{"id":10898,"date":"2012-10-30T09:36:07","date_gmt":"2012-10-30T09:36:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10898"},"modified":"2012-10-30T09:36:07","modified_gmt":"2012-10-30T09:36:07","slug":"ol-sou-sandy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/ambiente\/ol-sou-sandy\/","title":{"rendered":"Ol&aacute;, sou Sandy"},"content":{"rendered":"<p>Uxbridge, Canad&aacute;, 30\/10\/2012 &ndash; Ol&aacute;, aqui &eacute; o furac&atilde;o Sandy. As pessoas me chamam de &quot;Frankentormenta&quot;, &quot;supertormenta&quot;, e inclusive de &quot;bomba meteorol&oacute;gica&quot;. A verdade &eacute; que n&atilde;o pretendo prejudicar ningu&eacute;m.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10898\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e32.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10898\" class=\"size-medium wp-image-10898\" title=\"Furac&atilde;o Sandy visto do espa&ccedil;o. - NOAA\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e32.jpg\" alt=\"Furac&atilde;o Sandy visto do espa&ccedil;o. - NOAA\" width=\"200\" height=\"127\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10898\" class=\"wp-caption-text\">Furac&atilde;o Sandy visto do espa&ccedil;o. - NOAA<\/p><\/div>  Mas uma umidade atmosf&eacute;rica e um calor oce&acirc;nico sem precedentes me deram um poder incontrol&aacute;vel. Lamento dizer que tenho tanta pot&ecirc;ncia e&oacute;lica que estou colocando o mar dentro de suas salas ao longo de toda a costa leste dos Estados Unidos, no Oceano Atl&acirc;ntico. O mar &eacute; como uma saladeira cheia de &aacute;gua e inclinada de tal modo que esta s&oacute; pode derramar.<\/p>\n<p>Meus ventos chegam a 150 quil&ocirc;metros por hora. Perder&atilde;o velocidade na medida em que adentrarem na terra, mas at&eacute; ent&atilde;o ter&atilde;o empurrado tanta &aacute;gua sobre a costa que haver&aacute; inunda&ccedil;&otilde;es por toda parte e durante toda a noite de ontem para hoje. Inunda&ccedil;&otilde;es causadas por tantas ondas recordes j&aacute; ocorreram em v&aacute;rias &aacute;reas de Nova Jersey. E continuar&atilde;o assim nesse Estado e em seu vizinho Nova York.<\/p>\n<p>Provavelmente cause danos de milhares de milh&otilde;es de d&oacute;lares em Washington, Nova York, Boston e outras partes do nordeste dos Estados Unidos. E seguramente matarei v&aacute;rias pessoas. J&aacute; o fiz. Cerca de 60 perderam a vida quando passei por Jamaica, Cuba e Haiti h&aacute; alguns dias. Sou uma for&ccedil;a da natureza, mas &eacute; importante entenderem que isto n&atilde;o &eacute; minha culpa. Nasci apenas no dia 22 deste m&ecirc;s nas &aacute;guas quentes do sudoeste do Mar do Caribe, como um conjunto de tempestades el&eacute;tricas e chuva, o que voc&ecirc;s chamam de depress&atilde;o tropical, primeiro est&aacute;gio na forma&ccedil;&atilde;o de um furac&atilde;o.<\/p>\n<p>Uma das raridades do meu nascimento foi que aconteceu bem no final da temporada de furac&otilde;es. Mas isto acontece cada vez com maior frequ&ecirc;ncia, na medida em que o clima esquenta e grandes partes do oceano conservam o calor por mais tempo. O ar e a &aacute;gua est&atilde;o mais quentes porque agora a atmosfera tem centenas de milh&otilde;es de toneladas de di&oacute;xido de carbono (CO2) procedentes da queima de carv&atilde;o, petr&oacute;leo e g&aacute;s, bem como do desmatamento, da agricultura e das ind&uacute;strias.<\/p>\n<p>Voc&ecirc;s sabem que o CO2 &eacute; como uma cobertura que mant&eacute;m o planeta temperado, retendo parte do calor provocado pelos raios solares. Mas essas centenas de milh&otilde;es de CO2 que voc&ecirc;s, humanos, lan&ccedil;am na atmosfera fazem com que esta cobertura seja cada vez mais grossa e capture mais calor do Sol. Esta quantidade extraordin&aacute;ria de energia calor&iacute;fica presa equivale &agrave; explos&atilde;o de 400 mil bombas at&ocirc;micas, como a lan&ccedil;ada sobre Hiroshima, a cada dia, 365 dias por ano.<\/p>\n<p>A maior parte desse calor extra foi para os oceanos. Por isso as temperaturas terrestres aumentaram, em m&eacute;dia, apenas oito d&eacute;cimos de grau desde a era pr&eacute;-industrial. Os mares est&atilde;o mais e mais quentes, levando suas &aacute;guas a se expandirem, como a onda formada quando o leite ferve. Esta &eacute; uma raz&atilde;o para a eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar; a outra &eacute; o derretimento das geleiras e dos gelos polares. O ar mais quente tamb&eacute;m pode carregar mais umidade. As medi&ccedil;&otilde;es realizadas mostram que agora h&aacute; entre 4% e 6% mais vapor de &aacute;gua no ar, por isso as precipita&ccedil;&otilde;es s&atilde;o mais intensas.<\/p>\n<p>Nasci na &aacute;gua a uma temperatura n&atilde;o inferior a 28 graus. Para crescer forte, preciso de &aacute;gua temperada e ar bem carregado de umidade. Havia abund&acirc;ncia de ambos na semana passada, e na noite do dia 22 a velocidade dos meus ventos era suficientemente forte para ser batizada de tempestade tropical. No dia 24 estava mais poderosa e me deram o nome de furac&atilde;o Sandy, o d&eacute;cimo da temporada.<\/p>\n<p>Este ano j&aacute; aconteceram 18 tempestades tropicais, por isso 2012 pode se converter no terceiro ano de maior atividade cicl&ocirc;nica da hist&oacute;ria. N&oacute;s, furac&otilde;es, vivemos sobre a &aacute;gua quente e o ar &uacute;mido. Por isto, perdi pot&ecirc;ncia quando passei pelas montanhas e colinas da Jamaica e de Cuba. Mas a extensa &aacute;rea de &aacute;guas incomumente quentes, que se estendem da Fl&oacute;rida at&eacute; o norte da costa leste dos Estados Unidos, me forneceram a energia para continuar existindo e crescer em poder e tamanho.<\/p>\n<p>De fato, sou t&atilde;o grande que poderia ser o maior registrado at&eacute; agora. Isto tampouco deve surpreender. O calor crescente retido na cobertura de CO2 &eacute; o combust&iacute;vel das tempestades e da crescente umidade para chuvas mais copiosas e mais inunda&ccedil;&otilde;es do que no passado. E a eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar significa que as ondas ser&atilde;o mais destrutivas.<\/p>\n<p>Durante milh&otilde;es de anos, n&oacute;s, furac&otilde;es e tuf&otilde;es, fomos a forma que a Terra encontrava para redistribuir o calor. Imaginem que somos como gigantescas v&aacute;lvulas de press&atilde;o. Quando o calor atmosf&eacute;rico aumenta, como agora, ningu&eacute;m deve se assustar por sermos maiores e mais potentes. J&aacute; disse que sou uma for&ccedil;a da natureza. Muitos dir&atilde;o que sou um ato de Deus. Contudo, agora sabemos que isso n&atilde;o &eacute; verdade, certo? Ontem pela manh&atilde; virei rumo norte-noroeste e estou a cerca de 400 quil&ocirc;metros a sudeste de Nova York. J&aacute; devo ser a tempestade de maior tamanho, com uma extens&atilde;o total de aproximadamente 3.200 quil&ocirc;metros.<\/p>\n<p>Queria permanecer sobre o mar aberto, mas uma grande coluna de ar frio e alta press&atilde;o sobre a regi&atilde;o dos Grandes Lagos me colocaram neste rumo. A iminente colis&atilde;o entre esse frio e o ar muito quente e &uacute;mido me tornar&aacute; mais forte e perigoso. &Eacute; imposs&iacute;vel dizer com certeza se o derretimento do gelo marinho do &Aacute;rtico, que este ano atingiu um recorde hist&oacute;rico, tem alguma responsabilidade nisto. Sei que a maior parte do gelo do &Aacute;rtico derreteu em 2012. O gelo reflete a energia solar, mas o oceano escuro a absorve. Para que o &Aacute;rtico volte a congelar, deve livrar-se do calor, lan&ccedil;ando-o na atmosfera.<\/p>\n<p>Agora, precisamente ali, h&aacute; quantidades recordes de energia calor&iacute;fica saindo do mar e entrando no ar. Isto vem acontecendo a cada outono boreal nos &uacute;ltimos anos. Novamente, n&atilde;o devem se surpreender pelo fato de a libera&ccedil;&atilde;o de todo esse calor extraordin&aacute;rio alterar os padr&otilde;es meteorol&oacute;gicos. A corrente em jorro, os ventos oeste-leste que atuam como fronteira entre o frio &aacute;rtico e as latitudes m&eacute;dias mais temperadas, est&aacute; perdendo for&ccedil;a, movendo-se mais para o norte e tornando-se mais errante.<\/p>\n<p>Outro fator que me impulsiona para dentro do territ&oacute;rio dos Estados Unidos &eacute; uma maci&ccedil;a c&uacute;pula de alta press&atilde;o localizada no sudoeste da Groenl&acirc;ndia. Sem esse bloco de alta press&atilde;o, possivelmente tivesse resistido ao empuxe do sistema de baixa press&atilde;o e permanecido no mar. Esse sistema de alta press&atilde;o est&aacute; parado ali h&aacute; duas semanas; os bichos raros da meteorologia o chamam de &quot;evento de obstru&ccedil;&atilde;o&quot;. J&aacute; produziu uma extens&atilde;o recorde de altas temperaturas e um degelo tamb&eacute;m recorde na Groenl&acirc;ndia.<\/p>\n<p>Sim, estou usando muito a palavra &quot;recorde&quot;. &Eacute; porque o clima enveredou por um terreno desconhecido. O calor e a seca sem precedentes do rec&eacute;m-terminado ver&atilde;o boreal nos Estados Unidos s&atilde;o apenas um exemplo. E as coisas continuar&atilde;o mudando. As tempestades poder&atilde;o ser cada vez maiores e poderemos aparecer com maior frequ&ecirc;ncia ou nos apresentar em lugares em que n&atilde;o &iacute;amos antes. N&atilde;o h&aacute; como saber. De uma coisa podem estar certos: o clima dos &uacute;ltimos 20 s&eacute;culos j&aacute; n&atilde;o existe. Sou parte da nova normalidade. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Fala o furac&atilde;o Sandy &#8211; Blog em ingl&ecirc;s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uxbridge, Canad&aacute;, 30\/10\/2012 &ndash; Ol&aacute;, aqui &eacute; o furac&atilde;o Sandy. 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