{"id":10796,"date":"2012-10-09T10:05:29","date_gmt":"2012-10-09T10:05:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10796"},"modified":"2012-10-09T10:05:29","modified_gmt":"2012-10-09T10:05:29","slug":"reportagem-uruguai-o-longo-adeus-s-batatas-chips","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/america-latina\/reportagem-uruguai-o-longo-adeus-s-batatas-chips\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Uruguai: O longo adeus &agrave;s batatas chips"},"content":{"rendered":"<p>MONTEVID&Eacute;U, Uruguai, 09\/10\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Um quarto das crian&ccedil;as uruguaias tem sobrepeso ou obesidade.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10796\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/598_20121003VR_2_Victoria_RodriguezIPS.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10796\" class=\"size-medium wp-image-10796\" title=\"Meninas e meninos da escola 124, de Melilla, fazem fila para comprar lanche durante o recreio. - Victoria Rodr\u00c3\u00adguez\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/598_20121003VR_2_Victoria_RodriguezIPS.jpg\" alt=\"Meninas e meninos da escola 124, de Melilla, fazem fila para comprar lanche durante o recreio. - Victoria Rodr\u00c3\u00adguez\/IPS\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10796\" class=\"wp-caption-text\">Meninas e meninos da escola 124, de Melilla, fazem fila para comprar lanche durante o recreio. - Victoria Rodr\u00c3\u00adguez\/IPS<\/p><\/div>  Os estudantes uruguaios est&atilde;o tomando consci&ecirc;ncia de que os alfajores, as balas, as batatas fritas e os refrigerantes s&atilde;o nocivos para a sa&uacute;de. Algumas escolas tomaram a iniciativa e n&atilde;o permitem esses alimentos &quot;chatarras&quot; (n&atilde;o saud&aacute;veis) nas merendas escolares. As autoridades anunciaram este ano a proibi&ccedil;&atilde;o de alimentos n&atilde;o saud&aacute;veis nas escolas, mas n&atilde;o chegaram a concretiz&aacute;-la. Enquanto isso, um projeto de lei apresentado pela oposi&ccedil;&atilde;o para proibir a promo&ccedil;&atilde;o e publicidade desses alimentos dentro das escolas conseguiu meia san&ccedil;&atilde;o no dia 11 de setembro na C&acirc;mara de Deputados, e &eacute; dada como certa sua aprova&ccedil;&atilde;o no Senado.<\/p>\n<p>&quot;Agora n&atilde;o se pode mais trazer batata chips e essas coisas para a escola, e est&aacute; muito certo porque somos crian&ccedil;as e, se comemos muita comida ruim, podemos ficar doentes agora ou quando formos maiores&quot;, disse Luciano, aluno da escola 124 de Rinc&oacute;n de Melilla, uma regi&atilde;o de vinhedos e hortas no noroeste de Montevid&eacute;u. &quot;&Agrave;s vezes me d&aacute; vontade de comer essas coisas, e em alguns domingos vamos &agrave; venda e compramos batatas chips&quot;, admitiu o garoto sobre as viciantes batatas fritas embaladas.<\/p>\n<p>Nesta escola n&atilde;o h&aacute; uma cantina terceirizada, &eacute; apoiada a alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel e proibido o consumo de comida n&atilde;o saud&aacute;vel. O programa funciona desde o ano passado, explicou ao Terram&eacute;rica sua diretora, Teresa Conti. &quot;No come&ccedil;o houve um pouco de resist&ecirc;ncia por parte dos pais, mas, finalmente, eles e as crian&ccedil;as se acostumaram a n&atilde;o mandar snacks, alfajores ou comida embalada. Tiveram que aceitar porque s&atilde;o normas institucionais&quot;, disse Conti.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; muito mais f&aacute;cil para os pais comprar um saco de batata frita ou um alfajor, mas este h&aacute;bito foi mudando porque os professores tamb&eacute;m foram ensinando e impondo outro tipo de alimenta&ccedil;&atilde;o&quot;, acrescentou a diretora. H&aacute; alguns meses, alunos de quarta, quinta e sexta s&eacute;ries levam para a escola lanche preparado em suas casas para vender e conseguir dinheiro para as viagens de final de ano. Luisa, da sexta s&eacute;rie, contou que preparam torta de presunto e outros pratos, e tamb&eacute;m levam frutas. &quot;Vendemos tudo&quot;, garantiu enquanto atendia a cantina onde n&atilde;o restava quase nada para vender.<\/p>\n<p>Em fevereiro, o ent&atilde;o diretor do Conselho de Educa&ccedil;&atilde;o Inicial e Prim&aacute;ria, &Oacute;scar G&oacute;mez, agora subsecret&aacute;rio de Educa&ccedil;&atilde;o e Cultura, anunciou que seria proibida a venda de alimentos n&atilde;o saud&aacute;veis nas escolas. &quot;A ideia era n&atilde;o nos transformarmos em agentes de fomento de h&aacute;bitos negativos&quot;, declarou G&oacute;mez ao Terram&eacute;rica. A iniciativa, que seria aplicada no segundo semestre deste ano, &quot;estava sendo impulsionada &agrave; luz do projeto de lei&quot; que &eacute; preparado desde 2011, acrescentou. &quot;Contudo, n&atilde;o houve continuidade porque vim para o Minist&eacute;rio&quot;, justificou.<\/p>\n<p>Agora, as autoridades da educa&ccedil;&atilde;o se limitam a jornadas de sensibiliza&ccedil;&atilde;o, capacita&ccedil;&atilde;o do pessoal e refor&ccedil;o das &quot;a&ccedil;&otilde;es pr&oacute;-ativas que cada escola realiza para promover a boa alimenta&ccedil;&atilde;o&quot;, acrescentou G&oacute;mez. A encarregada do Programa de Alimenta&ccedil;&atilde;o Escolar (PAE) do Conselho de Educa&ccedil;&atilde;o Inicial e Prim&aacute;ria, Graciela Moizo, disse ao Terram&eacute;rica que o esfor&ccedil;o se concentra em &quot;uma linha educativa&quot;. Justificando que &quot;a educa&ccedil;&atilde;o tem que se adaptar a uma realidade social, que &eacute; o bombardeio constante de determinados produtos. Sem uma forte contrapartida educativa, que permita &agrave;s crian&ccedil;as saberem o que faz mal, estaremos muito longe de chegar a ter uma alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel&quot;.<\/p>\n<p>Moizo afirmou que as visitas aos centros educacionais do ensino prim&aacute;rio mostram que quase n&atilde;o h&aacute; alimentos nocivos. Nas escolas p&uacute;blicas, &quot;em geral, n&atilde;o h&aacute; cantinas&quot;, acrescentou, lembrando que faltam dados certeiros. As que existem &quot;s&atilde;o organizadas pelas crian&ccedil;as ou por alguma cooperativa escolar para arrecadar dinheiro com um determinado fim, mas, geralmente, vendem comida caseira&quot;, contou, ressaltando que &quot;o problema das merendas est&aacute; na cantina fora da escola&quot;.<\/p>\n<p>Por outro lado, por meio do PAE, o Estado fornece assist&ecirc;ncia alimentar a 67% dos alunos de escolas p&uacute;blicas, que v&atilde;o desde um caf&eacute; da manh&atilde;, um almo&ccedil;o ou um lanche at&eacute; as quatro refei&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias. Dos 248.590 alunos atendidos diariamente, cerca de 24 mil recebem alimentos adquiridos de empresas contratadas. O restante &eacute; servido pela tradicional cozinha dos restaurantes escolares, explicou a nutricionista Caren Zelmonovich. Segundo G&oacute;mez, a grande maioria das escolas particulares possui cantinas terceirizadas, &quot;onde se registra maior &iacute;ndice de consumo de comida chatarra, porque tamb&eacute;m h&aacute; mais poder aquisitivo&quot;.<\/p>\n<p>Julieta, aluna do Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o Santa Elena de Ciudad de la Costa, lim&iacute;trofe com o leste de Montevid&eacute;u, contou ao Terram&eacute;rica que em sua classe se fala de alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel. &quot;Fizemos uma nota a alguns alunos do col&eacute;gio e a maioria disse que come coisas industrializadas, mas tamb&eacute;m algumas saud&aacute;veis e, em geral, tomam &aacute;gua. Muita da comida da cantina &eacute; saud&aacute;vel e caseira&quot;, assegurou. &quot;&Eacute; bom&quot; n&atilde;o ingerir coisas n&atilde;o saud&aacute;veis na escola&quot;, afirmou, mas acrescentou que &quot;um dia a gente pode se ver com vontade de comida chatarra, porque &eacute; gostosa&#8230; pelo menos uma vez na semana&quot;.<\/p>\n<p>Se o Uruguai adotar uma lei, as normas e os incentivos ser&atilde;o iguais para todos. O projeto de lei Alimenta&ccedil;&atilde;o Saud&aacute;vel nos Centros de Ensino busca proteger a sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o infantil e adolescente que vai &agrave; escola p&uacute;blica e privada, mas sem proibir a venda de nenhum produto. Segundo dados revelados pelo animador do projeto, deputado e m&eacute;dico Javier Garc&iacute;a, &quot;70% das mortes no Uruguai s&atilde;o causadas por doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas n&atilde;o transmiss&iacute;veis, basicamente cardiovasculares, cerebrovasculares e c&acirc;ncer&quot;, nas quais os h&aacute;bitos n&atilde;o saud&aacute;veis s&atilde;o um fator poderoso. Um quarto das crian&ccedil;as uruguaias tem sobrepeso ou obesidade.<\/p>\n<p>Segundo disse ao Terram&eacute;rica o legislador do opositor Partido Nacional, o projeto &quot;pro&iacute;be que na cantina se promova e divulgue esse tipo de alimento nocivo&quot;, mas n&atilde;o sua venda. &quot;Optei por este caminho educativo porque, do contr&aacute;rio, a discuss&atilde;o seria mais longa&quot;, esclareceu Javier. Em sua opini&atilde;o, a comunidade educacional vai se envolver &quot;de maneira a ir reduzindo a margem de venda destes produtos at&eacute; deixarem de ser vendidos&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>O texto d&aacute; ao Minist&eacute;rio de Sa&uacute;de P&uacute;blica a tarefa de fornecer informa&ccedil;&atilde;o para ser divulgada na comunidade educacional, estabelecendo uma lista de alimentos n&atilde;o saud&aacute;veis, como os que cont&ecirc;m muita gordura, a&ccedil;&uacute;cares simples e sal. Espera-se que a iniciativa seja aprovada no Senado na atual legislatura e entre em vigor em mar&ccedil;o de 2013, quando come&ccedil;ar o novo ano letivo.<\/p>\n<p>*<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MONTEVID&Eacute;U, Uruguai, 09\/10\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Um quarto das crian&ccedil;as uruguaias tem sobrepeso ou obesidade. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/america-latina\/reportagem-uruguai-o-longo-adeus-s-batatas-chips\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,11,7],"tags":[20,21],"class_list":["post-10796","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","category-saude","tag-educacion","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10796","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10796"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10796\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10796"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10796"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10796"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}