{"id":10878,"date":"2012-10-24T10:52:25","date_gmt":"2012-10-24T10:52:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10878"},"modified":"2012-10-24T10:52:25","modified_gmt":"2012-10-24T10:52:25","slug":"brasil-frustrado-por-bloqueio-europeu-a-reformas-no-fmi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/mundo\/brasil-frustrado-por-bloqueio-europeu-a-reformas-no-fmi\/","title":{"rendered":"Brasil frustrado por &quot;bloqueio&quot; europeu a reformas no FMI"},"content":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 24\/10\/2012 &ndash; Ap&oacute;s as &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es na Dire&ccedil;&atilde;o Executiva do Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI), o Brasil e outros pa&iacute;ses se queixam de que os processos de reforma destinados a aumentar a representa&ccedil;&atilde;o do Sul em desenvolvimento s&atilde;o dificultados pela Europa.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10878\" style=\"width: 179px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/diretora.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10878\" class=\"size-medium wp-image-10878\" title=\"A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, exortou os membros a adotarem reformas que deem mais voz aos pa\u00c3\u00adses em desenvolvimento. - Medef\/cc by 2.0\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/diretora.jpg\" alt=\"A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, exortou os membros a adotarem reformas que deem mais voz aos pa\u00c3\u00adses em desenvolvimento. - Medef\/cc by 2.0\" width=\"169\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10878\" class=\"wp-caption-text\">A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, exortou os membros a adotarem reformas que deem mais voz aos pa\u00c3\u00adses em desenvolvimento. - Medef\/cc by 2.0<\/p><\/div>  &quot;Houve certo movimento, mas em minha opini&atilde;o esta suposta redu&ccedil;&atilde;o no n&uacute;mero de cadeiras europeias derivou em uma reorganiza&ccedil;&atilde;o que, em sua natureza, &eacute; basicamente cosm&eacute;tica&quot;, disse &agrave; IPS o diretor-executivo do FMI para o Brasil e outros pa&iacute;ses latino-americanos e caribenhos, Paulo Nogueira Batista. &quot;Os europeus claramente melhoraram a representa&ccedil;&atilde;o de mercados emergentes na Uni&atilde;o Europeia (UE), como Turquia (em processo de ades&atilde;o plena ao bloco) e Pol&ocirc;nia&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>A Dire&ccedil;&atilde;o Executiva do FMI, que funciona na sede central da institui&ccedil;&atilde;o, em Washington, consta de 24 membros. Os maiores acionistas desse organismo multilateral (Alemanha, Estados Unidos, Fran&ccedil;a e Gr&atilde;-Bretanha), mais Ar&aacute;bia Saudita, China e R&uacute;ssia, t&ecirc;m cadeiras pr&oacute;prias na Dire&ccedil;&atilde;o. Os outros 16 diretores-executivos s&atilde;o eleitos por per&iacute;odos de dois anos para representar grupos de pa&iacute;ses, chamados jurisdi&ccedil;&otilde;es, que incluem os 188 membros do Fundo.<\/p>\n<p>Em 2010, foi aprovado um pacote de reformas destinado a atender a hist&oacute;rica preocupa&ccedil;&atilde;o sobre o desequil&iacute;brio na governan&ccedil;a do FMI. Esperava-se que essas reformas fossem concretizadas durante as &uacute;ltimas reuni&otilde;es anuais conjuntas do FMI e do Banco Mundial, realizadas entre os dias 8 e 13 deste m&ecirc;s em T&oacute;quio, e implantadas a partir de janeiro pr&oacute;ximo. Por&eacute;m, os dois prazos n&atilde;o foram cumpridos. Os Estados Unidos est&atilde;o concentrados em suas pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais, e os membros do FMI est&atilde;o parados em v&aacute;rios assuntos importantes.<\/p>\n<p>Parte deste pacote de reformas inclui mudan&ccedil;as na distribui&ccedil;&atilde;o de cadeiras na Dire&ccedil;&atilde;o Executiva. Os europeus aceitaram ceder dois postos para aumentar a representa&ccedil;&atilde;o de na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento. Este processo gerou um importante movimento de pa&iacute;ses entre as diferentes jurisdi&ccedil;&otilde;es, no que constitui a mudan&ccedil;a mais significativa a respeito desde o come&ccedil;o da d&eacute;cada de 1990. A segunda parte do processo de reformas tem a ver com o direito a voto na Dire&ccedil;&atilde;o, baseado em &quot;cotas&quot; administradas por uma pol&ecirc;mica e complexa f&oacute;rmula que favorece as na&ccedil;&otilde;es industrializadas.<\/p>\n<p>Cada vez aumentam mais os chamados por uma mudan&ccedil;a nesse sistema, sobretudo para que se tenha em conta a nova situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica mundial, na qual os pa&iacute;ses de renda m&eacute;dia (particularmente Brasil, R&uacute;ssia, &Iacute;ndia, China e &Aacute;frica do Sul, que formam o bloco Brics) assumem maior protagonismo. Paulo Nogueira disse que as reformas da f&oacute;rmula de cotas foi o tema mais controverso em T&oacute;quio.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos e a maioria dos pa&iacute;ses Brics querem que a f&oacute;rmula se baseie no produto interno bruto de cada na&ccedil;&atilde;o, enquanto os europeus defendem o crit&eacute;rio de grau de &quot;abertura&quot; econ&ocirc;mica, o que favoreceria os membros da Uni&atilde;o Europeia. &quot;Os europeus usam uma incomum defini&ccedil;&atilde;o de &#39;abertura&#39;, cujo principal papel parece ser inflar artificialmente as cotas para os pa&iacute;ses de seu bloco&quot;, afirmou o representante brasileiro no FMI.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos dias, Paulo Nogueira criticou abertamente o bloco europeu dentro do Fundo. &quot;O que vimos em T&oacute;quio &eacute; que, lamentavelmente, alguns europeus est&atilde;o se retratando de suas promessas de revisar cotas&quot;, declarou pouco depois de regressar a Washington ap&oacute;s as reuni&otilde;es na capital japonesa. &quot;Esta &eacute; uma grande preocupa&ccedil;&atilde;o, pois a credibilidade do Fundo, do G-20 (grupo dos 20 pa&iacute;ses mais industrializados e emergentes) e dos governos em particular se baseia na fiel implanta&ccedil;&atilde;o do que assinaram nos comunicados, e n&atilde;o vamos deixar isto passar em branco&quot;, acrescentou Paulo Nogueira.<\/p>\n<p>No &uacute;ltimo ano, o Brasil teve um papel cada vez mais protagonista nas demandas dos pa&iacute;ses em desenvolvimento, press&atilde;o que ficou particularmente plasmada no processo de reformas do FMI. &quot;Foi maravilhoso como o Brasil amea&ccedil;ou abertamente n&atilde;o cumprir certos compromissos financeiros com o FMI enquanto n&atilde;o se avan&ccedil;ar na quest&atilde;o das reformas&quot;, disse &agrave; IPS a diretora-executiva da Coaliz&atilde;o por Novas Regras para as Finan&ccedil;as Globais, Jo Marie Griesgraber. &quot;Os brasileiros foram diretos neste processo, fazendo notar rid&iacute;culas anomalias e apresentando-as perante a Dire&ccedil;&atilde;o para, em seguida, de maneira muito incomum, torn&aacute;-las p&uacute;blicas&quot;, destacou.<\/p>\n<p>Como a sexta economia mundial, o Brasil fez nos &uacute;ltimos anos um esfor&ccedil;o concertado para fortalecer suas rela&ccedil;&otilde;es com todo o Sul, particularmente com a &Aacute;frica. Durante o governo de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva (2003-2011), o pa&iacute;s abriu mais de uma d&uacute;zia de novas embaixadas na &Aacute;frica, e anunciou que logo inaugurar&aacute; a sede diplom&aacute;tica n&uacute;mero 37, no Malawi. Al&eacute;m disso, Bras&iacute;lia se concentra cada vez mais em proporcionar ajuda financeira internacional, que em 2010 chegava aos US$ 4 bilh&otilde;es ao ano e crescia rapidamente.<\/p>\n<p>Trata-se de uma significativa mudan&ccedil;a para um pa&iacute;s que por d&eacute;cadas foi um grande receptor de assist&ecirc;ncia externa. E, ainda mais importante, a ajuda brasileira se tornou caracter&iacute;stica por sua &ecirc;nfase na colabora&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica Sul-Sul, particularmente centrada em temas agr&iacute;colas e sociais. Hoje, o Brasil lidera uma campanha mundial para definir um novo modelo de desenvolvimento, que recebeu maior impulso e aten&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s a crise econ&ocirc;mico-financeira mundial.<\/p>\n<p>&quot;O que est&aacute; em jogo aqui n&atilde;o &eacute; apenas a propor&ccedil;&atilde;o de votos no FMI. Desde a crise, o modelo antes preferido, o chamado Consenso de Washington, foi colocado em xeque&quot;, ressaltou Gregory Chin, pesquisador do Centro para a Inova&ccedil;&atilde;o Internacional em Governan&ccedil;a, com sede em Waterloo, no Canad&aacute;. &quot;Os pa&iacute;ses Brics promovem um entendimento diferente das melhores pr&aacute;ticas sobre desenvolvimento nacional, e os brasileiros s&atilde;o a for&ccedil;a diplom&aacute;tica l&iacute;der que pressiona por essas mudan&ccedil;as&quot;, disse &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Esses modelos, incluindo o que &eacute; conhecido como o financiamento contrac&iacute;clico, contradizem diretamente os enfoques historicamente defendidos por institui&ccedil;&otilde;es como FMI e o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Por&eacute;m, Chin explicou que, como v&aacute;rias economias emergentes driblaram a crise global melhor do que o previsto, esses modelos est&atilde;o recebendo maior aten&ccedil;&atilde;o nos escrit&oacute;rios centrais do FMI e do Banco Mundial.<\/p>\n<p>O pesquisador tamb&eacute;m destacou que, enquanto se pressiona por reformas dentro do FMI, existe um esfor&ccedil;o paralelo para criar um banco de desenvolvimento financiado por parte do Brics. &quot;Isto &eacute;, com um p&eacute; fora do sistema e outro dentro, assegurando para eles mesmos um caminho alternativo, porque viram que as coisas acontecem muito lentamente dentro do FMI&quot;, acrescentou Chin.<\/p>\n<p>Agora, alguns analistas aguardam a pr&oacute;xima reuni&atilde;o de c&uacute;pula do Brics, em mar&ccedil;o na cidade sul-africana de Durban, na qual se espera que o pa&iacute;s anfitri&atilde;o agilize os passos para a cria&ccedil;&atilde;o do banco de desenvolvimento. Muitos se perguntam se uma institui&ccedil;&atilde;o assim ser&aacute; capaz de atuar al&eacute;m do Brics para funcionar em todo o mundo em desenvolvimento, em conson&acirc;ncia com o enfoque brasileiro de Sul-Sul.<\/p>\n<p>&quot;O Brasil tenta aumentar seu papel no FMI, em outras organiza&ccedil;&otilde;es internacionais e no G-20, e creio que isto est&aacute; acontecendo. Todos os membros do Brics est&atilde;o se envolvendo mais nessas institui&ccedil;&otilde;es com a esperan&ccedil;a de que mudem&quot;, afirmou Paulo Nogueira. &quot;Esperamos que o FMI deixe de ser um fundo monet&aacute;rio do Atl&acirc;ntico norte&quot;, acrescentou. &quot;Apesar de lutarmos contra uma grande in&eacute;rcia institucional, o FMI e outros f&oacute;runs internacionais devem ser realmente internacionais se querem ser relevantes na economia do mundo atual&quot;, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 24\/10\/2012 &ndash; Ap&oacute;s as &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es na Dire&ccedil;&atilde;o Executiva do Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI), o Brasil e outros pa&iacute;ses se queixam de que os processos de reforma destinados a aumentar a representa&ccedil;&atilde;o do Sul em desenvolvimento s&atilde;o dificultados pela Europa. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/mundo\/brasil-frustrado-por-bloqueio-europeu-a-reformas-no-fmi\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1214,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,4,11],"tags":[27],"class_list":["post-10878","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","category-politica","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10878","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1214"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10878"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10878\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10878"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10878"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10878"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}