{"id":10848,"date":"2012-10-19T10:14:55","date_gmt":"2012-10-19T10:14:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10848"},"modified":"2012-10-19T10:14:55","modified_gmt":"2012-10-19T10:14:55","slug":"espanha-comrcio-da-morte-em-tempos-de-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/economia\/espanha-comrcio-da-morte-em-tempos-de-crise\/","title":{"rendered":"ESPANHA: Com&eacute;rcio da morte em tempos de crise"},"content":{"rendered":"<p>M&aacute;laga, Espanha, 19\/10\/2012 &ndash; Em plena crise econ&ocirc;mico-financeira, o governo da Espanha impulsiona a exporta&ccedil;&atilde;o de armas, estrat&eacute;gia que preocupa organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil que alertam para a preval&ecirc;ncia do interesse comercial sobre a lei e suas consequ&ecirc;ncias sobre os direitos humanos. <!--more--> &quot;Quando pesam mais os crit&eacute;rios comerciais do que as regulamenta&ccedil;&otilde;es &eacute; que se vende armas a pa&iacute;ses onde s&atilde;o violados os direitos humanos e se alimentam conflitos no mundo&quot;, afirmou o codiretor do Instituto de Estudos sobre Conflitos e A&ccedil;&atilde;o Humanit&aacute;ria (IEACH), Jes&uacute;s N&uacute;&ntilde;ez.<\/p>\n<p>Em seu Artigo 8 a normativa espanhola sobre com&eacute;rcio exterior de armas estabelece que n&atilde;o ser&atilde;o autorizadas vendas quando houver ind&iacute;cios racionais de que estas poder&atilde;o ser usadas em a&ccedil;&otilde;es que perturbem a paz, a seguran&ccedil;a e os direitos humanos nos pa&iacute;ses destinat&aacute;rios.<\/p>\n<p>N&uacute;&ntilde;ez, economista e militar da reserva, disse &agrave; IPS que esta lei &quot;n&atilde;o &eacute; cumprida&quot; porque prevalecem os interesses econ&ocirc;micos do governo, ainda mais considerando que o Minist&eacute;rio da Defesa viu diminuir seu or&ccedil;amento em 6% para 2013, com rela&ccedil;&atilde;o a este ano, e tem de enfrentar uma d&iacute;vida milion&aacute;ria.<\/p>\n<p>O Congresso, gra&ccedil;as aos votos do governante e direitista Partido Popular (PP), aprovou em 20 de setembro cr&eacute;dito de US4 2,308 bilh&otilde;es para pagar a d&iacute;vida acumulada pela Defesa com os fornecedores privados de armas, que chega a US$ 35,794 bilh&otilde;es, segundo dados oficiais.<\/p>\n<p>Por seu lado, o Minist&eacute;rio da Economia e Competitividade informou que as exporta&ccedil;&otilde;es espanholas em materiais de defesa somaram no ano passado US$ 3,146 bilh&otilde;es, 115% a mais do que em 2010.<\/p>\n<p>Mais da metade dessas vendas tiveram como destino a Venezuela, seguida de Austr&aacute;lia, Noruega e, em menor medida, Col&ocirc;mbia, Israel, Marrocos e Paquist&atilde;o, entre outros, diz o documento de &quot;Estat&iacute;sticas espanholas de exporta&ccedil;&atilde;o de material de defesa, de outro material e de produtos e tecnologias de duplo uso&quot;, do Minist&eacute;rio da Ind&uacute;stria, turismo e Com&eacute;rcio.<\/p>\n<p>&quot;H&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o clara entre o aumento de venda de armas e o aumento dos conflitos no mundo&quot;, disse &agrave; IPS o diretor da Associa&ccedil;&atilde;o Catal&atilde; para a Paz, Jordi Garrell, tamb&eacute;m coordenador da campanha Neg&oacute;cios Ocultos, impulsionada por movimentos sociais dessa comunidade aut&ocirc;noma para denunciar as rela&ccedil;&otilde;es em mat&eacute;ria de seguran&ccedil;a militar e armamentista entre Espanha e Israel.<\/p>\n<p>&quot;S&atilde;o feitas opera&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o seriam justific&aacute;veis desde a perspectiva da lei espanhola, pois &eacute; poss&iacute;vel que produtos de defesa cheguem a destinos onde h&aacute; risco de serem utilizados para cometer ou facilitar graves viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos&quot;, diz um informe divulgado pelo IEACH. Esse documento cont&eacute;m dados sobre venda de equipamentos militares para Egito, Bahrein e Ar&aacute;bia Saudita enquanto acontecia a Primavera &Aacute;rabe, em muitos lugares reprimida violentamente ou que derivou em confrontos armados internos.<\/p>\n<p>Precisamente, o presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Espanhola para o Direito Internacional dos Direitos Humanos (Aedidh), Carlos Vill&aacute;n, questionou &agrave; IPS que a Uni&atilde;o Europeia n&atilde;o conta com &quot;um mecanismo de controle real&quot; para fazer com que seus Estados membros respeitem a proibi&ccedil;&atilde;o de exportar &quot;tecnologia militar e equipamentos&quot; para pa&iacute;ses com guerras civis ou liberdades afetadas.<\/p>\n<p>Em uma entrevista na televis&atilde;o dia 30 de setembro, o ex-ministro da Defesa espanhol Eduardo Serra reconheceu que n&atilde;o daria &quot;seu voto&quot; para vendar armas e outros apetrechos a um pa&iacute;s se existe o risco de contribu&iacute;rem para violar os direitos humanos, mas, tamb&eacute;m disse que &quot;para fazer coisas &eacute; preciso sujar as m&atilde;os&quot;.<\/p>\n<p>Vill&aacute;n criticou a falta de transpar&ecirc;ncia do governo sobre o assunto porque a sociedade civil da Espanha, que j&aacute; est&aacute; em sexto lugar em volume de exporta&ccedil;&atilde;o de armamento no mundo, &quot;n&atilde;o pode ter um controle afetivo sobre as vendas feitas pelas empresas apoiadas pelos minist&eacute;rios de Defesa, de Assuntos Exteriores e de Coopera&ccedil;&atilde;o&quot;. O cidad&atilde;o n&atilde;o tem acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o porque as sess&otilde;es de controle do governo no parlamento &quot;s&atilde;o secretas&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Dados do Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (Sipri), o com&eacute;rcio mundial de armas chegou a US$ 1,7 trilh&atilde;o no ano passado, equivalente a 2,5% do produto interno bruto do mundo. &quot;Esta quantidade t&atilde;o exagerada de dinheiro s&oacute; beneficia os comerciantes e exportadores de armas&quot;, disse Vill&aacute;n, que denunciou que este com&eacute;rcio &quot;claramente imoral&quot; se beneficia da falta de regulamenta&ccedil;&atilde;o internacional.<\/p>\n<p>No final de julho, terminou sem acordo na sede da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) em Nova York uma reuni&atilde;o de quatro semanas em busca de um Tratado sobre Com&eacute;rcio de Armas da qual participaram 170 governos.<\/p>\n<p>Para Vill&aacute;n, os principais pa&iacute;ses exportadores, com Estados Unidos &agrave; frente, foram os que &quot;fizeram fracassar&quot; as negocia&ccedil;&otilde;es, enquanto o com&eacute;rcio de armas &quot;alimenta os 40 conflitos armados existentes hoje no mundo&quot;. Os recursos que os Estados dedicam &agrave; compra de armas &quot;s&atilde;o subtra&iacute;dos do desenvolvimento econ&ocirc;mico e social de seus povos&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, &quot;n&atilde;o colaborou para o tratado ir adiante&quot;, disse N&uacute;&ntilde;ez. &quot;N&atilde;o se trata de proibir o com&eacute;rcio de armas, mas &eacute; evidente que falta vontade pol&iacute;tica para chegar a um acordo internacional sobre o assunto, j&aacute; que os governos preferem ter carta branca&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Acontece que Alemanha, China, Estados Unidos, Fran&ccedil;a, Gr&atilde;-Bretanha e R&uacute;ssia fornecem aproximadamente tr&ecirc;s quartos do valor de armas do mundo, segundo afirma em sua pagina na Internet a organiza&ccedil;&atilde;o Anistia Internacional. Somente a Alemanha n&atilde;o integra o Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M&aacute;laga, Espanha, 19\/10\/2012 &ndash; Em plena crise econ&ocirc;mico-financeira, o governo da Espanha impulsiona a exporta&ccedil;&atilde;o de armas, estrat&eacute;gia que preocupa organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil que alertam para a preval&ecirc;ncia do interesse comercial sobre a lei e suas consequ&ecirc;ncias sobre os direitos humanos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/economia\/espanha-comrcio-da-morte-em-tempos-de-crise\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,11],"tags":[18],"class_list":["post-10848","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-politica","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10848","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10848"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10848\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10848"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10848"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10848"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}