{"id":10844,"date":"2012-10-18T10:30:45","date_gmt":"2012-10-18T10:30:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10844"},"modified":"2012-10-18T10:30:45","modified_gmt":"2012-10-18T10:30:45","slug":"africa-sonhar-com-a-onu-no-custa-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/africa\/africa-sonhar-com-a-onu-no-custa-nada\/","title":{"rendered":"AFRICA: Sonhar com a ONU n&atilde;o custa nada"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 18\/10\/2012 &ndash; Ap&oacute;s 20 anos de negocia&ccedil;&otilde;es sobre a amplia&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), mandat&aacute;rios africanos questionaram que n&atilde;o se responda &agrave; sua inten&ccedil;&atilde;o com dois assentos permanentes nesse organismo do poder mundial. <!--more--> Quando os mais de 40 governantes africanos subiram, em setembro, ao p&oacute;dio nas sess&otilde;es da Assembleia Geral da ONU, uma esmagadora maioria deles criticou o fato de os postos permanentes do Conselho de Seguran&ccedil;a continuarem apenas nas m&atilde;os de China, Estados Unidos, Fran&ccedil;a, Gr&atilde;-Bretanha e R&uacute;ssia.<\/p>\n<p>A demanda africana de contar com pelo menos duas cadeiras permanentes com poder de veto e cinco n&atilde;o permanentes, acordada por seus l&iacute;deres em mar&ccedil;o de 2005, &eacute; um sonho ainda mais distante da realidade. &quot;A forma&ccedil;&atilde;o e as rela&ccedil;&otilde;es de poder do Conselho de Seguran&ccedil;a s&atilde;o anacr&ocirc;nicas e desiguais&quot;, disse &agrave; IPS Kwame Akonor, professor-adjunto de ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica na Seton Hall University, dos Estados Unidos, que escreve sobre a pol&iacute;tica e a economia do continente africano.<\/p>\n<p>Qualquer reforma significativa que aspire mudar a constitui&ccedil;&atilde;o do Conselho ou seus procedimentos enfrentar&aacute; feroz resist&ecirc;ncia dos cinco membros permanentes, que t&ecirc;m poder de veto, advertiu Akonor, tamb&eacute;m diretor do Centro para os Estudos Africanos e do Instituto para o Desenvolvimento Africano, com sede em Nova York.<\/p>\n<p>Ao falar na Assembleia Geral, a presidente de Malawi, Joyce Banda, lembrou que a &Aacute;frica constitui a maior regi&atilde;o dentro da ONU e que uma propor&ccedil;&atilde;o muito significativa dos assuntos debatidos no Conselho de Seguran&ccedil;a lhe diz respeito. Mas a hist&oacute;rica demanda da &Aacute;frica ainda est&aacute; no limbo, acrescentou.<\/p>\n<p>O presidente de Zimb&aacute;bue, Robert Mugabe, foi um dos mais enf&aacute;ticos ao reclamar a representa&ccedil;&atilde;o no Conselho de Seguran&ccedil;a. &quot;Quanto tempo mais a comunidade internacional continuar&aacute; ignorando as aspira&ccedil;&otilde;es de todo um continente de 54 pa&iacute;ses?&quot;, perguntou. &quot;Isto &eacute; boa governan&ccedil;a? Isto &eacute; democracia? Isto &eacute; justi&ccedil;a? N&atilde;o nos subornar&atilde;o com promessas vazias, nem aceitaremos alguns ajustes cosm&eacute;ticos do Conselho de Seguran&ccedil;a disfar&ccedil;ados como reforma&quot;, questionou.<\/p>\n<p>O presidente de G&acirc;mbia, Yahya Jammeh, declarou: &quot;Nossa seguran&ccedil;a coletiva continuar&aacute; sendo prejudicada por considera&ccedil;&otilde;es geopol&iacute;ticas at&eacute; encontrarmos a coragem para reformar o Conselho de Seguran&ccedil;a&quot;. A reclama&ccedil;&atilde;o por uma representa&ccedil;&atilde;o permanente no Conselho tamb&eacute;m constou do discurso de outros l&iacute;deres da &Aacute;frica, como os da Guin&eacute; Equatorial, Rep&uacute;blica Centro-Africana e Tanz&acirc;nia.<\/p>\n<p>Em reuni&atilde;o realizada em mar&ccedil;o de 2005 na Eti&oacute;pia, a Uni&atilde;o Africana (UA), que representa praticamente todos os Estados do continente, adotou uma resolu&ccedil;&atilde;o reclamando duas cadeiras permanentes e cinco n&atilde;o permanentes no Conselho. Mas a UA n&atilde;o identificou os dois pa&iacute;ses que ocupariam os postos permanentes porque esse era, e continua sendo, um assunto controvertido. Essas cadeiras s&atilde;o reclamadas por &Aacute;frica do Sul, Nig&eacute;ria e Egito, entre outros Estados.<\/p>\n<p>A resolu&ccedil;&atilde;o apresentou as seguintes condi&ccedil;&otilde;es: apesar de a &Aacute;frica ser contra, em princ&iacute;pio, ao veto, considera que, mesmo com ele existindo e por uma quest&atilde;o de justi&ccedil;a comum, deveria estar dispon&iacute;vel para todos os membros permanentes do Conselho de Seguran&ccedil;a. Em segundo lugar, a UA deveria ser respons&aacute;vel pela escolha de representantes africanos no Conselho de Seguran&ccedil;a. E, o mais importante, os crit&eacute;rios para a sele&ccedil;&atilde;o desses delegados deveriam ser determinados pela UA, considerando representatividade e capacidade dos escolhidos.<\/p>\n<p>Akonor explicou &agrave; IPS que, para a &Aacute;frica, o assunto &eacute; mais tenso porque parece n&atilde;o se chegar a um acordo sobre qual pa&iacute;s, ou pa&iacute;ses, deveria represent&aacute;-la no Conselho de Seguran&ccedil;a. &quot;A paralisia entre os dirigentes africanos no tocante a como o continente ser&aacute; representando contribui para marginaliz&aacute;-lo dos debates sobre qualquer medida plaus&iacute;vel de reforma&quot;, destacou. Uma solu&ccedil;&atilde;o, prosseguiu, &eacute; que os Estados africanos levem a s&eacute;rio o conceito de pax africana e dependem de si mesmos na hora de estabelecer, aplicar e consolidar sua pr&oacute;pria paz e seguran&ccedil;a.<\/p>\n<p>Segundo as negocia&ccedil;&otilde;es atuais, h&aacute; quatro pa&iacute;ses, do G-4, que est&atilde;o na primeira linha para as cadeiras permanentes: Brasil, &Iacute;ndia, Alemanha e Jap&atilde;o. Um observador pol&iacute;tico de longa data, que acompanha as negocia&ccedil;&otilde;es, afirmou &agrave; IPS que a resposta simples &eacute; que o G-4 nunca assumiu com os pa&iacute;ses africanos um compromisso firme de que haveria duas cadeiras africanas (com poder de veto). Posteriormente, o G-4 abandonou sua aposta pelo poder de veto, tendo acesso a uma nova categoria de &quot;cadeiras permanentes sem poder de veto&quot;. Mas isto n&atilde;o &eacute; aceit&aacute;vel para o grupo africano.<\/p>\n<p>Se os africanos tivessem se colocado ao lado do G-4, teriam obtido a maioria necess&aacute;ria, de dois ter&ccedil;os na Assembleia Geral, para impulsionar sua cobran&ccedil;a por duas vagas permanentes, observou Akonor. Gabriel Odima, presidente do Centro da &Aacute;frica para a Paz e a Democracia, afirmou &agrave; IPS que, sem d&uacute;vida, o Ocidente marginaliza o continente africano. E tamb&eacute;m culpou os l&iacute;deres africanos pelo statu quo. A pobreza e os conflitos s&atilde;o as ferramentas b&aacute;sicas e as for&ccedil;as econ&ocirc;micas que sepultam a &Aacute;frica h&aacute; anos, opinou.<\/p>\n<p>&quot;A corrup&ccedil;&atilde;o em pa&iacute;ses como Uganda, Nig&eacute;ria e Qu&ecirc;nia s&atilde;o uma oportunidade para que os principais atores no Conselho de Seguran&ccedil;a impe&ccedil;am a &Aacute;frica de ocupar as duas vagas permanentes&quot;, ressaltou Odima. A falta de democracia, os abusos contra os direitos humanos e a m&aacute; governan&ccedil;a continuam prejudicando os esfor&ccedil;os da &Aacute;frica para ter um papel importante no cen&aacute;rio mundial, segundo Odima.<\/p>\n<p>&quot;Como seriam poss&iacute;veis (as vagas permanentes no Conselho) quando o continente n&atilde;o conseguiu impedir o massacre na Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo, as viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos em Uganda e a crise que se avizinha no Qu&ecirc;nia? Como isto seria poss&iacute;vel, quando os l&iacute;deres africanos n&atilde;o conseguem lidar com seus pr&oacute;prios assuntos dentro de seus pa&iacute;ses?&quot;, questionou.<\/p>\n<p>A comunidade internacional deveria ajudar a &Aacute;frica a deixar de lado o estigma do legado colonial para passar a ser uma sociedade vi&aacute;vel onde a fome j&aacute; n&atilde;o seja uma amea&ccedil;a &agrave; exist&ecirc;ncia humana, onde as listas de vota&ccedil;&atilde;o substituam as armas e onde os ditadores sejam levados &agrave; justi&ccedil;a e condenados pelas atrocidades que cometeram contra seus povos, enfatizou Odima. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 18\/10\/2012 &ndash; Ap&oacute;s 20 anos de negocia&ccedil;&otilde;es sobre a amplia&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), mandat&aacute;rios africanos questionaram que n&atilde;o se responda &agrave; sua inten&ccedil;&atilde;o com dois assentos permanentes nesse organismo do poder mundial. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/africa\/africa-sonhar-com-a-onu-no-custa-nada\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":202,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,4,11],"tags":[],"class_list":["post-10844","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10844","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/202"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10844"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10844\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10844"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10844"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10844"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}