{"id":10851,"date":"2012-10-19T10:28:11","date_gmt":"2012-10-19T10:28:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10851"},"modified":"2012-10-19T10:28:11","modified_gmt":"2012-10-19T10:28:11","slug":"violncia-contra-a-mulher-no-para-em-bangladesh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/economia\/violncia-contra-a-mulher-no-para-em-bangladesh\/","title":{"rendered":"Viol&ecirc;ncia contra a mulher n&atilde;o para em Bangladesh"},"content":{"rendered":"<p>Daca, Bangladesh, 19\/10\/2012 &ndash; Bangladesh costuma ser considerado um exemplo de pa&iacute;s com rela&ccedil;&atilde;o aos Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio (ODM), mas nos &uacute;ltimos tempos parece ter retrocedido em colocar um freio &agrave; viol&ecirc;ncia contra a mulher.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10851\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/mulher.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10851\" class=\"size-medium wp-image-10851\" title=\"Viol&ecirc;ncia contra a mulher dif\u00c3\u00adcil de erradicar em Bangladesh. - Naimul Haq\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/mulher.jpg\" alt=\"Viol&ecirc;ncia contra a mulher dif\u00c3\u00adcil de erradicar em Bangladesh. - Naimul Haq\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10851\" class=\"wp-caption-text\">Viol&ecirc;ncia contra a mulher dif\u00c3\u00adcil de erradicar em Bangladesh. - Naimul Haq\/IPS<\/p><\/div>  Estat&iacute;sticas da pol&iacute;cia e an&aacute;lises de organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais mostra um aumento na quantidade de casos denunciados.<\/p>\n<p>Em 2004, foram 2.981 casos de viol&ecirc;ncia vinculados ao dote, segundo a pol&iacute;cia, bem abaixo dos 4.563 registrados nos primeiros nove meses deste ano. Al&eacute;m disso, at&eacute; agosto de 2012 houve 2.868 den&uacute;ncias de viola&ccedil;&atilde;o, contra 2.901 em 2004.<\/p>\n<p>Farida Akhtar, ativista pelos direitos humanos, disse &agrave; IPS que um aspecto perturbador desta tend&ecirc;ncia &eacute; que &quot;adota formas enganosas que excedem as estat&iacute;sticas&quot;. &quot;estando melhor informadas de seus direitos devido a uma educa&ccedil;&atilde;o, as mulheres querem defend&ecirc;-los e s&atilde;o v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia&quot;, explicou Akhtar, que criou a ONG Ubinig, acr&ocirc;nimo Pesquisa Pol&iacute;tica para Alternativas de Desenvolvimento.<\/p>\n<p>Com escolaridade de 95%, Bangladesh est&aacute; bem encaminhado para conseguir a igualdade de g&ecirc;nero no ensino, um dos oito ODM com metas a serem cumpridas at&eacute; 2015. Mas a igualdade de g&ecirc;nero e o empoderamento feminino s&atilde;o muito mais do que isso. &quot;Infelizmente, a tortura psicol&oacute;gica n&atilde;o pode ser quantificada nem costuma ser denunciada. Mas o fato de o suic&iacute;dio ser a maior causa de morte entre as mulheres &eacute; revelador&quot;, lamentou Akhtar.<\/p>\n<p>Defensoras dos direitos femininos afirmam que muitas atrocidades n&atilde;o s&atilde;o denunciadas por meto de hostilidades de autoridades religiosas e pol&iacute;ticas. Al&eacute;m disso, uma grande quantidade de casos denunciados n&atilde;o segue adiante por serem considerados acusa&ccedil;&otilde;es falsas. Dados da pol&iacute;cia mostram que houve 109.621 den&uacute;ncias de v&aacute;rias formas de viol&ecirc;ncia entre 2010 e agosto de 2012, das quais se tomou conhecimento de 18.484, mas apenas 6.875 foram consideradas &quot;leg&iacute;timas&quot; para ser aberto processo.<\/p>\n<p>Mohammad Munirul Islam, inspetor-geral da pol&iacute;cia e respons&aacute;vel pelos crimes de viol&ecirc;ncia contra a mulher na sede dessa for&ccedil;a, disse &agrave; IPS: &quot;Em muitas ocasi&otilde;es nossas investiga&ccedil;&otilde;es concluem que a lei foi utilizada para hostilizar o acusado. Parece que nem todas as den&uacute;ncias s&atilde;o leg&iacute;timas&quot;.<\/p>\n<p>Por sua vez, Afroza Parvin, diretora-executiva da ONG Nari Unnayan Shakti, disse &agrave; IPS: &quot;Gra&ccedil;as a uma maior consci&ecirc;ncia da situa&ccedil;&atilde;o as v&iacute;timas aprenderam a levantar a voz, mas n&atilde;o chegam para buscar ajuda da pol&iacute;cia. Nos 20 anos que temos de experi&ecirc;ncia vimos como a pol&iacute;tica n&atilde;o costuma cooperar com as v&iacute;timas e favorece o acusado&quot;.<\/p>\n<p>A ativista Shireen Huq explicou que o mais dif&iacute;cil &eacute; estabelecer &quot;a presun&ccedil;&atilde;o de fato por falta de testemunhas, provas, etc., por isso o acusado &eacute; absolvido facilmente e os casos podem ser arquivados como falsos&quot;. Huq, tamb&eacute;m fundadora da Naripokkho, disse &agrave; IPS que, &quot;sem importar o delito ou a forma de viol&ecirc;ncia, pol&iacute;cia e advogados consideram conveniente arquivar a den&uacute;ncia como &#39;tortura por dote&#39;, e como este &eacute; um crime inafian&ccedil;&aacute;vel costumamos ouvir que os mais do acusado acabam detidos&quot;.<\/p>\n<p>O n&atilde;o cumprimento das obriga&ccedil;&otilde;es do dote &eacute; uma das principais causas de viol&ecirc;ncia contra a mulher em Bangladesh, com cerca de cinco mil den&uacute;ncias por ano. Em 2010, a pol&iacute;cia registrou 5.331 casos, e no ano seguinte dispararam para 7.079. As estat&iacute;sticas oficiais mostram que a viol&ecirc;ncia contra a mulher n&atilde;o diminui e que muitas den&uacute;ncias acabam n&atilde;o sendo consideradas. Dados da Associa&ccedil;&atilde;o de Advogadas de Bangladesh mostram que dos 420 casos de viola&ccedil;&atilde;o registrados em 2011 apenas 286 seguiram adiante.<\/p>\n<p>Salma Ali, diretora-executiva da BNWLA, disse &agrave; IPS que uma das dificuldades para defender os direitos das mulheres &eacute; que a sociedade de Bangladesh &eacute; fortemente patriarcal. &#39;Isto &eacute;, as mulheres s&atilde;o discriminadas quanto aos direitos matrimoniais, cust&oacute;dia dos filhos e heran&ccedil;a, frequentemente atrav&eacute;s de diretrizes e ordens religiosas&#39;, disse Ali, conhecida advogada local.<\/p>\n<p>Hameeda Hossain, a presidente da ONG Ain-o-Shalish Kendra, disse &agrave; IPS que se &quot;as mulheres continuam sofrendo social, cultural e politicamente&quot; se deve &quot;&agrave; aceita&ccedil;&atilde;o de sua subordina&ccedil;&atilde;o &agrave;s leis discriminat&oacute;rias e &agrave; falta de cumprimento da lei. Os crimes contra a mulher dentro da fam&iacute;lia costumam ser ignorados e elas s&atilde;o silenciadas. A viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica &eacute; tolerada socialmente e as interven&ccedil;&otilde;es s&atilde;o limitadas&quot;.<\/p>\n<p>O governo adotou uma s&eacute;rie de medidas legais para melhorar a situa&ccedil;&atilde;o das mulheres com a Lei para a Elimina&ccedil;&atilde;o da Viol&ecirc;ncia Contra Mulheres e Crian&ccedil;as em 2000. Em 2009, foi aprovada a Lei Nacional de Direitos Humanos e no ano seguinte a Lei de Viol&ecirc;ncia Dom&eacute;stica. Al&eacute;m disso, Bangladesh &eacute; signat&aacute;rio de conven&ccedil;&otilde;es e tratados internacionais que protegem os direitos das mulheres. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daca, Bangladesh, 19\/10\/2012 &ndash; Bangladesh costuma ser considerado um exemplo de pa&iacute;s com rela&ccedil;&atilde;o aos Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio (ODM), mas nos &uacute;ltimos tempos parece ter retrocedido em colocar um freio &agrave; viol&ecirc;ncia contra a mulher. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/economia\/violncia-contra-a-mulher-no-para-em-bangladesh\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":153,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,11],"tags":[17,21,24],"class_list":["post-10851","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10851","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/153"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10851"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10851\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10851"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10851"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10851"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}