{"id":10843,"date":"2012-10-18T10:23:05","date_gmt":"2012-10-18T10:23:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10843"},"modified":"2012-10-18T10:23:05","modified_gmt":"2012-10-18T10:23:05","slug":"f-c-barcelona-sustentabilidade-de-globalizao-e-nacionalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/colunistas\/f-c-barcelona-sustentabilidade-de-globalizao-e-nacionalismo\/","title":{"rendered":"F. C. Barcelona, sustentabilidade de globaliza&ccedil;&atilde;o e nacionalismo"},"content":{"rendered":"<p>Barcelona, Espanha, 18\/10\/2012 &ndash; Com a inaugura&ccedil;&atilde;o da nova temporada de futebol na Espanha, ficaram expostas com plena intensidade diversas dimens&otilde;es relacionadas ao sustentado &ecirc;xito do Futebol Clube Barcelona, mais conhecido como Bar&ccedil;a. <!--more--> Vencedor em 14 das 19 competi&ccedil;&otilde;es disputadas em quatro anos, incluindo duas copas da Europa, dois mundiais e diversas ligas e copas espanholas, o Bar&ccedil;a enfrenta um desafio formid&aacute;vel: a sustentabilidade de suas conquistas.<\/p>\n<p>No momento, as novas competi&ccedil;&otilde;es indicam que estar&aacute; na linha de frente. Na liga espanhola j&aacute; colocou vantagem sobre o Real Madrid, mas n&atilde;o conseguiu venc&ecirc;-lo na supercopa (ganhadores de liga e copa da temporada anterior). Com a sa&iacute;da de seu treinador, Pep Guardiola, e a entrada de seu assistente, Tito Vilanova, os torcedores se perguntam se o sonho continuar&aacute;.<\/p>\n<p>Ao esquadrinhar os detalhes deste &ecirc;xito, &eacute; f&aacute;cil observar que em duas d&eacute;cadas, desde que o Bar&ccedil;a conseguiu sua segunda copa europeia em 1992, sob o comando do t&eacute;cnico Johan Cruyff, o clube passou por uma curiosa evolu&ccedil;&atilde;o de seu tecido esportivo e de seu entorno.<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, quando a equipe conseguiu quatro ligas seguidas, o plantel estava formado por uma alian&ccedil;a de jogadores catal&atilde;es forjados em suas equipes inferiores, um n&uacute;mero de outros espanh&oacute;is (predominantemente bascos) e um punhado de estrangeiros de primeira linha. O n&uacute;mero destes estava, ent&atilde;o, limitado pelas regras que impunham uma cota de no m&aacute;ximo tr&ecirc;s jogadores n&atilde;o espanh&oacute;is.<\/p>\n<p>Esta restri&ccedil;&atilde;o foi implodida pela chamada &quot;senten&ccedil;a Bosman&quot;, de 1995, imposta pelo Tribunal de Justi&ccedil;a Europeu por viola&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Europeia. Jean-Marc Bosman, jogador belga que desejava jogar na Fran&ccedil;a ao t&eacute;rmino de seu contrato, era obrigado a pagar luvas por sua transfer&ecirc;ncia para outro clube do pa&iacute;s, no qual teria que restringir sua atua&ccedil;&atilde;o ao ser superada a cota de tr&ecirc;s jogadores &quot;estrangeiros&quot;.<\/p>\n<p>O tribunal considerou que a imposi&ccedil;&atilde;o da federa&ccedil;&atilde;o belga era uma viola&ccedil;&atilde;o do conceito do mercado &uacute;nico europeu que pro&iacute;be qualquer trava legal ou f&iacute;sica para a livre circula&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os.<\/p>\n<p>O resultado desta revolu&ccedil;&atilde;o foi que os clubes europeus se povoaram de jogadores comunit&aacute;rios, sem nenhum limite, embora mantida uma cota com rela&ccedil;&atilde;o aos chamados &quot;extracomunit&aacute;rios&quot; (principalmente latino-americanos e africanos). Mesmo nestes casos, os procedimentos burlescos de aquisi&ccedil;&atilde;o de cidadania europeia aumentaram a internacionaliza&ccedil;&atilde;o dos clubes.<\/p>\n<p>O Bar&ccedil;a, como resultado, foi se convertendo em uma esp&eacute;cie de clube holand&ecirc;s com a chegada do t&eacute;cnico Louis van Gaal e a contrata&ccedil;&atilde;o de uma dezena de seus compatriotas. Em uma partida, o Bar&ccedil;a chegou a alinhar quatro holandeses. Na liga inglesa, o Arsenal jogava in&uacute;meras partidas sem um &uacute;nico jogador ingl&ecirc;s. As boas inten&ccedil;&otilde;es da integra&ccedil;&atilde;o haviam fugido ao controle.<\/p>\n<p>Lentamente, em alguns clubes as &aacute;guas voltaram ao seu curso e no Bar&ccedil;a notou-se um tenaz uso do &quot;terr&atilde;o&quot;, os jogadores que esteve educando e treinando em La Ma&iacute;sa, uma antiga casa de campo.<\/p>\n<p>Sem discrimina&ccedil;&atilde;o por nacionalidade de origem, esses alunos somente respondiam &agrave; sua comum experi&ecirc;ncia de crescimento e prepara&ccedil;&atilde;o. Entre a maioria l&oacute;gica de catal&atilde;es, crian&ccedil;as de toda a Espanha e de outros pa&iacute;ses foram se convertendo em futuras estrelas.<\/p>\n<p>O caso mais emblem&aacute;tico &eacute; o do argentino Lionel Messi, que aos 11 anos foi &quot;fichado&quot; pelo Bar&ccedil;a, quando sua fam&iacute;lia aceitou se mudar para Barcelona em troca de diversas compensa&ccedil;&otilde;es, entre as quais se destacava um tratamento de crescimento hormonal para o ainda adolescente Messi, que se destacou precocemente, tanto por seu g&ecirc;nio quanto por sua baixa estatura e fragilidade f&iacute;sica.<\/p>\n<p>Com a chegada de Guardiola, o que j&aacute; era evidente nos anos anteriores se converteu, aparentemente, em uma pol&iacute;tica. Posi&ccedil;&atilde;o por posi&ccedil;&atilde;o, o Bar&ccedil;a foi se nacionalizando, embora conservasse e inclusive &quot;fichasse&quot; estrelas tanto espanholas quanto estrangeiras.<\/p>\n<p>Nas duas temporadas anteriores, o Bar&ccedil;a alinhava sistematicamente at&eacute; oito jogadores de La Ma&iacute;sa em seu esquema inicial, chegando a nove no final da partida.<\/p>\n<p>Curiosamente, enquanto o Barcelona se &quot;hispanisava&quot; (e &quot;catalanisava&quot;), a sele&ccedil;&atilde;o espanhola se dispunha a conseguir um triplo triunfo em duas Eurocopas e um mundial, com escala&ccedil;&otilde;es nas quais os barceloneses eram maioria num&eacute;rica. Desde a vit&oacute;ria em Viena, em 2008, at&eacute; a final da Copa da &Aacute;frica do Sul, em 2010, La Ma&iacute;sa chegava a colocar oito jogadores, seis deles titulares.<\/p>\n<p>Paradoxalmente, enquanto a Espanha sofria os embates do nacionalismo perif&eacute;rico (em especial basco e catal&atilde;o), sua sele&ccedil;&atilde;o nacional se despojava do adjetivo de &quot;la Furia&quot; (baseada em seu &iacute;mpeto f&iacute;sico) para ser conhecida como &quot;la Roja&quot; (baseada na qualidade).<\/p>\n<p>O jogo de controle da bola imposto por Guardiola e a mobilidade de suas pe&ccedil;as para confundir o advers&aacute;rio logo foram incorporados por Luis Aragon&eacute;s, o t&eacute;cnico da Eurocopa de 2008, e sem rodeios por Vicente del Bosque no mundial e na seguinte Eurocopa daquele ver&atilde;o.<\/p>\n<p>O que agora os observadores se perguntam &eacute; se o modelo baseado em La Mas&iacute;a &eacute; sustent&aacute;vel. Poder&aacute; o Bar&ccedil;a chegar a uma final europeia com uma dezenas de filhos de La Mas&iacute;a? Ser&aacute; esse o resultado de uma evolu&ccedil;&atilde;o natural ou causa de sua queda? Qual ser&aacute; o impacto destas respostas na sele&ccedil;&atilde;o nacional espanhola? Repetir&aacute; seu &ecirc;xito no Brasil em 2014? Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Joaqu&iacute;n Roy &eacute; catedr&aacute;tico Jean Monnet e diretor do Centro da Uni&atilde;o Europeia da Universidade de Miami (jroy@Miami.edu).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Barcelona, Espanha, 18\/10\/2012 &ndash; Com a inaugura&ccedil;&atilde;o da nova temporada de futebol na Espanha, ficaram expostas com plena intensidade diversas dimens&otilde;es relacionadas ao sustentado &ecirc;xito do Futebol Clube Barcelona, mais conhecido como Bar&ccedil;a. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/colunistas\/f-c-barcelona-sustentabilidade-de-globalizao-e-nacionalismo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[18],"class_list":["post-10843","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-colunistas","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10843","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10843"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10843\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10843"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10843"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10843"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}