{"id":10736,"date":"2012-09-28T10:21:47","date_gmt":"2012-09-28T10:21:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10736"},"modified":"2012-09-28T10:21:47","modified_gmt":"2012-09-28T10:21:47","slug":"as-farc-usam-armas-para-serem-ouvidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/america-latina\/as-farc-usam-armas-para-serem-ouvidas\/","title":{"rendered":"As Farc &quot;usam armas para serem ouvidas&quot;"},"content":{"rendered":"<p>Havana, Cuba, 28\/09\/2012 &ndash; &Eacute; dif&iacute;cil imagin&aacute;-la vestida de guerrilheira, carregando uma mochila de 25 quilos, repelindo a tiros o ataque inimigo ou buscando ref&uacute;gio para evitar os bombardeios a&eacute;reos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10736\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Sandra.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10736\" class=\"size-medium wp-image-10736\" title=\"Sandra Ram\u00c3\u00adrez diante do Malec&oacute;n de Havana - Patricia Grogg\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Sandra.jpg\" alt=\"Sandra Ram\u00c3\u00adrez diante do Malec&oacute;n de Havana - Patricia Grogg\/IPS\" width=\"200\" height=\"112\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10736\" class=\"wp-caption-text\">Sandra Ram\u00c3\u00adrez diante do Malec&oacute;n de Havana - Patricia Grogg\/IPS<\/p><\/div>  &Eacute; conhecida como Sandra Ram&iacute;rez e deixou o cen&aacute;rio de guerra colombiano para viajar &agrave; capital cubana para falar de paz.<\/p>\n<p>At&eacute; agora, &eacute; a &uacute;nica mulher, conhecida publicamente, envolvida nas conversa&ccedil;&otilde;es explorat&oacute;rias entre delegados das insurgentes For&ccedil;as Armadas Revolucion&aacute;rias da Col&ocirc;mbia (Farcs) e do governo desse pa&iacute;s., encabe&ccedil;ado por Juan Manuel Santos, para iniciar um di&aacute;logo destinado &quot;&agrave; constru&ccedil;&atilde;o de uma paz est&aacute;vel e duradoura&quot;.<\/p>\n<p>Quando foi vista chegando ao primeiro encontro com a imprensa oferecido em agosto, em Havana, por representantes das Farc, nem todos os jornalista sabiam quem era. Logo a informa&ccedil;&atilde;o corria pelo sal&atilde;o: entre os negociadores iniciais figura a companheira de &quot;Manuel Marulanda&quot;, nome de guerra de Pedro Antonio Mar&iacute;n, fundador e l&iacute;der da guerrilha mais antiga da Am&eacute;rica Latina.<\/p>\n<p>Uma das interpreta&ccedil;&otilde;es de sua presen&ccedil;a nestas reuni&otilde;es &eacute; que reafirma a continuidade de um processo iniciado por Marulanda, morto em raz&atilde;o de uma parada card&iacute;aca em mar&ccedil;o de 2008. &quot;&Eacute; seu legado que est&aacute; presente. Durante seus 60 anos de luta esteve buscando uma sa&iacute;da pol&iacute;tica para o conflito, e essa sempre foi nossa voca&ccedil;&atilde;o&quot;, afirmou Sandra em entrevista exclusiva &agrave; IPS.<\/p>\n<p>&quot;Ao lado do comandante Marulanda aprendi o amor a esta causa que levamos, o que, definitivamente, implica um compromisso muito maior. Trabalhamos juntos muitos anos, compartilhamos muit&iacute;ssimas coisas&quot;, acrescentou em certo momento, quando as emo&ccedil;&otilde;es puseram em risco seu fala pausada e calma.<\/p>\n<p>Sandra &eacute; filha de uma fam&iacute;lia de camponeses numerosa &#8211; &quot;eramos 15 irm&atilde;os, as op&ccedil;&otilde;es de vida eram escassas, sobretudo para n&oacute;s, mulheres&quot; &#8211; e uniu-se &agrave; guerrilha aos 17 anos. Em maio completou 48 e n&atilde;o se arrepende do caminho escolhido. Na montanha aprendeu enfermagem e comunica&ccedil;&otilde;es e integrou o corpo de guarda dos &quot;camaradas&quot; da dire&ccedil;&atilde;o nacional das Farc.<\/p>\n<p>Ao que parece, foi assim que se aproximou sentimentalmente de Marulanda, a que acompanhou e cuido nos &uacute;ltimos anos de vida. a imprensa colombiana recorda de v&ecirc;-los juntos, 10 anos atr&aacute;s, nas conversa&ccedil;&otilde;es de paz entre as Farc e o governo de Andr&eacute;s Pastrana (1998-2002), no munic&iacute;pio de San Vicente del Gagu&aacute;n.<\/p>\n<p>IPS: Aqueles di&aacute;logos fracassaram. Qual sua expectativa com este que come&ccedil;ar&aacute; em Oslo dia 8 de outubro e que, se prev&ecirc;, continuar&aacute; em Havana?<\/p>\n<p>Sandra Ram&iacute;rez: Estamos iniciando este novo processo para ver se com o esfor&ccedil;o de todos, da guerrilha, do governo e do povo da Col&ocirc;mbia possamo conseguir uma solu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica para o conflito. As possibilidades de &ecirc;xito sempre est&atilde;o presentes, o problema &eacute; que a oligarquia colombiana sempre se negou a ceder um mil&iacute;metro de seu status de poder, a partir do qual elimina o opositor a tiros.<\/p>\n<p>IPS: Considera poss&iacute;vel conversar de paz sem cessar as hostilidades?<\/p>\n<p>SR: O governo de &Aacute;lvaro Uribe (2002-2010) se caracterizou pela viol&ecirc;ncia extrema, n&atilde;o abriu as portas &agrave; paz. Agora a correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as &eacute; diferente, tanto dentro do pa&iacute;s quanto no entorno latino-americanoa da Col&ocirc;mbia, com governos democr&aacute;ticos como os de Venezuela, Bol&iacute;via ou Equador. Os povos est&atilde;o adquirindo outras formas de luta e isso incide no povo colombiano. A decis&atilde;o &eacute; sentar e conversar, mas a l&oacute;gica e o pr&oacute;prio cen&aacute;rio nos dir&atilde;o se haver&aacute;, ou n&atilde;o, cessar-fogo que, ocorrendo em algum momento, ter&aacute; que ser bilateral.<\/p>\n<p>IPS: No come&ccedil;o da d&eacute;cada de 90 Fidel Castro, que comandou a insurrei&ccedil;&atilde;o armada que o levou ao poder em 1959, come&ccedil;ou a desaconselhar este caminho e insistiu nas possibilidades da luta de massas, especialmente do &quot;povo unido, povo coordenado, povo lutando em uma mesma dire&ccedil;&atilde;o&quot;. O que pensa dessa afirma&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>SR: As condi&ccedil;&otilde;es na Col&ocirc;mbia s&atilde;o muito diferentes. N&atilde;o h&aacute; liberdades para participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Aferrada ao poder, a ultradireita elimina fisicamente seus opositores; fechou todas as vias e n&atilde;o nos deixou outra op&ccedil;&atilde;o al&eacute;m das armas para sermos ouvidos. Porque se trata disso, usamos as armas para que nos ou&ccedil;am.<\/p>\n<p>IPS: Afirma-se que as Farc querem negociar porque est&atilde;o debilitadas.<\/p>\n<p>SR: As Farc buscam a paz desde sua funda&ccedil;&atilde;o e esta &eacute; uma nova oportunidade. Claro, como organiza&ccedil;&atilde;o que enfrenta toda a tecnologia de ponta fornecida pelos Estados Unidos n&atilde;o podemos negar que fomos golpeados e perdemos quadros valiosos. Mas, isso n&atilde;o significa debilidade.<\/p>\n<p>IPS: Considera que h&aacute; condi&ccedil;&otilde;es para que o povo colombiano acompanhe este processo?<\/p>\n<p>SR: Claro que sim, este di&aacute;logo responde ao desejo de ind&iacute;genas, afrodescendentes, de todos os movimentos e setores sociais do pa&iacute;s. n&atilde;o &eacute; um capricho do governo de Santos nem das Farc.<\/p>\n<p>IPS: Nos acordos que consideram como mapa do caminho das negocia&ccedil;&otilde;es d epaz n&atilde;o se menciona a situa&ccedil;&atilde;o da mulher. Por que isso?<\/p>\n<p>SR: A situa&ccedil;&atilde;o da mulher na Col&ocirc;mbia &eacute; t&atilde;o dif&iacute;cil quanto a de todo o povo colombiano, por isso n&atilde;o &eacute; mencionada especificamente.<\/p>\n<p>IPS: Cerca de 40% das tropas das Farc s&atilde;o mulheres, mas leas n&atilde;o est&atilde;o no secretariado da organiza&ccedil;&atilde;o&#8230;<\/p>\n<p>SR: Calculamos que neste momento somos mais de 40%. N&atilde;o h&aacute; mulheres na dire&ccedil;&atilde;o nacional, mas h&aacute; no Estado Maior Central e nos escal&otilde;es intermedi&aacute;rios. Em n&iacute;vel de companhias, integram os comandos de dire&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>IPS: Tamb&eacute;m na Col&ocirc;mbia as mulheres sofrem viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e o machismo as discrimina. Esses problemas existem na guerrilha?<\/p>\n<p>SR: Nossa organiza&ccedil;&atilde;o brotou das entranhas da sociedade colombiana e n&atilde;o est&aacute; alheia a essas realidades. Mas, em seu seio se contribui para a prepara&ccedil;ao das combatentes para que se expressem, participem, tomem decis&otilde;es e fa&ccedil;am valer seus direitos. Temos normas disciplinares e n&atilde;o se permite rixas e menos ainda viol&ecirc;ncia contra a mulehr.<\/p>\n<p>IPS: &Eacute; verdade que h&aacute; crian&ccedil;as na guerrilha?<\/p>\n<p>SR: H&aacute; casos excepcionais, com filhos ou filhas de guerrilheiras ou guerrilheiros mortos em combate. &Agrave;s vezes seus av&oacute;s n&atilde;o podem cuidar deles e s&atilde;o muito vigiados e perseguidos pela pol&iacute;cia ou pelo ex&eacute;rcito. N&atilde;o h&aacute; outro rem&eacute;dio a n&atilde;o ser lev&aacute;-los conosco. Lhes damos uma educa&ccedil;&atilde;o, designa-se algum combatente para cuidar deles, tentamos lhes dar a melhor aten&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>IPS: o que acontece se essa crian&ccedil;a que ir embora?<\/p>\n<p>SR: Analisa-se a situa&ccedil;&atilde;o. Geralmente, optam por ficarem, por uma quest&atilde;o de seguran&ccedil;a. houve muitos casos de crian&ccedil;as que hoje s&atilde;o excelentes combatente e at&eacute; comandantes.<\/p>\n<p>IPS: H&aacute; press&atilde;o ou coa&ccedil;&atilde;o sobre os jovens para que ingressem na guerrilha?<\/p>\n<p>SR: De modo algum. A entrada &eacute; volunt&aacute;ria, seja homem ou mulher. A idade m&iacute;nima para entrar nas Farc &eacute; de 15 anos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Havana, Cuba, 28\/09\/2012 &ndash; &Eacute; dif&iacute;cil imagin&aacute;-la vestida de guerrilheira, carregando uma mochila de 25 quilos, repelindo a tiros o ataque inimigo ou buscando ref&uacute;gio para evitar os bombardeios a&eacute;reos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/america-latina\/as-farc-usam-armas-para-serem-ouvidas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,11],"tags":[24],"class_list":["post-10736","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-politica","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10736","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10736"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10736\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10736"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10736"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10736"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}