{"id":10869,"date":"2012-10-23T10:14:01","date_gmt":"2012-10-23T10:14:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10869"},"modified":"2012-10-23T10:14:01","modified_gmt":"2012-10-23T10:14:01","slug":"dialogues-pases-em-desenvolvimento-j-fazem-muito-pela-biodiversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/mundo\/dialogues-pases-em-desenvolvimento-j-fazem-muito-pela-biodiversidade\/","title":{"rendered":"DIALOGUES: &quot;Pa&iacute;ses em desenvolvimento j&aacute; fazem muito pela biodiversidade&quot;"},"content":{"rendered":"<p>HYDERABAD, &Iacute;ndia, 23\/10\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- N&atilde;o podemos isolar a diversidade de esp&eacute;cies em fronteiras geogr&aacute;ficas ou nacionais, afirma nesta entrevista o negociador brasileiro Andr&eacute; Aranha Corr&ecirc;a do Lago.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10869\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/600_Andre_Aranha_Correa_do_Lago_Credito_Manipadma_JenaIPS.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10869\" class=\"size-medium wp-image-10869\" title=\"Os biocombust\u00c3\u00adveis s&atilde;o incrivelmente lucrativos nos pa\u00c3\u00adses tropicais, afirma Andr&eacute; Aranha Corr&ecirc;a do Lago - Manipadma Jena\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/600_Andre_Aranha_Correa_do_Lago_Credito_Manipadma_JenaIPS.jpg\" alt=\"Os biocombust\u00c3\u00adveis s&atilde;o incrivelmente lucrativos nos pa\u00c3\u00adses tropicais, afirma Andr&eacute; Aranha Corr&ecirc;a do Lago - Manipadma Jena\/IPS\" width=\"150\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10869\" class=\"wp-caption-text\">Os biocombust\u00c3\u00adveis s&atilde;o incrivelmente lucrativos nos pa\u00c3\u00adses tropicais, afirma Andr&eacute; Aranha Corr&ecirc;a do Lago - Manipadma Jena\/IPS<\/p><\/div>  Os pa&iacute;ses em desenvolvimento j&aacute; fazem esfor&ccedil;os extraordin&aacute;rios para proteger a diversidade biol&oacute;gica. &Eacute; &quot;inimagin&aacute;vel&quot; que as na&ccedil;&otilde;es ricas n&atilde;o cumpram suas obriga&ccedil;&otilde;es de financiar sua conserva&ccedil;&atilde;o, disse ao Terram&eacute;rica o embaixador brasileiro Andr&eacute; Aranha Corr&ecirc;a do Lago.<\/p>\n<p>A consci&ecirc;ncia mundial sobre a biodiversidade &quot;ainda &eacute; muito baixa&quot;, embora o Conv&ecirc;nio sobre a Diversidade Biol&oacute;gica proporcione &quot;ampla informa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica aos governos&quot;, disse Andr&eacute; Aranha, diretor do Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais da chancelaria brasileira e um dos principais negociadores da XI Confer&ecirc;ncia das Partes (COP 11) desse tratado internacional. O embaixador conversou com o Terram&eacute;rica em Hyderabad, centro mundial de inform&aacute;tica e biotecnologia no sul da &Iacute;ndia, que foi sede da COP 11 entre os dias 8 e 19 deste m&ecirc;s.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: A julgar pelos resultados da Confer&ecirc;ncia, como avalia a consci&ecirc;ncia mundial sobre a import&acirc;ncia da biodiversidade biol&oacute;gica?<\/p>\n<p>ANDR&Eacute; ARANHA CORR&Ecirc;A DO LAGO: &Eacute; muito menor do que deveria ser. Mas o Conv&ecirc;nio est&aacute; ajudando a elev&aacute;- la mais do que nenhuma outra iniciativa, por exemplo, fornecendo ampla informa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica aos governos.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: Um dos pontos mais pol&ecirc;micos &eacute; a falta de compromissos financeiros. Como solucionar isso?<\/p>\n<p>AACL: A solu&ccedil;&atilde;o &eacute; muito clara: que as na&ccedil;&otilde;es desenvolvidas cumpram suas obriga&ccedil;&otilde;es e forne&ccedil;am o financiamento para que o mundo em desenvolvimento conserve a biodiversidade. A diversidade biol&oacute;gica est&aacute; globalmente conectada; n&atilde;o podemos isol&aacute;-la em fronteiras geogr&aacute;ficas ou nacionais. Somente quando incorporar o modelo de desenvolvimento, ser&aacute; vista como um fator importante para promover a sustentabilidade econ&ocirc;mica, social e ambiental e ter reconhecida sua relev&acirc;ncia para a energia, agricultura e tantas outras atividades humanas, ser&aacute; quando lhe ser&atilde;o destinados os recursos adequados para preserva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: As partes do Conv&ecirc;nio acordaram que se deve considerar o impacto dos biocombust&iacute;veis na biodiversidade ao tra&ccedil;ar estrat&eacute;gias energ&eacute;ticas. Por que o Brasil, grande produtor de etanol, comemorou essa decis&atilde;o?<\/p>\n<p>AACL: Segundo nossa experi&ecirc;ncia, os biocombust&iacute;veis t&ecirc;m um impacto extraordin&aacute;rio no desenvolvimento, porque n&atilde;o s&atilde;o caros e sua tecnologia n&atilde;o representa um desafio. E este fato causou preocupa&ccedil;&otilde;es em muitos c&iacute;rculos. Por&eacute;m, precisamos saber mais, pois alguns s&atilde;o menos sustent&aacute;veis que outros, e garantir que proporcionem benef&iacute;cios econ&ocirc;micos, sociais e ambientais. Na COP os pa&iacute;ses reconheceram sua grande import&acirc;ncia. No entanto, devemos considerar seu impacto na biodiversidade. O Brasil apoia todo passo para reconhecer que os biocombust&iacute;veis podem ser muito positivos para o setor energ&eacute;tico e para o desenvolvimento sustent&aacute;vel. A boa not&iacute;cia para o mundo em desenvolvimento &eacute; que nos pa&iacute;ses tropicais estes cultivos s&atilde;o incrivelmente mais lucrativos e esta &eacute; uma oportunidade que devemos aproveitar.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: Antes de os pa&iacute;ses integrantes do Conv&ecirc;nio assinarem o Protocolo de Nagoya, em 2010, o Brasil havia adotado normas de acesso aos recursos gen&eacute;ticos e participa&ccedil;&atilde;o em seus benef&iacute;cios e contra a biopirataria, que n&atilde;o funcionaram.<\/p>\n<p>AACL: Verdade. Como qualquer outra lei nacional, a legisla&ccedil;&atilde;o do Brasil &eacute; insuficiente para garantir a participa&ccedil;&atilde;o nos benef&iacute;cios. Diante da falta de um marco internacional, as leis n&atilde;o podem impedir a biopirataria al&eacute;m das fronteiras nacionais. Quando o Protocolo de Nagoya entrar em vigor (para isso precisa ser ratificado por 50 pa&iacute;ses) haver&aacute; uma plataforma comum, reconhecida internacionalmente, que tornar&aacute; poss&iacute;vel o respeito &agrave;s leis nacionais, al&eacute;m de dar assist&ecirc;ncia, estimular a pesquisa cient&iacute;fica e prevenir a pirataria de recursos gen&eacute;ticos e dos conhecimentos tradicionais sobre eles.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: No entanto, depois dois anos de sua ado&ccedil;&atilde;o, apenas seis pa&iacute;ses o ratificaram, e o Brasil n&atilde;o &eacute; um deles.<\/p>\n<p>AACL: Como primeiro passo, a presidente Dilma Rousseff o enviou ao Congresso, onde &eacute; analisado. No Brasil, toda ratifica&ccedil;&atilde;o de um acordo internacional &eacute; um processo complexo que deve passar pelo parlamento. No governo aprendemos que o Congresso n&atilde;o gosta que o Poder Executivo tenha ideias sobre como deve atuar o Legislativo, e este est&aacute; analisando o Protocolo em profundidade. &Eacute; evidente que h&aacute; uma atitude positiva e que pode ser ratificado em menos tempo do que demoraram outros procedimentos semelhantes.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: Antes da pr&oacute;xima COP, em 2014?<\/p>\n<p>AACL: Seguramente para a pr&oacute;xima COP.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: Muitos conservacionistas afirmam que a reforma em curso do C&oacute;digo Florestal prejudicar&aacute; os positivos esfor&ccedil;os de governo brasileiro para reduzir o desmatamento.<\/p>\n<p>AACL: A presidente vetou o texto aprovado pelo Congresso. E pela segunda vez. O governo n&atilde;o vai aprovar um C&oacute;digo que contradiz os compromissos nacionais de reduzir o desmatamento. O C&oacute;digo em vigor &eacute; uma legisla&ccedil;&atilde;o excepcional no mundo. Para dar uma ideia, em qualquer &aacute;rea n&atilde;o amaz&ocirc;nica do Brasil, os propriet&aacute;rios de terras podem explorar 80% delas e o restante devem ser preservados em seu estado natural. Mas na Amaz&ocirc;nia &eacute; o contr&aacute;rio: 80% das terras privadas devem manter suas selvas intocadas e s&oacute; os 20% restantes podem ser explorados. N&atilde;o h&aacute; outra lei que trate t&atilde;o duramente a propriedade privada para proteger um ecossistema como a Amaz&ocirc;nia. O problema &eacute; como lidar com os que a violam. A nova lei deve ser muito firme nesses casos. Mas o C&oacute;digo Florestal data de 1965 e desde ent&atilde;o o Brasil se transformou em uma economia muito mais forte e complexa. Precisamos de uma legisla&ccedil;&atilde;o que reflita essas realidades. H&aacute; um grande debate p&uacute;blico em torno disto, mas as decis&otilde;es est&atilde;o nas m&atilde;os dos legisladores, que foram eleitos pelo povo. Todos os esfor&ccedil;os s&atilde;o dirigidos no sentido de convencer o Congresso de que deve entregar um c&oacute;digo equilibrado.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: Quanto dinheiro o Brasil espera obter por meio do Conv&ecirc;nio e a quais problemas priorit&aacute;rios o destinar&aacute;?<\/p>\n<p>AACL: O que vimos na COP foi muito claro. Os grandes pa&iacute;ses em desenvolvimento, como Brasil e &Iacute;ndia, j&aacute; est&atilde;o investindo enormemente em preservar a biodiversidade. O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, comprometeu na Confer&ecirc;ncia recursos adicionais para que seu pa&iacute;s possa avan&ccedil;ar para as Metas de Aichi (adotadas em 2010 para abordar as causas subjacentes da perda de diversidade biol&oacute;gica). &Eacute; a maior demonstra&ccedil;&atilde;o de que os pa&iacute;ses em desenvolvimento est&atilde;o fazendo sua parte. No entanto, h&aacute; outras na&ccedil;&otilde;es que necessitam de recursos adicionais. &Eacute; inimagin&aacute;vel que os pa&iacute;ses industrializados n&atilde;o levem isto em considera&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o encontrem solu&ccedil;&otilde;es para obter o financiamento necess&aacute;rio. &Iacute;ndia e Brasil tamb&eacute;m podem fazer mais se houver recursos adicionais. A prioridade para investi-los em meu pa&iacute;s segue exatamente a linha mencionada por Singh, de dispor de todos os instrumentos &#8211; forma&ccedil;&atilde;o de capacidade humana e tecnol&oacute;gica &#8211; para melhorar o estado da biodiversidade. N&atilde;o podemos continuar como at&eacute; agora.<\/p>\n<p>*<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>HYDERABAD, &Iacute;ndia, 23\/10\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- N&atilde;o podemos isolar a diversidade de esp&eacute;cies em fronteiras geogr&aacute;ficas ou nacionais, afirma nesta entrevista o negociador brasileiro Andr&eacute; Aranha Corr&ecirc;a do Lago. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/mundo\/dialogues-pases-em-desenvolvimento-j-fazem-muito-pela-biodiversidade\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":127,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5,10,4],"tags":[17,21],"class_list":["post-10869","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","category-mundo","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10869","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/127"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10869"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10869\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10869"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10869"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10869"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}