{"id":10888,"date":"2012-10-26T10:36:02","date_gmt":"2012-10-26T10:36:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10888"},"modified":"2012-10-26T10:36:02","modified_gmt":"2012-10-26T10:36:02","slug":"vozes-femininas-nas-tic-para-mudar-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/america-latina\/vozes-femininas-nas-tic-para-mudar-o-mundo\/","title":{"rendered":"Vozes femininas nas TIC para mudar o mundo"},"content":{"rendered":"<p>San Sebasti&aacute;n, Espanha, 26\/10\/2012 &ndash; O valor das novas tecnologias para transformar realidades e o protagonismo das mulheres no uso dessas ferramentas para impulsionar processos de mudan&ccedil;a se tornaram palp&aacute;veis no primeiro Congresso TIC para a Paz. <!--more--> Realizado nos dias 23 e 24 deste m&ecirc;s nesta cidade da Espanha, o encontro teve como tema central &quot;Mulher, Tecnologia e Democracia para a Mudan&ccedil;a Social&quot; e destacou seu papel promotor em mudan&ccedil;as sociais, baseado no uso das TIC (tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e da comunica&ccedil;&atilde;o).<\/p>\n<p>A premissa do encontro foi que as TIC s&atilde;o ferramentas especiais para impulsionar os direitos humanos no mundo e em particular os das mulheres, e foi promovido pela Funda&ccedil;&atilde;o Cultura de Paz, presidida pelo espanhol Federico Mayor Zaragoza, e pela Funda&ccedil;&atilde;o Cibervolunt&aacute;rios. Os organizadores do Congresso tamb&eacute;m partiram do fato de as mulheres &quot;serem as grandes ausentes na tomada de decis&otilde;es, nos processos democr&aacute;ticos, na constru&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o da paz&quot;, uma discrimina&ccedil;&atilde;o que o uso das TIC as ajuda a quebrar.<\/p>\n<p>Manal Hassan, uma ciberativista que participou da revolu&ccedil;&atilde;o eg&iacute;pcia que derrubou o presidente Hosni Mubarak (1981-2011), e Jolly Okot, ex-menina soldado em Uganda que fundou a organiza&ccedil;&atilde;o Invisible Children, foram algumas das participantes da reuni&atilde;o nesta cidade basca. Tamb&eacute;m esteve presente, entre representantes de diferentes regi&otilde;es do Sul e do Norte, Judith Torrea, jornalista e blogueira que acompanha o cotidiano de Ciudad Ju&aacute;rez, no M&eacute;xico, considerada a capital mundial dos feminic&iacute;dios, ou assassinatos por raz&atilde;o de g&ecirc;nero.<\/p>\n<p>As tr&ecirc;s integram o grupo de 14 ativistas que chegaram procedentes de quatro continentes para participarem do encontro e falaram &agrave; IPS de suas experi&ecirc;ncias particulares, onde os &ecirc;xitos e os desafios se misturam em suas hist&oacute;rias, onde as TIC funcionam como especiais aliadas. Hassan trabalha, junto com seu marido, no desenvolvimento de novas tecnologias aplicadas &agrave; mudan&ccedil;a social. Assim, n&atilde;o era uma novi&ccedil;a no assunto quando, em 25 de janeiro de 2011, centenas de milhares de eg&iacute;pcios ocuparam a Pra&ccedil;a Tahrir, no Cairo, para for&ccedil;ar a sa&iacute;da de Mubarak.<\/p>\n<p>Ela havia colaborado com organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais para a cria&ccedil;&atilde;o de base de dados ou centros de documenta&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m contribu&iacute;ra para criar uma plataforma de blogs onde diversos grupos pol&iacute;ticos hospedavam seus conte&uacute;dos muito antes de a Primavera &Aacute;rabe chegar ao norte da &Aacute;frica. &quot;No come&ccedil;o &eacute;ramos poucos, mas a onda ficou maior e chegou &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o&quot;, contou.<\/p>\n<p>O uso de redes sociais como Facebook e Twitter se converteu em um dos s&iacute;mbolos da revolu&ccedil;&atilde;o, especialmente quando o regime decidiu bloquear o acesso &agrave; internet. Hassan e milhares de seus compatriotas conseguiram romper a censura. Ela, por exemplo, naqueles dias estava na &Aacute;frica do Sul. Assim, colhia a informa&ccedil;&atilde;o que recebia por telefone e colocava nos blogs o que acontecia em Tahrir. Servidores conectados entre si para evitar o bloqueio ou um servi&ccedil;o de mensagem por voz que depois se converteria em tuitadas foram algumas das ferramentas utilizadas pelos manifestantes na Pra&ccedil;a, para relatar em tempo real o que acontecia ali.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s a queda de Mubarak, resta muito por fazer, enfatizou Hassan. &quot;Os militares chegaram a fazer coisas piores do que os ditadores&quot;, lamentou, por isso o trabalho dos ativistas &quot;continua sendo muito necess&aacute;rio&quot;, acrescentou. Tamb&eacute;m destacou um elemento importante. &quot;As mulheres n&atilde;o s&oacute; trabalham em quest&otilde;es de g&ecirc;nero, como est&atilde;o implicadas em todas as quest&otilde;es pol&iacute;ticas e trabalhistas&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Para Jolly Okot, a inf&acirc;ncia acabou em 1986, quando foi sequestrada por um miliciano do Ex&eacute;rcito de Resist&ecirc;ncia do Senhor (ERS), em Uganda. &quot;Tive a sorte de poder sair dali&quot;, afirmou. Em 2005, come&ccedil;ou a desenvolver document&aacute;rios e criou a organiza&ccedil;&atilde;o Invisible Children, que documenta os horrores sofridos por meninos e meninas obrigados a lutar em diferentes guerras. Tamb&eacute;m promove a educa&ccedil;&atilde;o como sa&iacute;da para as v&iacute;timas.<\/p>\n<p>Entre as campanhas promovidas por essa organiza&ccedil;&atilde;o, destaca a Kony 2012, com a difus&atilde;o viral pela internet dos desmandos de Joseph Kony, l&iacute;der do ERS, com o objetivo de for&ccedil;ar que seja levado ao Tribunal Internacional de Haia. &quot;O grande &ecirc;xito das novas tecnologias &eacute; que, com um clique, milhares de pessoas recebem essa informa&ccedil;&atilde;o. Pode-se chegar aos l&iacute;deres e fazer com que tomem decis&otilde;es&quot;, afirmou Okot, que foi indicada para o pr&ecirc;mio Nobel da Paz. Por&eacute;m, destacou que as TIC s&atilde;o um complemento para a mudan&ccedil;a e que a verdadeira ferramenta que mudar&aacute; as coisas na &Aacute;frica &eacute; outra: a educa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;Infelizmente, os jornalistas n&atilde;o t&ecirc;m tanto poder para mudar as coisas, nosso dever &eacute; contar e que outros assumam a responsabilidade&quot;, disse a mexicana Judith Torrea, que h&aacute; 14 anos narra a trag&eacute;dia que vivem as mulheres de Ciudad Ju&aacute;rez, fronteiri&ccedil;a com os Estados Unidos. Por&eacute;m, destacou &quot;a import&acirc;ncia das vozes alternativas, que relatem de verdade o que acontece&quot;, embora, como no seu caso, se trate de &quot;vozes inc&ocirc;modas&quot; para o poder e suas diferentes express&otilde;es.<\/p>\n<p>A jornalista reconhece que os autores de blogs recebem muitas press&otilde;es vindas do poder, porque s&atilde;o agentes especiais de mudan&ccedil;as em n&iacute;vel mundial. &quot;Quando diferentes blogueiras, e falo no feminino porque as mais reconhecidas s&atilde;o mulheres, conseguem que se ou&ccedil;a nossa voz, &eacute; o momento em que come&ccedil;amos a receber mais press&otilde;es, amea&ccedil;as ou campanhas de difama&ccedil;&atilde;o&quot;, apontou.<\/p>\n<p>&quot;A todas n&oacute;s acontece o mesmo, seja na Tun&iacute;sia, em Ju&aacute;rez ou na Ar&aacute;bia Saudita&quot;, afirmou a jornalista, que h&aacute; um ano publicou Ju&aacute;rez na Sombra e que recebeu in&uacute;meros pr&ecirc;mios por seu trabalho. Torrea denunciou que o fen&ocirc;meno &quot;&eacute; algo global, porque o poder, quando se sente agredido, reage contra as vozes que geram debate&quot;. A ativista mexicana concluiu com uma frase repetida de uma ou outra forma pelas mulheres que deram seu testemunho em San Sebasti&aacute;n: &quot;Se n&atilde;o sabemos o que est&aacute; acontecendo no mundo, temos menos possibilidades de haver mudan&ccedil;as&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>San Sebasti&aacute;n, Espanha, 26\/10\/2012 &ndash; O valor das novas tecnologias para transformar realidades e o protagonismo das mulheres no uso dessas ferramentas para impulsionar processos de mudan&ccedil;a se tornaram palp&aacute;veis no primeiro Congresso TIC para a Paz. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/america-latina\/vozes-femininas-nas-tic-para-mudar-o-mundo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,2,12,5],"tags":[21,24],"class_list":["post-10888","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10888","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10888"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10888\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10888"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10888"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10888"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}