{"id":10927,"date":"2012-11-05T03:54:32","date_gmt":"2012-11-05T03:54:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10927"},"modified":"2012-11-05T03:54:32","modified_gmt":"2012-11-05T03:54:32","slug":"cumprir-as-promessas-feitas-aos-pequenos-agricultores-em-frica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/11\/africa\/cumprir-as-promessas-feitas-aos-pequenos-agricultores-em-frica\/","title":{"rendered":"Cumprir as Promessas Feitas aos Pequenos Agricultores em &Aacute;frica"},"content":{"rendered":"<p>ARUSHA, Tanz&acirc;nia, 05\/11\/2012 &ndash; O investimento nas infra-estruturas rurais e o apoio prestado a milh&otilde;es de pequenos agricultores africanos aumentou na &uacute;ltima d&eacute;cada. Mas &agrave; medida que estes agricultores come&ccedil;am a ver um aumento da produ&ccedil;&atilde;o, torna-se pertinente a quest&atilde;o de ter melhor acesso aos mercados. <!--more--> O Presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agr&iacute;cola, Kanayo Nwanze, afirma que as zonas rurais de &Aacute;frica est&atilde;o prontas para o investimento, apresentando oportunidades sem precedentes. <\/p>\n<p>&quot;&Aacute;frica tem o maior crescimento populacional e o maior &iacute;ndice de urbaniza&ccedil;&atilde;o do mundo. A classe m&eacute;dia est&aacute; a crescer em todo o continente, levando ao aumento da procura de alimentos,&quot; disse Nwanze aos delegados do F&oacute;rum sobre a Revolu&ccedil;&atilde;o Verde Africana de 2012, que se realizou em Arusha, na Tanz&acirc;nia, de 26 a 28 de Setembro.<\/p>\n<p>Os governos africanos, os seus parceiros de desenvolvimento e os respons&aacute;veis pelo sector agro-industrial concordam que a chave para o aumento da produ&ccedil;&atilde;o inclui sementes e adubos de melhor qualidade, assim como melhores infra-estruturas como estradas e irriga&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Mas muitos pequenos agricultores n&atilde;o t&ecirc;m instala&ccedil;&otilde;es de armazenamento ou processamento nem meios de transporte para retirar as suas colheitas das explora&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas. Uma das formas que o investimento do sector privado pode ligar estes pequenos agricultores ao mercado s&atilde;o os projectos em regime de subcontrata&ccedil;&atilde;o, segundo os quais determinada empresa firma um contrato com os pequenos agricultores para que estes forne&ccedil;am produtos agr&iacute;colas. <\/p>\n<p>Em Mo&ccedil;ambique, a Olam Internacional, empresa do sector agro-industrial sediada na &Iacute;ndia que mant&eacute;m rela&ccedil;&otilde;es comerciais com dois milh&otilde;es de agricultores em duas dezenas pa&iacute;ses africanos e noutros locais, est&aacute; a desenvolver um projecto em regime de subcontrata&ccedil;&atilde;o numa concess&atilde;o gigante com 850.000 hectares, com a dura&ccedil;&atilde;o de 20 anos, n&atilde;o muito longe da cidade portu&aacute;ria da Beira [LINK http:\/\/is.gd\/70ehI8].<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o havia nada ali h&aacute; quatro anos,&quot; disse &agrave; IPS M.D. Ramesh, director respons&aacute;vel pelas opera&ccedil;&otilde;es na &Aacute;frica Oriental,. &quot;Agora temos 60.000 agricultores a trabalhar em 60.000 hectares.&quot; <\/p>\n<p>A Olam concede cr&eacute;dito, sementes e adubos aos agricultores e depois compra as suas colheitas na altura apropriada. <\/p>\n<p>O problema inicial residia no facto de muitos pequenos agricultores n&atilde;o terem qualquer no&ccedil;&atilde;o sobre como plantar algod&atilde;o. A Olam organizou demonstra&ccedil;&otilde;es m&oacute;veis para ensinar aos agricultores locais a forma de plantar esta colheita. Ramesh afirmou que os resultados ainda n&atilde;o eram os melhores mas as colheitas tinham aumentado de 300 quilos por hectare no in&iacute;cio h&aacute; seis anos para os actuais 600 quilos por hectare. Para colocar isto em perspectiva, os subcontratados mais experientes no Zimbabwe colhem habitualmente 1.200 quilos de algod&atilde;o em caro&ccedil;o por hectare. <\/p>\n<p>&quot;T&ecirc;m de compreender que estamos a trabalhar sem infra-estruturas, sem telefones, e sem bancos &#8211; portanto tudo se baseia em transa&ccedil;&otilde;es monet&aacute;rias: &eacute; um desafio,&quot; disse Ramesh.<\/p>\n<p>Mas est&aacute; confiante que, at&eacute; 2015, 100.000 hectares ter&atilde;o come&ccedil;ado a produzir, com 120.000 agricultores a produzirem entre 60.000 a 70.000 toneladas de algod&atilde;o em caro&ccedil;o por ano, valendo cerca de 40 milh&otilde;es de d&oacute;lares depois do processamento. <\/p>\n<p>&quot;O maior risco com os pequenos agricultores &eacute; quando se concede cr&eacute;dito, visto que n&atilde;o se pode recorrer a meios legais se algo correr mal&#8230;e muitas vezes as coisas correm mal, mas com o tempo desenvolve-se uma depend&ecirc;ncia m&uacute;tua entre as duas partes,&quot; afirmou Ramesh.<\/p>\n<p>O Director Exceutivo da Agrica, Carter Coleman, dirige uma companhia muito diferente &#8211; numa escala muito diferente &#8211; na Tanz&acirc;nia, mas concorda quanto &agrave; quest&atilde;o do risco. &quot;A agricultura &eacute; uma actividade de capital intensivo e de elevado risco e oferece retornos a longo prazo. Muitos investidores ouvem essa explica&ccedil;&atilde;o e saem porta fora.&quot;<\/p>\n<p>Mas Coleman n&atilde;o tem essa atitude. A Agrica foi fundada em 2005 com o intuito de criar um padr&atilde;o para a agricultura comercial sustent&aacute;vel na &Aacute;frica Oriental. O seu &uacute;nico projecto at&eacute; agora &eacute; o arrozal de Kilombero na Tanz&acirc;nia, com 5.800 hectares, estabelecido no local, h&aacute; muito abandonado, de um projecto agr&iacute;cola conjunto da Tanz&acirc;nia e da Coreia do Norte. <\/p>\n<p>A Kilombero Plantations Limited ou KPL &eacute; uma institui&ccedil;&atilde;o muito moderna que pratica o plantio directo, a fertiliza&ccedil;&atilde;o com meios a&eacute;reos, piv&ocirc;s centrais de irriga&ccedil;&atilde;o e um moinho alimentado por uma pequena central hidroel&eacute;ctrica, seguindo a filosofia do seu propriet&aacute;rio, a Agrica. [LINK: http:\/\/is.gd\/Tll2n8]<\/p>\n<p>Mas tamb&eacute;m est&aacute; a trabalhar no sentido de ajudar 5.000 dos seus vizinhos &#8211; que s&atilde;o pequenos agricultores &#8211; a mudarem de uma agricultura de subsist&ecirc;ncia para uma produ&ccedil;&atilde;o com excedentes at&eacute; 2016.<\/p>\n<p>H&aacute; dois anos, a KPL recrutou um especialista da &Iacute;ndia para formar um pequeno grupo de vizinhos e pequenos agricultores no Vale de Kilombero, sobre o Sistema dos Pequenos Agricultores para a Cultura Intensificada do Arroz. <\/p>\n<p>As t&eacute;cnicas utilizadas, desenvolvidas h&aacute; muitos anos por um padre jesu&iacute;ta de Madag&aacute;scar, envolvem a planta&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica de sementes que s&atilde;o cuidadosamente escolhidas num grelha de 25 x 25 cent&iacute;metros, permitindo aos agricultores triplicar as colheitas e, ao mesmo tempo, reduzir a quantidade de sementes usadas, bem como o tempo necess&aacute;rio para plantar e limpar os campos de ervas daninhas.<\/p>\n<p>Quinze agricultores receberam forma&ccedil;&atilde;o, tendo cada um experimentado os novos m&eacute;todos durante uma esta&ccedil;&atilde;o e num local de 30 x 30 metros. A experi&ecirc;ncia teve um excelente resultado e no ano seguinte foram formadas mais 365 fam&iacute;lias &#8211; tendo os membros de cada grupo inicial expandido a &aacute;rea plantada para cerca de meio hectare. <\/p>\n<p>O aumento de volume do arroz causou um engarrafamento na altura das colheitas &#8211; simplesmente n&atilde;o havia vizinhos em n&uacute;mero suficiente para contratar durante as colheitas.<\/p>\n<p>&quot;Organiz&aacute;mos duas mini ceifeiras-debulhadoras do Vietname para ajudar o nosso trabalho. Cada uma pode cultivar um acre num per&iacute;odo de tr&ecirc;s horas, o que demoraria tr&ecirc;s dias se fosse feito &agrave; m&atilde;o,&quot; disse Coleman. &quot;E isto &eacute; 20 vezes mais barato para os agricultores. Agora queremos mais.&quot;<\/p>\n<p>Os subcontratados est&atilde;o satisfeitos, mas a KLP &eacute; neste momento v&iacute;tima do sucesso dos subcontratados. A companhia compra o arroz n&atilde;o processado ao pre&ccedil;o de mercado, mas embora o pre&ccedil;o do arroz em casca tenha duplicado desde o ano passado para 466 d&oacute;lares por tonelada, o pre&ccedil;o actual do arroz branqueado vendido pela KPL aumentou s&oacute; 40 por cento, n&atilde;o deixando &agrave; companhia qualquer margem em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;quilo que eventualmente entrega em Dar es Salaam, a capital da Tanz&acirc;nia. <\/p>\n<p>Coleman explicou tamb&eacute;m as diversas formas como as infra-estruturas deficientes causam danos &agrave; companhia. Transportar combust&iacute;vel na altura das chuvas na estrada n&atilde;o asfaltada que liga o Vale de Kilombero ao mundo exterior constitui um pesadelo.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o podemos trazer um cami&atilde;o-cisterna. Temos de transferir o combust&iacute;vel para barris e coloc&aacute;-los numa carro&ccedil;a presa a um tractor. Depois temos de arranjar outro tractor para tirar o primeiro da lama quando fica preso. &Eacute; como uma cena da Primeira Guerra Mundial.<\/p>\n<p>A uma dada altura da &eacute;poca das chuvas no ano passado a estrada ficou completamente intransit&aacute;vel, levando milhares de habitantes do vale a ficarem isolados do mundo exterior durante dois meses.<\/p>\n<p>Tanto a KPL como os subcontratados podiam receber mais apoio para a investiga&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola &#8211; por exemplo, para proteger contra as pestes.<\/p>\n<p>Os subcontratados tamb&eacute;m podem estar sujeitos a uma taxa punitiva de cinco por cento sobre o seu volume de neg&oacute;cio imposta pela autoridade distrital, apesar dos agricultores n&atilde;o receberem nada tang&iacute;vel em retorno. A taxa pode anular os lucros de um ano inteiro.<\/p>\n<p>&quot;Toda a gente fala de empenho por parte do governo mas o empenho ao mais alto n&iacute;vel n&atilde;o passa pela burocracia inerte para produzir aquilo que foi prometido,&quot; afirmou Coleman. <\/p>\n<p>Dirigindo-se a uma sess&atilde;o plen&aacute;ria a 27 de Setembro, Nwanze disse que, apesar do crescente investimento e aten&ccedil;&atilde;o, via a situa&ccedil;&atilde;o do sector agr&iacute;cola em &Aacute;frica como um copo meio vazio. <\/p>\n<p>&quot;Onde est&atilde;o as estradas, o abastecimento de &aacute;gua e electricidade, as instala&ccedil;&otilde;es de armazenagem em &Aacute;frica para reduzirmos os preju&iacute;zos p&oacute;s-colheita? Onde est&aacute; a boa governa&ccedil;&atilde;o para gerir n&iacute;veis de financiamento mais elevados?&quot; perguntou.<\/p>\n<p>&quot;A ideia que o copo est&aacute; meio cheio conduz &agrave; complac&ecirc;ncia e &agrave;s vezes &agrave; paralisia mental. Portanto n&atilde;o vos digo o que fizemos ou estamos a fazer bem. Desafio-vos a fazerem melhor.&quot;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ARUSHA, Tanz&acirc;nia, 05\/11\/2012 &ndash; O investimento nas infra-estruturas rurais e o apoio prestado a milh&otilde;es de pequenos agricultores africanos aumentou na &uacute;ltima d&eacute;cada. 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