{"id":10743,"date":"2012-10-01T11:23:36","date_gmt":"2012-10-01T11:23:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10743"},"modified":"2012-10-01T11:23:36","modified_gmt":"2012-10-01T11:23:36","slug":"mxico-o-fim-do-sonho-americano-de-crianas-emigrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/america-latina\/mxico-o-fim-do-sonho-americano-de-crianas-emigrantes\/","title":{"rendered":"M&eacute;xico, o fim do sonho americano de crian&ccedil;as emigrantes"},"content":{"rendered":"<p>San Salvador, El Salvador, 01\/10\/2012 &ndash; O M&eacute;xico &eacute; para muitos meninos e meninas emigrantes ilegais da Am&eacute;rica Central o fim da viagem em sua tentativa de chegar aos Estados Unidos, empurrados por raz&otilde;es econ&ocirc;micas e pela viol&ecirc;ncia de gangues e intrafamiliar. <!--more--> &quot;As crian&ccedil;as sempre migraram, sempre estiveram ali, e sempre foram os mais vulner&aacute;veis&quot;, disse &agrave; IPS a acad&ecirc;mica mexicana Carolina Rivera, do Centro de Pesquisas e Estudos Superiores em Antropologia Social (Ciesas), do M&eacute;xico.<\/p>\n<p>Desde que o fluxo emigrat&oacute;rio centro-americano para os Estados Unidos se intensificou na d&eacute;cada de 1980, devido &agrave;s guerras civis que afetaram a regi&atilde;o, ficou mais evidente o fen&ocirc;meno da desintegra&ccedil;&atilde;o familiar. Os pais partem em busca de um futuro melhor e deixam os filhos sob os cuidados de av&oacute;s e outros familiares. Estimativas do Departamento de Seguran&ccedil;a Interna dos Estados Unidos, divulgadas pela imprensa, indicam que cerca de 15% dos 11,5 milh&otilde;es de imigrantes latino-americanos ilegais nesse pa&iacute;s s&atilde;o guatemaltecos, hondurenhos e salvadorenhos.<\/p>\n<p>Agora, &agrave; necessidade de reunifica&ccedil;&atilde;o familiar e &agrave; tradicional raz&atilde;o econ&ocirc;mica, somaram-se outras mais recentes, como a viol&ecirc;ncia intrafamiliar, para que meninos, meninas e adolescentes queiram abandonar a regi&atilde;o, disse Rivera, que tem experi&ecirc;ncia em trabalho de campo com centro-americanos na localidade de Mazat&aacute;n, no Estado mexicano de Chiapas.<\/p>\n<p>Rivera afirmou que em sua pesquisa encontrou meninas que apanharam e foram violadas por seus padrastos ou outros familiares, o que as obrigou a viajar para os Estados Unidos sem ter os documentos necess&aacute;rios para se radicar nesse pa&iacute;s. Tamb&eacute;m soube de jovens hondurenhos e salvadorenhos que, ao contarem &agrave; fam&iacute;lia que eram homossexuais, foram maltratados e, finalmente, colocados para fora de suas casas.<\/p>\n<p>Em todos esses casos aparecia o fen&ocirc;meno da viol&ecirc;ncia intrafamiliar como uma causa recorrente, disse a especialista, principal expositora em um f&oacute;rum realizado em S&atilde;o Salvador sobre o fen&ocirc;meno de meninos e meninas migrantes. As den&uacute;ncias por viol&ecirc;ncia intrafamiliar aumentaram em El Salvador, para 1.028 entre janeiro e junho, quase o dobro das registradas em todo o ano passado, segundo a Pol&iacute;cia Nacional.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s serem detidas no M&eacute;xico, as op&ccedil;&otilde;es das crian&ccedil;as centro-americanas s&atilde;o poucas: serem deportadas ou viverem nesse pa&iacute;s sofrendo constantes viola&ccedil;&otilde;es de seus direitos. Dados do Instituto Nacional de Migra&ccedil;&atilde;o (INM) do M&eacute;xico indicam que, entre janeiro e julho deste ano, foram deportados 3.391 menores guatemaltecos, hondurenhos e salvadorenhos, 50% a mais do que em igual per&iacute;odo do ano passado.<\/p>\n<p>Desse total, 2.801 viajavam sem acompanhantes, deixando evidente o grau de vulnerabilidade em que se encontravam. Muitas deles s&atilde;o abandonados &agrave; pr&oacute;pria sorte pelos guias, ou coiotes, como s&atilde;o chamados na regi&atilde;o os traficantes de pessoas. &quot;Muitos est&atilde;o envolvidos nas redes de tr&aacute;fico de pessoas&quot;, explicou &agrave; IPS o coordenador do Programa Migra&ccedil;&otilde;es, da Dire&ccedil;&atilde;o Nacional de Investiga&ccedil;&otilde;es, Jaime Rivas. &quot;J&aacute; n&atilde;o &eacute; como antes, o coiote her&oacute;i que ajuda as pessoas a chegarem ao norte. Agora s&atilde;o as redes de tr&aacute;fico de pessoas vinculadas ao crime organizado que mobilizam os migrantes&quot;, detalhou.<\/p>\n<p>Um comunicado do INM, divulgado no come&ccedil;o de setembro, indica que muitas dessas crian&ccedil;as fogem das gangues do norte da Am&eacute;rica Central, que obrigam os adolescentes a entrarem para suas fileiras. Quando se negam, se exp&otilde;em a morrer assassinados. Apenas em El Salvador calcula-se que h&aacute; cerca de 60 mil bandidos, aglutinados na MS-13 ou Mara Salvatrucha e Barrio 18.<\/p>\n<p>O documento Inf&acirc;ncia Capturada, apresentado em junho pela Coaliz&atilde;o Internacional contra a Deten&ccedil;&atilde;o (IDC), uma organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria com presen&ccedil;a em 50 pa&iacute;ses, disse que, independente das condi&ccedil;&otilde;es em que as crian&ccedil;as s&atilde;o mantidas atr&aacute;s das grades ap&oacute;s tentarem passar por algum posto fronteiri&ccedil;o, a deten&ccedil;&atilde;o em si produz um impacto negativo profundo. Elas sofrem de ansiedade depress&atilde;o, bem como de ins&ocirc;nia e outros sintomas. &quot;T&ecirc;m afetados sua sa&uacute;de f&iacute;sica e psicol&oacute;gica, bem com seu desenvolvimento&quot;, segundo o informe.<\/p>\n<p>A IDC acrescentou que os menores ilegais n&atilde;o devem ser detidos, e recomendou aos governos envolvidos criarem pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que as protejam. O M&eacute;xico aprovou em abril de 2011 uma nova lei de migra&ccedil;&otilde;es que, em princ&iacute;pio, prop&otilde;e um irrestrito respeito dos direitos humanos dos estrangeiros em tr&acirc;nsito por seu territ&oacute;rio, mas ainda n&atilde;o &eacute; aplicada por falta de regulamenta&ccedil;&atilde;o. Os que decidem ficar sem documentos legais no M&eacute;xico se exp&otilde;em a viver em situa&ccedil;&otilde;es de extrema vulnerabilidade trabalhista, disse a antrop&oacute;loga mexicana.<\/p>\n<p>Em sua pesquisa, Rivera encontrou que 33% dos imigrantes menores se empregavam na agricultura, muitas vezes com longas jornadas de trabalho e pagamento abaixo do sal&aacute;rio m&eacute;dio. Outros 16% realizam tarefas no setor de servi&ccedil;os e entretenimento, sobretudo as hondurenhas e salvadorenhas entre 15 e 17 anos de idade, que trabalham como bailarinas em casas noturnas, sujeitas a vexames e abusos sexuais. &quot;Muitas se sentem escravizadas, sem poderem sair desse c&iacute;rculo&quot;, explicou Rivera.<\/p>\n<p>Essas jovens prefeririam trabalhar como dom&eacute;sticas, mas nessa regi&atilde;o do M&eacute;xico existe um estigma contra as salvadorenhas e hondurenhas, que s&atilde;o consideradas &quot;rouba-maridos&quot;, por isso para esses trabalhos contrata-se especialmente mulheres ind&iacute;genas da Guatemala, contou a especialista. Finalmente, a investiga&ccedil;&atilde;o mostra que 17% dos imigrantes crian&ccedil;as ou adolescentes se dedicam &agrave; venda ambulante e o restante a uma s&eacute;rie de variadas atividades irregulares. Por outro lado, apenas 6% dos adolescentes haviam cursado algum tipo de educa&ccedil;&atilde;o superior, e somente 2% fizeram algumas mat&eacute;rias na universidade. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>San Salvador, El Salvador, 01\/10\/2012 &ndash; O M&eacute;xico &eacute; para muitos meninos e meninas emigrantes ilegais da Am&eacute;rica Central o fim da viagem em sua tentativa de chegar aos Estados Unidos, empurrados por raz&otilde;es econ&ocirc;micas e pela viol&ecirc;ncia de gangues e intrafamiliar. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/america-latina\/mxico-o-fim-do-sonho-americano-de-crianas-emigrantes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":420,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6,11],"tags":[],"class_list":["post-10743","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10743","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/420"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10743"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10743\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10743"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10743"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10743"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}