{"id":10749,"date":"2012-10-02T09:40:08","date_gmt":"2012-10-02T09:40:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10749"},"modified":"2012-10-02T09:40:08","modified_gmt":"2012-10-02T09:40:08","slug":"a-ue-se-protege-das-economias-emergentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/mundo\/a-ue-se-protege-das-economias-emergentes\/","title":{"rendered":"A UE se protege das economias emergentes"},"content":{"rendered":"<p>Berlim, Alemanha, 02\/10\/2012 &ndash; Durante muitos anos, a Uni&atilde;o Europeia (UE), como bloco, e seus Estados, de forma individual, estiveram entre os mais fortes defensores do livre com&eacute;rcio, apresentando-o como receita para o crescimento econ&ocirc;mico e o bem-estar em todo o mundo. <!--more--> Contudo, como a bancarrota financeira internacional em 2007 desatou uma grave crise de d&iacute;vida soberana e uma queda econ&ocirc;mica na maioria dos pa&iacute;ses europeus, hoje as institui&ccedil;&otilde;es, os governos e representantes de alguns setores industrializados da UE pedem a ado&ccedil;&atilde;o de medidas protecionistas, especialmente contra pa&iacute;ses emergentes que surgem como competidores, como Brasil, Coreia do Sul, China e &Iacute;ndia.<\/p>\n<p>Esta mudan&ccedil;a dr&aacute;stica do bloco em sua postura diante do com&eacute;rcio internacional ficou evidente neste ver&atilde;o boreal, quando fabricantes alem&atilde;es de pain&eacute;is solares e o governo esquerdista de Fran&ccedil;ois Hollande na Fran&ccedil;a exortaram a UE a adotar prote&ccedil;&otilde;es contra a competi&ccedil;&atilde;o chinesa e a suspender um Tratado de Livre Com&eacute;rcio (TLC) com a Coreia do Sul. O ministro franc&ecirc;s de Recupera&ccedil;&atilde;o Produtiva, Arnaud Montebourg, denunciou em agosto o &quot;inaceit&aacute;vel dumping (pr&aacute;ticas de com&eacute;rcio desleal) por parte de fabricantes de autom&oacute;veis coreanos, como Hyundai e Kia&quot;. Segundo Montebourg, &quot;a Europa pode abrir seus mercados, mas deve se render&quot; aos competidores econ&ocirc;micos desleais.<\/p>\n<p>A evolu&ccedil;&atilde;o das atuais tend&ecirc;ncias industriais sugere que a Europa estaria efetivamente em atraso econ&ocirc;mico. A legend&aacute;ria montadora francesa Peugeot acumulou perdas de 1,2 bilh&atilde;o de euros (US$ 1,545 bilh&atilde;o) entre julho de 2011 e junho de 2012, e anunciou demiss&otilde;es de mais de oito mil trabalhadores na Fran&ccedil;a e em pa&iacute;ses do leste europeu. Enquanto isso, os fabricantes sul-coreanos aumentaram substancialmente suas exporta&ccedil;&otilde;es para a Europa. Segundo dados divulgados no dia 29 de agosto pela Comiss&atilde;o Europeia, &oacute;rg&atilde;o executivo da UE, as exporta&ccedil;&otilde;es da Hyundai para a Fran&ccedil;a cresceram 48% no primeiro semestre de 2012. No mesmo per&iacute;odo, as vendas europeias de autom&oacute;veis para a Coreia do Sul ca&iacute;ram 13%.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, estes n&uacute;meros por si s&oacute; n&atilde;o s&atilde;o suficientes para justificar os chamados europeus ao protecionismo. Segundo a Hyundai, bem mais de metade dos 400 mil autom&oacute;veis vendidos na Europa, entre janeiro e julho deste ano, foram, de fato, fabricados em pa&iacute;ses da UE, como a Rep&uacute;blica Checa. Al&eacute;m disso, o TLC habilitou apenas uma queda marginal das tarifas alfandeg&aacute;rias sobre carros pequenos sul-coreanos, de 10%, antes do acordo, para 8,3%, a partir de julho de 2011, e a 6,6% desde julho passado.<\/p>\n<p>Entretanto, como outros atores industriais franceses &#8211; desde fabricantes de barcos e trens de alta velocidade at&eacute; construtores de centrais nucleares &#8211; perderam licita&ccedil;&otilde;es para competidores sul-coreanos, estes &uacute;ltimos passaram a ser para a UE a encarna&ccedil;&atilde;o de um rival forte e supostamente desleal. Segundo o &uacute;ltimo informe de competitividade global do F&oacute;rum Econ&ocirc;mico Mundial, o desempenho econ&ocirc;mico da Coreia do Sul em 2011 superou o da Fran&ccedil;a. Mas esse pa&iacute;s asi&aacute;tico n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica amea&ccedil;a.<\/p>\n<p>Vinte e seis produtores europeus, liderados pelos fabricantes de pain&eacute;is solares, que est&atilde;o &agrave; beira da bancarrota devido a uma forte presen&ccedil;a chinesa no mercado, exortaram a Uni&atilde;o Europeia a adotar medidas antidumping contra competidores chineses. Argumentaram que Pequim concede aos seus industriais subs&iacute;dios ilegais que lhes permitem fixar pre&ccedil;os abaixo dos custos de produ&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Essas pr&aacute;ticas, segundo o grupo EU ProSun, que representa a maioria das empresas europeias da ind&uacute;stria solar, &quot;s&atilde;o distor&ccedil;&otilde;es injustas&quot; do com&eacute;rcio internacional. A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio permite que os governos atuem contra o dumping quando h&aacute; um preju&iacute;zo genu&iacute;no &agrave; ind&uacute;stria nacional. Em 2011 a Europa foi o destino de 60% das exporta&ccedil;&otilde;es chinesas de pain&eacute;is solares. No dia 6 de setembro, a UE anunciou que responderia ao pedido da EU ProSun lan&ccedil;ando uma investiga&ccedil;&atilde;o oficial sobre os subs&iacute;dios e as pr&aacute;ticas comerciais de Pequim.<\/p>\n<p>A UE tamb&eacute;m desenvolveu um novo conceito de com&eacute;rcio internacional que, segundo especialistas em economia e analistas, claramente inclui novas medidas protecionistas. Estas, provavelmente, afetar&atilde;o pa&iacute;ses emergentes como &Iacute;ndia, Brasil e &Aacute;frica do Sul, que formam o bloco Ibas, bem como China, Coreia do Sul e Vietn&atilde;. Em uma an&aacute;lise divulgada em julho, intitulada A Pr&oacute;xima D&eacute;cada de Pol&iacute;tica Comercial da UE: Confrontando Desafios Globais?, o Instituto de Desenvolvimento em Ultramar (ODI), com sede em Londres, alertou: &quot;H&aacute; grande preocupa&ccedil;&atilde;o de que a UE esteja avan&ccedil;ando para o protecionismo&quot;.<\/p>\n<p>O ODI colocou sob mira as propostas sobre com&eacute;rcio internacional aprovadas em maio passado pela Comiss&atilde;o Europeia. Essa nova agenda, que se espera esteja em vigor a partir de janeiro de 2014, prev&ecirc; uma reforma do Sistema Generalizado de Prefer&ecirc;ncias (SGP), que orientou as pol&iacute;ticas comerciais do bloco com os pa&iacute;ses do Sul em desenvolvimento desde 1971. Pelas novas disposi&ccedil;&otilde;es, v&aacute;rios dos grandes pa&iacute;ses em desenvolvimento seriam exclu&iacute;dos do SGP, que lhes concede franquias e redu&ccedil;&otilde;es alfandeg&aacute;rias.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, o SGP reformado estabeleceria novos padr&otilde;es ambientais, trabalhistas e sociais a serem respeitados pelas na&ccedil;&otilde;es do Sul para comercializar com a UE. O informe do ODI alerta que o n&uacute;mero de pa&iacute;ses aptos para o com&eacute;rcio preferencial com o bloco europeu cair&aacute; dos atuais 175 para cerca de 80 num futuro pr&oacute;ximo.<\/p>\n<p>Dirk Willem te Velde, chefe do Grupo sobre Desenvolvimento Econ&ocirc;mico Internacional do ODI, expressou seu temor de que &quot;a UE retorne ao protecionismo, especialmente em sua rela&ccedil;&atilde;o com os chamados pa&iacute;ses Brics&quot; (Brasil, R&uacute;ssia, &Iacute;ndia, China e &Aacute;frica do Sul). Acrescentou que &quot;a reforma do SGP provavelmente impor&aacute; mais barreiras ao com&eacute;rcio sobre uma gama de produtos e pa&iacute;ses se estes n&atilde;o estiverem beneficiados por um TLC rec&iacute;proco com a UE&quot;.<\/p>\n<p>Christopher Stevens, coautor do estudo, disse que o novo regime de SGP excluiria os chamados pa&iacute;ses de renda m&eacute;dia e alta das prefer&ecirc;ncias, inclusive atingindo produtos dessas na&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o competem com a UE. O bloco europeu justifica essa mudan&ccedil;a dizendo que essas na&ccedil;&otilde;es &quot;est&atilde;o suficientemente bem integradas &agrave; economia mundial e, portanto, n&atilde;o necessitam do SGP&quot;, acrescentou, ressaltando que isto, supostamente, &quot;aliviar&aacute; a press&atilde;o sobre os pa&iacute;ses em desenvolvimento menos competitivos e focar&aacute; as prefer&ecirc;ncias nos que mais necessitam&quot;.<\/p>\n<p>No entanto, isto n&atilde;o resiste a uma simples an&aacute;lise, prosseguiu Stevens. Os pa&iacute;ses de renda m&eacute;dia e alta n&atilde;o s&atilde;o representantes das na&ccedil;&otilde;es emergentes competitivas, escreveu em seu informe, incluindo exemplos da discrimina&ccedil;&atilde;o que entrar&aacute; em vigor ap&oacute;s a reforma. &quot;Sob o novo regime, a China continuar&aacute; dentro do SGP, mas Cuba ser&aacute; exclu&iacute;da. Indon&eacute;sia e Tail&acirc;ndia permanecer&atilde;o, mas Gab&atilde;o e Nam&iacute;bia n&atilde;o&quot;, destacou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Berlim, Alemanha, 02\/10\/2012 &ndash; Durante muitos anos, a Uni&atilde;o Europeia (UE), como bloco, e seus Estados, de forma individual, estiveram entre os mais fortes defensores do livre com&eacute;rcio, apresentando-o como receita para o crescimento econ&ocirc;mico e o bem-estar em todo o mundo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/mundo\/a-ue-se-protege-das-economias-emergentes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,4,11],"tags":[18,25,21],"class_list":["post-10749","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-mundo","category-politica","tag-europa","tag-ibsa","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10749","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10749"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10749\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10749"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10749"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10749"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}