{"id":10865,"date":"2012-10-23T10:00:41","date_gmt":"2012-10-23T10:00:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10865"},"modified":"2012-10-23T10:00:41","modified_gmt":"2012-10-23T10:00:41","slug":"as-mulheres-no-herdam-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/africa\/as-mulheres-no-herdam-o-futuro\/","title":{"rendered":"As mulheres n&atilde;o herdam o futuro"},"content":{"rendered":"<p>Yaound&eacute;, Camar&otilde;es, 23\/10\/2012 &ndash; Clarisse Kimbi ganha a vida com uma pequena parcela de terra na aldeia de Kom, oeste de Camar&otilde;es.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10865\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/agricultura.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10865\" class=\"size-medium wp-image-10865\" title=\"Muitas agricultoras em torno de Yaound&eacute;, capital de Camar&otilde;es, s&atilde;o obrigadas a plantar em terras banhadas por esgoto - Monde Kingsley Nfor\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/agricultura.jpg\" alt=\"Muitas agricultoras em torno de Yaound&eacute;, capital de Camar&otilde;es, s&atilde;o obrigadas a plantar em terras banhadas por esgoto - Monde Kingsley Nfor\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10865\" class=\"wp-caption-text\">Muitas agricultoras em torno de Yaound&eacute;, capital de Camar&otilde;es, s&atilde;o obrigadas a plantar em terras banhadas por esgoto - Monde Kingsley Nfor\/IPS<\/p><\/div>  Para ela &eacute; cada vez mais dif&iacute;cil p&ocirc;r comida na mesa para seus seis filhos. Por&eacute;m, h&aacute; alguns anos a situa&ccedil;&atilde;o era completamente diferente. Em 2007, cultivando cinco hectares de terra, Kimbi podia alimentar toda sua fam&iacute;lia sem dificuldade, e inclusive tinha excedente para vender. Isto, em um pa&iacute;s onde 40% da popula&ccedil;&atilde;o vive abaixo da linha de pobreza, era considerado riqueza.<\/p>\n<p>Entretanto, as coisas mudaram naquele ano, quando seu marido morreu e ela e os filhos perderam quase tudo. &quot;Apenas um dia depois do enterro de meu marido, meus sogros confiscaram os cinco hectares de terra onde eu trabalhei por 27 anos&quot;, contou Kimbi &agrave; IPS. A tradi&ccedil;&atilde;o local d&aacute; o direito de heran&ccedil;a exclusivamente aos homens. &quot;As coisas ficaram t&atilde;o dif&iacute;ceis que precisei tirar alguns dos meus filhos da escola&quot;, acrescentou. Duas das suas seis crian&ccedil;as j&aacute; n&atilde;o cursam o ensino secund&aacute;rio, e outros tr&ecirc;s se esfor&ccedil;am para continuar no prim&aacute;rio.<\/p>\n<p>O presidente Paul Biya decretou a gratuidade da educa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria em 2004, mas os pais ainda t&ecirc;m de pagar mensalidades para ajudar os col&eacute;gios mal equipados a funcionar. O problema de Kimi n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico. Dados de 2010 do Instituto Nacional de Estat&iacute;sticas mostram que as mulheres representam 52% dos 20 milh&otilde;es de habitantes de Camar&otilde;es. Estas produzem 80% dos alimentos consumidos no pa&iacute;s, segundo o Minist&eacute;rio de Agricultura e Desenvolvimento Rural. Contudo, s&atilde;o propriet&aacute;rias de apenas 2% das terras, conforme estat&iacute;sticas de 2011 da Rede Camaronesa pela Igualdade de G&ecirc;nero.<\/p>\n<p>&quot;Se falamos de uma sociedade justa e equitativa, ent&atilde;o as mulheres teriam que controlar pelo menos 35% da terra&quot;, disse &agrave; IPS a coordenadora da Rede, Judith Awondo. Embora a Ordenan&ccedil;a sobre Posse de Terras, de 1974, estabele&ccedil;a o acesso equitativo para todos os cidad&atilde;os, ainda prevalecem pr&aacute;ticas tradicionais que discriminam as mulheres. &quot;A dificuldade das mulheres de ter acesso e de controlar os recursos produtivos as coloca em uma posi&ccedil;&atilde;o mais fraca em termos de produtividade agr&iacute;cola, crescimento econ&ocirc;mico, seguran&ccedil;a alimentar, renda familiar e igual participa&ccedil;&atilde;o na governan&ccedil;a&quot;, explicou &agrave; IPS o coordenador do Movimento Camaron&ecirc;s pelo Direito &agrave; Alimenta&ccedil;&atilde;o, Fon Nsoh.<\/p>\n<p>Segundo uma pesquisa de 2007, 52% das pessoas que vivem nas fam&iacute;lias pobres de Camar&otilde;es s&atilde;o mulheres. Os problemas das mulheres e de comunidades inteiras se agravam pela monopoliza&ccedil;&atilde;o de terras por multinacionais e pelas fam&iacute;lias mais ricas da sociedade, segundo Nsoh. O ativista citou o caso do projeto agr&iacute;cola da firma Herakles Farms na regi&atilde;o ocidental, que qualifica como a regi&atilde;o &quot;mais quente e disputada&quot;. No dia 7 de novembro, o Supremo Tribunal da Divis&atilde;o Judicial de Kupe-Muanenguba, na regi&atilde;o ocidental, ordenou a paralisa&ccedil;&atilde;o do projeto.<\/p>\n<p>No entanto, Nsoh expressou seu temor de que a companhia siga com a cria&ccedil;&atilde;o de uma planta&ccedil;&atilde;o de 73 mil hectares para produzir palma para extrair &oacute;leo, sob contrato de 99 anos em &quot;condi&ccedil;&otilde;es escandalosamente negociadas&quot;. O Instituto Oakland, dos Estados Unidos, e a organiza&ccedil;&atilde;o ambientalista Greenpeace divulgaram um informe sugerindo que o projeto, instalado em um lugar com grande biodiversidade e entre quatro grandes &aacute;reas de conserva&ccedil;&atilde;o, poderia afetar 45 mil pessoas.<\/p>\n<p>Grupos ambientalistas acusam a Herakles Farms, com sede central em Nova York, de continuar com o projeto apesar de duas ordens judiciais para que seja suspenso e da significativa oposi&ccedil;&atilde;o das comunidades. &quot;H&aacute; milhares de pessoas ali que poderiam perder suas terras, sobretudo mulheres, que n&atilde;o participaram das negocia&ccedil;&otilde;es&quot;, alertou Nsoh. O ativista agora trabalha com outras organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil para reformar a Ordenan&ccedil;a sobre Posse de Terras, de 1974. Esta legisla&ccedil;&atilde;o &quot;&eacute; obsoleta. Foi aprovada h&aacute; cerca de 38 anos e j&aacute; n&atilde;o corresponde &agrave; realidade moderna&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Seu Artigo 1&ordm; estabelece que &quot;o Estado deve ser guardi&atilde;o de todas as terras. Pode, dentro dessa capacidade, intervir para assegurar o uso natural da terra, bem como no interesse e na defesa da na&ccedil;&atilde;o ou de suas pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas&quot;. Nsoh explicou que esse artigo exclui as comunidades das negocia&ccedil;&otilde;es pela terra, e citou v&aacute;rios casos nos quais o Estado expropriou propriedades sem consultar a popula&ccedil;&atilde;o local. Junto a outras organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, o movimento de Nsoh luta por uma legisla&ccedil;&atilde;o mais inclusiva, destacando que n&atilde;o deve haver apenas a participa&ccedil;&atilde;o das comunidades nas negocia&ccedil;&otilde;es, mas que deve ser dada aten&ccedil;&atilde;o especial &agrave;s mulheres e aos grupos vulner&aacute;veis.<\/p>\n<p>Desde o ano passado, o movimento trabalha no rascunho de um projeto de lei sobre direitos &agrave; terra. A legisla&ccedil;&atilde;o proposta busca garantir que as normas prevale&ccedil;am sobre as tradi&ccedil;&otilde;es que prejudicam as mulheres. &quot;Os certificados de bens que geram lucro devem estar tanto no nome do marido quanto da esposa, para acabar com o sistema patriarcal de heran&ccedil;a praticado na maior parte de Camar&otilde;es&quot;, opinou Nsoh. Isto tornaria mais dif&iacute;cil que mulheres como Kimbi percam suas terras para a fam&iacute;lia de seus maridos, acrescentou.<\/p>\n<p>Al&eacute;m de pedir que as mulheres sejam inclu&iacute;das em todos os comit&ecirc;s que tratam de temas relacionados com a terra, os grupos da sociedade civil tamb&eacute;m pressionam por uma simplifica&ccedil;&atilde;o dos longos e complexos procedimentos para obter certificados de propriedade, bem como para reduzir os custos desses t&iacute;tulos. &quot;Temos que revisar esta lei e dar-lhe um enfoque de g&ecirc;nero&quot;, observou Nsoh, acrescentando que, embora o governo ainda n&atilde;o tenha atendido as demandas da sociedade civil, acredita que o far&aacute; em algum momento.<\/p>\n<p>Na &uacute;ltima Exposi&ccedil;&atilde;o Agropastoril organizada em Ebolowa, na regi&atilde;o sul, o presidente Biya admitiu a necessidade de rever a lei. &quot;Pode demorar muito tempo, mas, partindo da m&aacute;xima autoridade do pa&iacute;s, n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que ser&aacute; feito&quot;, pontuou Nsoh. Entretanto, declarou sentir-se frustrado pelo ritmo lento com que os acontecimentos se desenvolvem, pois isto significa mais anos de sofrimento e priva&ccedil;&otilde;es para as camaronesas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Yaound&eacute;, Camar&otilde;es, 23\/10\/2012 &ndash; Clarisse Kimbi ganha a vida com uma pequena parcela de terra na aldeia de Kom, oeste de Camar&otilde;es. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/africa\/as-mulheres-no-herdam-o-futuro\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":162,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,12,5],"tags":[21,24],"class_list":["post-10865","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10865","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/162"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10865"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10865\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10865"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10865"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10865"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}