar seu caminho rumo ao poder, indicou Coco. Nessa dire&ccedil;&atilde;o mencionou o prefeito do Rio e candidato &agrave; reelei&ccedil;&atilde;o, Eduardo Paes.<\/p>\n<p>Por outro lado, a crise estaria dando lugar a &quot;fen&ocirc;menos novos&quot;, como o de Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente de Lula, que demonstrou uma in&eacute;dita for&ccedil;a pol&iacute;tica nas elei&ccedil;&otilde;es gerais de 2010, como candidata presidencial pelo PV. O mesmo ocorre, segundo o soci&oacute;logo, com o atual candidato &agrave; prefeitura do Rio pelo PSOL, Marcelo Freixo, que construiu sua candidatura a partir de lemas como a luta contra as m&aacute;fias no poder, e est&aacute; captando votos alheios para a ideologia de seu partido. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 27\/09\/2012 &ndash; O tradicional logotipo e a sigla dos partidos pol&iacute;ticos quase despareceram da propaganda de rua para as elei&ccedil;&otilde;es do dia 7 <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/america-latina\/eleies-municipais-refletem-crise-partidria-do-brasil\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,11],"tags":[27],"class_list":["post-10731","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-politica","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10731","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10731"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10731\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10731"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10731"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10731"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}