{"id":10752,"date":"2012-10-02T09:46:42","date_gmt":"2012-10-02T09:46:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10752"},"modified":"2012-10-02T09:46:42","modified_gmt":"2012-10-02T09:46:42","slug":"reportagem-acidez-ocenica-desnuda-e-confunde-os-moluscos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/mundo\/reportagem-acidez-ocenica-desnuda-e-confunde-os-moluscos\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Acidez oce&acirc;nica desnuda e confunde os moluscos"},"content":{"rendered":"<p>MONTEREY, Estados Unidos, 02\/10\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Quando o di&oacute;xido de carbono que os oceanos absorvem se dissolve na &aacute;gua marinha, surge o &aacute;cido carb&ocirc;nico e diminui a disponibilidade de carbonato, vital para a forma&ccedil;&atilde;o de partes duras de muitos organismos marinhos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10752\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/597_e17024.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10752\" class=\"size-medium wp-image-10752\" title=\"Um caranguejo em plena ca&ccedil;a do molusco loco (Concholepas concholepas) - Cortesia: Patricio Mar\u00c3\u00adnquez\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/597_e17024.jpg\" alt=\"Um caranguejo em plena ca&ccedil;a do molusco loco (Concholepas concholepas) - Cortesia: Patricio Mar\u00c3\u00adnquez\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10752\" class=\"wp-caption-text\">Um caranguejo em plena ca&ccedil;a do molusco loco (Concholepas concholepas) - Cortesia: Patricio Mar\u00c3\u00adnquez<\/p><\/div>  A mudan&ccedil;a clim&aacute;tica alterar&aacute; o olfato dos carac&oacute;is marinhos do Chile, que possibilita que fujam de seu arqui-inimigo, um caranguejo predador, afirmam cientistas desse pa&iacute;s, que apresentaram suas descobertas em um simp&oacute;sio nesta cidade californiana do oeste dos Estados Unidos. Pesquisadores da Austr&aacute;lia revelaram que, na medida em que os oceanos se acidificam, alguns peixes se tornam hiperativos, se confundem e se aproximam de seus predadores, em lugar de se afastar deles.<\/p>\n<p>&quot;As condi&ccedil;&otilde;es oce&acirc;nicas est&atilde;o mudando cem vezes mais r&aacute;pido do que em qualquer outro momento do passado&quot;, explicou ao Terram&eacute;rica o pesquisador Jean-Pierre Gattuso, do Laborat&oacute;rio de Oceanografia de Villefranche, na Fran&ccedil;a. As mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas deixam os mares mais quentes e mais &aacute;cidos. &quot;Estamos come&ccedil;ando a entender o que ocorrer&aacute;. Creio que podemos esperar o pior&quot;, advertiu.<\/p>\n<p>Gattuso &eacute; um dos quase 600 cientistas de todo o mundo que apresentaram suas pesquisas entre 24 e 27 de setembro no terceiro simp&oacute;sio The Ocean in a High-CO2 World: Ocean Acidification (O Oceano em um Mundo com Elevado Di&oacute;xido de Carbono: a Acidifica&ccedil;&atilde;o Oce&acirc;nica). H&aacute; apenas uma d&eacute;cada, a ci&ecirc;ncia descobriu que a queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis (carv&atilde;o, petr&oacute;leo e g&aacute;s) deixa as &aacute;guas dos oceanos 30% mais &aacute;cidas do que no come&ccedil;o da Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial.<\/p>\n<p>Os oceanos absorvem um ter&ccedil;o do di&oacute;xido de carbono (CO2) derivado de atividades humanas. Quando o CO2 se dissolve na &aacute;gua do mar, forma-se o &aacute;cido carb&ocirc;nico. Este fen&ocirc;meno, conhecido como acidifica&ccedil;&atilde;o oce&acirc;nica, reduz a disponibilidade de carbonato, tornando mais dif&iacute;cil a forma&ccedil;&atilde;o de partes duras de muitos organismos marinhos, que para isso necessitam de carbonato de c&aacute;lcio. A combina&ccedil;&atilde;o de maior acidez e menor concentra&ccedil;&atilde;o de carbonato na &aacute;gua tamb&eacute;m tem consequ&ecirc;ncias nas fun&ccedil;&otilde;es fisiol&oacute;gicas de numerosos seres vivos. Isto &eacute; qu&iacute;mica oce&acirc;nica b&aacute;sica e irrefut&aacute;vel.<\/p>\n<p>A acidifica&ccedil;&atilde;o aumentar&aacute;, j&aacute; que continua sendo liberado di&oacute;xido de carbono, segundo os cientistas reunidos em Monterey. A acidez crescente j&aacute; afeta os arrecifes de coral, certos moluscos e outras esp&eacute;cies com partes duras, como conchas ou esqueletos, detalhou Gattuso. Os pter&oacute;podes, moluscos nadadores muito pequenos, est&atilde;o ficando &quot;nus&quot;, sem suas conchas protetoras, devido ao aumento da acidez. Esta esp&eacute;cie &eacute; alimento de muitas outras e constitui um elemento importante no Oceano Ant&aacute;rtico, entre outros, afirmou.<\/p>\n<p>Mais surpreendentes s&atilde;o os efeitos subletais, como as mudan&ccedil;as de conduta documentadas nos &uacute;ltimos tempos. Em um sofisticado experimento, cientistas chilenos expuseram o abalone chileno (Concholepas concholepas), um caracol marinho de carne muito apreciada, &agrave;s concentra&ccedil;&otilde;es de acidez que, se prev&ecirc;, os oceanos ter&atilde;o antes do final deste s&eacute;culo.<\/p>\n<p>Este animal &quot;&eacute; um alimento de grande import&acirc;ncia social e econ&ocirc;mica&quot; no Chile, disse ao Terram&eacute;rica o pesquisador Patricio Mar&iacute;nquez, do Instituto de Ci&ecirc;ncias Marinhas e Limnol&oacute;gicas da Faculdade de Ci&ecirc;ncias da Universidade Austral, desse pa&iacute;s. O principal predador do abalone chileno &eacute; o Acanthocyclus hassleri, um caranguejo carn&iacute;voro. Os abalones podem sentir o cheiro dos caranguejos e fugir para n&atilde;o serem comidos.<\/p>\n<p>Mar&iacute;nquez e seus colegas constru&iacute;ram tanques especiais onde regularam a acidez da &aacute;gua marinha. Coletaram larvas de abalones no norte, centro e sul do Chile e as criaram nos tanques durante cinco a seis meses, em diferentes condi&ccedil;&otilde;es de acidez, explicou o cientista ao Terram&eacute;rica. Mais tarde, os pesquisadores colocaram caranguejos nos tanques onde estavam os carac&oacute;is, para estudar como interagiam predador e sua presa em diferentes graus de acidez.<\/p>\n<p>Assim, observaram que em &aacute;guas com acidez correspondente a uma concentra&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica de di&oacute;xido de carbono entre 390 partes por milh&atilde;o (ppm), como a atual, e 750 ppm, os abalones imediatamente tentavam se afastar o mais poss&iacute;vel dos caranguejos. Em n&iacute;veis de acidez superiores, correspondentes a mil e 1.200 ppm de di&oacute;xido de carbono na atmosfera, os carac&oacute;is ficaram confusos, com deslocamentos err&aacute;ticos e frequentemente em dire&ccedil;&atilde;o aos caranguejos. Isto &eacute; bom para os caranguejos, mas nem tanto para os carac&oacute;is, ponderou Mar&iacute;nquez.<\/p>\n<p>Se n&atilde;o houver redu&ccedil;&otilde;es dr&aacute;sticas das emiss&otilde;es contaminantes, essas elevadas concentra&ccedil;&otilde;es de CO2 poder&atilde;o ser alcan&ccedil;adas no final deste s&eacute;culo. &quot;N&atilde;o foram registradas mudan&ccedil;as no ritmo de crescimento nem no tamanho dos carac&oacute;is&quot;, observou o cientista. Por&eacute;m, est&atilde;o sendo feitos pelo menos dez estudos adicionais sobre o efeito da acidez em cascas e larvas, entre outros aspectos. Atualmente, dez cientistas e 35 estudantes de diferentes disciplinas investigam os impactos da acidifica&ccedil;&atilde;o oce&acirc;nica no Chile, pa&iacute;s com extenso e rico litoral marinho.<\/p>\n<p>Entretanto, persiste o desafio de fazer com que suas descobertas sejam publicadas em revistas cient&iacute;ficas arbitradas, enfatizou Mar&iacute;nquez. &quot;Frequentemente questionam nossos m&eacute;todos e per&iacute;cia&quot;, apontou, se referindo aos &aacute;rbitros das revistas que julgam as pesquisas antes de serem publicadas. Mar&iacute;nquez se queixou de que esse tratamento para trabalhos chilenos vai al&eacute;m do aceit&aacute;vel, o qual n&atilde;o experimentou quando se apresentou para colaborar com uma institui&ccedil;&atilde;o pesquisadora brit&acirc;nica.<\/p>\n<p>Do outro lado do Pac&iacute;fico, cientistas australianos descobriram que a acidez oce&acirc;nica afeta o comportamento de alguns peixes de arrecifes tropicais. A acidez da &aacute;gua tamb&eacute;m leva &agrave; acidifica&ccedil;&atilde;o dos tecidos internos desses peixes. Embora estas esp&eacute;cies suportem a mudan&ccedil;a, &quot;conclu&iacute;mos que h&aacute; efeitos subletais&quot;, afirmou no simp&oacute;sio o pesquisador Philip Munday, da Escola de Biologia Marinha e Tropical da Universidade James Cook.<\/p>\n<p>O grau de acidez oce&acirc;nica previsto para depois de 2050 altera o sistema nervoso central de alguns peixes de arrecifes de coral, modificando seus sentidos do olfato, da audi&ccedil;&atilde;o e da vis&atilde;o, al&eacute;m de sua conduta, explicou Munday. &quot;Aumenta o n&iacute;vel de atividade, comportamento e ousadia. Se tornam mais ativos e adotam condutas mais perigosas&quot;, afirmou. Em consequ&ecirc;ncia, em um meio mais &aacute;cido duplicam as probabilidades de acabarem no sistema digestivo de algum predador.<\/p>\n<p>No entanto, os predadores tamb&eacute;m s&atilde;o afetados, e s&atilde;o menos eficientes para pegar suas presas. Por exemplo, &quot;os predadores se dirigiram a presas diferentes, algo que n&atilde;o esper&aacute;vamos. Ser&aacute; dif&iacute;cil prever todos os impactos de uma acidez oce&acirc;nica maior&quot;, opinou Munday. Entretanto, a comunidade cient&iacute;fica reunida em Monterey concorda que a pesca excessiva, especialmente a de arrasto, &eacute; a principal amea&ccedil;a imediata aos ecossistemas costeiros.<\/p>\n<p>A acidifica&ccedil;&atilde;o e o aquecimento das &aacute;guas s&atilde;o as principais preocupa&ccedil;&otilde;es para os pr&oacute;ximos anos. Contudo, esses problemas s&atilde;o mais complexos e levar&aacute; mais tempo para resolv&ecirc;-los, indicou Gattuso. Contudo, existem evid&ecirc;ncias suficientes para aconselhar os governos a atuarem j&aacute; para reduzir as emiss&otilde;es de di&oacute;xido de carbono e proteger os oceanos para o futuro, concluiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MONTEREY, Estados Unidos, 02\/10\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Quando o di&oacute;xido de carbono que os oceanos absorvem se dissolve na &aacute;gua marinha, surge o &aacute;cido carb&ocirc;nico e diminui a disponibilidade de carbonato, vital para a forma&ccedil;&atilde;o de partes duras de muitos organismos marinhos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/mundo\/reportagem-acidez-ocenica-desnuda-e-confunde-os-moluscos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5,4],"tags":[21],"class_list":["post-10752","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10752","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10752"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10752\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10752"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10752"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10752"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}