{"id":10748,"date":"2012-10-02T09:37:20","date_gmt":"2012-10-02T09:37:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10748"},"modified":"2012-10-02T09:37:20","modified_gmt":"2012-10-02T09:37:20","slug":"brasil-prepara-sua-indstria-para-se-manter-emergente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/america-latina\/brasil-prepara-sua-indstria-para-se-manter-emergente\/","title":{"rendered":"Brasil prepara sua ind&uacute;stria para se manter emergente"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 02\/10\/2012 &ndash; A recupera&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria do Brasil, diante dos efeitos da crise financeira global que acentuaram a perda de competitividade diante de manufaturas externas, &eacute; uma tarefa priorit&aacute;ria para o governo em seu desejo de manter a economia em crescimento. <!--more--> A queda de 3,8% da produ&ccedil;&atilde;o industrial no primeiro semestre deste ano, confirmando uma tend&ecirc;ncia &agrave; baixa iniciada em outubro de 2010, imp&ocirc;s urg&ecirc;ncia ao programa de redu&ccedil;&atilde;o do chamado &quot;custo Brasil&quot;.<\/p>\n<p>O governo de Dilma Rousseff j&aacute; havia adotado sucessivas medidas para reativar a economia, ou ao menos conter sua desacelera&ccedil;&atilde;o, entre as quais est&atilde;o redu&ccedil;&atilde;o de impostos, maior facilidade de acesso ao cr&eacute;dito, restri&ccedil;&otilde;es &agrave;s importa&ccedil;&otilde;es e est&iacute;mulos ao consumo interno. As &uacute;ltimas iniciativas da presidente se dirigem a incentivar a produ&ccedil;&atilde;o, especialmente no setor industrial, desta vez o mais afetado pela crise que tem seu epicentro na Europa. Nesse contexto est&aacute; a redu&ccedil;&atilde;o, a partir de fevereiro, de 28% das tarifas de energia el&eacute;trica para a produ&ccedil;&atilde;o de alum&iacute;nio e cimento.<\/p>\n<p>H&aacute; duas semanas o governo anunciou que outros setores da ind&uacute;stria tamb&eacute;m desfrutar&atilde;o redu&ccedil;&otilde;es na tarifa el&eacute;trica entre 20% e 24,7%, enquanto a energia residencial e do com&eacute;rcio pagar&atilde;o 16,2% menos, produto de diferentes redu&ccedil;&otilde;es tribut&aacute;rias e da renova&ccedil;&atilde;o de concess&otilde;es de servi&ccedil;os com custos menores. A eletricidade brasileira &eacute; uma das mais caras do mundo, apesar de sua gera&ccedil;&atilde;o ser basicamente hidr&aacute;ulica, a mais barata. Boa parte dessa contradi&ccedil;&atilde;o se deve ao fato de suportar uma carga de 25 impostos e outros gastos que levam a representar at&eacute; 45% da conta final do consumidor, segundo o Instituto Acende Brasil, um observat&oacute;rio especializado.<\/p>\n<p>Entretanto, nem todos concordam com os planos do governo. &quot;As medidas adotadas s&atilde;o bem-vindas&quot;, mas elas s&atilde;o pontuais, de rea&ccedil;&atilde;o aos impactos da crise internacional, e &quot;faltam pol&iacute;ticas de longo prazo para aprofundar o processo de industrializa&ccedil;&atilde;o&quot;, disse &agrave; IPS o economista Rog&eacute;rio Souza, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, criado por empres&aacute;rios. O Brasil precisa de &quot;uma pol&iacute;tica industrial moderna, que seja de Estado&quot;, com um planejamento que v&aacute; al&eacute;m do per&iacute;odo de quatro ou oito anos de um mesmo governo, como ocorre na China, que come&ccedil;ou copiando produtos e hoje &quot;f&aacute;brica submarinos, avi&otilde;es e eletrodom&eacute;sticos&quot;, explicou Souza.<\/p>\n<p>Trata-se de identificar em quais &aacute;reas atuar porque s&atilde;o importantes para a ind&uacute;stria e a economia, os &quot;setores locomotivas&quot;, bem como definir tamb&eacute;m quais ramos s&atilde;o deficit&aacute;rios para &quot;desenvolver compet&ecirc;ncias&quot;, acrescentou o economista. Isto compreende implantar pol&iacute;ticas para &quot;favorecer alguns setores, mas exigindo contrapartidas, metas, prazos e resultados&quot;. As empresas precisam investir, ganhar produtividade e desenvolver tecnologias, ressaltou.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o consigo imaginar o Brasil sem uma grande ind&uacute;stria&quot;, disse Souza, argumentando que um pa&iacute;s com 192 milh&otilde;es de habitantes como este &quot;n&atilde;o pode viver apenas de servi&ccedil;os&quot; e produtos prim&aacute;rios. A Austr&aacute;lia &eacute; rica sendo agr&iacute;cola e mineradora, mas tem apenas 22 milh&otilde;es de habitantes, e n&atilde;o necessita de tantos empregos. O exemplo est&aacute; nos Estados Unidos, &quot;forte em tudo&quot;, ressaltou. Entretanto, o Brasil vive um processo de desindustrializa&ccedil;&atilde;o precoce, afirmam v&aacute;rios economistas, entre eles Andr&eacute; Nassif, Carmem Feij&oacute; e Eliane Ara&uacute;jo, autores de um estudo que utiliza dados de 2011.<\/p>\n<p>As principais raz&otilde;es do retrocesso da ind&uacute;stria, cuja incid&ecirc;ncia no produto interno bruto brasileiro caiu de 31,3%, em 1980, para 14,6%, em 2011, s&atilde;o o grande d&eacute;ficit comercial em setores de tecnologia e a baixa produtividade do trabalho, segundo Nassif e Feij&oacute;, da Universidade Federal Fluminense, e Ara&uacute;jo da Universidade Estadual de Maring&aacute;. A balan&ccedil;a comercial do pa&iacute;s apresenta grande super&aacute;vit h&aacute; dez anos, mas esse bom desempenho se d&aacute; gra&ccedil;as &agrave;s exporta&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas e de min&eacute;rios, que compensam com juros o d&eacute;ficit industrial.<\/p>\n<p>Tanto que, nos casos de produtos eletr&ocirc;nicos e em qu&iacute;mica, as importa&ccedil;&otilde;es j&aacute; superam as exporta&ccedil;&otilde;es em dezenas de milhares de milh&otilde;es de d&oacute;lares por ano. Por&eacute;m, Mansueto Almeida, do governamental Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (Ipea), amenizou os n&uacute;meros negativos deste processo em um artigo publicado h&aacute; duas semanas. A perda do peso industrial no PIB acompanha uma tend&ecirc;ncia mundial desde a d&eacute;cada de 1970, com &iacute;ndices muito pr&oacute;ximos.<\/p>\n<p>No entanto, &quot;preocupa&quot; o retrocesso registrado no ano passado, quando a ind&uacute;stria representou 14,6% do PIB, contra 16,2% em 2010, uma queda brusca tendo em conta o ritmo suave de anos anteriores, observou Almeida. Por outro lado, a exporta&ccedil;&atilde;o de manufaturas n&atilde;o perdeu dinamismo nos &uacute;ltimos anos, j&aacute; que cresceu de US$ 32,5 bilh&otilde;es, em 2000, para US$ 92,3 bilh&otilde;es em 2011, o que joga por terra a suposta perda de competitividade, acrescentou.<\/p>\n<p>Ainda assim a balan&ccedil;a comercial do setor industrial registra desde 2005 d&eacute;ficit, que aumentou aceleradamente nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos. A recess&atilde;o reduziu o consumo nos pa&iacute;ses ricos, gerando muitos excedentes a baixos pre&ccedil;os, enquanto o real, supervalorizado em rela&ccedil;&atilde;o ao d&oacute;lar, favoreceu as importa&ccedil;&otilde;es, explicou o economista. Outro ponto que contradiz a desindustrializa&ccedil;&atilde;o &eacute; o crescimento do emprego formal na ind&uacute;stria manufatureira, inclusive em per&iacute;odos de redu&ccedil;&atilde;o do produto. De todo modo, Almeida teme pelo futuro do setor, porque produzir no Brasil ficou muito caro.<\/p>\n<p>Competitividade &eacute; o conceito adotado por Dilma Rousseff para justificar as medidas que favorecem alguns setores. Foment&aacute;-la permite um certo consenso entre as correntes de pensamento econ&ocirc;mico que divergem sobre desindustrializa&ccedil;&atilde;o e pol&iacute;tica industrial. Contudo, s&atilde;o muitos os fatores a serem considerados. Al&eacute;m do custo energ&eacute;tico, a moeda supervalorizada, uma alta carga tribut&aacute;ria que se aproxima dos n&iacute;veis europeus, a prec&aacute;ria infraestrutura de transporte e os sal&aacute;rios em alta afetam principalmente a ind&uacute;stria, porque seus custos se acumulam na longa cadeia produtiva.<\/p>\n<p>Tudo indica que o governo decidiu, pelo menos, preservar a competitividade da ind&uacute;stria, que est&aacute; perdendo mercado inclusive para o restante da Am&eacute;rica Latina, a regi&atilde;o que mais importa manufaturas brasileiras. A integra&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica da Am&eacute;rica do Sul interessa ao Brasil, entre outras raz&otilde;es, porque &eacute; onde sua ind&uacute;stria &eacute; mais competitiva, o que contribui para sua lideran&ccedil;a regional. Al&eacute;m do mais, uma ind&uacute;stria decadente tiraria do Brasil muito do protagonismo internacional que conquistou nos &uacute;ltimos anos, especialmente pelas m&atilde;os do presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva (2003-2011). Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 02\/10\/2012 &ndash; A recupera&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria do Brasil, diante dos efeitos da crise financeira global que acentuaram a perda de competitividade diante de manufaturas externas, &eacute; uma tarefa priorit&aacute;ria para o governo em seu desejo de manter a economia em crescimento. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/america-latina\/brasil-prepara-sua-indstria-para-se-manter-emergente\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,11],"tags":[27],"class_list":["post-10748","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-politica","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10748","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10748"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10748\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10748"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10748"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10748"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}