{"id":1091,"date":"2005-10-10T00:00:00","date_gmt":"2005-10-10T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1091"},"modified":"2005-10-10T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-10T00:00:00","slug":"comrcio-mundial-redobram-as-presses-sobre-o-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/comrcio-mundial-redobram-as-presses-sobre-o-sul\/","title":{"rendered":"Com&eacute;rcio Mundial: Redobram as press&otilde;es sobre o Sul"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, 10\/10\/2005 &ndash; Os furac&otilde;es nos Estados Unidos e suas conseq&uuml;&ecirc;ncias, que est&atilde;o exercendo press&otilde;es altistas sobre os pre&ccedil;os do petr&oacute;leo, podem se converter no convidado de peso da Rodada de Doha sobre desenvolvimento da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio. A agenda de Doha inclui a reforma e liberaliza&ccedil;&atilde;o da agricultura atualmente fortemente protegida nos pa&iacute;ses ricos por subs&iacute;dios dom&eacute;sticos &agrave; exporta&ccedil;&atilde;o e por altas tarifas alfandeg&aacute;rias aplicados &agrave;s importa&ccedil;&otilde;es, pela liberaliza&ccedil;&atilde;o do acesso aos mercados n&atilde;o-agr&iacute;colas (NAMA), liberaliza&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio em servi&ccedil;os (GATS), mudan&ccedil;as nas regras da OMC e uma Agenda de Desenvolvimento que inclui o Tratamento Especial e Diferencial (SDT) para os pa&iacute;ses em desenvolvimento e a coloca&ccedil;&atilde;o em marcha de todas essas medidas.<br \/> <!--more--> <br \/> O objetivo inicial da rodada era chegar a um acordo at&eacute; dezembro deste ano (Reuni&atilde;o ministerial de Hong Kong) e concluir as conversa&ccedil;&otilde;es at&eacute; julho de 2006. Mas o clima pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico nos Estados Unidos e na Uni&atilde;o Europ&eacute;ia trabalha contra o cumprimento desse prop&oacute;sito. Inclusive para alcan&ccedil;ar algumas modestas metas (como as dos subs&iacute;dios para o algod&atilde;o e o a&ccedil;&uacute;car) os Estados Unidos exigem resultados ambiciosos no NAMA e no GATS. No NAMA, pede-se aos pa&iacute;ses em desenvolvimento que reduzam drasticamente suas tarifas alfandeg&aacute;rias, bem como que aceitem uma f&oacute;rmula de tarifa zero em alguns setores (nos quais os EUA t&ecirc;m vantagem). Pa&iacute;ses como a &Iacute;ndia rejeitaram esse pedido.<\/p>\n<p> A UE, por sua vez, parece incapaz de ir muito al&eacute;m das atuais formas de Pol&iacute;tica Agr&iacute;cola Comum (PAC) com rela&ccedil;&atilde;o ao apoio dom&eacute;stico, aos subs&iacute;dios &agrave; exporta&ccedil;&atilde;o ou &agrave; redu&ccedil;&atilde;o de tarifas alfandeg&aacute;rias. O grupo formado por pa&iacute;ses da &Aacute;frica, do Caribe e do Pac&iacute;fico, que goza de acesso preferencial &agrave; UE est&aacute; preocupado pela eros&atilde;o das prefer&ecirc;ncias que t&ecirc;m e &eacute; contra os cortes dr&aacute;sticos nas tarifas da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia. O aumento do pre&ccedil;o do petr&oacute;leo deve ser visto no contexto de seus antecedentes. Aumentou de US$ 11 o barril, em 1998, para US$ 65 antes do Katrina. Segundo as previs&otilde;es do governo norte-americano, o pre&ccedil;o m&eacute;dio do petr&oacute;leo ser&aacute; de US$ 70 at&eacute; o final do ano.<\/p>\n<p> O alto pre&ccedil;o da energia far&aacute; com que o sistema globalizado de produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o (componentes produzidos em um lugar, transportados para outro para seu posterior processamento antes da exporta&ccedil;&atilde;o aos mercados de consumo) seja insustent&aacute;vel. O aumento de pre&ccedil;os tem muitas implica&ccedil;&otilde;es para o sistema multilateral de com&eacute;rcio da OMC, onde o ex-comiss&aacute;rio da UE, o franc&ecirc;s Pascal Lamy, assumiu o cargo de Diretor Geral em 1&ordm; de setembro. As principais pot&ecirc;ncias comerciais esperam que Lamy possa tirar um coelho da cartola. Resta saber se ele pode fazer com que seja esquecido seu passado como comiss&aacute;rio da UE, quando promoveu os interesses europeus sob um &quot;livre&quot; com&eacute;rcio que, na realidade, consistia em exigir a abertura dos mercados externos para as empresas europ&eacute;ias ao mesmo tempo em que protegia os mercados dom&eacute;sticos da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia.<\/p>\n<p> A OMC e as negocia&ccedil;&otilde;es comerciais s&atilde;o impulsionadas por agendas de liberaliza&ccedil;&atilde;o guiadas pela confian&ccedil;a no livre com&eacute;rcio. Em apoio &agrave; opini&atilde;o de que &quot;as economias abertas crescem mais depressa do que outras&quot; costuma-se citar o estudo de Jeffrey Sachs e A. Werner (1995) no qual se afirmava que as economias com restri&ccedil;&otilde;es comerciais crescem mais lentamente do que as economias abertas. V&aacute;rios estudos subseq&uuml;entes expressaram s&eacute;rias d&uacute;vidas sobre a pol&iacute;tica aconselhada aos pa&iacute;ses em desenvolvimento de remover as barreiras comerciais e se liberalizar para poder crescer. Um estudo de Rodr&iacute;guez F. e Rodrik D. (1999) mostrou que n&atilde;o foi registrado em nenhum pa&iacute;s um impacto de crescimento causado pela liberaliza&ccedil;&atilde;o comercial.<\/p>\n<p> Outro estudo posterior, de Romain Wacziarg e Karen Horn Welch (2003) n&atilde;o s&oacute; confirmou as afirma&ccedil;&otilde;es de Rodr&iacute;guez e Rodrik, como tamb&eacute;m disse que a tese de Sachs e Werner sobre os efeitos negativos nos anos 90 para o crescimento das barreiras comerciais se revelou completamente falsa. Os pa&iacute;ses em desenvolvimento est&atilde;o sendo pressionados para que fa&ccedil;am concess&otilde;es, pois de outro modo &#8211; dizem &#8211; a economia e seu pr&oacute;prio crescimento correm perigo.Gerry Helleneir, professor em&eacute;rito da Universidade de Toronto, desafiou essa opini&atilde;o durante a confer&ecirc;ncia anual sobre desenvolvimento do Banco Mundial de 2004 ao sugerir que &quot;&eacute; mais importante que as normas da OMC e de outros sistemas de regras comerciais sejam, em geral, mais justas e aceit&aacute;veis, n&atilde;o importando quanto tempo demore para melhor&aacute;-las, do que se apressar a fazer as ulteriores liberaliza&ccedil;&otilde;es que reclamam as principais pot&ecirc;ncias econ&ocirc;micas&#8230;&quot;. Simplesmente, se a atual rodada de negocia&ccedil;&otilde;es da OMS fracassar n&atilde;o ser&aacute;, como alguns sugerem, um desastre para o desenvolvimento. Se esta rodada sobre o desenvolvimento fracassar, deveremos fazer uma nova tentativa. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p> (*) Chakravarti Raghavan, especialista em com&eacute;rcio internacional e Editor Em&eacute;rito do South-North Development Monitor (SUNS, Genebra).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, 10\/10\/2005 &ndash; Os furac&otilde;es nos Estados Unidos e suas conseq&uuml;&ecirc;ncias, que est&atilde;o exercendo press&otilde;es altistas sobre os pre&ccedil;os do petr&oacute;leo, podem se converter no convidado de peso da Rodada de Doha sobre desenvolvimento da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio. A agenda de Doha inclui a reforma e liberaliza&ccedil;&atilde;o da agricultura atualmente fortemente protegida nos pa&iacute;ses ricos por subs&iacute;dios dom&eacute;sticos &agrave; exporta&ccedil;&atilde;o e por altas tarifas alfandeg&aacute;rias aplicados &agrave;s importa&ccedil;&otilde;es, pela liberaliza&ccedil;&atilde;o do acesso aos mercados n&atilde;o-agr&iacute;colas (NAMA), liberaliza&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio em servi&ccedil;os (GATS), mudan&ccedil;as nas regras da OMC e uma Agenda de Desenvolvimento que inclui o Tratamento Especial e Diferencial (SDT) para os pa&iacute;ses em desenvolvimento e a coloca&ccedil;&atilde;o em marcha de todas essas medidas.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/comrcio-mundial-redobram-as-presses-sobre-o-sul\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1370,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1091","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1091","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1370"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1091"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1091\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1091"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1091"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1091"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}