{"id":10772,"date":"2012-10-04T10:02:50","date_gmt":"2012-10-04T10:02:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10772"},"modified":"2012-10-04T10:02:50","modified_gmt":"2012-10-04T10:02:50","slug":"consenso-de-braslia-modelo-para-a-amrica-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/america-latina\/consenso-de-braslia-modelo-para-a-amrica-latina\/","title":{"rendered":"Consenso de Bras&iacute;lia, modelo para a Am&eacute;rica Latina"},"content":{"rendered":"<p>Caracas, Venezuela, 04\/10\/2012 &ndash; Depois do neoliberalismo do Consenso de Washington, que gerou mais de uma d&eacute;cada social perdida, a Am&eacute;rica Latina experimenta com maior &ecirc;xito uma receita pr&oacute;pria: o Consenso de Bras&iacute;lia, que conjuga economia de mercado e inclus&atilde;o social.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10772\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/c11-300x204.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10772\" class=\"size-medium wp-image-10772\" title=\"Rousseff e Lula quando preparavam a transi&ccedil;&atilde;o de governo. - Wilson Dias\/ABR\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/c11-300x204.jpg\" alt=\"Rousseff e Lula quando preparavam a transi&ccedil;&atilde;o de governo. - Wilson Dias\/ABR\" width=\"200\" height=\"136\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10772\" class=\"wp-caption-text\">Rousseff e Lula quando preparavam a transi&ccedil;&atilde;o de governo. - Wilson Dias\/ABR<\/p><\/div>  Batizado por Michael Shifter, presidente do independente Di&aacute;logo Interamericano, como Consenso de Bras&iacute;lia por se contrapor ao Consenso de Washington, o modelo brasileiro, tamb&eacute;m conhecido como &quot;lulismo&quot;, pelo ex-presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, ganha seguidores latino-americanos entre governos de esquerda e de direita. c11 300&#215;204 Consenso de Bras&iacute;lia, modelo para a Am&eacute;rica Latina<\/p>\n<p>&quot;O modelo brasileiro tem um impacto muito positivo como exemplo de que as coisas podem ser feitas de outra maneira: promovendo o crescimento sem renunciar &agrave; igualdade social&quot;, disse &agrave; IPS o secret&aacute;rio permanente do Sistema Econ&ocirc;mico Latino-Americano (Sela), o mexicano Jos&eacute; Rivera. Am&eacute;rica Latina e Caribe, afirmou, &quot;devem ter como aspira&ccedil;&atilde;o regional estarem integrados, vinculados e unidos no objetivo comum de redu&ccedil;&atilde;o das assimetrias e de avan&ccedil;o nas grandes d&iacute;vidas sociais pendentes&quot;.<\/p>\n<p>Segundo Rivera, para fazer esse caminho &quot;s&atilde;o positivos os exemplos, mas apenas se s&atilde;o pr&oacute;prios, de governos, eficientes na abordagem da d&iacute;vida social que n&atilde;o para de aumentar na regi&atilde;o, onde um em cada tr&ecirc;s latino-americanos vive na pobreza e cerca de 90 milh&otilde;es sobrevivem com menos de um d&oacute;lar por dia&quot;. Consultado pela IPS, Shifter afirmou que as caracter&iacute;sticas do Consenso de Bras&iacute;lia &quot;seguem intactas e vigentes&quot;, apesar de Lula ter deixado a Presid&ecirc;ncia do Brasil em janeiro de 2011, de o contexto internacional ter piorado e, em consequ&ecirc;ncia, tamb&eacute;m o regional.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o mudou o modelo que representa, de dar &ecirc;nfase a tr&ecirc;s eixos: crescimento econ&ocirc;mico, igualdade social e governabilidade democr&aacute;tica&quot;, afirmou Shifter. Ele acrescentou que a confirma&ccedil;&atilde;o de sua propaga&ccedil;&atilde;o como diretriz de governan&ccedil;a para numerosos pa&iacute;ses da regi&atilde;o, seja qual for o ide&aacute;rio pol&iacute;tico de seu presidente ou sua presidente. Isto contrasta com o ocaso &quot;ou enquadramento&quot; de outras propostas mais radicais, que o mandat&aacute;rio venezuelano, Hugo Ch&aacute;vez, comandou na primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo.<\/p>\n<p>Trata-se de uma vis&atilde;o contraposta ao pacote de medidas que os organismos financeiros internacionais e centros de poder com sede em Washington impuseram &agrave; Am&eacute;rica Latina ap&oacute;s a explos&atilde;o de suas crises de d&iacute;vida soberana em 1984 e, sobretudo, durante a d&eacute;cada de 1990. O programa de dez pontos, s&iacute;nteses da ideologia neoliberal, for&ccedil;ou a inclementes ajustes, com elimina&ccedil;&atilde;o do d&eacute;ficit fiscal, reordenamento do gasto, liberaliza&ccedil;&atilde;o financeira e monet&aacute;ria, aumento de impostos, abertura de mercados e investimentos, e maci&ccedil;as privatiza&ccedil;&otilde;es. Tudo para pagar a d&iacute;vida e estabelecer novas bases para o crescimento econ&ocirc;mico.<\/p>\n<p>Na pr&aacute;tica, as reformas estiveram longe de gerar crescimento, promoveram a desindustrializa&ccedil;&atilde;o regional e fizeram cair o produto interno bruto por quase uma d&eacute;cada, balizado por v&aacute;rias crises financeiras nacionais, algumas de alcance global. Contudo, o mais grave foi seu impacto nas pessoas. Durante a &quot;d&eacute;cada perdida&quot; foi minimizado o gasto social em todas as &aacute;reas, especialmente, em educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, moradia e assist&ecirc;ncia aos setores mais vulner&aacute;veis, enquanto tamb&eacute;m pioravam as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho.<\/p>\n<p>A consequ&ecirc;ncia foi o aumento da pobreza e da indig&ecirc;ncia, surgimento de mais assentamentos irregulares nas cidades e predom&iacute;nio da economia e do trabalho informais, entre outros impactos negativos. Durante seus oito anos de governo (janeiro de 2003 a janeiro de 2011), Lula consolidou outro modelo que mant&eacute;m o pilar da estabilidade macroecon&ocirc;mica e fiscal, a autonomia da autoridade monet&aacute;ria e o livre c&acirc;mbio, mas que soma agressivas pol&iacute;ticas industriais e de produ&ccedil;&atilde;o interna.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, acrescenta-se como prioridade a inclus&atilde;o social, com aumentos de sal&aacute;rios, gera&ccedil;&atilde;o de empregos formais e alto gasto em pol&iacute;ticas para erradicar a fome, reduzir a pobreza, melhorar a educa&ccedil;&atilde;o e a sa&uacute;de e, em geral, maior transfer&ecirc;ncia da renda para a sociedade. Como marco reitor, a democracia, com amplia&ccedil;&atilde;o de direitos e o incentivo &agrave; participa&ccedil;&atilde;o da sociedade e sua organiza&ccedil;&atilde;o desde a base.<\/p>\n<p>Shifter, cujo instituto tem sede em Washington, assegurou que a sucessora de Lula &quot;decidiu ter menor protagonismo global do que seu antecessor, mas isso n&atilde;o afeta o modelo do Consenso de Bras&iacute;lia. Dilma Rousseff tem outro estilo, outras prioridades e outra lideran&ccedil;a&quot;. A presidente aplicou diferentes pol&iacute;ticas para estimular a economia e amortizar o impacto da recess&atilde;o econ&ocirc;mica no Norte industrial, especialmente na Europa. Tamb&eacute;m se preocupa em refor&ccedil;ar os programas sociais nesse novo cen&aacute;rio desfavor&aacute;vel.<\/p>\n<p>Uma frase que disse recentemente destaca a postura de Dilma: &quot;o que quero, e pelo que luto, &eacute; que o Brasil se converta na sexta pot&ecirc;ncia social&quot;, afirmou sobre o fato de o pa&iacute;s ter passado a ser a sexta economia mundial e avan&ccedil;ando para a quinta posi&ccedil;&atilde;o. Entre os pa&iacute;ses latino-americanos cujos governos t&ecirc;m como guia geral, com suas vari&aacute;veis, o Consenso de Bras&iacute;lia, Shifter citou Chile, Col&ocirc;mbia, El Salvador e Uruguai.<\/p>\n<p>Outras administra&ccedil;&otilde;es tomam v&aacute;rios elementos, e, como &quot;h&iacute;bridos&quot; entre o lulismo e o chavismo colocou Argentina e Paraguai, sendo este at&eacute; a deposi&ccedil;&atilde;o de seu presidente Fernando Lugo, em junho. Shifter deu destaque especial ao caso do presidente do Peru, Ollanta Humala, que escolheu o lulismo e n&atilde;o o modelo &quot;bolivariano de Ch&aacute;vez&quot;, abrindo seu ocaso regional. Tamb&eacute;m considerou importante que na Venezuela o candidato de oposi&ccedil;&atilde;o para as elei&ccedil;&otilde;es do dia 7, Henrique Capriles, &quot;destacar que seu modelo &eacute; Lula, e que seu programa confirma isso&quot;.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, embora o Consenso de Bras&iacute;lia n&atilde;o tenha p&eacute;s de barro, tem barro nos p&eacute;s, por sua forma de desenvolvimento hist&oacute;rico e tamb&eacute;m, no passado imediato, pelas sequelas do Consenso de Washington. Rivera destacou que as brechas sociais continuam presentes na regi&atilde;o e que &quot;&eacute; preciso um grande e cont&iacute;nuo esfor&ccedil;o para consolidar a inclus&atilde;o e a igualdade sociais&quot;. Segundo o chefe do Sela &#8211; que re&uacute;ne 28 pa&iacute;ses latino-americanos e caribenhos -, a regi&atilde;o tem diante de si tr&ecirc;s desafios.<\/p>\n<p>O primeiro &eacute; &quot;crescer a taxas maiores do que as atuais e de maneira sustentada, porque n&atilde;o &eacute; sadio um comportamento irregular e para que os Estados possam enfrentar seus compromissos com a popula&ccedil;&atilde;o&quot;. Em segundo lugar, o crescimento deve ser sustent&aacute;vel. &Eacute; preciso ir para um crescimento de economia verde, porque at&eacute; agora se destruiu o meio ambiente, foram prejudicados os recursos naturais e se produziu de forma ineficiente.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar est&aacute; o desafio da inclus&atilde;o e o de abrir espa&ccedil;os nos mercados internos para que as pessoas saiam da pobreza e se incorporem &agrave; classe m&eacute;dia. E esta combina&ccedil;&atilde;o de metas exige, &quot;definitivamente, uma nova reitoria do Estado&quot;, que elimine as ainda muito vis&iacute;veis cicatrizes do Consenso de Washington, ressaltou Rivera. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caracas, Venezuela, 04\/10\/2012 &ndash; Depois do neoliberalismo do Consenso de Washington, que gerou mais de uma d&eacute;cada social perdida, a Am&eacute;rica Latina experimenta com maior &ecirc;xito uma receita pr&oacute;pria: o Consenso de Bras&iacute;lia, que conjuga economia de mercado e inclus&atilde;o social. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/america-latina\/consenso-de-braslia-modelo-para-a-amrica-latina\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,5,11],"tags":[27,25],"class_list":["post-10772","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-economia","category-politica","tag-brasil","tag-ibsa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10772","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10772"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10772\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10772"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10772"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10772"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}