{"id":10754,"date":"2012-10-02T11:27:28","date_gmt":"2012-10-02T11:27:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10754"},"modified":"2012-10-02T11:27:28","modified_gmt":"2012-10-02T11:27:28","slug":"austrlia-barreira-de-corais-beira-do-colapso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/economia\/austrlia-barreira-de-corais-beira-do-colapso\/","title":{"rendered":"AUSTR&Aacute;LIA: Barreira de corais &agrave; beira do colapso"},"content":{"rendered":"<p>Monterey, Estados Unidos, 02\/10\/2012 &ndash; Em menos de dez anos, pouco, ou nada, restar&aacute; da Grande Barreira de Corais da Austr&aacute;lia, de 2.300 quil&ocirc;metros de comprimento, alerta um estudo cient&iacute;fico divulgado ontem.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10754\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/c2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10754\" class=\"size-medium wp-image-10754\" title=\"O peixe-palha&ccedil;o, ou peixe-das-an&ecirc;monas, &eacute; comum em seu lar da Grande Barreira de Corais, na Austr&aacute;lia. - Jan Derk\/Dom\u00c3\u00adnio p&uacute;blico\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/c2.jpg\" alt=\"O peixe-palha&ccedil;o, ou peixe-das-an&ecirc;monas, &eacute; comum em seu lar da Grande Barreira de Corais, na Austr&aacute;lia. - Jan Derk\/Dom\u00c3\u00adnio p&uacute;blico\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10754\" class=\"wp-caption-text\">O peixe-palha&ccedil;o, ou peixe-das-an&ecirc;monas, &eacute; comum em seu lar da Grande Barreira de Corais, na Austr&aacute;lia. - Jan Derk\/Dom\u00c3\u00adnio p&uacute;blico<\/p><\/div>  A menos que as autoridades australianas tomem medidas urgentes, em uma d&eacute;cada permanecer&atilde;o apenas 10% dos tr&ecirc;s mil arrecifes que formam a Barreira em &aacute;guas do leste do pa&iacute;s, afirma a pesquisa publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Mais da metade dos corais do arrecife morreram nos &uacute;ltimos 27 anos.<\/p>\n<p>&quot;Estamos perdendo um ecossistema inteiro no sistema de arrecifes coralinos melhor manejado do mundo&quot;, disse Katharina Fabricius, do Instituto Australiano de Ci&ecirc;ncia Marinha (Aims), coautora do estudo. &quot;Esta &eacute; a primeira an&aacute;lise exaustiva de todos os dados destacados na Grande Barreira de Corais&quot;, afirmou &agrave; IPS. &quot;N&atilde;o posso acreditar; &eacute; realmente comovente&quot;, declarou Graeme Kelleher, diretor fundador da Autoridade do Parque Marinho da Grande Barreira de Corais, que protege e administra a maior parte deste ecossistema desde 1975. &quot;Se o pessoal do Aims o fez, ent&atilde;o deve ser real&quot;, afirmou Kelleher quando a IPS lhe mostrou uma c&oacute;pia embargada do estudo.<\/p>\n<p>Houve advert&ecirc;ncias anteriores de que a Austr&aacute;lia estava perdendo uma das sete maravilhas naturais do mundo, atra&ccedil;&atilde;o tur&iacute;stica que fatura US$ 6 bilh&otilde;es anualmente. Este ano a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, a Ci&ecirc;ncia e a Cultura (Unesco) anunciou que poderia rebaixar a prestigiosa designa&ccedil;&atilde;o do arrecife de S&iacute;tio do Patrim&ocirc;nio Mundial para S&iacute;tio do Patrim&ocirc;nio Mundial em Perigo&quot;. Tempestades, brotos de estrelas do mar da variedade coroa de espinhos e esbranqui&ccedil;amento dos corais s&atilde;o os respons&aacute;veis por dizimar o maior arrecife do mundo, afirma o estudo do Aims.<\/p>\n<p>Poderosos furac&otilde;es, como o Yasi em 2011, prejudicaram este bioma com suas intensas ondas. Entretanto, um impacto maior foi a chuva torrencial que caiu, causando grandes inunda&ccedil;&otilde;es que lavaram da terra grandes quantidades de fertilizantes, pesticidas, dejetos animais e sedimentos, que foram parar no arrecife. Esses res&iacute;duos l&iacute;quidos afetam diretamente o arrecife, e tamb&eacute;m criam as condi&ccedil;&otilde;es perfeitas para o surgimento da estrela do mar coroa de espinhos, que se alimenta de coral. &quot;As recentes inunda&ccedil;&otilde;es que quebraram a seca golpearam duramente o arrecife&quot;, explicou Fabricius.<\/p>\n<p>As tempestades e seus consequentes res&iacute;duos l&iacute;quidos s&atilde;o diretamente respons&aacute;veis por 48% das mortes de corais. As estrelas marinhas coroa de espinhos respondem por 42%, enquanto a descolora&ccedil;&atilde;o originada por &aacute;guas muito quentes matam 10%, segundo o estudo intensivo de 214 dos tr&ecirc;s mil arrecifes da Grande Barreira de Corais. Apenas 3% dos arrecifes levantados resultaram intactos.<\/p>\n<p>&quot;Uma &uacute;nica estrela do mar coroa de espinhos pode p&ocirc;r 60 milh&otilde;es de ovos, e suas larvas se alimentam do pl&acirc;ncton que se desenvolve a partir dos altos n&iacute;veis de nutrientes procedentes da terra&quot;, contou Fabricius. Esses nutrientes se originam em boa parte em fontes agr&iacute;colas, principalmente na cana-de-a&ccedil;&uacute;car e no pastoreio, destacou. A maior parte da Grande Barreira de Corais se encontra em &aacute;guas do Estado de Queensland, que &eacute; a maior regi&atilde;o agr&iacute;cola da Austr&aacute;lia.<\/p>\n<p>As estrelas do mar coroa de espinhos s&atilde;o uma esp&eacute;cie nativa cuja popula&ccedil;&atilde;o explodiu nos &uacute;ltimos 20 anos. N&atilde;o se conhece nenhuma maneira de control&aacute;-las de modo efetivo. Mergulhadores as matam individualmente, mas &eacute; imposs&iacute;vel seguir o ritmo delas. A &uacute;nica solu&ccedil;&atilde;o &eacute; um manejo de bacias especificamente dirigido a reduzir os n&iacute;veis de nutrientes em &aacute;guas costeiras, segundo Fabricius.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o podemos deter as tempestades, mas, talvez, possamos deter as estrelas do mar. Se conseguirmos, o arrecife ter&aacute; maior oportunidade de adaptar-se aos desafios da eleva&ccedil;&atilde;o da temperatura do mar e da acidifica&ccedil;&atilde;o oce&acirc;nica&quot;, disse John Gunn, presidente do Aims. &Eacute; prov&aacute;vel que a investiga&ccedil;&atilde;o do Aims seja criticada na Austr&aacute;lia, embora se baseie no programa de monitoramento de arrecifes mais exaustivo do mundo. &quot;Nossos pesquisadores passaram mais de 2.700 dias no mar e realizamos um investimento da ordem de US$ 50 milh&otilde;es neste programa&quot;, disse Peter Doherty, pesquisador do Aims.<\/p>\n<p>O novo primeiro-ministro de Queensland, Campbell Newman, ignora as preocupa&ccedil;&otilde;es da Unesco sobre a Grande Barreira de Corais, e seu governo, inclu&iacute;do o ministro do Meio Ambiente, expressou d&uacute;vidas quanto aos seres humanos estarem influindo na mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. A IPS informou anteriormente que o governo de Newman busca expandir agressivamente a minera&ccedil;&atilde;o de carv&atilde;o e a ind&uacute;stria exportadora, e aprovou a dragagem excessiva para a expans&atilde;o de portos carbon&iacute;feros j&aacute; existentes e para a cria&ccedil;&atilde;o de novos.<\/p>\n<p>Atualmente, cerca de 1.700 navios carregados de carv&atilde;o navegam pela Grande Barreira de Corais ou em suas proximidades, e esse n&uacute;mero subir&aacute; para dez mil em 2020, segundo estimativas. E j&aacute; houve acidentes. Em 2010, o navio Shen Neng, carregado de carv&atilde;o, pegou um atalho e encalhou no arrecife, deixando uma cicatriz de tr&ecirc;s quil&ocirc;metros, um vazamento de petr&oacute;leo e um rastro de toxinas derivadas de sua pintura anti-incrustante.<\/p>\n<p>Gigantescos navios-tanque para g&aacute;s natural liquefeito tamb&eacute;m chegam &agrave; Grande Barreira de Corais. E Queensland aprovou centenas de locais para perfura&ccedil;&atilde;o, inclu&iacute;das opera&ccedil;&otilde;es de fratura hidr&aacute;ulica para aproveitar os dep&oacute;sitos de g&aacute;s de carv&atilde;o (tamb&eacute;m conhecido como metano do leito de carv&atilde;o).<\/p>\n<p>Para o centro de Queensland foi proposta a cria&ccedil;&atilde;o processadoras de g&aacute;s natural liquefeito com instala&ccedil;&otilde;es portu&aacute;rias. No porto de Gladstone j&aacute; acontece uma dragagem extensiva, e o ministro do Meio Ambiente da Austr&aacute;lia aprovou lan&ccedil;ar no oceano milh&otilde;es de toneladas de material dragado dentro das fronteiras do Parque Marinho da Grande Barreira de Corais.<\/p>\n<p>A Barreira poder&aacute; se recuperar se for adequadamente protegida, mas sua reabilita&ccedil;&atilde;o consumir&aacute; de dez a 20 anos, disse Hugh Sweatman, coautor do estudo do Aims. Este ecossistema obter o espa&ccedil;o que precisa para respirar e se recuperar dos m&uacute;ltiplos ataques, al&eacute;m de se proteger de futuros impactos, est&aacute; totalmente nas m&atilde;os dos australianos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Monterey, Estados Unidos, 02\/10\/2012 &ndash; Em menos de dez anos, pouco, ou nada, restar&aacute; da Grande Barreira de Corais da Austr&aacute;lia, de 2.300 quil&ocirc;metros de comprimento, alerta um estudo cient&iacute;fico divulgado ontem. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/economia\/austrlia-barreira-de-corais-beira-do-colapso\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5],"tags":[17,21],"class_list":["post-10754","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10754","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10754"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10754\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10754"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10754"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10754"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}