{"id":10817,"date":"2012-10-15T09:13:34","date_gmt":"2012-10-15T09:13:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10817"},"modified":"2012-10-15T09:13:34","modified_gmt":"2012-10-15T09:13:34","slug":"brasil-cota-de-gnero-no-se-reflete-no-legislativo-municipal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/america-latina\/brasil-cota-de-gnero-no-se-reflete-no-legislativo-municipal\/","title":{"rendered":"BRASIL: Cota de g&ecirc;nero n&atilde;o se reflete no Legislativo municipal"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 15\/10\/2012 &ndash; A cota de 30% de candidaturas femininas que estreou nas elei&ccedil;&otilde;es deste m&ecirc;s n&atilde;o refletiu totalmente esse avan&ccedil;o. <!--more--> Embora tenha ocorrido um aumento no n&uacute;mero de mulheres eleitas para chefiar prefeituras, as C&acirc;maras Municipais foram mais esquivas com as mulheres. &quot;O maior avan&ccedil;o &eacute; o fato de pela primeira vez na hist&oacute;ria do pa&iacute;s representarmos mais de 30% das candidaturas para um cargo eletivo&quot;, afirmou &agrave; IPS a professora de ci&ecirc;ncias pol&iacute;ticas Patr&iacute;cia Rangel, da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de Goi&aacute;s, no Estado de Goi&aacute;s. Nas elei&ccedil;&otilde;es do dia 7 foram escolhidos prefeitos e vereadores de 5.568 munic&iacute;pios, e no dia 28 haver&aacute; segundo turno em 50 cidades, sendo 26 capitais estaduais. Apesar das d&uacute;vidas anteriores, o Partido dos Trabalhadores, da presidente Dilma Rousseff, conseguiu 14% mais prefeituras do que nas elei&ccedil;&otilde;es de 2008, somando 628, o que o coloca em terceiro lugar, enquanto seu aliado em n&iacute;vel nacional, o PMDB, conseguiu 1.025, e o PSDB 693. Promulgada em 2009 e aplicada efetivamente pela primeira vez nestas elei&ccedil;&otilde;es, a legisla&ccedil;&atilde;o de cotas estabelece &quot;um m&iacute;nimo de 30% e um m&aacute;ximo de 70% de candidaturas para cada sexo nas respectivas listas&quot;. A nova legisla&ccedil;&atilde;o acaba com as defici&ecirc;ncias e a inefic&aacute;cia da lei de cotas aprovada em 1997, que apenas determinava que os partidos pol&iacute;ticos deviam reservar para as mulheres at&eacute; 30% de vagas nas listas de candidatos e, al&eacute;m disso, n&atilde;o estabelecia san&ccedil;&otilde;es se n&atilde;o fosse cumprido. A grande participa&ccedil;&atilde;o de candidatas desta vez garantiu o triunfo de um n&uacute;mero tamb&eacute;m hist&oacute;rico de prefeitas. As 663 eleitas entre 2.025 candidatas equivalem a 11,8% dos cargos a serem preenchidos. Um estudo do dem&oacute;grafo Jos&eacute; Eust&aacute;quio Diniz, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), compara a quantidade de prefeitas eleitas agora com as 317 que triunfaram em 2000, representando na &eacute;poca apenas 5,5% do total; com as 404 de 2004 e as 504 de 2008. &quot;Podemos concluir que em 2012, quando se comemora 80 anos do voto feminino no Brasil, as mulheres deram um passo adiante na participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica municipal&quot;, afirmou Diniz &agrave; IPS. Por sua vez, Clara Ara&uacute;jo, coordenadora do N&uacute;cleo de Estudos sobre Desigualdade e Rela&ccedil;&otilde;es de G&ecirc;nero da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UFRJ), atribui o aumento de prefeitas eleitas &agrave; caracter&iacute;stica desses cargos, que exigem um tratamento mais direto com os cidad&atilde;os e devem abordar assuntos imediatos e cotidianos. Al&eacute;m disso, o cargo executivo nas prefeituras permite &agrave;s mulheres estarem mais perto de suas casas, sem necessidade de sair de sua cidade, ao contr&aacute;rio das que chegam ao Legislativo, sejam municipais ou nacionais, acrescentou. Um dado que chama a aten&ccedil;&atilde;o &eacute; que a maioria das prefeitas eleitas &eacute; de cidades com menos de 200 mil eleitores, o que Clara atribui ao fato de nesses munic&iacute;pios menores serem necess&aacute;rios menos recursos financeiros e a campanha acontecer nas proximidades do domic&iacute;lio dos candidatos, dois elementos que &quot;favorecem a presen&ccedil;a de mulheres&quot;. Contrastando com o &ecirc;xito da disputa pelas prefeituras, o desempenho feminino por uma vaga nas C&acirc;maras Municipais foi menor. Segundo Diniz, as 7.648 vereadoras eleitas no dia 7, equivalente a 13,3% do total de cargos em disputa, embora representem tamb&eacute;m um recorde hist&oacute;rico, ainda &eacute; considerado um n&uacute;mero insuficiente para as expectativas que havia diante da exig&ecirc;ncia da cota m&iacute;nima de 30% de candidaturas femininas. Nas elei&ccedil;&otilde;es de 2000 foram eleitas 7.001 vereadoras, em 2004, 6.555 e em 2008, 6.512, o que representou 12,5% do total. Patr&iacute;cia entende que &quot;o maior retrocesso foi o fato de o crescimento percentual em candidaturas n&atilde;o ter se traduzido em mais vereadoras, sendo que cresceram de 12,5 para pouco mais de 13%&quot;, enquanto Clara n&atilde;o se surpreendeu com o resultado. &Eacute; que os estudos quantitativos e qualitativos sobre o assunto &quot;constataram que o aumento de cotas n&atilde;o tem a ver com o aumento de mulheres eleitas&quot;, afirmou. Isso, segundo ela, se explica principalmente pelo &quot;car&aacute;ter individualista eleitoral causado pelo sistema de listas abertas, que incentiva a competi&ccedil;&atilde;o entre candidatos inclusive dentro de um mesmo partido ou coaliz&atilde;o e os lan&ccedil;a em busca de recursos pr&oacute;prios&quot;. Nesse contexto, as mulheres costumam ter menos recursos financeiros e escasso apoio de suas &quot;redes partid&aacute;rias&quot;, acrescentou Clara, afirmando que &quot;o que existem s&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es de desigualdade na estrutura partid&aacute;ria que fazem com que, no momento da candidatura, as mulheres tenham condi&ccedil;&otilde;es desvantajosas&quot;. Clara concorda com as cotas por g&ecirc;nero, &quot;como auxiliares de um processo mais amplo&quot;, e menciona tr&ecirc;s fatores que devem ser melhorados: apoio de um financiamento p&uacute;blico em campanha eleitoral, distribui&ccedil;&atilde;o mais democr&aacute;tica do tempo para propaganda pol&iacute;tica na televis&atilde;o, e fortalecimento e forma&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o das mulheres dentro dos partidos. No entanto, Patr&iacute;cia alerta que para conseguir o que Clara prop&otilde;e &eacute; preciso promover mudan&ccedil;as culturais. &quot;O sistema pol&iacute;tico e eleitoral brasileiro &eacute; elitista, racista, personalista e sexista, al&eacute;m de favorecer pessoas com maiores recursos financeiros e influ&ecirc;ncias pol&iacute;ticas&quot;, assegurou. &quot;A escolha de candidatos &eacute; feita no jardim secreto das decis&otilde;es das elites partid&aacute;rias, onde mandam os homens&quot;, ressaltou. A reclama&ccedil;&atilde;o de muitos partidos &eacute; que foi dif&iacute;cil cumprir a cota de g&ecirc;nero por n&atilde;o haver candidatas suficientes. Isso provocou distor&ccedil;&otilde;es, como o surgimento de candidatas apenas para cumprir a lei e que, por isso, n&atilde;o fizeram campanha e, consequentemente, quase n&atilde;o conseguiram votos. Patr&iacute;cia considera que, embora n&atilde;o seja generalizada, essa sempre foi uma preocupa&ccedil;&atilde;o do movimento feminista. &quot;Infelizmente, a cota n&atilde;o foi um est&iacute;mulo para que os partidos investissem capital financeiro e pol&iacute;tico em candidatas&quot;, acrescentou Patr&iacute;cia. Como institui&ccedil;&otilde;es &quot;conservadoras e machistas que s&atilde;o&quot;, os partidos pol&iacute;ticos do Brasil preferem candidaturas femininas quase fantasmas &quot;para continuar repetindo o mantra de que as mulheres n&atilde;o se interessam por pol&iacute;tica&quot;, enfatizou. No entanto, Diniz questionou essa an&aacute;lise, afirmando que &quot;o argumento da falta de mulheres&quot; n&atilde;o &eacute; verdadeiro. Explicou que em 2012 houve 133.868 candidatas a ocupar 57.353 vagas das c&acirc;maras de vereadores em todo o pa&iacute;s, &quot;portanto, houve mais de duas mulheres para cada cadeira dispon&iacute;vel&quot;, acrescentando que &quot;o problema &eacute; que os partidos n&atilde;o investem na forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica das mulheres nem em suas candidaturas, porque historicamente s&atilde;o controlados por homens e estes resistem a abrir espa&ccedil;os&quot;. 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