{"id":10774,"date":"2012-10-05T11:38:25","date_gmt":"2012-10-05T11:38:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10774"},"modified":"2012-10-05T11:38:25","modified_gmt":"2012-10-05T11:38:25","slug":"gaza-quer-trabalho-no-assistncia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/economia\/gaza-quer-trabalho-no-assistncia\/","title":{"rendered":"Gaza quer trabalho, n&atilde;o assist&ecirc;ncia"},"content":{"rendered":"<p>Gaza, Palestina, 05\/10\/2012 &ndash; &quot;A esmagadora maioria das pessoas com quem trabalhamos nos diz: n&atilde;o queremos ajuda, mas a oportunidade de trabalhar e ganhar dinheiro, especialmente os que tinham um emprego decente e os perderam nos &uacute;ltimos anos&quot;, disse Karl Schembri, da Oxfam Gr&atilde;-Bretanha.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10774\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n81-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10774\" class=\"size-medium wp-image-10774\" title=\"Eva Bartlett\/IPS - Um homem tenta ganhar a vida em Gaza vendendo iogurte.\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n81-300x225.jpg\" alt=\"Eva Bartlett\/IPS - Um homem tenta ganhar a vida em Gaza vendendo iogurte.\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10774\" class=\"wp-caption-text\">Eva Bartlett\/IPS - Um homem tenta ganhar a vida em Gaza vendendo iogurte.<\/p><\/div>  Em seu trabalho como encarregado de comunica&ccedil;&otilde;es dessa organiza&ccedil;&atilde;o em Gaza, Schembri interage habitualmente com alguns dos palestinos mais pobres da Faixa de Gaza, e considera que essa situa&ccedil;&atilde;o pode ser evitada.<\/p>\n<p>&quot;Os males de Gaza s&atilde;o causados pelo ser humano. &Eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o de des-desenvolvimento, onde a infraestrutura e o conhecimento estiveram ali e o desenvolvimento ocorreu&quot;, explicou Schembri &agrave; IPS se referindo a antes de 2006. Nesse ano o Ham&aacute;s (Movimento de Resist&ecirc;ncia Isl&acirc;mica) foi democraticamente eleito, mas ap&oacute;s sua vit&oacute;ria Israel imp&ocirc;s seu asfixiante s&iacute;tio &agrave; faixa palestina.<\/p>\n<p>&quot;Apesar da ocupa&ccedil;&atilde;o israelense, de algum modo a economia de Gaza se sustentava sozinha, at&eacute; que foram proibidas as exporta&ccedil;&otilde;es. O maior mercado natural para a Faixa de Gaza, Cisjord&acirc;nia e Israel, est&aacute; agora fora de fronteiras, como ocorre com mercados regionais como o da Jord&acirc;nia&quot;, acrescentou Schembri. O informe Gaza em 2020: um lugar habit&aacute;vel?, divulgado em agosto pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), chega &agrave; mesma conclus&atilde;o. Um dos principais motivos de a economia n&atilde;o poder se recuperar e voltar aos n&iacute;veis anteriores a 2000 &eacute; o bloqueio a Gaza, segundo o estudo.<\/p>\n<p>Ao ter proibidas as exporta&ccedil;&otilde;es de todo tipo, como produtos agr&iacute;colas, t&ecirc;xteis, alimentares ou m&oacute;veis, a vasta maioria das f&aacute;bricas de Gaza fechou suas portas, afetando centenas de milhares de palestinos antes ali empregados. &quot;A economia de Gaza foi totalmente destru&iacute;da durante a guerra israelense de 2008-2009 contra a Faixa, inclu&iacute;dos 95% das f&aacute;bricas e dos com&eacute;rcios&quot;, disse Khalil Shaheen, diretor do Departamento de Direitos Econ&ocirc;micos e Sociais, do Centro Palestino para os Direitos Humanos.<\/p>\n<p>&quot;Com o ilegal fechamento imposto a Gaza por Israel, a proibi&ccedil;&atilde;o total &agrave;s mat&eacute;rias-primas afetou a capacidade destas f&aacute;bricas de voltarem a operar&quot;, explicou Shaheen &agrave; IPS. Cerca de 80% est&atilde;o fechadas ou operam minimamente. &quot;A comunidade pesqueira tamb&eacute;m se viu afetada pelos ataques di&aacute;rios da marinha israelense, e pelo fato de terem negado o acesso ao mar&quot;, acrescentou. Por culpa dessa decis&atilde;o de Israel, os pescadores palestinos s&atilde;o obrigados a pescar dentro das tr&ecirc;s milhas n&aacute;uticas mais pr&oacute;ximas da costa de Gaza. &quot;Por&eacute;m, os pescadores s&atilde;o atacados inclusive a 400 metros da costa&quot;, prosseguiu, lembrando que &quot;os israelenses tentam impedir todos os pescadores palestinos de pescar em &aacute;guas de Gaza&quot;.<\/p>\n<p>Um informe da ONU de setembro mostra que o desemprego entre os jovens refugiados em Gaza &eacute; de 59%, uma estat&iacute;stica alarmante que faz prever que o problema n&atilde;o ser&aacute; solucionado no curto prazo. &quot;O desemprego &eacute; resultado das sistem&aacute;ticas pol&iacute;ticas israelenses, que incluem o completo recha&ccedil;o da for&ccedil;a de trabalho de Gaza no mercado de Israel&quot;, pontuou Shahenn. Antes, oper&aacute;rios palestinos trabalhavam, por exemplo, no setor da constru&ccedil;&atilde;o em Israel, afirmou. &quot;Os trabalhadores palestinos s&atilde;o altamente qualificados em todos os aspectos da constru&ccedil;&atilde;o&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Jaber, pai de seis filhos, j&aacute; n&atilde;o trabalha na agricultura, nem trabalha em Israel, nem em nenhuma das potenciais &aacute;reas nas quais est&aacute; qualificado para faz&ecirc;-lo. &quot;H&aacute; dez anos trabalhava em Israel, como mec&acirc;nico, em estabelecimentos agr&iacute;colas, na constru&ccedil;&atilde;o, em v&aacute;rias coisas. Desde que fecharam as fronteiras n&atilde;o tive um trabalho s&oacute;lido, apenas trabalhos ocasionais que n&atilde;o bastam para manter meus filhos&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Os poucos trabalhos que ainda restam na Gaza sitiada s&atilde;o alguns dos mais perigosos. Por exemplo, o dos t&uacute;neis, que s&atilde;o uma fonte de renda para trabalhadores desempregados e suas fam&iacute;lias. Mas o pagamento m&eacute;dio caiu de US$ 100 ou mais para US$ 10&quot;, apontou Shaheen. Os riscos que se corre para ganhar essa mis&eacute;ria s&atilde;o enormes. Segundo os m&eacute;dicos, desde 2006 morreram mais de 160 palestinos trabalhando nos t&uacute;neis.<\/p>\n<p>&quot;A maioria foi morta ou ferida pelos bombardeios israelenses ou pelo desmoronamento dos t&uacute;neis e a consequente asfixia ou eletrocu&ccedil;&atilde;o&quot;, disse Shaheen. Nos &uacute;ltimos dois meses, as autoridades eg&iacute;pcias destru&iacute;ram e fecharam t&uacute;neis. Shaheen estima que pelo menos 150 foram totalmente destru&iacute;dos, e outros 150 fechados. &quot;Antes trabalhavam 40 mil pessoas nos t&uacute;neis, agora s&atilde;o cinco mil no m&aacute;ximo&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>&quot;Inclusive as crian&ccedil;as colaboram com a renda de suas fam&iacute;lias. Em toda a Faixa de Gaza os menores est&atilde;o nas ruas tentando vender chocolate, chiclete e miudezas&quot;, acrescentou. E, o que &eacute; pior, catam os escombros das casas destru&iacute;das nas regi&otilde;es fronteiri&ccedil;as de Gaza, correndo o risco de serem alvo do fogo israelense. &quot;Dezenas de crian&ccedil;as ficaram feridas quando soldados de Israel disparavam contra elas enquanto tentavam pegar escombros para revender na constru&ccedil;&atilde;o&quot;, contou Shaheen.<\/p>\n<p>Somente entre 26 de mar&ccedil;o de 2010 e 27 de dezembro de 2011, a organiza&ccedil;&atilde;o Defence for Children International documentou &quot;30 casos de menores baleados enquanto pegavam material de constru&ccedil;&atilde;o ou trabalhavam perto da barreira de fronteira&quot;.<\/p>\n<p>O desemprego n&atilde;o afeta apenas o poder aquisitivo das fam&iacute;lias. Tamb&eacute;m afeta seu estado de &acirc;nimo, observou Schembri. &quot;Nos &uacute;ltimos cinco anos vimos surgir uma nova classe de pobres: pessoas que trabalhavam em Israel ou mesmo em f&aacute;bricas daqui e que ficaram desempregadas da noite para o dia. Tinham casas lindas, decentes, e repentinamente passaram a n&atilde;o ter renda alguma. Isto foi um golpe enorme em sua dignidade e motiva&ccedil;&atilde;o&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>A autoimola&ccedil;&atilde;o de um jovem de um acampamento de Gaza no come&ccedil;o de setembro destacou o pouco discutido assunto dos suic&iacute;dios, antes pouco comuns neste territ&oacute;rio predominantemente mu&ccedil;ulmano. &quot;Aqui o suic&iacute;dio &eacute; um sinal de que os palestinos vivem com muito pouca esperan&ccedil;a e pouqu&iacute;ssimas oportunidades de construir um futuro melhor&quot;, enfatizou Shaheen. &quot;H&aacute; apenas uma solu&ccedil;&atilde;o para o desemprego: acabar com o fechamento ilegal da Faixa de Gaza&quot;, ressaltou, acrescentando que isso representar&aacute; &quot;terminar com a vergonhosa conspira&ccedil;&atilde;o internacional do sil&ecirc;ncio, que d&aacute; impunidade &agrave;s a&ccedil;&otilde;es ilegais de Israel&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gaza, Palestina, 05\/10\/2012 &ndash; &quot;A esmagadora maioria das pessoas com quem trabalhamos nos diz: n&atilde;o queremos ajuda, mas a oportunidade de trabalhar e ganhar dinheiro, especialmente os que tinham um emprego decente e os perderam nos &uacute;ltimos anos&quot;, disse Karl Schembri, da Oxfam Gr&atilde;-Bretanha. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/economia\/gaza-quer-trabalho-no-assistncia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":70,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,11],"tags":[16],"class_list":["post-10774","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10774","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/70"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10774"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10774\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10774"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10774"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10774"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}