{"id":10900,"date":"2012-10-30T09:40:35","date_gmt":"2012-10-30T09:40:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10900"},"modified":"2012-10-30T09:40:35","modified_gmt":"2012-10-30T09:40:35","slug":"imigrantes-prisioneiras-do-comrcio-sexual-europeu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/direitos-humanos\/imigrantes-prisioneiras-do-comrcio-sexual-europeu\/","title":{"rendered":"Imigrantes prisioneiras do com&eacute;rcio sexual europeu"},"content":{"rendered":"<p>Paris, Fran&ccedil;a, 30\/10\/2012 &ndash; A pol&iacute;cia francesa desbaratou uma rede de tr&aacute;fico de pessoas que obrigava jovens imigrantes a se prostitu&iacute;rem.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10900\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n88-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10900\" class=\"size-medium wp-image-10900\" title=\"Na Fran&ccedil;a, 70% das 20 mil trabalhadoras sexuais existentes s&atilde;o imigrantes. - A.D. McKenzie\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n88-300x225.jpg\" alt=\"Na Fran&ccedil;a, 70% das 20 mil trabalhadoras sexuais existentes s&atilde;o imigrantes. - A.D. McKenzie\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10900\" class=\"wp-caption-text\">Na Fran&ccedil;a, 70% das 20 mil trabalhadoras sexuais existentes s&atilde;o imigrantes. - A.D. McKenzie\/IPS<\/p><\/div>  O caso lan&ccedil;ou luz sobre um flagelo j&aacute; considerado como uma forma de &quot;escravid&atilde;o moderna&quot;. Ap&oacute;s a opera&ccedil;&atilde;o realizada em setembro, a pol&iacute;cia informou que a rede traficava jovens nigerianas que trazia para a Fran&ccedil;a da It&aacute;lia, e as obrigava a se prostitu&iacute;rem, com o argumento de que dessa forma pagariam os milhares de euros que deviam aos que as trouxeram para a Europa.<\/p>\n<p>A Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT) estima que h&aacute; 1,5 milh&atilde;o de v&iacute;timas de tr&aacute;fico humano nos pa&iacute;ses da Uni&atilde;o Europeia (UE) e em outros igualmente ricos. O total mundial de v&iacute;timas deste tr&aacute;fico chega a 21 milh&otilde;es. Segundo organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, a quantidade de pessoas nessa situa&ccedil;&atilde;o aumenta devido &agrave; crise econ&ocirc;mica global atual e aos conflitos em diferentes partes do mundo.<\/p>\n<p>O Lobby Europeu de Mulheres (LEF, sigla em franc&ecirc;s), com sede em Bruxelas, lan&ccedil;ou uma grande campanha contra o tr&aacute;fico humano por ocasi&atilde;o dos Jogos Ol&iacute;mpicos realizados em Londres, nos meses de julho e agosto. Tamb&eacute;m pediu aos membros do Parlamento Europeu que condenassem a prostitui&ccedil;&atilde;o. &quot;Milhares de adolescentes e mulheres jovens est&atilde;o em perigo de serem traficadas e exploradas sexualmente para atender a demanda de prostitui&ccedil;&atilde;o&quot;, como ocorreu este ano com os Jogos de Londres e o campeonato de futebol da Europa, realizado na Pol&ocirc;nia e na Ucr&acirc;nia, afirmou o LEF.<\/p>\n<p>&quot;Entre as muitas formas de viol&ecirc;ncia contra as mulheres, a prostitui&ccedil;&atilde;o continua sendo uma &aacute;rea crucial, na qual seus direitos s&atilde;o violados de forma generalizada&quot;, declarou &agrave; IPS a coordenadora de projetos e encarregada de pol&iacute;ticas do LEF, Pierrette Pape. A organiza&ccedil;&atilde;o lan&ccedil;ou a campanha &quot;Juntos por uma Europa Livre de Prostitui&ccedil;&atilde;o&quot; pela primeira vez em 2010. Ao reunir uma grande quantidade de associa&ccedil;&otilde;es de mulheres, recebeu contribui&ccedil;&otilde;es e apoio de v&aacute;rios grupos que participar&atilde;o da confer&ecirc;ncia continental sobre prostitui&ccedil;&atilde;o que o LEF realizar&aacute; no dia 4 de dezembro em Bruxelas.<\/p>\n<p>&quot;A prostitui&ccedil;&atilde;o constitui uma viola&ccedil;&atilde;o fundamental dos direitos humanos das mulheres e &eacute; uma forma de viol&ecirc;ncia masculina&quot;, disse Anna Hedh, europarlamentar sueca que apoia a campanha do LEF. &quot;Al&eacute;m disso, tamb&eacute;m &eacute; um elemento importante da escravid&atilde;o moderna na Europa, o tr&aacute;fico humano. Se conseguirmos uma sociedade livre de prostitui&ccedil;&atilde;o e de explora&ccedil;&atilde;o sexual de mulheres e meninas, tamb&eacute;m ficaremos livres de uma grande parte do tr&aacute;fico humano na UE&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Nusha Yonkova, coordenadora contra o tr&aacute;fico humano do Conselho para Imigrantes da Irlanda, grupo associado ao LEF, disse &agrave; IPS que as imigrantes que se envolvem com o com&eacute;rcio sexual sofrem m&uacute;ltiplos problemas. Ela explicou que as dificuldades incluem a &quot;inseguran&ccedil;a por seu status legal, pois podem estar violando leis nacionais, al&eacute;m das vinculadas &agrave; prostitui&ccedil;&atilde;o, criminaliza&ccedil;&atilde;o por parte do Estado, isolamento e falta de amizades, desorienta&ccedil;&atilde;o pelo cont&iacute;nuo movimento entre bordeis de diferentes cidades, vulnerabilidade &agrave; extors&atilde;o e &agrave; chantagem.<\/p>\n<p>Sem esquecer a fragilidade &quot;diante do controle dos proxenetas e da falta de assist&ecirc;ncia m&eacute;dica&quot;, salvo por algumas cl&iacute;nicas para doen&ccedil;as sexualmente transmiss&iacute;veis, prosseguiu Yonkova. Tampouco podem &quot;se integrar de forma efetiva&quot; ao mercado de trabalho, segundo o LEF. &quot;Vai al&eacute;m de encontrar emprego, tem a ver com conseguir um trabalho que utilize e valorize suas qualifica&ccedil;&otilde;es e capacidades&quot;, explica. As mulheres &quot;costumam encontrar trabalho em &aacute;reas tradicionalmente consideradas femininas, que implicam muitas horas por um sal&aacute;rio baixo e correm o risco de sofrer graves formas de explora&ccedil;&atilde;o, especialmente se realizam tarefas dom&eacute;sticas&quot;, diz o LEF.<\/p>\n<p>Na Uni&atilde;o Europeia, muitas pessoas, mulheres e homens imigrantes n&atilde;o t&ecirc;m permiss&atilde;o de trabalho por carecerem de status legal de solicitantes de asilo, de acompanhante de seu c&ocirc;njuge ou de n&atilde;o ter documentos. &quot;Longos per&iacute;odos sem direito a trabalhar, como ocorre com os solicitantes de asilo, &eacute; um enorme obst&aacute;culo para sua futura integra&ccedil;&atilde;o no mercado profissional&quot;, acrescentou. Na Irlanda, pa&iacute;s de emigra&ccedil;&atilde;o por v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es, as imigrantes est&atilde;o em situa&ccedil;&atilde;o &quot;muito prec&aacute;ria&quot;, segundo Yonkova.<\/p>\n<p>&quot;A autoriza&ccedil;&atilde;o de trabalho &eacute; cara e quase imposs&iacute;vel de obter porque os cidad&atilde;os que n&atilde;o s&atilde;o da UE n&atilde;o t&ecirc;m direito a aspirar a quase nenhum tipo de emprego&quot;, afirmou Yonkova. Segundo ela, na prostitui&ccedil;&atilde;o, &quot;as mulheres tentam manter o status de estudantes na Irlanda, mas tamb&eacute;m &eacute; dif&iacute;cil porque os cursos s&atilde;o caros e a renova&ccedil;&atilde;o exige o comparecimento, que elas n&atilde;o podem comprovar&quot;. Assim, &quot;se convertem em presa dos &#39;assessores de imigra&ccedil;&atilde;o&#39;, que tentam conseguir-lhes credenciais e certificados universit&aacute;rios falsos&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>&quot;Estimamos que mil mulheres trabalhem na ind&uacute;stria do sexo diariamente na Irlanda&quot;, afirmou o Conselho para Imigrantes. Contudo, a organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode dizer &quot;quantas decidem se prostituir, quantas s&atilde;o obrigadas por terceiros, s&atilde;o chantageadas ou amea&ccedil;adas e nem quantas s&atilde;o menores&quot;, o que &eacute; muito comum, acrescentou. &quot;Queremos assinalar que as organiza&ccedil;&otilde;es irlandesas de ajuda aos imigrantes n&atilde;o aceitam a prostitui&ccedil;&atilde;o como forma de sustento&quot;, pontuou Yonkova. &quot;Deploramos quem defende o direito de as imigrantes pobres se venderem para ganhar a vida, sem oferecer-lhes nenhuma possibilidade real de emprego. &Eacute; um enfoque intrinsecamente racista&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>As imigrantes envolvidas no com&eacute;rcio sexual europeu t&ecirc;m diferentes origens. Na Irlanda, procedem da Am&eacute;rica Latina e dos &quot;pa&iacute;ses mais pobres do leste europeu&quot;, como Rom&ecirc;nia, mas tamb&eacute;m da Nig&eacute;ria, segundo o Conselho para Imigrantes. Na B&eacute;lgica, as procedem principalmente de Alb&acirc;nia, Bulg&aacute;ria e Rom&ecirc;nia. Entretanto, tamb&eacute;m h&aacute; as de &quot;Hungria, It&aacute;lia e Gr&eacute;cia, o que mostra como o sistema explora as mais vulner&aacute;veis&quot;, afirmou a organiza&ccedil;&atilde;o. It&aacute;lia e Gr&eacute;cia s&atilde;o pa&iacute;ses afundados em graves crises econ&ocirc;micas e com medidas de austeridade sem precedentes.<\/p>\n<p>Na Fran&ccedil;a, cerca de 70% das 20 mil mulheres que, se estima, trabalham na prostitui&ccedil;&atilde;o s&atilde;o estrangeiras e origin&aacute;rias de pa&iacute;ses da Europa central e oriental, bem como da &Aacute;frica subsaariana. Neste pa&iacute;s, a prostitui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; ilegal, mas ser proxeneta ou propriet&aacute;rio de bordel &eacute;. Numerosos legisladores franceses tentam proibir a prostitui&ccedil;&atilde;o, medida rejeitada pelas pr&oacute;prias trabalhadoras sexuais.<\/p>\n<p>Em julho, ativistas e trabalhadoras sexuais protestaram nas ruas de Paris e de outras cidades francesas, contra a proposta da ministra dos Direitos das Mulheres, Najat Vallaud-Belkacem, de penalizar quem fosse descoberto solicitando prostitutas nas ruas. Alegam que criminalizar a prostitui&ccedil;&atilde;o s&oacute; far&aacute; conden&aacute;-las ao ostracismo, al&eacute;m de tirar seu sustento. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paris, Fran&ccedil;a, 30\/10\/2012 &ndash; A pol&iacute;cia francesa desbaratou uma rede de tr&aacute;fico de pessoas que obrigava jovens imigrantes a se prostitu&iacute;rem. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/direitos-humanos\/imigrantes-prisioneiras-do-comrcio-sexual-europeu\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":220,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[18,21,24],"class_list":["post-10900","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-europa","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10900","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/220"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10900"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10900\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10900"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10900"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10900"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}