{"id":10841,"date":"2012-10-18T10:20:28","date_gmt":"2012-10-18T10:20:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10841"},"modified":"2012-10-18T10:20:28","modified_gmt":"2012-10-18T10:20:28","slug":"no-h-reanimao-para-o-corao-do-haiti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/politica\/no-h-reanimao-para-o-corao-do-haiti\/","title":{"rendered":"N&atilde;o h&aacute; reanima&ccedil;&atilde;o para o cora&ccedil;&atilde;o do Haiti"},"content":{"rendered":"<p>Porto Pr&iacute;ncipe, Haiti,, 18\/10\/2012 &ndash; Embora, finalmente, tenha sido anulado o decreto do governo, que por quase dois anos bloqueou a reconstru&ccedil;&atilde;o do centro de Porto Pr&iacute;ncipe, ainda h&aacute; muitas d&uacute;vidas e frustra&ccedil;&otilde;es quanto &agrave;s perspectivas de recupera&ccedil;&atilde;o da capital econ&ocirc;mica, cultural e pol&iacute;tica do Haiti.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10841\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Haiti.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10841\" class=\"size-medium wp-image-10841\" title=\"O esqueleto de um pr&eacute;dio se verga sobre pedestres, ve\u00c3\u00adculos e vendedores ambulantes no Jean-Jacques Dessalines Boulevard. - HGWEvens Louis\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Haiti.jpg\" alt=\"O esqueleto de um pr&eacute;dio se verga sobre pedestres, ve\u00c3\u00adculos e vendedores ambulantes no Jean-Jacques Dessalines Boulevard. - HGWEvens Louis\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10841\" class=\"wp-caption-text\">O esqueleto de um pr&eacute;dio se verga sobre pedestres, ve\u00c3\u00adculos e vendedores ambulantes no Jean-Jacques Dessalines Boulevard. - HGWEvens Louis<\/p><\/div>  Tudo indica que, em lugar de centrar-se nas cruciais obras de infraestrutura, o governo est&aacute; mais interessado em reconstruir as sedes de seus minist&eacute;rios.<\/p>\n<p>Embora nos dois &uacute;ltimos anos e meio tenha havido reuni&otilde;es, estudos e declara&ccedil;&otilde;es sobre o assunto, um passeio pelo centro da cidade mostra que, al&eacute;m da remo&ccedil;&atilde;o de alguns escombros, a reconstru&ccedil;&atilde;o tem sido pouca. Foi erguido apenas um edif&iacute;cio significativo. O resto &eacute; um caos de ru&iacute;nas, escombros, pelo menos quatro milharais e um monte de lixo que envenena o ar.<\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; sinais de que se trabalha nos sistemas de saneamento, drenagem ou eletricidade. E a falta de policiamento permite que ladr&otilde;es atuem na antiga crucial &aacute;rea comercial da capital. Muitas das grandes empresas se mudaram para os sub&uacute;rbios, deixando a rua principal para ambulantes que a ocupam. Outros comerciantes se mostram desesperan&ccedil;ados.<\/p>\n<p>&quot;Porto Pr&iacute;ncipe nunca ser&aacute; como era h&aacute; 25 anos&quot;, disse &agrave; Haiti Grassroots Watch (HGW) um comerciante de quase 50 anos sentado em sua loja de eletrodom&eacute;sticos, quase vazia, na Rue des Miracles. &quot;Nada acontecer&aacute;&quot;, lamentou este homem que, como a maioria dos outros 15 comerciantes ouvidos pela HGW, concordou em falar sob a condi&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o ser identificado.<\/p>\n<p>Entretanto, o governo garante que est&aacute; havendo progressos concretos. &quot;O centro foi e voltar&aacute; a ser o cora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mico do pa&iacute;s. Ser&aacute;, inclusive, melhor do que antes. Temos que terminar os estudos. Estamos trabalhando muito seriamente, sem descanso&quot;, afirmou Michel Pr&eacute;sum&eacute;, da governamental Unidade para a Reconstru&ccedil;&atilde;o de Moradias e Pr&eacute;dios P&uacute;blicos (UCLBP) em entrevista divulgada no dia 19 de junho.<\/p>\n<p>O terremoto de 12 de janeiro de 2010 foi um dos maiores desastres urbanos da era moderna. Al&eacute;m de aproximadamente 200 mil mortos, causou &quot;preju&iacute;zos com reconstru&ccedil;&atilde;o urgente estimados em US$ 11,5 milh&otilde;es, destruiu cerca de 80% de Porto Pr&iacute;ncipe e v&aacute;rios povoados e aldeias pr&oacute;ximas, e derrubou as sedes dos tr&ecirc;s poderes do Estado, junto com 15 dos 17 minist&eacute;rios, 45% das delegacias e v&aacute;rios tribunais&quot;, informou o Grupo Internacional de Crise, organiza&ccedil;&atilde;o com sede em Bruxelas especializada na an&aacute;lise de conflitos, em um informe de 31 de mar&ccedil;o deste ano.<\/p>\n<p>No dia 2 de setembro de 2010, um decreto governamental estabeleceu que cerca de 200 hectares de terras do centro passavam a ser &quot;de utilidade p&uacute;blica&quot;, bloqueando todo esfor&ccedil;o de reconstru&ccedil;&atilde;o. &quot;Toda constru&ccedil;&atilde;o, cria&ccedil;&atilde;o de ruas, divis&atilde;o de lotes ou qualquer outra explora&ccedil;&atilde;o da terra, inclu&iacute;da qualquer transa&ccedil;&atilde;o de bens de raiz est&atilde;o e permanecer&atilde;o proibidas para toda a &aacute;rea definida no Artigo 1&quot;, diz o Artigo 2 do decreto.<\/p>\n<p>Michelle Mourra, integrante e fundadora da SOS Centre-Ville, uma organiza&ccedil;&atilde;o de empres&aacute;rios e donos de propriedades no centro da cidade, disse que o decreto &eacute; &quot;um golpe terr&iacute;vel&quot;. &quot;Provavelmente, o privado seja o setor que sofreu as piores perdas materiais do que qualquer outro em 12 de janeiro de 2010&quot;, escreveu em um email enviado no dia 16 de julho deste ano &agrave; HGW. Esse decreto &quot;foi um retrocesso ainda pior, porque durante dois anos tivemos que olhar, impotentes, enquanto o centro era saqueado e destru&iacute;do&quot;, destacou.<\/p>\n<p>Apesar da mudan&ccedil;a de governo ocorrida em maio de 2011, o decreto s&oacute; foi anulado um ano mais tarde. Mas seu cancelamento n&atilde;o foi o &uacute;nico obst&aacute;culo. Como era de se esperar, um desafio importante &eacute; planejar como reconstruir a capital devastada. Foram apresentadas propostas &#8211; uma da Gr&atilde;-Bretanha, outra do pr&oacute;prio Haiti &#8211; mas at&eacute; agora nenhum enfoque definitivo. O Minist&eacute;rio de Planejamento e Coopera&ccedil;&atilde;o Externa, junto com a ONU-Habitat, realizou reuni&otilde;es em julho de 2010, e o f&oacute;rum Vil Nou Vle A (A Cidade que Queremos), em novembro de 2011.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; bom haver um debate sobre certas ideias, mas h&aacute; um momento em que se deve dizer: bom, agora vamos resumir tudo isto, pegar o melhor do pr&iacute;ncipe Charles (da Gr&atilde;-Bretanha), o melhor da (firma de arquitetos) Grupo Trame, o melhor dos demais, definir o plano e avan&ccedil;ar&quot;, disse Jean-Christophe Adrian, ex-titular da ONU-Habitat.<\/p>\n<p>Algo em que todos os planos e atores parecem coincidir &eacute; sobre a import&acirc;ncia da infraestrutura. Em sua apresenta&ccedil;&atilde;o no f&oacute;rum de Vil Nou Vle A, a empresa canadense Daniel Arbour &amp; Associ&eacute;s (IBI\/DAA Group) disse que seria fundamental &quot;o fornecimento de &aacute;gua pot&aacute;vel, energia, acesso de pedestres e ve&iacute;culos, servi&ccedil;os de saneamento e esgoto e acesso a telecomunica&ccedil;&otilde;es e conex&otilde;es de internet&quot;.<\/p>\n<p>Adrian concorda que &quot;o primeiro a fazer &eacute; melhorar a infraestrutura. N&atilde;o ser&aacute; poss&iacute;vel reconstruir se as ruas n&atilde;o estiverem pavimentadas, se n&atilde;o houver sistema de drenagem, &aacute;gua, eletricidade. S&atilde;o necess&aacute;rios ruas, sistemas de saneamento e eletricidade. &Eacute; isso que tem de vir primeiro&quot;, afirmou. O governo haitiano tamb&eacute;m parece concordar, pelo menos nas entrevistas.<\/p>\n<p>&quot;Devemos criar condi&ccedil;&otilde;es para que o setor privado se sinta c&ocirc;modo, protegido e empenhado, para que possa assumir os riscos&quot;, indicou Pr&eacute;sum&eacute;. &quot;O governo desempenhar&aacute; um importante papel catalisador. Os primeiros passos, sem d&uacute;vida, ser&atilde;o dados pelo governo haitiano, acrescentou. Mas, em lugar de iniciar os grandes trabalhos de infraestrutura necess&aacute;rios, o governo inaugurou, nos &uacute;ltimos tempos, as obras de tr&ecirc;s minist&eacute;rios, ao custo de US$ 35 milh&otilde;es.<\/p>\n<p>Embora, sem d&uacute;vida, o governo tenha outros documentos e outras fontes de financiamento, Pr&eacute;sum&eacute; (que supervisiona a reconstru&ccedil;&atilde;o das sedes oficiais) foi claro ao dizer que o governo n&atilde;o poderia cuidar de toda a reconstru&ccedil;&atilde;o. &quot;As autoridades, de fato, t&ecirc;m vontade de fazer as coisas&quot;, afirmou, acrescentando que &quot;um pa&iacute;s n&atilde;o pode se desenvolver sem um setor privado din&acirc;mico. O setor privado deve acompanhar o governo&quot;.<\/p>\n<p>Para a SOS Centre-Ville, a reconstru&ccedil;&atilde;o &eacute; um &quot;konbit&quot; (esfor&ccedil;o tradicional haitiano de trabalho coletivo). &quot;A reconstru&ccedil;&atilde;o do centro e do restante de Porto Pr&iacute;ncipe &eacute; uma tarefa enorme. O governo n&atilde;o pode fazer isso sozinho. Todos estamos envolvidos. Chegou a hora de todos colaborarem&quot;, escreveu Mourra &agrave; HGW em seu email de 16 de julho. Contudo, at&eacute; agora, &eacute; o setor privado que est&aacute; &quot;sozinho&quot;. E entrevistas feitas pela HGW descobriram incertezas e frustra&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Se o governo &quot;tivesse vontade j&aacute; teria come&ccedil;ado. Ainda h&aacute; lugares onde nem os escombros foram retirados. Todo o dinheiro est&aacute; em cima, n&atilde;o embaixo. Em outras palavras, os pobres n&atilde;o t&ecirc;m um governo&quot;, disse uma mulher que tem um com&eacute;rcio atacadista de refrigerantes, enquanto era penteada em um pequeno sal&atilde;o de beleza.<\/p>\n<p>&quot;Todos gostam das coisas bonitas&quot;, disse outra mulher, que trabalha em uma pequena loja de aparelhos de ar-condicionado. &quot;Inclusive em Porto Rico ou na Rep&uacute;blica Dominicana, tudo parece ao menos um pouco bonito. Todos gostar&iacute;amos que o pa&iacute;s fosse visto como os demais. Mas aqui s&oacute; se trata de salvar a si mesmo. S&oacute; acreditarei na reconstru&ccedil;&atilde;o quando a vir&quot;, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* A Haiti Grassroots Watch &eacute; uma associa&ccedil;&atilde;o entre AlterPresse, Sociedade de Anima&ccedil;&atilde;o e Comunica&ccedil;&atilde;o Social (Saks), Rede de Mulheres de R&aacute;dios Comunit&aacute;rias (Refraka), r&aacute;dios comunit&aacute;rias e estudantes do Laborat&oacute;rio de Jornalismo da Universidade do Estado do Haiti.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porto Pr&iacute;ncipe, Haiti,, 18\/10\/2012 &ndash; Embora, finalmente, tenha sido anulado o decreto do governo, que por quase dois anos bloqueou a reconstru&ccedil;&atilde;o do centro de Porto Pr&iacute;ncipe, ainda h&aacute; muitas d&uacute;vidas e frustra&ccedil;&otilde;es quanto &agrave;s perspectivas de recupera&ccedil;&atilde;o da capital econ&ocirc;mica, cultural e pol&iacute;tica do Haiti. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/politica\/no-h-reanimao-para-o-corao-do-haiti\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,11],"tags":[15,21],"class_list":["post-10841","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-politica","tag-caribe","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10841","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10841"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10841\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10841"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10841"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10841"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}