{"id":10845,"date":"2012-10-18T10:33:13","date_gmt":"2012-10-18T10:33:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10845"},"modified":"2012-10-18T10:33:13","modified_gmt":"2012-10-18T10:33:13","slug":"fiji-levar-a-voz-do-sul-ao-g-77","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/mundo\/fiji-levar-a-voz-do-sul-ao-g-77\/","title":{"rendered":"Fiji levar&aacute; a voz do Sul ao G-77"},"content":{"rendered":"<p>Brisbane, Austr&aacute;lia, 18\/10\/2012 &ndash; Pela primeira vez, em 48 anos, um pequeno Estado insular do Oceano Pac&iacute;fico se prepara para assumir a presid&ecirc;ncia do Grupo dos 77 (G-77) mais a China. <!--more--> Em 2013, a Rep&uacute;blica de Fiji, localizada entre Vanuatu e Tonga e governada por um regime militar liderado pelo primeiro-ministro Frank Bainimarama, assumir&aacute; a presid&ecirc;ncia da maior coaliz&atilde;o intergovernamental dentro da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), em substitui&ccedil;&atilde;o &agrave; Arg&eacute;lia.<\/p>\n<p>A escolha de Fiji &quot;demonstra a confian&ccedil;a da comunidade internacional quanto a podermos presidir essa organiza&ccedil;&atilde;o em seus esfor&ccedil;os para impulsionar os temas que s&atilde;o de grande import&acirc;ncia para todos os pa&iacute;ses em desenvolvimento&quot;, disse &agrave; IPS o ministro de Fiji para Assuntos Exteriores e Coopera&ccedil;&atilde;o Internacional, Ratu Inoke Kubuabola.<\/p>\n<p>O G-77 foi criado originalmente com 77 Estados, em 1967, com o objetivo de o Sul ter uma voz comum. Desde ent&atilde;o a coaliz&atilde;o, agora, com 132 membros, impulsiona a coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul como estrat&eacute;gia principal para melhorar a qualidade de vida e a economia das na&ccedil;&otilde;es mais pobres. Este grupo intergovernamental, que identifica a erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza como um de seus maiores desafios, tamb&eacute;m foi influente no estabelecimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio.<\/p>\n<p>Segundo um informe da ONU divulgado no ano passado, a coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul impulsionou o desenvolvimento e os investimentos entre as na&ccedil;&otilde;es pobres, e &eacute; um formid&aacute;vel motor do crescimento econ&ocirc;mico. Entre 1990 e 2008, o com&eacute;rcio mundial quadruplicou, enquanto o interc&acirc;mbio comercial Sul-Sul cresceu 20 vezes.<\/p>\n<p>O crescente papel de Fiji dentro da ONU foi confirmado na &uacute;ltima reuni&atilde;o de chanceleres do G-77, dia 28 de setembro em Nova York. Esse Estado insular, com 868 mil habitantes distribu&iacute;dos em mais de 330 ilhas, tem uma economia dominada pelas ind&uacute;strias do a&ccedil;&uacute;car e do turismo. Al&eacute;m disso, ostenta o melhor &iacute;ndice de desenvolvimento humano dentro da sub-regi&atilde;o oce&acirc;nica da Melan&eacute;sia.<\/p>\n<p>Entretanto, a luta pelo poder pol&iacute;tico entre os fijianos origin&aacute;rios e os descendentes de &iacute;ndios, que representam, respectivamente, 57% e 37% da popula&ccedil;&atilde;o, foi causa de quatro golpes militares nesse pa&iacute;s desde 1987. No &uacute;ltimo, ocorrido em 2006, Bainimarama, comandante das for&ccedil;as armadas, tomou o poder e dissolveu o parlamento, argumentando que lutava contra a corrup&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Seu objetivo declarado &eacute; reformar o sistema eleitoral, baseado em distin&ccedil;&otilde;es de ra&ccedil;as, e redigir uma nova Constitui&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s uma s&eacute;rie de consultas nacionais para, finalmente, convocar elei&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas em 2014. Entretanto, a resist&ecirc;ncia do regime em realizar elei&ccedil;&otilde;es em 2010 motivou san&ccedil;&otilde;es internacionais e, em 2009, a suspens&atilde;o desse pa&iacute;s da Commonwealth (Comunidade de Na&ccedil;&otilde;es) e do F&oacute;rum de Ilhas do Pac&iacute;fico, grupo regional intergovernamental de Estados independentes.<\/p>\n<p>O governo recebe um significativo apoio econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico da China, e tamb&eacute;m est&aacute; politicamente envolvido na regi&atilde;o sudoeste do Pac&iacute;fico, como integrante do Grupo Melan&eacute;sio Avan&ccedil;ado (MSG), formado tamb&eacute;m por Ilhas Salom&atilde;o, Nova Caled&ocirc;nia, Papua Nova Guin&eacute; e Vanuatu.<\/p>\n<p>Nijunj Soni, presidente da junta do Instituto do Pac&iacute;fico para Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas (PIPP), centro de estudos independente com sede em Port Vila, Vanuatu, disse &agrave; IPS que o F&oacute;rum de Ilhas do Pac&iacute;fico j&aacute; n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica organiza&ccedil;&atilde;o que as na&ccedil;&otilde;es da regi&atilde;o t&ecirc;m para coordenar uma postura comum. Agora h&aacute; outras plataformas, como o MSG ou a Alian&ccedil;a de Pequenos Estados Insulares (Aosis), acrescentou.<\/p>\n<p>&quot;A presid&ecirc;ncia do G-77 dar&aacute; aos l&iacute;deres de Fiji a oportunidade de alcan&ccedil;ar o resto da regi&atilde;o pela via de consultas para garantir que uma s&oacute; voz seja ouvida no cen&aacute;rio internacional&quot;, pontuou Soni. &quot;O Pac&iacute;fico ter&aacute; uma rara oportunidade de representar a si mesmo perante o mundo&quot;, destacou. Isto &eacute; cada vez mais importante para esses Estados insulares, cuja posi&ccedil;&atilde;o geoestrat&eacute;gica atrai superpot&ecirc;ncias como a China e os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Pequim aumenta seus investimentos e sua presen&ccedil;a nas ilhas, enquanto Washington d&aacute; passos para renovar suas alian&ccedil;as na regi&atilde;o, em &aacute;reas que v&atilde;o desde ajuda humanit&aacute;ria at&eacute; seguran&ccedil;a, ao mesmo tempo em que fortalece seus v&iacute;nculos na &aacute;rea de defesa com a Austr&aacute;lia. As ilhas do Pac&iacute;fico tamb&eacute;m s&atilde;o ricas em recursos minerais, florestais e marinhos. O PIPP destacou que a prioridade para a regi&atilde;o &eacute; elevar sua voz em temas de seguran&ccedil;a e administra&ccedil;&atilde;o de recursos, no contexto do aquecimento global.<\/p>\n<p>O Pac&iacute;fico cobre metade da superf&iacute;cie oce&acirc;nica mundial e um ter&ccedil;o da superf&iacute;cie total do planeta. A regi&atilde;o cont&eacute;m alguns dos maiores recursos naturais n&atilde;o explorados e tamb&eacute;m parte das na&ccedil;&otilde;es mais vulner&aacute;veis&quot;, observou Soni. &quot;Continua sendo vital que os pequenos Estados insulares em desenvolvimento n&atilde;o sejam usados pelas grandes pot&ecirc;ncias como seus representantes para suas pr&oacute;prias batalhas geopol&iacute;ticas. Ao mesmo tempo, devemos ser capazes de proteger nossos recursos naturais para benef&iacute;cio de nossos povos&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>A influ&ecirc;ncia global do G-77 cresce conforme os pa&iacute;ses em desenvolvimento, especialmente Brasil, China e &Iacute;ndia, surgem como novos l&iacute;deres da economia mundial. Segundo o informe da ONU deste ano sobre as perspectivas econ&ocirc;micas globais, os pa&iacute;ses do Sul em desenvolvimento crescer&atilde;o, em m&eacute;dia, 5,9% no ano que vem, enquanto os do Norte industrial crescer&atilde;o 1,9%.<\/p>\n<p>No entanto, na reuni&atilde;o ministerial de Nova York tamb&eacute;m foi dada &ecirc;nfase em muitos desafios que t&ecirc;m pela frente as na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento, como o impacto da crise financeira global no mercado mundial, a inseguran&ccedil;a alimentar, a pobreza e os efeitos da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica.<\/p>\n<p>&quot;O G-77 fixou suas posturas em negocia&ccedil;&otilde;es sobre mudan&ccedil;a clim&aacute;tica e desenvolvimento sustent&aacute;vel, duas &aacute;reas em que os pequenos Estados insulares se concentraram em Nova York&quot;, disse Kubuabola. &quot;Essas s&atilde;o duas &aacute;reas nas quais Fiji deseja dar &ecirc;nfase para garantir que os interesses de todos os pa&iacute;ses em desenvolvimento, incluindo os pequenos Estados insulares, sejam efetivamente considerados&quot;, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brisbane, Austr&aacute;lia, 18\/10\/2012 &ndash; Pela primeira vez, em 48 anos, um pequeno Estado insular do Oceano Pac&iacute;fico se prepara para assumir a presid&ecirc;ncia do Grupo dos 77 (G-77) mais a China. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/mundo\/fiji-levar-a-voz-do-sul-ao-g-77\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":604,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,4,11],"tags":[21],"class_list":["post-10845","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","category-politica","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10845","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/604"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10845"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10845\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10845"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10845"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10845"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}