{"id":1086,"date":"2005-10-10T00:00:00","date_gmt":"2005-10-10T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1086"},"modified":"2005-10-10T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-10T00:00:00","slug":"ambiente-florestas-a-guerra-dos-nmeros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/ambiente-florestas-a-guerra-dos-nmeros\/","title":{"rendered":"Ambiente: Florestas, a guerra dos n&uacute;meros"},"content":{"rendered":"<p>M&Eacute;XICO, 10\/10\/2005 &ndash; Autoridades afirmam que o desmatamento no M&eacute;xico diminuiu em quase 100 mil hectares desde 1990 e que em cinco anos poderia ser detido. Ativistas as contestam: as florestas continuam a caminho da extin&ccedil;&atilde;o.<br \/> <!--more--> O M&eacute;xico reverteu a destrui&ccedil;&atilde;o de suas florestas e em mais cinco anos baixaria para zero o desmatamento, afirmam autoridades. Entretanto, segundo ativistas e grupos sociais, isto &eacute; falso. Inclusive, alguns afirmam que se a situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o mudar a atual superf&iacute;cie de florestas do pa&iacute;s desaparecer&aacute; em pouco mais de um s&eacute;culo. O Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Agricultura e a Alimenta&ccedil;&atilde;o (FAO), m&aacute;xima autoridade no mundo sobre o tema do desmatamento global, avaliou os &uacute;ltimos estudos do governo mexicano sobre o assunto e at&eacute; chegou a felicit&aacute;-lo pelos &ecirc;xitos. Os n&uacute;meros oficiais, apresentados em dezembro, indicam que o desmatamento caiu de 401 mil hectares ao ano, no per&iacute;odo 1990-2000, para 314 mil hectares entre 2000 e 2005.<\/p>\n<p> Hosny El-Lakany, subdiretor de Montanhas da FAO, afirmou que &quot;devemos felicitar o M&eacute;xico por seu exemplar relat&oacute;rio 2005 e, sobretudo, por ter atingido essa redu&ccedil;&atilde;o nas taxas de desmatamento em seu pa&iacute;s&quot;. Entretanto, as estat&iacute;sticas oficiais geram d&uacute;vidas entre os ativistas, pois em 2001 o mesmo governo mexicano falou de um desmatamento anual de 1,1 milh&atilde;o de hectares, depois baixou para 631 mil e, mais tarde, para 600 mil. &quot;A situa&ccedil;&atilde;o das florestas &eacute; cr&iacute;tica&quot;, assim demonstram diversos estudos, evid&ecirc;ncias e a atitude do governo, que agora trata a quest&atilde;o florestal como a &quot;prioridade n&uacute;mero 40 ou mais&quot;, disse ao Terram&eacute;rica S&eacute;rgio Madrid, porta-voz da G-Florestas, uma coaliz&atilde;o de produtores florestais e 14 grupos sociais mexicanos, criada em setembro.<\/p>\n<p> Para esta organiza&ccedil;&atilde;o, as florestas e selvas, que cobrem cerca de 56 milh&otilde;es de hectares e capturam dois ter&ccedil;os da &aacute;gua doce consumida no pa&iacute;s, seguem a caminho da extin&ccedil;&atilde;o. Os ativistas argumentam que o or&ccedil;amento estatal para o setor florestal representa apenas 0,01% do or&ccedil;amento global e que os programas de apoio cobrem apenas 13% da superf&iacute;cie de florestas e selvas. Al&eacute;m disso, afirmam que, embora o potencial produtivo das florestas mexicanas seja superior a 30 milh&otilde;es de metros c&uacute;bicos anuais, a produ&ccedil;&atilde;o comercial atual n&atilde;o chega aos oito milh&otilde;es de metros c&uacute;bicos.<\/p>\n<p> O M&eacute;xico, que nos &uacute;ltimos 50 anos perdeu a metade de sua cobertura florestal, se mant&eacute;m como o quinto pa&iacute;s que mais desmata no mundo, afirma a organiza&ccedil;&atilde;o Greenpeace. Por outro lado, o Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais adverte que as selvas locais desaparecer&atilde;o em 50 anos e as florestas em pouco mais de um s&eacute;culo. O diretor da estatal Comiss&atilde;o Nacional Florestal (Conafor), Manuel Reed, cumprimentou os ativistas por se preocuparem com as florestas, mas considerou seu ponto de vista desconcertante. &quot;Temos dados cient&iacute;ficos compar&aacute;veis&quot;, obtidos sob par&acirc;metros da FAO e de outros especialistas reconhecidos, que mostram que nos &uacute;ltimos cinco anos se freou e reverteu a destrui&ccedil;&atilde;o de florestas, afirmou Reed ao Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p> Para Reed, o M&eacute;xico j&aacute; n&atilde;o &eacute; o quinto pa&iacute;s no mundo que mais desmata, e esse n&uacute;mero &eacute; de cinco anos atr&aacute;s, acrescentou. A seu ver, &quot;no novo relat&oacute;rio que est&aacute; sendo preparado pela FAO, estaremos em posi&ccedil;&atilde;o muito melhor. As portas da Conafor est&atilde;o abertas, n&atilde;o escondemos nada, se n&atilde;o concordam (o grupo G-Florestas) venham e conversaremos&quot;, afirmou. &quot;&Eacute; verdade que continuamos perdendo florestas, mas j&aacute; existe um ponto de inflex&atilde;o muito importante e isso diminui de maneira muito forte. Acreditamos que em mais cinco anos poderemos ter uma taxa zero de desmatamento&quot;, garantiu Reed.<\/p>\n<p> Madrid refuta essas afirma&ccedil;&otilde;es. &quot;Hoje em dia n&atilde;o temos um dado confi&aacute;vel do governo sobre o que acontece com as florestas. Primeiro nos dizem um milh&atilde;o de hectares, depois 300 mil e outros n&uacute;meros, isto &eacute; uma brincadeira&quot;, afirmou. O Greenpeace chama de &quot;contas alegres&quot; os dados oficiais e acusa as autoridades de pretenderem &quot;acabar com o desmatamento atrav&eacute;s de equa&ccedil;&otilde;es, decretos e discursos, sem tomar medidas que verdadeiramente protejam as matas de nosso pa&iacute;s&quot;. No come&ccedil;o do governo do presidente Vicente Fox, em 2000, as florestas e a &aacute;gua foram elevados &agrave; categoria de &quot;assuntos de seguran&ccedil;a nacional&quot;.<\/p>\n<p> Com essa bandeira o governo assumiu o Plano Estrat&eacute;gico Florestal, que apresentou metas e objetivos at&eacute; 2005, promoveu novas normas sobre a mat&eacute;ria e criou institui&ccedil;&otilde;es como a Conafor. &quot;Creio que o governo est&aacute; tentando fomentar mais &agrave; quest&atilde;o florestal, mas infelizmente nunca existe or&ccedil;amento ao alcance&quot;, disse ao Terram&eacute;rica Rufino Meraz, dirigente do ejido (terras comunit&aacute;rias de origem ind&iacute;gena) Pueblo Nuevo, no Estado de Durango. Nessa comunidade de 243 mil hectares h&aacute; uma produ&ccedil;&atilde;o considerada sustent&aacute;vel pelo governo, que &eacute; certificada como tal pelo Conselho de Administra&ccedil;&atilde;o Florestal (FSC, sigla em ingl&ecirc;s), inst&acirc;ncia internacional que concede um selo de garantia de que a planta&ccedil;&atilde;o e corte de &aacute;rvores &eacute; amig&aacute;vel com o meio ambiente e seu entorno social.<\/p>\n<p> &quot;O que recebemos de apoio do governo &eacute; para cultura das pessoas, para semear a id&eacute;ia de que temos recursos e que se deve aproveit&aacute;-los. Temos aqui quase um s&eacute;culo vivendo da floresta, o que demonstra que &eacute; poss&iacute;vel&quot;, disse Meraz. Entre 1997 e 2005, a &aacute;rea de florestas mexicanas que tem o certificado passou de 110 mil para quase 651 mil hectares. O G-Florestas lembra que 80% da cobertura vegetal do M&eacute;xico est&aacute; em m&atilde;os de comunidades, mas denuncia que esse setor recebe pouca ou nenhuma ajuda do governo. Isso &eacute; falso, respondeu o diretor da Conafor. &quot;A maior parte do or&ccedil;amento vai para zonas comunit&aacute;rias e ejidat&aacute;rias&quot;.<\/p>\n<p> Sobre o or&ccedil;amento florestal, o funcion&aacute;rio reconheceu que ainda se investe pouco, mas acrescentou que o atual gasto no setor, de aproximadamente US$ 318 milh&otilde;es por ano (quantia que inclui dinheiro do governo e dos Estados), cresceu mais de 1000% desde 2000. &quot;Naturalmente, n&atilde;o vamos acertar o setor florestal da noite para o dia, mas pode-se garantir que agora existem pol&iacute;ticas muito claras no setor florestal mexicano e uma pol&iacute;tica de Estado&quot;, o que n&atilde;o existia no passado, afirmou.<\/p>\n<p> Entretanto, o G-Florestas faz um julgamento totalmente diferente. &quot;Todos os diagn&oacute;sticos dispon&iacute;veis, tanto do G-Florestas como os que oferecem outras institui&ccedil;&otilde;es, demonstram que os recursos florestais de nosso pa&iacute;s est&atilde;o em grave risco. &Eacute; preocupante que, tendo o M&eacute;xico um recurso natural t&atilde;o importante, as institui&ccedil;&otilde;es governamentais n&atilde;o dimensionem o problema e as a&ccedil;&otilde;es efetivas de solu&ccedil;&atilde;o&quot;, diz em um de seus documentos.<\/p>\n<p> * O autor &eacute; correspondente da IPS.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M&Eacute;XICO, 10\/10\/2005 &ndash; Autoridades afirmam que o desmatamento no M&eacute;xico diminuiu em quase 100 mil hectares desde 1990 e que em cinco anos poderia ser detido. 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