{"id":1076,"date":"2005-10-06T00:00:00","date_gmt":"2005-10-06T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1076"},"modified":"2005-10-06T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-06T00:00:00","slug":"direitos-humanos-a-casa-branca-perde-terreno-oficialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/direitos-humanos-a-casa-branca-perde-terreno-oficialista\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: A Casa Branca perde terreno oficialista"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 06\/10\/2005 &ndash; Os senadores do governante Partido Republicano n&atilde;o ouvem a Casa Branca e cedem &agrave; crescente press&atilde;o para assegurar tratamento &quot;humano&quot; aos prisioneiros da guerra que os Estados Unidos fazem &quot;contra o terrorismo&quot;. A press&atilde;o se refere a propostas legislativas, a primeira delas apresentada, entre outros senadores republicanos, por John McCain, ex-piloto de combate que foi prisioneiro de guerra no infame &quot;Han&oacute;i Hilton&quot; durante boa parte da guerra do Vietn&atilde;. Essa norma, inclu&iacute;da como emenda no or&ccedil;amento da defesa para o pr&oacute;ximo ano, ordenaria a todos os funcion&aacute;rios norte-americanos o cumprimento das leis militares em mat&eacute;ria de interrogat&oacute;rios.<br \/> <!--more--> <br \/> At&eacute; agora, o l&iacute;der da maioria republicana no Senado, Bill Frist, conseguiu com suas manobras impedir que a disposi&ccedil;&atilde;o seja discutida no plen&aacute;rio para sua vota&ccedil;&atilde;o. Por sua vez, a Casa Branca advertiu que vetar&aacute; todo o or&ccedil;amento, de US$ 400 bilh&otilde;es, se as emendas forem aprovadas. A chamada &quot;emenda McCain&quot;, co-patrocinada por 11 senadores republicanos, proibiria todo funcion&aacute;rio norte-americano de dispensar &quot;tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante&quot;, como estabelece a Constitui&ccedil;&atilde;o norte-americana. Tamb&eacute;m ficaria proibida qualquer t&eacute;cnica de interrogat&oacute;rio n&atilde;o autorizada pelo Manual de Campo do Ex&eacute;rcito, elaborado segundo as Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra.<\/p>\n<p> Estas conven&ccedil;&otilde;es constituem a base do direito internacional humanit&aacute;rio, que protege os prisioneiros de guerra e a popula&ccedil;&atilde;o civil em &aacute;reas de conflito. Tamb&eacute;m aderem &agrave; &quot;emenda McCain&quot; 28 altos oficiais militares da reserva, entre eles o ex-chefe do Estado Maior Conjunto, general John Shalikashvili, e o primeiro chefe da ocupa&ccedil;&atilde;o do Iraque, general Jay Garner. Os principais funcion&aacute;rios da &aacute;rea jur&iacute;dica de cada uma das Armas norte-americanas e o ex-prisioneiro de guerra no Vietn&atilde; e depois embaixador nesse pa&iacute;s, Pete Peterson, tamb&eacute;m ap&oacute;iam a norma.<\/p>\n<p> &quot;O abuso de prisioneiros fere a causa norte-americana na guerra contra o terror, coloca em perigo soldados norte-americanos que podem ser capturados pelo inimigo e &eacute; an&aacute;tema quanto aos valores que est&aacute; pa&iacute;s honrou durante gera&ccedil;&otilde;es&quot;, afirmaram os 28 militares em carta enviada a McCain. O Manual de Campo do Ex&eacute;rcito &eacute; &quot;a regra de ouro&quot; para o &quot;efetivo, leg&iacute;timo e humano&quot; tratamento de prisioneiros. &quot;Se o manual tivesse sido seguido ao p&eacute; da letra, estar&iacute;amos livre da dor do esc&acirc;ndalo pelos abusos contra prisioneiros&quot;, acrescentaram. Dois altos s&oacute;cios do American Enterprise Institute, o principal centro acad&ecirc;mico entre os que defendem a negativa do Departamento de Defesa em aplicar as Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra a suspeitos de terrorismo, deram seu apoio &agrave; emenda.<\/p>\n<p> A viola&ccedil;&atilde;o das conven&ccedil;&otilde;es &quot;torna mais f&aacute;cil que nossos inimigos nos odeiem e mais dif&iacute;cil que nossos amigos nos amem&quot;, escreveram Thomas Donnely e Vance Serchuk em um artigo publicado no seman&aacute;rio Weekly Standard, express&atilde;o dos neoconservadores, a ala mais direitista do governo. O crescente apoio &agrave; emenda McCain d&aacute; esperan&ccedil;as a ativistas pelos direitos humanos, que prev&ecirc;em sua aprova&ccedil;&atilde;o por uma ampla margem se for votada pelo Senado. Embora nem todos os senadores do opositor Partido Democrata ap&oacute;iem a norma, alguns republicanos que n&atilde;o figuram entre os patrocinadores anunciaram em particular que votar&atilde;o a favor. &quot;Creio que as coisas est&atilde;o mudando, realmente&quot;, disse Elisa Massimino, diretora do escrit&oacute;rio em Washington da organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos Human Rights First, que &eacute; contra a negativa em garantir aos prisioneiros na base naval de Guant&acirc;namo, em Cuba, as prerrogativas que as Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra concedem aos prisioneiros de guerra.<\/p>\n<p> O Departamento de Defesa insiste que os suspeitos de &quot;terrorismo&quot; capturados no Afeganist&atilde;o e em outros pa&iacute;ses n&atilde;o s&atilde;o prisioneiros de guerra protegidos pelas Conven&ccedil;&otilde;es, e os coloca em uma categoria n&atilde;o prevista nas normas e que chamam de &quot;combatente inimigo&quot;. De todo modo, o governo insiste em que os presos s&atilde;o tratados &quot;de maneira humana&quot;, apesar de ter autorizado t&eacute;cnicas de interrogat&oacute;rio que violavam as Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra,como demonstraram v&aacute;rias investiga&ccedil;&otilde;es jornal&iacute;sticas. Supunha-se que os presos no Iraque gozavam de garantias, mas informes da imprensa e de organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos, bem como documentos reservados que foram &quot;desclassificados&quot;, audi&ecirc;ncias administrativas e cortes marciais demonstraram que muitas das t&eacute;cnicas de interrogat&oacute;rio empregadas no Afeganist&atilde;o e em Guant&acirc;namo &quot;emigraram&quot; para o Iraque.<\/p>\n<p> O &uacute;ltimo dos acontecimentos nesse sentido foi a condena&ccedil;&atilde;o da soldado Lynndie England por abusos &#8211; documentados por fotografias &#8211; na pris&atilde;o de Abu Ghraib, em Bagd&aacute;. Em uma carta a McCain, o capit&atilde;o do Ex&eacute;rcito Ian Fishbach mencionou abusos &quot;de rotina&quot; e &quot;duros&quot; golpes contra presos iraquianos em uma base operacional perto da cidade iraquiana de Faluja, Fishbach, que investigou por 17 meses em busca de respons&aacute;veis acima da cadeia de comando, recebeu instru&ccedil;&otilde;es para &quot;aplacar sua preocupa&ccedil;&atilde;o&quot;, segundo garantiu a organiza&ccedil;&atilde;o Human Rights Watch.<\/p>\n<p> Entre os abusos investigados pelo oficial figuravam &quot;amea&ccedil;as de morte, espancamentos, quebra de ossos, assassinatos, exposi&ccedil;&atilde;o a elementos nocivos, esgotamento f&iacute;sico extremo, tomada de ref&eacute;ns, nudez, priva&ccedil;&atilde;o do sono e tratamento degradante&quot; tanto no Afeganist&atilde;o quanto no Iraque. Somente quando Fishbach se dirigiu aos escrit&oacute;rios do Congresso no m&ecirc;s passado foi que o Ex&eacute;rcito, que havia tentado confin&aacute;-lo na base em Faluja, iniciou uma investiga&ccedil;&atilde;o. De todo modo, o interesse inicial foi descobrir a identidade dos sargentos que deram informa&ccedil;&otilde;es &agrave; Human Rights Watch. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 06\/10\/2005 &ndash; Os senadores do governante Partido Republicano n&atilde;o ouvem a Casa Branca e cedem &agrave; crescente press&atilde;o para assegurar tratamento &quot;humano&quot; aos prisioneiros da guerra que os Estados Unidos fazem &quot;contra o terrorismo&quot;. A press&atilde;o se refere a propostas legislativas, a primeira delas apresentada, entre outros senadores republicanos, por John McCain, ex-piloto de combate que foi prisioneiro de guerra no infame &quot;Han&oacute;i Hilton&quot; durante boa parte da guerra do Vietn&atilde;. Essa norma, inclu&iacute;da como emenda no or&ccedil;amento da defesa para o pr&oacute;ximo ano, ordenaria a todos os funcion&aacute;rios norte-americanos o cumprimento das leis militares em mat&eacute;ria de interrogat&oacute;rios.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/direitos-humanos-a-casa-branca-perde-terreno-oficialista\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1076","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1076","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1076"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1076\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1076"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1076"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1076"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}