{"id":10837,"date":"2012-10-17T10:31:43","date_gmt":"2012-10-17T10:31:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10837"},"modified":"2012-10-17T10:31:43","modified_gmt":"2012-10-17T10:31:43","slug":"israel-palestina-viver-em-uma-cidade-murada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/direitos-humanos\/israel-palestina-viver-em-uma-cidade-murada\/","title":{"rendered":"ISRAEL-PALESTINA: Viver em uma cidade murada"},"content":{"rendered":"<p>Ar-Ram, Jerusal&eacute;m Oriental, 17\/10\/2012 &ndash; Ali Shuruf acende as luzes e ilumina uma colorida sala de estar que contrasta com a vista externa, com tudo cinza.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10837\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/criancas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10837\" class=\"size-medium wp-image-10837\" title=\"Crian&ccedil;as no telhado da casa da fam\u00c3\u00adlia Shuruf. - P.Klochendler\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/criancas.jpg\" alt=\"Crian&ccedil;as no telhado da casa da fam\u00c3\u00adlia Shuruf. - P.Klochendler\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10837\" class=\"wp-caption-text\">Crian&ccedil;as no telhado da casa da fam\u00c3\u00adlia Shuruf. - P.Klochendler\/IPS<\/p><\/div>  Sua casa d&aacute; literalmente para um muro, n&atilde;o qualquer muro, mas uma barreira de concreto de oito metros de altura que separa palestinos de israelenses. &quot;Da sala se v&ecirc; o muro. Da cozinha, do terra&ccedil;o, sempre o muro que nos encerra pelo leste, oeste e sul&quot;, disse Shuruf, um construtor palestino, apontando para uma gaiola com um papagaio australiano que d&aacute; saltos. &quot;Somos como p&aacute;ssaros engaiolados. A liberdade termina aqui&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Do telhado da casa Shuruf mostra o resplendor das luzes atr&aacute;s do lado leste do muro. &quot;Esta &eacute; a separa&ccedil;&atilde;o entre &aacute;rabes e judeus&quot; em Jerusal&eacute;m oriental. Shuruf construiu a casa de tr&ecirc;s andares com seus irm&atilde;os, e cada um ocupa um deles com sua fam&iacute;lia. O bairro judeu vizinho, Neve Ya&#39;akov, fica dentro dos limites do munic&iacute;pio de Jerusal&eacute;m, como Ar-Ram, s&oacute; que o primeiro est&aacute; dentro do per&iacute;metro do muro e o segundo fora.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s a ocupa&ccedil;&atilde;o israelense de Jerusal&eacute;m oriental em 1967, o planejamento urbano incluiu a constru&ccedil;&atilde;o de centros comunit&aacute;rios, comerciais, m&eacute;dicos e esportivos, bem como escolas, pra&ccedil;as e sinagogas para a popula&ccedil;&atilde;o judia. Pelo fato de bairros como Neve Ya&#39;akov ficarem na parte ocupada da cidade, o planejamento tamb&eacute;m considerou necess&aacute;rio um muro de prote&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;Jog&aacute;vamos futebol juntos. Agora estamos separados&quot;, lamentou Fadhi Hijazi, amigo de um dos filhos de Shuruf. O muro de separa&ccedil;&atilde;o foi constru&iacute;do depois da segunda Intifada (levante palestino de 2002 a 2005) como prote&ccedil;&atilde;o contra poss&iacute;veis atacantes suicidas. Dez anos depois, uma barreira de 142 quil&ocirc;metros de comprimento cerca a maior parte de Jerusal&eacute;m oriental, e apenas quatro quil&ocirc;metros de sua extens&atilde;o total foram constru&iacute;dos sobre a linha divis&oacute;ria fixada antes de 1967.<\/p>\n<p>Soldados israelenses ocupam postos de controle dos dois lados do muro, e nenhum sobre essa linha. A &quot;fronteira&quot; de concreto n&atilde;o separa apenas os bairros judeus de povoados e cidades da Cisjord&acirc;nia, mas tamb&eacute;m deixa fora os bairros palestinos de Jerusal&eacute;m. Muitos de seus moradores, como Shuruf, com cart&atilde;o de resid&ecirc;ncia azul, ficam fora da cidade. &quot;Visitar meu vizinho de porta me custa uma hora&quot;, contou Shuruf.<\/p>\n<p>O muro n&atilde;o &eacute; apenas uma quest&atilde;o de seguran&ccedil;a; al&eacute;m de impedir a liberdade de movimento tamb&eacute;m faz parte da pol&iacute;tica para manter uma maioria judia em Jerusal&eacute;m. &quot;O muro &eacute; uma coisa racista que fomenta o &oacute;dio&quot;, disse Mohammad Turman, cunhado de Shuruf. &quot;O problema n&atilde;o s&atilde;o os israelenses em si, podemos viver em paz. O problema &eacute; quem controla a cidade&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>A batalha por Jerusal&eacute;m &eacute; por quem controla o fator demogr&aacute;fico. Na parte oriental vivem cerca de 200 mil israelenses e cerca de 300 mil palestinos. Entretanto, bairros &aacute;rabes inteiros ficaram exclu&iacute;dos, de fato, da cidade pelo muro de separa&ccedil;&atilde;o. Localizado no caminho rumo &agrave; cidade de Ramalah, na Cisjord&acirc;nia, Ar-Ram, com seus dez mil habitantes, &eacute; um desses bairros.<\/p>\n<p>Chegar de carro at&eacute; onde vive Shuruf desde intramuros &eacute; um trajeto cansativo. &Eacute; preciso atravessar o bairro judeu Pisgat Ze&#39;ev atrav&eacute;s do posto de controle de Hizme, ou dirigir cerca de dez quil&ocirc;metros ao longo do muro at&eacute; a entrada de Kalandia no sentido de Ramal&aacute;, e depois dar a volta em &quot;U&quot; e regressar do outro lado do muro.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o temos os servi&ccedil;os municipais que nos cabem, sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o&quot;, lamentou Shuruf, explicando que precisou matricular seus filhos em uma &quot;escola local pobre por causa do muro&quot;. Os bairros palestinos sofrem um abandono cr&ocirc;nico, e o muro s&oacute; exacerbou a deprimente realidade socioecon&ocirc;mica.<\/p>\n<p>Dados da Associa&ccedil;&atilde;o para os Direitos Civis em Israel mostram que a pobreza chega a 78% dos residentes palestinos de Jerusal&eacute;m oriental, dos quais 84% s&atilde;o crian&ccedil;as. Al&eacute;m disso, 40% dos homens e 85% das mulheres n&atilde;o t&ecirc;m trabalho.<\/p>\n<p>Quando Shuruf sofreu um derrame cerebral h&aacute; dois anos, &quot;a ambul&acirc;ncia israelense n&atilde;o quis vir por quest&otilde;es de seguran&ccedil;a, e tampouco a Meia Lua Vermelha, porque &eacute; &aacute;rea controlada por Israel&quot;, recordou Hijazi. S&oacute; p&ocirc;de contar com sua fam&iacute;lia, que o levou ao hospital mais pr&oacute;ximo.<\/p>\n<p>Na d&eacute;cada de 1990, o acordo de paz de Oslo dividiu a Cisjord&acirc;nia em tr&ecirc;s zonas: a &Aacute;rea A, sob a Autoridade Nacional Palestina; &Aacute;rea B, com a seguran&ccedil;a sob controle de Israel e da autoridade municipal palestina; e &Aacute;rea C, sob total controle israelense. Por estar anexada por Israel, Jerusal&eacute;m oriental ficou fora da divis&atilde;o de Oslo. Palestinos encerrados em bairros como Ar-Ram ficaram no limbo.<\/p>\n<p>O muro cerceia mais as rela&ccedil;&otilde;es vitais entre Jerusal&eacute;m oriental e os centros econ&ocirc;micos palestino-cisjordanianos, como Bel&eacute;m, no sul, e Ramal&aacute;, no norte. Jerusal&eacute;m oriental costumava prestar servi&ccedil;os &agrave; Cisjord&acirc;nia, mas agora est&aacute; inacess&iacute;vel para os palestinos sem uma autoriza&ccedil;&atilde;o concedida por Israel. &quot;Nossa vida estava em Jerusal&eacute;m, n&atilde;o na parte palestina&quot;, explicou Hijazi.<\/p>\n<p>Se o objetivo do muro foi romper os la&ccedil;os da popula&ccedil;&atilde;o palestina com Jerusal&eacute;m, conseguiu-se exatamente o contr&aacute;rio, empurr&aacute;-los de volta para Israel. Os palestinos n&atilde;o querem ficar fazendo filas nos postos de controle. Querem trabalhar, aproveitar os servi&ccedil;os municipais e comprar do lado israelense da cidade.<\/p>\n<p>Shuruf aluga uma casa do outro lado do muro apenas para ter sua carteira de identidade de Jerusal&eacute;m e receber aten&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica, agora um privil&eacute;gio, mas que lhe cabia como morador de Jerusal&eacute;m antes da imposi&ccedil;&atilde;o do muro. &quot;Para n&oacute;s o que est&aacute; em jogo n&atilde;o &eacute; sermos absorvidos por Israel, mas sobreviver, suportar a ocupa&ccedil;&atilde;o israelense&quot;, resumiu Shuruf. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ar-Ram, Jerusal&eacute;m Oriental, 17\/10\/2012 &ndash; Ali Shuruf acende as luzes e ilumina uma colorida sala de estar que contrasta com a vista externa, com tudo cinza. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/direitos-humanos\/israel-palestina-viver-em-uma-cidade-murada\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":430,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[16],"class_list":["post-10837","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10837","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/430"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10837"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10837\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10837"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10837"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10837"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}