{"id":10782,"date":"2012-10-08T10:48:54","date_gmt":"2012-10-08T10:48:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10782"},"modified":"2012-10-08T10:48:54","modified_gmt":"2012-10-08T10:48:54","slug":"ambiente-brasil-a-to-temida-reindustrializao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/america-latina\/ambiente-brasil-a-to-temida-reindustrializao\/","title":{"rendered":"AMBIENTE-BRASIL: A t&atilde;o temida reindustrializa&ccedil;&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 08\/10\/2012 &ndash; O retrocesso do setor manufatureiro que enferma a economia do Brasil, segundo analistas, n&atilde;o se compadece da realidade de alguns lugares espec&iacute;ficos, onde, pelo contr&aacute;rio, cresce a m&atilde;o de obra de ind&uacute;strias de velha gera&ccedil;&atilde;o e poluidoras: ferro e petr&oacute;leo. <!--more--> A cidade do Rio de Janeiro &eacute; um exemplo emblem&aacute;tico dessa reindustrializa&ccedil;&atilde;o. Vive um ciclo de recupera&ccedil;&atilde;o do setor no qual se destacam projetos petroqu&iacute;micos e sider&uacute;rgicos, os maiores da Am&eacute;rica Latina, manchando sua imagem de capital ambiental e sede das duas mais importantes c&uacute;pulas mundiais sobre desenvolvimentos sustent&aacute;vel, realizadas em 1992 e este ano.<\/p>\n<p>O Complexo Petroqu&iacute;mico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), em constru&ccedil;&atilde;o 40 quil&ocirc;metros a nordeste desta cidade, e a Companhia Sider&uacute;rgica do Atl&acirc;ntico, inaugurada h&aacute; dois anos no extremo oeste do mesmo distrito, fortalecem o cerco f&oacute;ssil &agrave; sempre chamada &quot;cidade maravilhosa&quot;, delineado pelo Arco Metropolitano, a estrada que unir&aacute; os dois polos. &Eacute; a &quot;Rio mais t&oacute;xica&quot;, lamenta um movimento de ambientalistas contr&aacute;rio a esses grandes projetos.<\/p>\n<p>Contaminam ecossistemas costeiros, como as ba&iacute;as, desalojam comunidades e inviabilizam a pesca artesanal, enquanto beneficiam pouqu&iacute;ssimos, acusou o ativista Gabriel Strautman, da organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria n&atilde;o governamental Justi&ccedil;a Global. A estas obras somam-se a constru&ccedil;&atilde;o ou amplia&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios portos nas proximidades, para servirem de sa&iacute;da para o exterior de min&eacute;rios, especialmente ferro, bem como de apoio &agrave; extra&ccedil;&atilde;o de hidrocarbonos Oceano Atl&acirc;ntico adentro.<\/p>\n<p>Nesse contexto, nos &uacute;ltimos anos tamb&eacute;m foram reativados na &aacute;rea v&aacute;rios estaleiros, que ca&iacute;ram em desgra&ccedil;a na d&eacute;cada de 1980, agora para produzir navios, plataformas e outros equipamentos petroleiros. &Eacute; o destino do Estado do Rio de Janeiro, j&aacute; que &quot;85% do petr&oacute;leo e do g&aacute;s extra&iacute;dos no pa&iacute;s prov&ecirc;m dos mares e dos portos saem os minerais&quot;, justificou o secret&aacute;rio estadual do Meio Ambiente, Carlos Minc.<\/p>\n<p>Diante dessa realidade geogr&aacute;fica, com a principal bacia petroleira do Atl&acirc;ntico de um lado, e, de outro, o Estado que mais produz ferro, fosfato, ouro, zinco e ni&oacute;bio no pa&iacute;s e por isso chamado Minas Gerais, &quot;n&atilde;o se pode vetar tudo&quot;, argumentou o secret&aacute;rio.<\/p>\n<p>O que se pode fazer, segundo Minc, que foi ministro do Meio ambiente entre 2008 e 2010, &eacute; negociar mudan&ccedil;as de local ou tecnologias com as empresas para reduzir impactos e exigir compensa&ccedil;&otilde;es sociais e ambientais que, no caso do Rio de Janeiro, s&atilde;o as mais pesadas do Brasil. Por exemplo, explicou, o Comperj concordou em construir 22 quil&ocirc;metros de metr&ocirc; em cidades pr&oacute;ximas, completar o saneamento de dois munic&iacute;pios, desenvolver o tratamento de esgoto, ampliar a oferta do servi&ccedil;o pot&aacute;vel em sua &aacute;rea de influ&ecirc;ncia e recuperar os rios plantando seis milh&otilde;es de &aacute;rvores em suas margens.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a Petrobras, dona do projeto, assumiu o compromisso de proteger mangues dos arredores e &quot;n&atilde;o jogar uma s&oacute; gota de petr&oacute;leo ou des&aacute;gue na Ba&iacute;a de Guanabara&quot;, acrescentou o secret&aacute;rio, assegurando que os limites de emiss&atilde;o de contaminantes ser&atilde;o oito vezes mais rigorosos do que os adotados nacionalmente. Por&eacute;m, tantas promessas n&atilde;o tranquilizam os pescadores da Ba&iacute;a de Guanabara, cujas &aacute;guas se estendem por 377 quil&ocirc;metros quadrados, ao redor das quais cresceu a Regi&atilde;o Metropolitana, de 12 milh&otilde;es de habitantes.<\/p>\n<p>&quot;Ser&aacute; o Armagedon da ba&iacute;a&quot;, a unidade petroqu&iacute;mica ser&aacute; gigantesca e exigir&aacute; in&uacute;meros dutos e embarca&ccedil;&otilde;es cruzando suas &aacute;guas, disse Alexandre Anderson, presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Homens do Mar, escaldado pelos danos &agrave; pesca provocados por outra unidade da Petrobras, a Refinaria Duque de Caxias (Reduc). Esta unidade de processamento, localizada em &aacute;rea urbana e pr&oacute;xima &agrave; ba&iacute;a, responde por numerosos acidentes ambientais desde sua inaugura&ccedil;&atilde;o em 1961. Em 2000, por exemplo, derramou 1,3 milh&atilde;o de litros de petr&oacute;leo em suas &aacute;guas, cujos efeitos s&atilde;o sentidos at&eacute; hoje.<\/p>\n<p>Diante disso, Minc defendeu o fato de que a Petrobras concordou em investir R$ 1,08 milh&atilde;o em 52 a&ccedil;&otilde;es para corrigir seus problemas ambientais. A Companhia Sider&uacute;rgica Nacional (CSN), constru&iacute;da em 1946 em Volta Redonda, a 130 quil&ocirc;metros do Rio de Janeiro, &eacute; outro flagelo ambiental, por contaminar gravemente o Rio Para&iacute;ba do Sul, principal fonte de &aacute;gua pot&aacute;vel para a regi&atilde;o metropolitana carioca. Esta empresa tamb&eacute;m assinou um acordo de ajuste de conduta por san&ccedil;&otilde;es, j&aacute; cumprido em 90%, informou o secret&aacute;rio.<\/p>\n<p>Reduc e CSN, ambas de velha gera&ccedil;&atilde;o, &quot;contaminam muito mais&quot; do que as novas ind&uacute;strias, de tecnologias avan&ccedil;adas, comparou Minc. De qualquer forma, a moderna Companhia Sider&uacute;rgica do Atl&acirc;ntico (CSA), com apenas dois anos de atividade, j&aacute; se converteu em alvo de ambientalistas e moradores por ter provocado &quot;chuvas de prata&quot;, como chamam a emiss&atilde;o de p&oacute; de origem mineral. A unidade fica em Santa Cruz, uma zona de 220 mil habitantes no oeste da cidade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>As autoridades ambientais impuseram multas, pagamento de indeniza&ccedil;&atilde;o aos afetados e embargo das obras at&eacute; que a empresa, controlada pelo grupo alem&atilde;o Thyssen Krupp, assinou um acordo para solucionar 130 problemas ambientais. Assim, conseguiu-se a instala&ccedil;&atilde;o de um sistema &quot;&uacute;nico no mundo&quot; para evitar 90% da emiss&atilde;o do p&oacute; e medidas para reduzir as inunda&ccedil;&otilde;es provocadas pelo desvio de um rio no terreno da empresa.<\/p>\n<p>Entretanto, os ajustes, as corre&ccedil;&otilde;es e compensa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o d&atilde;o descanso a Minc. No caso da CSA foi a alternativa encontrada para n&atilde;o fechar uma unidade sider&uacute;rgica que emprega oito mil pessoas, mas esclarece que ele n&atilde;o a teria aprovado. Tamb&eacute;m, &quot;&agrave;s vezes&quot;, vetamos, destacou o secret&aacute;rio, que deu como exemplo a proibi&ccedil;&atilde;o de construir tr&ecirc;s portos que amea&ccedil;avam ecossistemas biodiversos e tur&iacute;sticos, o mais distante a 180 quil&ocirc;metros da cidade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m o governo estadual teve que aprovar a amplia&ccedil;&atilde;o dos quatro portos p&uacute;blicos existentes e a constru&ccedil;&atilde;o de dois grandes projetos pertencentes ao empres&aacute;rio Eike Batista, considerado o homem mais rico do pa&iacute;s. O maior desses terminais privados, batizado de Superporto de A&ccedil;u, fica 320 quil&ocirc;metros a nordeste do Rio e &eacute; por onde sair&aacute; a exporta&ccedil;&atilde;o de min&eacute;rio de ferro e entrar&aacute; carv&atilde;o. Essa &aacute;rea tamb&eacute;m receber&aacute; outra grande sider&uacute;rgica, centrais termoel&eacute;tricas e ind&uacute;strias variadas, totalizando investimentos de US$ 40 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>Nesse caso, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Rio de Janeiro imp&ocirc;s, para autorizar o projeto, a mudan&ccedil;a de local, para preservar o ecossistema de sedimentos costeiros, uma lagoa e mangues, al&eacute;m de exigir o saneamento b&aacute;sico de cidades vizinhas, cria&ccedil;&atilde;o de um corredor de conserva&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica e melhores tecnologias n&atilde;o contaminantes, afirmou Minc. Ferrovias, dutos para min&eacute;rios, estradas e armaz&eacute;ns acompanham A&ccedil;u e outro superporto que o mesmo grupo empresarial de Eike Batista constr&oacute;i em Itagua&iacute;, oeste do Rio de Janeiro, para exporta&ccedil;&atilde;o de minerais procedentes de Minas Gerais.<\/p>\n<p>O Estado do Rio de Janeiro, que viveu uma decad&ecirc;ncia econ&ocirc;mica ao perder ind&uacute;strias e institui&ccedil;&otilde;es financeiras nos anos 1980 e 1990, se recupera desde a d&eacute;cada passada favorecido por pol&iacute;ticas que intensificaram a competi&ccedil;&atilde;o entre os Estados brasileiros, com privatiza&ccedil;&otilde;es e o fim do monop&oacute;lio do petr&oacute;leo, segundo o economista Alberto de Oliveira. Al&eacute;m de contar com a bacia mar&iacute;tima de Campos, onde mais se extrai petr&oacute;leo no Brasil, a descoberta de grandes jazidas na camada pr&eacute;-sal de &aacute;guas profundas do Oceano Atl&acirc;ntico, em sua &aacute;rea e nas pertencentes a Estados vizinhos, ampliou o peso dos hidrocarbonos na economia local.<\/p>\n<p>Pol&iacute;ticas de desconcentra&ccedil;&atilde;o da economia excessivamente centralizada em S&atilde;o Paulo e uma reestrutura&ccedil;&atilde;o da petroqu&iacute;mica tamb&eacute;m beneficiaram o Rio de Janeiro, destino natural de investimentos associados a hidrocarbonos e a&ccedil;o, que incluem as ind&uacute;strias metal-mec&acirc;nicas, segundo Oliveira.<\/p>\n<p>S&atilde;o op&ccedil;&otilde;es que irritam os ambientalistas, mas a forte presen&ccedil;a petroleira est&aacute; convertendo o Rio de Janeiro em uma importante capital do conhecimento sobre petr&oacute;leo e g&aacute;s. Muitas empresas transnacionais, como General Electric e British Gas, decidiram instalar seus centros tecnol&oacute;gicos na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde o Centro de Pesquisas da Petrobras j&aacute; desenvolveu muitas inova&ccedil;&otilde;es. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 08\/10\/2012 &ndash; O retrocesso do setor manufatureiro que enferma a economia do Brasil, segundo analistas, n&atilde;o se compadece da realidade de alguns lugares espec&iacute;ficos, onde, pelo contr&aacute;rio, cresce a m&atilde;o de obra de ind&uacute;strias de velha gera&ccedil;&atilde;o e poluidoras: ferro e petr&oacute;leo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/america-latina\/ambiente-brasil-a-to-temida-reindustrializao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,5,10],"tags":[27,21],"class_list":["post-10782","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-economia","category-energia","tag-brasil","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10782","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10782"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10782\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10782"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10782"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10782"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}