{"id":10805,"date":"2012-10-10T09:23:03","date_gmt":"2012-10-10T09:23:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10805"},"modified":"2012-10-10T09:23:03","modified_gmt":"2012-10-10T09:23:03","slug":"brasil-classe-mdia-segundo-o-ngulo-pelo-qual-se-olha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/america-latina\/brasil-classe-mdia-segundo-o-ngulo-pelo-qual-se-olha\/","title":{"rendered":"BRASIL: Classe m&eacute;dia segundo o &acirc;ngulo pelo qual se olha"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 10\/10\/2012 &ndash; A quantidade de pessoas que teriam saltado da classe baixa para a m&eacute;dia na &uacute;ltima d&eacute;cada no Brasil &eacute; questionada por economistas, embora destaquem a ascens&atilde;o social registrada.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10805\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/s11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10805\" class=\"size-medium wp-image-10805\" title=\"Segundo a defini&ccedil;&atilde;o do governo, muitos moradores de favelas, como a do Complexo do Alem&atilde;o, s&atilde;o de classe m&eacute;dia. - Fab\u00c3\u00adola Ortiz\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/s11.jpg\" alt=\"Segundo a defini&ccedil;&atilde;o do governo, muitos moradores de favelas, como a do Complexo do Alem&atilde;o, s&atilde;o de classe m&eacute;dia. - Fab\u00c3\u00adola Ortiz\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10805\" class=\"wp-caption-text\">Segundo a defini&ccedil;&atilde;o do governo, muitos moradores de favelas, como a do Complexo do Alem&atilde;o, s&atilde;o de classe m&eacute;dia. - Fab\u00c3\u00adola Ortiz\/IPS<\/p><\/div>  Os cr&iacute;ticos desse indicador pedem que sejam considerados outros fatores al&eacute;m da renda familiar. A discuss&atilde;o sobre a classe m&eacute;dia, que pode ser at&eacute; &quot;filos&oacute;fica&quot;, segundo disse &agrave; IPS o economista Adhemar Mineiro, come&ccedil;ou a partir da divulga&ccedil;&atilde;o de um informe da Secretaria de Assuntos Estrat&eacute;gicos (SAE), da Presid&ecirc;ncia do Brasil.<\/p>\n<p>O estudo garante que 35 milh&otilde;es de pessoas subiram nos &uacute;ltimos dez anos para a classe m&eacute;dia, que passou a representar 38% da popula&ccedil;&atilde;o, em 2002, e 53% em 2012, neste pa&iacute;s de 192 milh&otilde;es de habitantes. Caso se mantenha a tend&ecirc;ncia &agrave; redu&ccedil;&atilde;o da pobreza, os estratos m&eacute;dios chegar&atilde;o a aumentar at&eacute; atingirem 57% dos brasileiros em 2022, acrescenta a SAE, encarregada de planejar as estrat&eacute;gias socioecon&ocirc;micas e pol&iacute;ticas do pa&iacute;s no longo prazo.<\/p>\n<p>O problema, marcado pelos analistas que questionam estes dados divulgados no final de setembro, &eacute; o par&acirc;metro utilizado pelos t&eacute;cnicos do governo, que considera como sendo da classe m&eacute;dia uma fam&iacute;lia cujos integrantes tenham renda individual m&eacute;dia entre R$ 291 e R$ 1.019 por m&ecirc;s. &quot;A faixa de renda utilizada para a defini&ccedil;&atilde;o da classe m&eacute;dia no Brasil me parece muito ampla&quot;, disse &agrave; IPS o professor Jo&atilde;o Sab&oacute;ia, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n<p>Para ele, o crit&eacute;rio inclui pessoas com rendas e h&aacute;bitos de consumo muito diferentes, e dele se depreende que 53% da popula&ccedil;&atilde;o &eacute; considerada nesta classe social. O sal&aacute;rio m&iacute;nimo no Brasil equivale a R$ 622, maior do que a renda individual m&iacute;nima utilizada. Sab&oacute;ia considera que a classe m&eacute;dia deveria ser definida a partir de outros fatores, como consumo, e n&atilde;o renda.<\/p>\n<p>O Brasil tem um estudo de or&ccedil;amento familiar realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE) que a cada cinco a sete anos coleta dados de h&aacute;bitos de consumo da popula&ccedil;&atilde;o. Com esse par&acirc;metro poderia ser definida a classe m&eacute;dia, com base em um padr&atilde;o de consumo, e obter a propor&ccedil;&atilde;o a partir desse dado, o que constituiria &quot;um grupo mais homog&ecirc;neo&quot;, afirmou o professor da UFRJ.<\/p>\n<p>Sab&oacute;ia n&atilde;o questiona a import&acirc;ncia econ&ocirc;mica e social do ocorrido nos &uacute;ltimos tempos no Brasil. &quot;N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que houve forte ascens&atilde;o social no Brasil, que nos &uacute;ltimos dez anos atravessa um processo de redu&ccedil;&atilde;o da pobreza e uma grande melhora na distribui&ccedil;&atilde;o da renda. O fato &eacute;, em si mesmo, muito mais importante do que discutir se a classe m&eacute;dia no pa&iacute;s representa 30% ou 50% da popula&ccedil;&atilde;o&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Eduardo Fagnani, do Instituto de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp), afirmou &agrave; IPS que a discuss&atilde;o sobre a classe m&eacute;dia inclui v&aacute;rias correntes de pensamento. Mencionou o marxismo, que estabelece esse padr&atilde;o com base na estrutura positiva e suas rela&ccedil;&otilde;es, isto &eacute;, &quot;quem det&eacute;m e quem n&atilde;o det&eacute;m os meios de produ&ccedil;&atilde;o&quot;. No outro extremo, outras defini&ccedil;&otilde;es extra&iacute;das do &quot;sonho americano&quot; ou da economia de p&oacute;s-guerra europeia, que incluem conceitos como inser&ccedil;&atilde;o profissional, melhora da escolaridade e os h&aacute;bitos culturais e de consumo diferenciados, acrescentou Fagnani.<\/p>\n<p>Por isso, para o professor da Unicamp, o crit&eacute;rio utilizado pelo governo &eacute; &quot;arbitr&aacute;rio&quot;, pois &quot;d&aacute; a impress&atilde;o de que o Brasil reduziu a pobreza e que esses pobres passaram para a classe m&eacute;dia&quot;. Sem deixar de esclarecer que &quot;n&atilde;o h&aacute; como negar que no Brasil houve progressos nos &uacute;ltimos anos&quot;, o economista questionou se sair da pobreza significou, necessariamente, conseguir um bem-estar. &quot;H&aacute; um certo triunfalismo do governo ao dizer que sa&iacute;ram da pobreza e chegaram &agrave; classe m&eacute;dia. Mas, quem ganha um sal&aacute;rio m&iacute;nimo n&atilde;o &eacute; pobre? A pessoa que vive em um bairro sem saneamento ou utiliza a rede p&uacute;blica de sa&uacute;de &eacute; classe m&eacute;dia?&quot;, questionou.<\/p>\n<p>Fagnani opinou que &eacute; preciso incluir outros crit&eacute;rios. &quot;A classe m&eacute;dia pode ter casa em boas condi&ccedil;&otilde;es e conforto, cursos de m&uacute;sica, de ingl&ecirc;s, viagens internacionais, planos m&eacute;dicos privados&quot;, deu com exemplo. Mas, s&oacute; do ponto de vista da moradia, o Brasil &quot;tem um d&eacute;ficit enorme&quot;. Cerca de 80% da escassez prejudica as pessoas com renda de at&eacute; tr&ecirc;s sal&aacute;rios m&iacute;nimos, comparou.<\/p>\n<p>O economista Adhemar Mineiro, do Departamento Intersindical de Estat&iacute;sticas e Estudos Socioecon&ocirc;micos (Dieese), pontuou que a nova ascens&atilde;o social tem impactos importantes do ponto de vista da cidadania, independente dos par&acirc;metros estabelecidos, com os quais tamb&eacute;m discorda e que atribui ao &quot;neoliberalismo&quot;. Por isto prefere falar da &quot;incorpora&ccedil;&atilde;o de desempregados e de novos trabalhadores, mas, fundamentalmente, de uma formaliza&ccedil;&atilde;o da economia&quot;, que inclui os que tinham um emprego irregular.<\/p>\n<p>Esta ascens&atilde;o social inclui basicamente trabalhadores que entraram no mercado formal em setores como constru&ccedil;&atilde;o civil, com&eacute;rcio e trabalho dom&eacute;stico, isto &eacute;, &aacute;reas onde os sal&aacute;rios e n&iacute;veis de educa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o baixos e se verifica um escasso acesso a bens culturais. Trata-se de &quot;uma massa de trabalhadores que agora reivindica direitos e servi&ccedil;os p&uacute;blicos, que se organiza, aposta na educa&ccedil;&atilde;o dos filhos e filhas e atua politicamente&quot;, explicou Mineiro.<\/p>\n<p>Por outro lado, esses novos trabalhadores formais &quot;come&ccedil;am a impulsionar a economia por meio do consumo e dessa demanda por servi&ccedil;os p&uacute;blicos que, na &aacute;rea de infraestrutura, representa novos investimentos em obras p&uacute;blicas e, portanto, mais investimentos em geral&quot;, acrescentou o economista. Mineiro considerou, ainda, que o combate &agrave; pobreza constitui uma novidade hist&oacute;rica para o Brasil e reivindicou as pol&iacute;ticas implantadas para isso, como os sucessivos aumentos do sal&aacute;rio m&iacute;nimo, os programas de complementa&ccedil;&atilde;o da renda familiar, como o Bolsa Fam&iacute;lia, e a formaliza&ccedil;&atilde;o da economia e, com ela, o acesso ao cr&eacute;dito.<\/p>\n<p>O economista preferiu evitar termos de um debate que &quot;hoje est&aacute; velozmente ultrapassado pela propaganda pol&iacute;tica e por uma no&ccedil;&atilde;o de matriz liberal da qual o principal elemento de cidadania &eacute; a possibilidade de acesso &agrave; renda, com a qual o indiv&iacute;duo possa definir com sua racionalidade como gastar, e assim se converter em um cidad&atilde;o com possibilidade de consumo&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 10\/10\/2012 &ndash; A quantidade de pessoas que teriam saltado da classe baixa para a m&eacute;dia na &uacute;ltima d&eacute;cada no Brasil &eacute; questionada por economistas, embora destaquem a ascens&atilde;o social registrada. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/america-latina\/brasil-classe-mdia-segundo-o-ngulo-pelo-qual-se-olha\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5],"tags":[27],"class_list":["post-10805","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10805","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10805"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10805\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10805"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10805"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10805"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}