{"id":10816,"date":"2012-10-15T09:10:54","date_gmt":"2012-10-15T09:10:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10816"},"modified":"2012-10-15T09:10:54","modified_gmt":"2012-10-15T09:10:54","slug":"ativistas-alertam-para-retrocesso-em-campanha-contra-a-pena-de-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/mundo\/ativistas-alertam-para-retrocesso-em-campanha-contra-a-pena-de-morte\/","title":{"rendered":"Ativistas alertam para retrocesso em campanha contra a pena de morte"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 15\/10\/2012 &ndash; Os dez anos de campanha da Coaliz&atilde;o Mundial Contra a Pena de Morte deram frutos: 140 pa&iacute;ses deixaram de aplicar esse castigo, seja por lei ou de fato. Mas este ano foram registrados alguns retrocessos. <!--more--> Os pa&iacute;ses onde n&atilde;o se aplica a pena capital &quot;s&atilde;o abolicionistas ou t&ecirc;m a pol&iacute;tica de n&atilde;o praticar execu&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o &eacute; um fen&ocirc;meno casual. Representam 70% das na&ccedil;&otilde;es do mundo&quot;, disse &agrave; IPS a ativista Jan Erik Wetzel, da organiza&ccedil;&atilde;o Anistia Internacional.<\/p>\n<p>&quot;Em 2003, apenas 80 pa&iacute;ses eram totalmente abolicionistas, enquanto atualmente j&aacute; s&atilde;o 97. Houve revoga&ccedil;&otilde;es ou uma redu&ccedil;&atilde;o dr&aacute;stica das execu&ccedil;&otilde;es em todas as regi&otilde;es e em todos os sistemas legais do mundo&quot;, afirmou Wetzel. &quot;A &Aacute;sia e o mundo &aacute;rabe s&atilde;o zonas mais dif&iacute;ceis do que outras para erradicar a pena de morte, mas pode-se conseguir em todas as partes&quot;, acrescentou. Segundo a Anistia Internacional, a pena capital vigora em 14 pa&iacute;ses asi&aacute;ticos. Mas em 17, entre os quais But&atilde;o, Camboja, Filipinas, Nepal e Timor Leste, foi revogada para todos os crimes. A China, de longe o pa&iacute;s que mais execu&ccedil;&otilde;es registra, aboliu essa pr&aacute;tica para mais de 13 crimes, na maioria econ&ocirc;micos.<\/p>\n<p>No Oriente M&eacute;dio e na &Aacute;frica do Norte, quatro de 19 pa&iacute;ses respondem por 99% das execu&ccedil;&otilde;es registradas no ano passado, com um dr&aacute;stico aumento no Iraque, principalmente por crimes de terrorismo, e na Ar&aacute;bia Saudita, por tr&aacute;fico de drogas. Tamb&eacute;m houve aumento das execu&ccedil;&otilde;es em Gaza, o territ&oacute;rio palestino controlado pelo Ham&aacute;s (Movimento de Resist&ecirc;ncia Isl&acirc;mica). Contudo, Alb&acirc;nia, Arg&eacute;lia, Cazaquist&atilde;o, Marrocos, Tajiquist&atilde;o, Tun&iacute;sia, Turcomenist&atilde;o, Turquia e Djibuti revogaram ou reduziram as execu&ccedil;&otilde;es de forma dr&aacute;stica. No L&iacute;bano e na Jord&acirc;nia, a quantidade de condena&ccedil;&otilde;es &agrave; morte diminuiu, mas em menor medida.<\/p>\n<p>&quot;Na Tun&iacute;sia e no Egito, depois da Primavera &Aacute;rabe, nos asseguramos de que a pena de morte fosse tema de discuss&atilde;o&quot;, afirmou Wetzel. &quot;Na Tun&iacute;sia sugerimos revog&aacute;-la e ainda se discute a respeito, e os ind&iacute;cios s&atilde;o bons. T&iacute;nhamos muita esperan&ccedil;a nesses pa&iacute;ses, mas n&atilde;o se concretizaram&quot;, lamentou. Entretanto, acrescentou, &eacute; animador o fato de a Tun&iacute;sia n&atilde;o realizar execu&ccedil;&otilde;es h&aacute; mais de uma d&eacute;cada, e que o presidente, Moncef Marzouki, tenha comutado 122 condena&ccedil;&otilde;es &agrave; morte, em janeiro deste ano. Tamb&eacute;m &eacute; animador que o ex-presidente eg&iacute;pcio Hosni Mubarak tenha sido condenado &agrave; pris&atilde;o perp&eacute;tua.<\/p>\n<p>&quot;A pena de morte se tornou tema de conversa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, quando antes ningu&eacute;m falava dela. H&aacute; ativistas muito comprometidos nos dois pa&iacute;ses. Desde o levante, fazem um trabalho duro de base cujos resultados podem n&atilde;o ser imediatos&quot;, disse Wetzel. &quot;No Egito, pela primeira vez, as pessoas podem participar da agenda&quot;, disse &agrave; IPS Amr Issam, integrante da miss&atilde;o eg&iacute;pcia junto &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), acrescentando que seria dif&iacute;cil para o novo governo ir contra a maioria da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;A chave est&aacute; em gerar um di&aacute;logo construtivo para incentivar os pa&iacute;ses a revisarem a lista de crimes pass&iacute;veis de serem punidos com a morte. E criar mais salvaguardas e um processo judicial mais independente&quot;, acrescentou Issam. Os pa&iacute;ses que mant&ecirc;m a pena de morte devem limit&aacute;-la aos crimes mais graves, como o homic&iacute;dio, recordou Kyung-wha Kang, alta comiss&aacute;ria adjunta da ONU para direitos humanos. Kang falou em uma confer&ecirc;ncia para celebrar os dez anos da campanha contra a pena de morte, realizada na semana passada na sede das Na&ccedil;&otilde;es Unidas em Genebra. O uso da pena de morte em casos de tr&aacute;fico de drogas deveria ser revogado, ressaltou.<\/p>\n<p>&quot;No come&ccedil;o da d&eacute;cada de 1990 teve in&iacute;cio uma colabora&ccedil;&atilde;o entre a sociedade civil e o governo italiano com vistas a uma morat&oacute;ria&quot;, disse Emma Bonino, vice-presidente do Senado da It&aacute;lia e pioneira na luta contra a pena de morte. &quot;Muitas organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos se opunham &agrave; morat&oacute;ria, queriam a aboli&ccedil;&atilde;o. Foi uma discuss&atilde;o dura. Mas hoje as pessoas reconhecem que apostar na morat&oacute;ria foi um &ecirc;xito. Todos os pa&iacute;ses que chegaram &agrave; revoga&ccedil;&atilde;o, primeiro passaram por essa fase&quot;, recordou.<\/p>\n<p>Segundo a Anistia Internacional, muitos pa&iacute;ses, como Coreia do Norte, Ir&atilde;, Estados Unidos e I&ecirc;men, realizam in&uacute;meras execu&ccedil;&otilde;es por ano, al&eacute;m das realizadas pela China, cuja quantidade se desconhece. Tamb&eacute;m h&aacute; retrocessos. Este ano Botsuana, G&acirc;mbia e Jap&atilde;o realizaram execu&ccedil;&otilde;es, sendo que G&acirc;mbia n&atilde;o realizava nenhuma h&aacute; 30 anos.<\/p>\n<p>Um dano colateral e totalmente descuidado da pena de morte &eacute; seu impacto nas crian&ccedil;as &oacute;rf&atilde;s, que deixa. &quot;H&aacute; poucas pesquisas a respeito&quot;, disse Helen Kearney, do escrit&oacute;rio dos Quaker na sede da ONU em Genebra. &quot;Mas a evid&ecirc;ncia mostra graves implica&ccedil;&otilde;es emocionais para essas crian&ccedil;as, como doen&ccedil;as por estresse p&oacute;s-traum&aacute;tico e um grande estigma social&quot;, destacou. Kearney criticou a falta de coleta de dados, mesmo nos Estados Unidos, onde n&atilde;o h&aacute; nenhum programa especial para atender essas crian&ccedil;as.<\/p>\n<p>Em alguns pa&iacute;ses, especialmente onde se aplica apena de morte de forma rotineira em casos de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, as crian&ccedil;as podem perder pai e m&atilde;e e acabar nas ruas. &quot;Queremos reformular este assunto. Trata-se dos direitos de meninas e meninos e um problema de sa&uacute;de p&uacute;blica, &eacute; intergeracional e afeta toda a comunidade. Os Estados devem assumir sua responsabilidade&quot;, ressaltou Kearney. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 15\/10\/2012 &ndash; Os dez anos de campanha da Coaliz&atilde;o Mundial Contra a Pena de Morte deram frutos: 140 pa&iacute;ses deixaram de aplicar esse castigo, seja por lei ou de fato. 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