{"id":10756,"date":"2012-10-02T11:30:47","date_gmt":"2012-10-02T11:30:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10756"},"modified":"2012-10-02T11:30:47","modified_gmt":"2012-10-02T11:30:47","slug":"a-hora-do-caf-em-uganda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/africa\/a-hora-do-caf-em-uganda\/","title":{"rendered":"A hora do caf&eacute; em Uganda"},"content":{"rendered":"<p>Kampala, Uganda, 02\/10\/2012 &ndash; Uganda, maior exportador de caf&eacute; da &Aacute;frica, corre contra o rel&oacute;gio para aumentar em 60 mil toneladas anuais sua produ&ccedil;&atilde;o nos pr&oacute;ximos tr&ecirc;s anos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10756\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/c3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10756\" class=\"size-medium wp-image-10756\" title=\"Caf&eacute; secando ao lado da estrada em Busoga, Uganda. - Will Boase\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/c3.jpg\" alt=\"Caf&eacute; secando ao lado da estrada em Busoga, Uganda. - Will Boase\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10756\" class=\"wp-caption-text\">Caf&eacute; secando ao lado da estrada em Busoga, Uganda. - Will Boase\/IPS<\/p><\/div>  Contudo, atores do setor acreditam que tal fa&ccedil;anha ser&aacute; imposs&iacute;vel de ser conseguida. O objetivo desta na&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica oriental &eacute; aumentar a produ&ccedil;&atilde;o anual at&eacute; 4,5 milh&otilde;es de sacas de 60 quilos, e pretende fazer isso mediante um programa governamental de replantio que j&aacute; est&aacute; em curso.<\/p>\n<p>Francis Chesang, gerente de produ&ccedil;&atilde;o da estatal Autoridade de Desenvolvimento do Caf&eacute; de Uganda (UCDA), disse &agrave; IPS acreditar que o pa&iacute;s logo cumprir&aacute; sua meta. &quot;Nosso programa para replantio est&aacute; dando resultados, e devemos poder aumentar a produ&ccedil;&atilde;o anual em 2015, porque est&atilde;o sendo produzidas mais das novas &aacute;rvores de r&aacute;pido crescimento e alto rendimento&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Uganda, segundo maior produtor de caf&eacute; do continente, atr&aacute;s da Eti&oacute;pia, lan&ccedil;ou seu programa para replantar caf&eacute; em 1994, um ano depois de ter detectado a doen&ccedil;a traqueomicose, que devastou metade de suas &aacute;rvores da variedade Robusta. O programa pretende &quot;substituir gradualmente as &aacute;rvores de caf&eacute; velhas e doentes por variedades novas, geneticamente puras e de alto rendimento, ao ritmo de 5% ao ano para Robusta e de 2% anuais para Ar&aacute;bica&quot;.<\/p>\n<p>Atualmente Uganda tem reservas combinadas de 300 milh&otilde;es de &aacute;rvores dessas duas variedades, segundo a Autoridade. Nos &uacute;ltimos 18 anos foram plantados pelo menos 140 milh&otilde;es de p&eacute;s de caf&eacute;, principalmente do tipo Robusta, com o objetivo de chegar a um total de 200 milh&otilde;es de &aacute;rvores at&eacute; 2015, informou Chesang. Esta campanha busca &quot;otimizar a entrada de divisas no pa&iacute;s, bem como o pagamento aos agricultores&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>O cultivo representa de 20% a 30% da renda nacional anual com exporta&ccedil;&otilde;es. Entre 1&ordm; de outubro de 2010 e setembro de 2011, Uganda arrecadou US$ 448,9 milh&otilde;es a partir da exporta&ccedil;&atilde;o de 3,15 milh&otilde;es de sacas de caf&eacute;, segundo a UCDA. Nesse per&iacute;odo, o pa&iacute;s foi o nono maior exportador mundial do gr&atilde;o, seguido por Eti&oacute;pia, no d&eacute;cimo lugar, de acordo com a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Caf&eacute;.<\/p>\n<p>Segundo David Muwone, subdiretor-executivo da Uni&atilde;o Nacional de Agroneg&oacute;cios e Empresas Agr&iacute;colas Cafeeiras, &eacute; improv&aacute;vel que Uganda cumpra seu objetivo de aumentar a produ&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que os rendimentos s&atilde;o menores do que o potencial. Isto porque o pa&iacute;s ainda n&atilde;o substituiu as &aacute;rvores destru&iacute;das pela traqueomicose em 1993. &quot;Ser&aacute; dif&iacute;cil atingir essa meta, porque ainda precisamos plantar 60 milh&otilde;es de &aacute;rvores&quot;, afirmou. Muwonge acrescentou que a insuficiente quantidade de &aacute;rvores, mais o envelhecimento de outras, as m&aacute;s pr&aacute;ticas agr&iacute;colas e os efeitos da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica tornam pouco real um aumento da produ&ccedil;&atilde;o cafeeira em um milh&atilde;o de sacas nos pr&oacute;ximos tr&ecirc;s anos.<\/p>\n<p>Fred Kyobe, agricultor de 64 anos que vive no distrito de Wakison, na Regi&atilde;o Central de Uganda, disse &agrave; IPS que demorou muito conseguir que os volumes de produ&ccedil;&atilde;o se recuperassem da devasta&ccedil;&atilde;o causada pela traqueomicose, j&aacute; que os jovens n&atilde;o tiveram paci&ecirc;ncia para se aventurar no cultivo de caf&eacute;. O atrativo dos empregos de pagamento r&aacute;pido em centros urbanos fez com que os jovens abandonassem essa atividade, porque consome mais de tr&ecirc;s anos fazer com que o cultivo comece a dar rendimentos, explicou. &quot;Meus filhos abandonaram a agricultura por um neg&oacute;cio de t&aacute;xis em motocicleta na cidade, e como sou velho tenho menos energia. Al&eacute;m disso, o golpe que recebi quando a traqueomicose atacou minha planta&ccedil;&atilde;o me fez perder o entusiasmo&quot;, lamentou o agricultor.<\/p>\n<p>Em Uganda h&aacute; pelo menos meio milh&atilde;o de produtores de pequena escala que cultivam caf&eacute;. Destes, 90% s&atilde;o donos de terras entre 0,5 e 2,5 hectares, segundo a UCDA. O setor emprega 3,5 milh&otilde;es de pessoas. Em seu site, a UCDA diz que &quot;o caf&eacute; continua tendo um papel crucial na economia do pa&iacute;s, contribuindo imensamente com os ganhos de exporta&ccedil;&atilde;o, em torno dos US$ 449 milh&otilde;es entre 2010 e 2011, e proporcionando sustento a cerca de 1,32 milh&atilde;o das 3,95 fam&iacute;lias agr&iacute;colas&quot;.<\/p>\n<p>O caf&eacute; &eacute; um produto de exporta&ccedil;&atilde;o fundamental para Uganda, embora antes representasse 60% da entrada de divisas e agora apenas de 20% a 30%, destacou Muwonge. &quot;Um investimento maior no setor poder&aacute; dar frutos nos programas governamentais de redu&ccedil;&atilde;o da pobreza&quot;, acrescentou. Uganda reduziu sua forte depend&ecirc;ncia do caf&eacute; como caminho para obter divisas promovendo exporta&ccedil;&otilde;es n&atilde;o tradicionais, entre elas pescado, milho e cacau.<\/p>\n<p>O presidente Yoweri Museveni destacou na semana passada a import&acirc;ncia do cultivo, afirmando que todo aquele que for encontrado contaminando a qualidade do caf&eacute; ser&aacute; preso e levado &agrave; justi&ccedil;a. No passado, alguns agricultores foram acusados de colher gr&atilde;os verdes, e comerciantes de misturar caf&eacute; de baixa qualidade com variedades mais sofisticadas e vend&ecirc;-lo como se fosse de qualidade superior.<\/p>\n<p>&quot;A urg&ecirc;ncia de colher o caf&eacute; verde est&aacute; pautada pela pobreza, j&aacute; que, &agrave;s vezes, surgem necessidades urgentes antes que o gr&atilde;o amadure&ccedil;a totalmente&quot;, contou &agrave; IPS Sunday Mugaga, que planta caf&eacute; no distrito de Kayunga, na Regi&atilde;o Central. Sua renda com caf&eacute; basta para apenas manter sua fam&iacute;lia, por isso a complementa vendendo os pescados que tira do Rio Nilo, que corta seu distrito.<\/p>\n<p>A Mugaga atrai a ideia de expandir sua &aacute;rea de plantio de caf&eacute; de quase um hectare, mas se v&ecirc; limitado pela falta de terra dispon&iacute;vel. &quot;Meus dois irm&atilde;os e eu herdamos apenas quatro hectares de nosso pai, o que limita minha expans&atilde;o. No entanto, com o tempo plantaria mais caf&eacute;, quando adquirir mais terras&quot;, afirmou. &quot;Aprecio muito o caf&eacute; porque o dinheiro que ganhei com ele permitiu enviar meus cinco filhos &agrave; escola, mas devo admitir que n&atilde;o &eacute; suficiente para cobrir meus gastos&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, Uganda ainda pode contar com este cultivo para a maior parte de sua arrecada&ccedil;&atilde;o de divisas nos pr&oacute;ximos tr&ecirc;s anos, j&aacute; que planeja iniciar sua produ&ccedil;&atilde;o petroleira comercial apenas em 2016, disse &agrave; IPS o pesquisador independente Robert Kasozi. Tamb&eacute;m se prev&ecirc; que o pa&iacute;s se beneficiar&aacute; do aumento da demanda mundial, que, pelas proje&ccedil;&otilde;es, superar&aacute; a produ&ccedil;&atilde;o nos pr&oacute;ximos anos. Isto est&aacute; especialmente guiado por uma demanda maior por caf&eacute; na R&uacute;ssia, &Iacute;ndia e China, pontuou Kasozi.<\/p>\n<p>Enquanto isso, em meio ao aumento da demanda mundial, muitos produtores seguem comprometidos com o caf&eacute; devido aos altos pre&ccedil;os que cobram por seus cultivos, disse &agrave; IPS o agricultor Isaac Ntumwa, do distrito de Masaka, na Regi&atilde;o Central. &quot;Muitos produtores do meu distrito se dedicam a este cultivo com a esperan&ccedil;a de obter melhor colheita nos pr&oacute;ximos anos&quot;, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kampala, Uganda, 02\/10\/2012 &ndash; Uganda, maior exportador de caf&eacute; da &Aacute;frica, corre contra o rel&oacute;gio para aumentar em 60 mil toneladas anuais sua produ&ccedil;&atilde;o nos pr&oacute;ximos tr&ecirc;s anos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/africa\/a-hora-do-caf-em-uganda\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1319,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8,12,5],"tags":[21],"class_list":["post-10756","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10756","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1319"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10756"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10756\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10756"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10756"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10756"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}