{"id":10913,"date":"2012-10-31T10:36:12","date_gmt":"2012-10-31T10:36:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10913"},"modified":"2012-10-31T10:36:12","modified_gmt":"2012-10-31T10:36:12","slug":"china-chega-amrica-central-com-satlites-e-megaobras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/america-latina\/china-chega-amrica-central-com-satlites-e-megaobras\/","title":{"rendered":"China chega &agrave; Am&eacute;rica Central com sat&eacute;lites e megaobras"},"content":{"rendered":"<p>Cidade da Guatemala, Guatemala, 31\/10\/2012 &ndash; De sat&eacute;lites a canais interoce&acirc;nicos, os investimentos mais inovadores, ou mais fara&ocirc;nicos, na Am&eacute;rica Central procedem da China, com a qual, entretanto, seis dos sete pa&iacute;ses do istmo n&atilde;o t&ecirc;m rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10913\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/China1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10913\" class=\"size-medium wp-image-10913\" title=\"Em vermelho, o trajeto que teria o canal interoce&acirc;nico da Nicar&aacute;gua; em verde, a localiza&ccedil;&atilde;o atual do Canal do Panam&aacute;. - Jonadab CC BY-SA 3.0\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/China1.jpg\" alt=\"Em vermelho, o trajeto que teria o canal interoce&acirc;nico da Nicar&aacute;gua; em verde, a localiza&ccedil;&atilde;o atual do Canal do Panam&aacute;. - Jonadab CC BY-SA 3.0\" width=\"200\" height=\"106\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10913\" class=\"wp-caption-text\">Em vermelho, o trajeto que teria o canal interoce&acirc;nico da Nicar&aacute;gua; em verde, a localiza&ccedil;&atilde;o atual do Canal do Panam&aacute;. - Jonadab CC BY-SA 3.0<\/p><\/div>  Pequim sustenta uma expans&atilde;o comercial e industrial avassaladora na regi&atilde;o, que esta n&atilde;o consegue capitalizar para ampliar suas vendas para o gigantesco mercado asi&aacute;tico.<\/p>\n<p>&quot;Os interesses chineses aumentaram, e, como toda pot&ecirc;ncia, &eacute; mais o que querem colocar do que o que querem comprar&quot;, disse &agrave; IPS o cooperativista Jes&uacute;s Garza, da Associa&ccedil;&atilde;o de Organiza&ccedil;&otilde;es N&atilde;o Governamentais de Honduras, que promove o desenvolvimento empresarial sustent&aacute;vel, entre outras a&ccedil;&otilde;es. Por exemplo, no leste hondurenho, a empresa chinesa de capital estatal Sinohydro constr&oacute;i a central hidrel&eacute;trica Patuca III, com capacidade para gerar 104 megawatts, ao custo de US$ 350 milh&otilde;es.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, o presidente hondurenho, Porfirio Lobo, se reuniu em setembro com executivos do Banco de Desenvolvimento da China para explorar outros investimentos em energia e comunica&ccedil;&otilde;es. Mas a presen&ccedil;a chinesa se mostra muito mais ambiciosa na Nicar&aacute;gua. O presidente Daniel Ortega assinou, no m&ecirc;s passado, um memorando de entendimento com a rec&eacute;m-criada HK Nicar&aacute;gua Canal Development Investment Co., com sede em Hong Kong e presidida por um magnata das telecomunica&ccedil;&otilde;es, para financiar e construir uma passagem interoce&acirc;nica entre o Mar do Caribe e o Oceano Atl&acirc;ntico, sonho h&aacute; tempos acariciado por Man&aacute;gua.<\/p>\n<p>Estimativas nicaraguenses indicam que a obra custar&aacute; US$ 30 bilh&otilde;es e demorar&aacute; dez anos. A HK Nicar&aacute;gua, encabe&ccedil;ada por Wang Jing, presidente da empresa de telecomunica&ccedil;&otilde;es Xinwei, dever&aacute; desenvolver um canal &uacute;mido para a passagem de navios de grande porte e uma ferrovia de carga, construir um porto de &aacute;guas profundas em Monkey Point, no Caribe, e remodelar o porto de Corinto, no Pac&iacute;fico.<\/p>\n<p>Man&aacute;gua tamb&eacute;m negocia com a China Great Wall Industry Corporation o desenvolvimento e a compra do Nicasat-1, sat&eacute;lite de terceira gera&ccedil;&atilde;o avaliado em US$ 300 milh&otilde;es, que oferecer&aacute; a partir de 2016 modernos servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es, internet e televis&atilde;o digital para a Nicar&aacute;gua e a regi&atilde;o. O acordo poderia se concretizar ainda este ano em Pequim entre o Instituto Nicaraguense de Telecomunica&ccedil;&otilde;es e a Great Wall Industry, que fabrica sat&eacute;lites para v&aacute;rios pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina, &Aacute;frica e &Aacute;sia.<\/p>\n<p>Em El Salvador, Costa Rica e Guatemala, os investimentos chineses incluem energia solar, ind&uacute;stria petroleira e telecomunica&ccedil;&otilde;es, entre outros setores, por interm&eacute;dio de empresas como Huawei, Suzhou Guoxin Group e National Petroleum Corporation.<\/p>\n<p>Apesar do efeito econ&ocirc;mico positivo que podem ter estes investimentos, Garza alertou que se deve conhecer &quot;sob quais condi&ccedil;&otilde;es ocorre, se respeita os direitos trabalhistas e as normas ambientais, e &eacute; a&iacute; onde pode haver impactos negativos&quot;. Em Honduras, por exemplo, a n&atilde;o governamental Associa&ccedil;&atilde;o Patuca denunciou irregularidades na licen&ccedil;a que declarou &quot;ambientalmente vi&aacute;vel&quot; a central Patuca III, emitida em 2011 pelo Minist&eacute;rio de Recursos Naturais e Meio Ambiente.<\/p>\n<p>Por outro lado, o istmo n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es competitivas para vender seus produtos &agrave; China. A assimetria de popula&ccedil;&atilde;o &eacute; apenas o aspecto mais evidente: aqui vivem 42 milh&otilde;es de pessoas; l&aacute;, mais de 1,3 bilh&atilde;o. A produ&ccedil;&atilde;o centro-americana &eacute; majoritariamente agr&iacute;cola. &quot;Por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; rent&aacute;vel para a China comprar feij&atilde;o ou frutas aqui por causa da dist&acirc;ncia e dos custos&quot; que esta imp&otilde;e para volumes relativamente pequenos, pontuou Garza.<\/p>\n<p>A Am&eacute;rica Central tampouco conseguiu a unifica&ccedil;&atilde;o aduaneira, que lhe permitiria uma tarifa &uacute;nica, regulamentos e legisla&ccedil;&atilde;o comuns em mat&eacute;ria comercial, aduaneira e sanit&aacute;ria, facilitando o com&eacute;rcio exterior e a competitividade, segundo a Secrearia de Integra&ccedil;&atilde;o Econ&ocirc;mica Centro-Americana (Sieca). A regi&atilde;o elevou suas vendas para o mercado asi&aacute;tico, mas a balan&ccedil;a comercial continua sendo amplamente negativa.<\/p>\n<p>Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicar&aacute;gua &#8211; cinco dos sete pa&iacute;ses centro-americanos &#8211; em 2004 vendiam para a China US$ 196 milh&otilde;es. E, entre janeiro e maio deste ano, suas exporta&ccedil;&otilde;es para esse mercado chegaram a US$ 219 milh&otilde;es, segundo a Sieca. Contudo, nesses mesmos meses, os cinco pa&iacute;ses importaram US$ 1,435 bilh&atilde;o da China.<\/p>\n<p>&quot;Comercialmente, n&atilde;o se pode negar a China&quot;, disse &agrave; IPS o economista Paulo de Le&oacute;n, da consultoria Central American Business Intelligence, com sede na Guatemala. Embora o benef&iacute;cio regional &quot;n&atilde;o seja t&atilde;o evidente quanto no Chile, por exemplo, que &eacute; quem produz mais cobre no mundo e tem na China sua principal compradora&quot;.<\/p>\n<p>Pelas dist&acirc;ncias e pelos fretes, n&atilde;o conv&eacute;m &agrave; China comprar produtos b&aacute;sicos na Am&eacute;rica Central porque &quot;o custo seria muito alto&quot;, acrescentou Le&oacute;n. Em sua opini&atilde;o, a regi&atilde;o deve se focar no mais pr&oacute;ximo mercado norte-americano. &quot;&Eacute; preciso olhar mais para os Estados Unidos. Temos um mercado grande a uma hora e meia de avi&atilde;o; tamb&eacute;m temos M&eacute;xico e Col&ocirc;mbia, com os quais mantemos tratados de livre com&eacute;rcio&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Por outro lado, a China pode se beneficiar com investimentos na regi&atilde;o, que &quot;tem grandes necessidades em mat&eacute;ria energ&eacute;tica para as quais, por exemplo, a Guatemala, n&atilde;o tem dinheiro&quot;, acrescentou. O istmo tamb&eacute;m se sente constrangido por privilegiar os v&iacute;nculos com Taiwan, territ&oacute;rio que Pequim considera uma prov&iacute;ncia rebelde.<\/p>\n<p>Mas, na Costa Rica, &uacute;nico pa&iacute;s centro-americano que tem rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas com Pequim, as coisas n&atilde;o s&atilde;o diferentes. Na agroind&uacute;stria &quot;falamos de caf&eacute;, a&ccedil;&uacute;car e algum outro produto agr&iacute;cola&quot;, na Costa Rica &quot;n&atilde;o temos um grande impacto comercial&quot; derivado do estabelecimento desses v&iacute;nculos formais em 2007, disse &agrave; IPS o cooperativista Gilbert Ram&iacute;rez. De fato, San Jos&eacute; e Pequim assinaram em 2010 um tratado de livre com&eacute;rcio.<\/p>\n<p>&quot;Conversamos com empresas chinesas para vender caf&eacute; e a&ccedil;&uacute;car, e em n&iacute;vel de microcr&eacute;ditos ou cr&eacute;dito para consolidar nosso modelo por meio da promotora de exporta&ccedil;&otilde;es da Costa Rica, mas depois de certo tempo n&atilde;o concretizamos nenhum projeto, explicou Ram&iacute;rez. Ele tamb&eacute;m acredita que o mercado norte-americano continua sendo mais atraente porque &quot;est&aacute; mais perto e nos entende melhor&quot;, destacou, referindo-se &agrave;s barreiras culturais existentes entre esta regi&atilde;o e o Oriente.<\/p>\n<p>Entretanto, a Am&eacute;rica Central continua buscando oportunidades comerciais na China. O empres&aacute;rio Pedro Barnoya, da C&acirc;mara de Coopera&ccedil;&atilde;o e Com&eacute;rcio China-Guatemala, disse &agrave; IPS que, no dia 19 deste m&ecirc;s, foi inaugurado um escrit&oacute;rio comercial na cidade de Xangai, polo econ&ocirc;mico e financeiro e maior porto do mundo por volume de mercadorias, &quot;para buscar e encontrar compradores para os produtos que necessitam&quot;.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, &quot;se trabalha com o Conselho Chin&ecirc;s para o Fomento do Com&eacute;rcio Internacional e com institui&ccedil;&otilde;es privadas para criar um comit&ecirc; de negocia&ccedil;&atilde;o permanente&quot; com a regi&atilde;o detalhou Barnoya. Uma delega&ccedil;&atilde;o guatemalteca esteve nos dias 17 e 18 deste m&ecirc;s na VI C&uacute;pula Empresarial China-Am&eacute;rica Latina e Caribe, na cidade de Hangzhou. Apesar de tudo, o &quot;mais importante &eacute; ir ao continente, porque &eacute; l&aacute; que est&aacute; o poder aquisitivo&quot;, concluiu. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade da Guatemala, Guatemala, 31\/10\/2012 &ndash; De sat&eacute;lites a canais interoce&acirc;nicos, os investimentos mais inovadores, ou mais fara&ocirc;nicos, na Am&eacute;rica Central procedem da China, com a qual, entretanto, seis dos sete pa&iacute;ses do istmo n&atilde;o t&ecirc;m rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/10\/america-latina\/china-chega-amrica-central-com-satlites-e-megaobras\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":52,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5],"tags":[17],"class_list":["post-10913","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10913","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10913"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10913\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10913"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10913"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10913"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}