{"id":10790,"date":"2012-10-09T09:06:47","date_gmt":"2012-10-09T09:06:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10790"},"modified":"2012-10-09T09:06:47","modified_gmt":"2012-10-09T09:06:47","slug":"o-mundo-se-esqueceu-da-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/mundo\/o-mundo-se-esqueceu-da-palestina\/","title":{"rendered":"O mundo se esqueceu da Palestina"},"content":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, Israel, 09\/10\/2012 &ndash; A quest&atilde;o da cria&ccedil;&atilde;o de um Estado palestino parece apagado da agenda da Assembleia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), ao contr&aacute;rio de 2011, bem como de outros f&oacute;runs internacionais.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10790\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n14.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10790\" class=\"size-medium wp-image-10790\" title=\"A popula&ccedil;&atilde;o de Gaza tem apenas os t&uacute;neis sob a fronteira com o Egito para sua liga&ccedil;&atilde;o com o exterior. - Eva Bartlett\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n14.jpg\" alt=\"A popula&ccedil;&atilde;o de Gaza tem apenas os t&uacute;neis sob a fronteira com o Egito para sua liga&ccedil;&atilde;o com o exterior. - Eva Bartlett\/IPS\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10790\" class=\"wp-caption-text\">A popula&ccedil;&atilde;o de Gaza tem apenas os t&uacute;neis sob a fronteira com o Egito para sua liga&ccedil;&atilde;o com o exterior. - Eva Bartlett\/IPS<\/p><\/div>  Parados diante do plen&aacute;rio lotado da 67&ordf; Assembleia Geral h&aacute; 15 dias, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, deve ter se sentido muito sozinho sabendo que seria o &uacute;nico a defender a solu&ccedil;&atilde;o de um Estado independente para seu povo, ao lado do de Israel.<\/p>\n<p>Pela en&eacute;sima vez, Abbas descreveu como a pol&iacute;tica de Israel, de constru&ccedil;&atilde;o de assentamentos ilegais nos territ&oacute;rios palestinos que ocupa, faz com que, ano ap&oacute;s ano, seja mais dif&iacute;cil, imposs&iacute;vel, concretizar a solu&ccedil;&atilde;o de dois Estados. Seu discurso foi, em ess&ecirc;ncia, semelhante ao que fez exatamente h&aacute; um ano nesse mesmo lugar, salvo que desta vez s&oacute; apostava em conseguir o status de Estado observador n&atilde;o membro, e n&atilde;o a integra&ccedil;&atilde;o plena &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas.<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, a tentativa de Abbas de ser reconhecido como Estado pleno foi arquivada. Estados Unidos e seus aliados ocidentais pressionaram o Conselho de Seguran&ccedil;a e a Assembleia Geral da ONU para que n&atilde;o fossem al&eacute;m de um voto simplesmente simb&oacute;lico. Depois, por inst&acirc;ncias de Washington, as pot&ecirc;ncias do Conselho argumentaram que deveria ser dada nova oportunidade &agrave;s iniciativas consensuadas com Israel, n&atilde;o de forma unilateral.<\/p>\n<p>O pr&ecirc;mio de consola&ccedil;&atilde;o para a ANP foi conseguir fazer parte da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, a Ci&ecirc;ncia e a Cultura (Unesco) como membro pleno. Este ano, s&oacute; o que Abbas conseguiu foram as cl&aacute;ssicas express&otilde;es de reconhecimento e de aprova&ccedil;&atilde;o que gera a quest&atilde;o palestina em todos os f&oacute;runs globais.<\/p>\n<p>A Assembleia Geral foi o primeiro e principal f&oacute;rum a apoiar a solu&ccedil;&atilde;o de dois Estados para o conflito palestino-israelense. Em novembro de 1947, aprovou o Plano de Participa&ccedil;&atilde;o da Palestina e a cria&ccedil;&atilde;o de um Estado &aacute;rabe no Mandato Brit&acirc;nico da Palestina. Mas, desde aquela hist&oacute;rica vota&ccedil;&atilde;o, os Estados-membros fizeram apenas promessas ins&iacute;pidas e expressaram seu compromisso com um Estado palestino.<\/p>\n<p>O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, simplesmente ignorou a apresenta&ccedil;&atilde;o de Abbas. Naturalmente, cumpriu o protocolo: &quot;Temos que negociar e chegar a um compromisso m&uacute;tuo&quot;. Mas, ter&aacute; destinado, no m&aacute;ximo, dois minutos de seu discurso para esse assunto, deixando claro, se &eacute; que algu&eacute;m tinha d&uacute;vida, que a reda&ccedil;&atilde;o contundente de uma resolu&ccedil;&atilde;o sobre o futuro da Palestina continuar&aacute; sendo uma grande interroga&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Netanyahu j&aacute; havia escutado o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que salvo pela tradicional ode (ou, talvez, um elogio?) ao antigo sonho de uma solu&ccedil;&atilde;o negociada de dois Estados, expressa em um &uacute;nico par&aacute;grafo, n&atilde;o dissimulou o fato de que, neste momento, &eacute; urgente a via diplom&aacute;tica, mas n&atilde;o entre Israel e a ANP. O primeiro-ministro israelense focou em seu discurso na reclama&ccedil;&atilde;o de uma &quot;linha vermelha&quot; para o programa nuclear do Ir&atilde;, para &quot;evitar a guerra&quot;.<\/p>\n<p>Com os murm&uacute;rios de uma guerra contra o Ir&atilde; como cen&aacute;rio de fundo dos debates da Assembleia Geral, embora Obama tenha pedido para &quot;silenciar tudo o que estivesse ao redor&quot;, n&atilde;o &eacute; de estranhar que a &uacute;nica receita para o conflito palestino-israelense sejam express&otilde;es compungidas de solidariedade com a causa. Houve um tempo, n&atilde;o muito distante, em que os assuntos internacionais giravam em torno do conflito palestino-israelense.<\/p>\n<p>No ano passado, as tr&ecirc;s rodadas de conversa&ccedil;&otilde;es entre representantes de Israel e da palestina em Am&atilde; n&atilde;o deram resultado. A Palestina ficou no esquecimento, orbitando ao redor de uma &quot;gest&atilde;o de conflito&quot;, imposta por Israel, em lugar de gravitar em torno da &quot;resolu&ccedil;&atilde;o do conflito&quot;, encabe&ccedil;ada pelos Estados Unidos. Um problema de &quot;baixa intensidade&quot; ficou relegado a segundo plano no cen&aacute;rio internacional.<\/p>\n<p>A discut&iacute;vel m&aacute;xima jornal&iacute;stica de que &quot;se h&aacute; sangue, tem prioridade&quot; desviou a aten&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico do conflito palestino-israelense. Se derrama muito mais sangue em outras &aacute;reas, entre xiitas e sunitas, entre liberais e isl&acirc;micos, entre ditadores &aacute;rabes e militantes democr&aacute;ticos, entre jihadistas e todos os anteriores. A verdade &eacute; que, se o compararmos com a agita&ccedil;&atilde;o que vive o mundo &aacute;rabe, sobretudo a S&iacute;ria, mas tamb&eacute;m em outros lugares do norte da &Aacute;frica e do Oriente M&eacute;dio, o conflito entre Israel e Palestina n&atilde;o parece t&atilde;o maligno.<\/p>\n<p>E se derramar&aacute; muito mais sangue caso se recorra a uma guerra para conter o programa nuclear iraniano. Entretanto, se a aten&ccedil;&atilde;o n&atilde;o voltar a se concentrar no conflito palestino-israelense, ser&aacute; dif&iacute;cil os Estados Unidos e seus aliados ocidentais (incluindo Israel) convencerem os governantes &aacute;rabes, al&eacute;m de China e R&uacute;ssia tamb&eacute;m muito preocupadas pela quest&atilde;o iraniana, a adotar um enfoque unificado e mais contundente.<\/p>\n<p>Para impulsionar as negocia&ccedil;&otilde;es entre palestinos e israelenses, os Estados Unidos poderiam, talvez, convencer a opini&atilde;o p&uacute;blica, impregnada por um profundo sentimento pr&oacute;-palestino derivado do sentimento antinorte-americano de humilha&ccedil;&atilde;o que invadiu muitos pa&iacute;ses &aacute;rabes, como ficou provado pelo violento ataque contra suas representa&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas no Egito e na L&iacute;bia.<\/p>\n<p>Por sua vez, isso poderia convencer os aliados &aacute;rabes, como tamb&eacute;m China e R&uacute;ssia, a aderirem &agrave; crescente press&atilde;o sobre o Ir&atilde;. Mas, tal iniciativa de Washington dever&aacute; esperar o novo governo que surgir das urnas em novembro. Al&eacute;m disso, o argumento da &quot;linha vermelha&quot; de Netanyahu provavelmente seria mais convincente se tamb&eacute;m colocasse um limite &agrave; sua pr&oacute;pria pol&iacute;tica nos territ&oacute;rios palestinos ocupados por Israel, tradicionalmente muito criticada em diversos &acirc;mbitos.<\/p>\n<p>No entanto, por que optaria por introduzir uma morat&oacute;ria na constru&ccedil;&atilde;o de assentamentos ilegais, semelhante &agrave; que, reticente, teve de aceitar por dez meses em 2010? Afinal, por acaso n&atilde;o aceitou de forma impl&iacute;cita na ONU que, at&eacute; o ano que vem, Israel deixar&aacute; que a diplomacia e as san&ccedil;&otilde;es sigam seu curso? Netanyahu previu que at&eacute; l&aacute; Teer&atilde; ter&aacute; completado a etapa decisiva de enriquecimento de ur&acirc;nio.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, poderia ter de convocar elei&ccedil;&otilde;es em seu pa&iacute;s em fevereiro. Governantes como Netanyahu est&atilde;o acostumados a caminhar na corda bamba. A dele pende entre uma guerra com o Ir&atilde; e a paz com a ANP, e pode ir para qualquer lado. E, enquanto os governantes iranianos e s&iacute;rios balan&ccedil;am em suas cordas, por que ele se moveria? E assim &eacute; com o conflito palestino-israelense, que segue no limbo. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, Israel, 09\/10\/2012 &ndash; A quest&atilde;o da cria&ccedil;&atilde;o de um Estado palestino parece apagado da agenda da Assembleia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), ao contr&aacute;rio de 2011, bem como de outros f&oacute;runs internacionais. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/mundo\/o-mundo-se-esqueceu-da-palestina\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":430,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,4,11],"tags":[14,16],"class_list":["post-10790","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-mundo","category-politica","tag-america-do-norte","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10790","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/430"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10790"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10790\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10790"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10790"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10790"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}