{"id":10840,"date":"2012-10-18T09:23:24","date_gmt":"2012-10-18T09:23:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10840"},"modified":"2012-10-18T09:23:24","modified_gmt":"2012-10-18T09:23:24","slug":"eleies-livres-e-justas-de-angola-vo-ser-contestadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/africa\/eleies-livres-e-justas-de-angola-vo-ser-contestadas\/","title":{"rendered":"Elei&ccedil;&otilde;es &quot;Livres e Justas&quot; de Angola v&atilde;o ser contestadas"},"content":{"rendered":"<p>Luanda, 18\/10\/2012 &ndash; Pairam incertezas sobre a legitimidade das elei&ccedil;&otilde;es gerais em Angola depois do segundo l&iacute;der h&aacute; mais tempo no poder em &Aacute;frica, Jos&eacute; Eduardo dos Santos, ter ganho um segundo mandato de cinco anos na sequ&ecirc;ncia da esmagadora vit&oacute;ria do seu partido. <!--more--> O Movimento Popular de Liberta&ccedil;&atilde;o de Angola (MPLA) &#8211; que tem governado Angola desde a independ&ecirc;ncia de Portugal em 1975 &#8211; obteve uma maioria parlamentar de quase 72 por cento. O seu antigo inimigo na guerra civil, a Uni&atilde;o Nacional para a Independ&ecirc;ncia Total de Angola (UNITA), ficou em segundo lugar com 19 por cento, quase o dobro do resultado que obteve em 2008. Em terceiro lugar ficou a recente formada Converg&ecirc;ncia Ampla de Salva&ccedil;&atilde;o de Angola &#8211; Coliga&ccedil;&atilde;o Eleitoral (CASA-CE), que obteve seis por cento dos votos, de acordo com os resultados provis&oacute;rios tornados p&uacute;blicos pela Comiss&atilde;o Nacional Eleitoral (CNE). Mas enquanto o MPLA &#8211; cuja dispendiosa campanha &eacute; tida como tendo custado 70 milh&otilde;es de d&oacute;lares &#8211; celebra a sua vit&oacute;ria, a UNITA, a CASA-CE e grupos que pertencem &agrave; sociedade civil est&atilde;o a organizar recursos jur&iacute;dicos para contestar os resultados. Depois dos resultados finais serem divulgados, h&aacute; um per&iacute;odo de 48 horas para que qualquer partido apresente recurso jur&iacute;dico ao tribunal constitucional. Numa declara&ccedil;&atilde;o a 3 de Setembro, a UNITA afirmou que estava a proceder &agrave; sua pr&oacute;pria contagem paralela e a tomar nota dos resultados provis&oacute;rios apresentados pela CNE. A UNITA acusou a CNE de usar o pessoal de seguran&ccedil;a do governo para administrar as mesas de voto, tendo tamb&eacute;m questionado os processos usados na transmiss&atilde;o de dados e protestado devido ao facto de delegados partid&aacute;rios e observadores n&atilde;o terem conseguido obter acredita&ccedil;&atilde;o para monitorizar os processos seguidos. J&aacute; h&aacute; alguns meses que o partido tem criticado a CNE e a organiza&ccedil;&atilde;o das elei&ccedil;&otilde;es, alegando manipula&ccedil;&atilde;o fraudulenta por parte do MPLA. As queixas centram-se nos cadernos eleitorais e na forma como foram compilados, inspeccionados e partilhados. A UNITA afirmou que milhares de &quot;eleitores fantasmas&quot; foram acrescentados aos cadernos eleitorais e que o atraso na publica&ccedil;&atilde;o dos cadernos finais tinha impedido muitas pessoas de votarem. &quot;N&atilde;o vamos permitir que um tipo de fraude tenha lugar nem vamos reconhecer a legitimidade de qualquer governo que resulte de elei&ccedil;&otilde;es que tenham sido realizadas fora da lei,&quot; disse Isa&iacute;as Samakuva, l&iacute;der da UNITA, uma semana antes do escrut&iacute;nio ter tido lugar. Em 31 de Agosto, o dia das elei&ccedil;&otilde;es, muitas pessoas &#8211; os n&uacute;meros exactos s&atilde;o desconhecidos &#8211; n&atilde;o puderam votar porque n&atilde;o conseguiram encontrar os seus nomes nos cadernos eleitorais. Algumas receberam indica&ccedil;&atilde;o que estavam recenseadas a centenas de quil&oacute;metros de dist&acirc;ncia noutra prov&iacute;ncia. Os resultados provis&oacute;rios da CNE indicam que a aflu&ecirc;ncia de eleitores tinha decrescido de forma significativa, de 80 por cento em 2008 para 60 por cento este ano. Esta aflu&ecirc;ncia era nitidamente mais baixa na capital, Luanda, com perto de 50 por cento. Contudo, as equipas da Comunidade de Desenvolvimento da &Aacute;frica Austral (SADC), da Uni&atilde;o Africana (UA) e da Comunidade dos Pa&iacute;ses de L&iacute;ngua Portuguesa elogiaram a CNE em Angola pela forma como tinha organizado a elei&ccedil;&atilde;o. O chefe da miss&atilde;o da UA, o antigo presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, apontou a exist&ecirc;ncia de alguns problemas como a acredita&ccedil;&atilde;o atrasada das delega&ccedil;&otilde;es partid&aacute;rias e dos observadores, o acesso injusto aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blicos e a n&atilde;o autoriza&ccedil;&atilde;o dos votos da di&aacute;spora. No entanto, Pires afirmou que, de modo geral, as elei&ccedil;&otilde;es tinham sido &quot;livres, justas, transparentes e cred&iacute;veis.&quot; Bernand Membe, Ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros da Tanz&acirc;nia, que chefiou a miss&atilde;o da SADC, reconheceu algumas das acusa&ccedil;&otilde;es feitas pelos partidos da oposi&ccedil;&atilde;o mas afirmou: &quot;A nossa opini&atilde;o &eacute; que, apesar de existirem algumas quest&otilde;es pertinentes, n&atilde;o foram por&eacute;m de tal magnitude que tenham afectado a credibilidade do processo eleitoral na sua generalidade.&quot; Luaty Beir&atilde;o, m&uacute;sico angolano e activista que esteve envolvido em diversos protestos de rua anti-governamentais e que ajudou a criar um website que publicou os protestos do p&uacute;blico acerca da elei&ccedil;&atilde;o, disse &agrave; IPS que estava muito decepcionado com o ponto de vista da miss&atilde;o de observa&ccedil;&atilde;o. &quot;Como &eacute; que estas elei&ccedil;&otilde;es podem ser consideradas justas?&quot; perguntou. &quot;Como &eacute; que podem dizer que correram bem porque n&atilde;o houve confrontos e as pessoas n&atilde;o atiraram proj&eacute;cteis contra os carros ou queimaram pneus na ruas?&quot; &quot;A paz n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica via a que recorremos para analisar se uma elei&ccedil;&atilde;o foi justa e livre. Temos de analisar o elevado n&uacute;mero de pessoas que n&atilde;o puderam votar.&quot; Beir&atilde;o, que j&aacute; foi detido v&aacute;rias vezes pelo seu activismo, acrescentou: &quot;Estas elei&ccedil;&otilde;es foram manipuladas e este governo n&atilde;o &eacute; leg&iacute;timo,&quot; A CNE rejeitou acusa&ccedil;&otilde;es de irregularidades e o MPLA acusou a oposi&ccedil;&atilde;o de alega&ccedil;&otilde;es de fraude para esconder os maus resultados por si obtidos. O MPLA, por&eacute;m, j&aacute; clamou vit&oacute;ria e muitas cidad&atilde;os comuns em Angola parecem alheios &agrave;s acusa&ccedil;&otilde;es da UNITA. Avelino Pacheco, de 22 anos, de Luanda, disse &agrave; IPS: &quot;Na minha opini&atilde;o, as elei&ccedil;&otilde;es correram bem e tivemos liberdade para escolher quem desejamos. As pessoas escolheram o MPLA e o Presidente Jos&eacute; Eduardo dos Santos&quot;. &quot;N&atilde;o houve fraude e temos de respeitar a escolha do povo,&quot; disse este estudante de estat&iacute;stica. Uma mulher, &agrave; espera numa fila de t&aacute;xis, que n&atilde;o quis divulgar o seu nome, disse &agrave; IPS: &quot;Na realidade, o resultado n&atilde;o interessa, o MPLA est&aacute; e vai continuar no poder por muito tempo. Temos de aceitar isso.&quot; Outros seis partidos e coliga&ccedil;&otilde;es, incluindo a hist&oacute;rica Frente Nacional de Liberta&ccedil;&atilde;o de Angola e o Partido de Renova&ccedil;&atilde;o Social, partilharam os restantes tr&ecirc;s por cento. A guerra civil que durou 27 anos s&oacute; acabou em 2002 e desde a independ&ecirc;ncia em 1975 Angola s&oacute; teve duas elei&ccedil;&otilde;es anteriores a esta. As elei&ccedil;&otilde;es de 2008 realizaram-se em paz, apesar de alega&ccedil;&otilde;es generalizadas de fraude eleitoral, mas as elei&ccedil;&otilde;es de 1992 foram abandonadas a meio e despoletaram a segunda fase da guerra civil que durou at&eacute; 2002. A primeira guerra civil come&ccedil;ou depois da independ&ecirc;ncia em 1975 e durou at&eacute; 1991. De acordo com os termos da constitui&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s de 2010, o chefe do partido que obt&eacute;m o maio n&uacute;mero de votos parlamentares torna-se presidente &#8211; e por isso, Jos&eacute; Eduardo Dos Santos regressa automaticamente ao poder. Este vai ser o primeiro mandato oficial do Presidente de 70 anos, um engenheiro formado pelos russos que nunca tinha sido eleito formalmente, apesar de ter governado Angola desde 1979. Embora este pa&iacute;s rico em petr&oacute;leo tenha gozado de um enorme crescimento desde o fim, em 2002, da guerra civil de tr&ecirc;s d&eacute;cadas, e apesar da previs&atilde;o de um crescimento de 12 por cento do PIB em 2012, s&oacute; um n&uacute;mero reduzido de angolanos &eacute; que partilha dos dividendos da paz.  Segundo o &Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano das Na&ccedil;&otilde;es Unidas relativo a 2011, Angola est&aacute; em 148&deg; lugar de um total de 187 pa&iacute;ses, com mais de metade da popula&ccedil;&atilde;o a viver abaixo do limiar da pobreza, sem acesso a servi&ccedil;os b&aacute;sicos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luanda, 18\/10\/2012 &ndash; Pairam incertezas sobre a legitimidade das elei&ccedil;&otilde;es gerais em Angola depois do segundo l&iacute;der h&aacute; mais tempo no poder em &Aacute;frica, Jos&eacute; Eduardo dos Santos, ter ganho um segundo mandato de cinco anos na sequ&ecirc;ncia da esmagadora vit&oacute;ria do seu partido. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/africa\/eleies-livres-e-justas-de-angola-vo-ser-contestadas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":123,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-10840","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10840","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/123"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10840"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10840\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10840"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10840"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10840"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}