{"id":10928,"date":"2012-11-05T03:59:13","date_gmt":"2012-11-05T03:59:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10928"},"modified":"2012-11-05T03:59:13","modified_gmt":"2012-11-05T03:59:13","slug":"trigo-poder-garantir-a-segurana-alimentar-em-frica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/11\/africa\/trigo-poder-garantir-a-segurana-alimentar-em-frica\/","title":{"rendered":"Trigo Poder&aacute; Garantir a Seguran&ccedil;a Alimentar em &Aacute;frica"},"content":{"rendered":"<p>Adis Abeba, 05\/11\/2012 &ndash; &Aacute;frica pode garantir a sua seguran&ccedil;a alimentar atrav&eacute;s da produ&ccedil;&atilde;o de trigo. Os resultados de um novo estudo apresentado em Adis Abeba, na Eti&oacute;pia, indica que o continente tem o potencial para ser auto-suficiente. <!--more--> A procura de trigo est&aacute; a aumentar mais rapidamente do que a procura de qualquer outra cultura, de acordo com as estat&iacute;sticas do Centro Internacional de Melhoria do Trigo e Milho (CIMMYT). Os investigadores est&atilde;o a examinar a possibilidade de transformar &Aacute;frica num dos principais produtores de milho, visto que actualmente o continente &eacute; o maior importador de milho de todo o mundo. Prev&ecirc;-se que, s&oacute; este ano, &Aacute;frica gaste 12 mil milh&otilde;es de dol&aacute;res para pagar a importa&ccedil;&atilde;o de 40 milh&otilde;es de toneladas de trigo.<\/p>\n<p>Os investigadores na Confer&ecirc;ncia do Trigo para Seguran&ccedil;a Alimentar do CIMMYT, que se realizou em Adis Abeba de 8 a 12 de Outubro, real&ccedil;am que uma maior produ&ccedil;&atilde;o no continente e menores importa&ccedil;&otilde;es ir&atilde;o garantir eventualmente maior seguran&ccedil;a alimentar para a &Aacute;frica Austral.<\/p>\n<p>Em particular, os agricultores em comunidades que dependem da agricultura alimentada pela &aacute;gua das chuvas t&ecirc;m o potencial para expandir a produ&ccedil;&atilde;o de trigo, o que poder&aacute; contribuir para garantir a seguran&ccedil;a alimentar, j&aacute; que menos fundos ser&atilde;o gastos na importa&ccedil;&atilde;o de alimentos.<\/p>\n<p>Um relat&oacute;rio apresentado durante a confer&ecirc;ncia centrou a sua aten&ccedil;&atilde;o em doze pa&iacute;ses do continente africano onde tradicionalmente se produz trigo. O estudo foi feito em Angola, Burundi, Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo, Eti&oacute;pia, Qu&eacute;nia, Madag&aacute;scar, Mo&ccedil;ambique, Ruanda, Tanz&acirc;nia, Uganda, Z&acirc;mbia e Zimbabwe.<\/p>\n<p>Estes pa&iacute;ses t&ecirc;m precipita&ccedil;&atilde;o natural suficiente para se tornarem auto-sustent&aacute;veis. O estudo indica que 20 a 100 por cento do solo ar&aacute;vel nestes pa&iacute;ses &eacute; adequado para a agricultura lucrativa de trigo.<\/p>\n<p>Nicole Mason, professora assistente no campo do Desenvolvimento Internacional do Departamento de Economia Agr&iacute;cola, Alimentar e de Recursos da Universidade do Estado de Michigan, e uma das principais oradoras na confer&ecirc;ncia, disse &agrave; IPS que diversos factores estavam a impulsionar a procura do trigo. <\/p>\n<p>O trigo, especialmente sob a forma de p&atilde;o, massas e cereais, &eacute; o segundo produto agr&iacute;cola b&aacute;sico no mundo em desenvolvimento. &Eacute; tamb&eacute;m a principal fonte de prote&iacute;nas na maioria dos pa&iacute;ses do terceiro mundo. Embora o milho ocupe actualmente a primeira posi&ccedil;&atilde;o, a procura de trigo est&aacute; a aumentar na &Aacute;frica Subsaariana. <\/p>\n<p>&quot;Constatamos que a maior acessibilidade aos produtos de trigo, o crescimento populacional e o aumento dos rendimentos s&atilde;o factores fundamentais dessa procura. Os consumidores urbanos tendem a gastar mais em trigo do que os consumidores das zonas rurais e, portanto, a r&aacute;pida urbaniza&ccedil;&atilde;o em &Aacute;frica pode constituir outro factor fundamental.<\/p>\n<p>A mudan&ccedil;a do estilo de vida das mulheres africanas tamb&eacute;m teve um impacto consider&aacute;vel na procura do trigo, afirmou Mason. &quot;Como as mulheres trabalham mais fora de casa, t&ecirc;m menos tempo para preparar refei&ccedil;&otilde;es e procuram alimentos de conveni&ecirc;ncia que s&atilde;o mais f&aacute;ceis de preparar. O p&atilde;o e as massas s&atilde;o importantes alimentos de conveni&ecirc;ncia.&quot;<\/p>\n<p>Uma vez que a urbaniza&ccedil;&atilde;o &eacute; um dos principais factores subjacentes ao aumento da procura, devem ser investigadas alternativas para responder ao previsto crescimento populacional de 300 por cento em &Aacute;frica nos pr&oacute;ximos 40 anos.<\/p>\n<p>De acordo com os investigadores do CIMMYT, se os agricultores na regi&atilde;o aumentarem a sua produ&ccedil;&atilde;o entre 10 a 25 por cento, a agricultura seria lucrativa em termos econ&oacute;micos.<\/p>\n<p>O Director do Programa Global de Trigo do CIMMYT, Hans-Joachim Braun, disse &agrave; IPS que &Aacute;frica &eacute; o maior importador de trigo do mundo, embora tenha o potencial de produzir aquilo que consome.<\/p>\n<p>&quot;&Aacute;frica &eacute; muito favor&aacute;vel &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de muitas colheitas, mas tem falta de &aacute;gua e de adubos,&quot; apontou.<\/p>\n<p>S&atilde;o necess&aacute;rios investimentos nas sementes e na tecnologia para transformar &Aacute;frica num produtor de trigo auto-sustent&aacute;vel. Braun explicou que, se fosse fornecida &aacute;gua, incluindo barragens para irriga&ccedil;&atilde;o, e adubos, &Aacute;frica poderia tornar-se um celeiro para o mundo com respeito a uma s&eacute;rie de colheitas, al&eacute;m do trigo. <\/p>\n<p>Mas s&atilde;o necess&aacute;rias mudan&ccedil;as adicionais se &Aacute;frica quiser atingir esse objectivo. Os direitos de importa&ccedil;&atilde;o criam dificuldades ao sector agr&iacute;cola. Muitas das quest&otilde;es que o sector enfrenta para se tornar um importante produtor de trigo t&ecirc;m a ver com as pr&oacute;prias pol&iacute;ticas do sector, afirmou Braun. &quot;Estas quest&otilde;es precisam de ser alteradas e t&ecirc;m muito a ver com a pol&iacute;tica. Porque a produ&ccedil;&atilde;o &eacute; extremamente baixa em &Aacute;frica, o que tamb&eacute;m se aplica a outras culturas.&quot;<\/p>\n<p>At&eacute; aos anos 80, muitos pa&iacute;ses africanos costumavam produzir trigo em grande escala. Devido &agrave;s doa&ccedil;&otilde;es de toneladas de ajuda alimentar, os pre&ccedil;os internacionais diminu&iacute;ram de forma acentuada durante este per&iacute;do.<\/p>\n<p>Os pequenos agricultores na maioria dos pa&iacute;ses da &Aacute;frica Subsaariana s&atilde;o respons&aacute;veis pela maior parte da produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola. Braun salientou que muitas vezes estes agricultores necessitam de ter acesso a sementes de melhor qualidade para tornar a produ&ccedil;&atilde;o de trigo verdadeiramente vi&aacute;vel. Acrescentou que estes factores representavam apenas a parte t&eacute;cnica, embora a componente relativa &agrave;s infra-estruturas fosse igualmente importante. &quot;&Eacute; preciso haver uma garantia que o trigo pode ser processado e chegar aos consumidores finais.&quot;<\/p>\n<p>A redu&ccedil;&atilde;o da pobreza pode ter um efeito positivo a longo prazo para os pequenos agricultores produtores de trigo, afirmou Mason. Ela disse &agrave; IPS que &quot;se o produto dos pequenos agricultores for procurado pelas pessoas das zonas urbanas, eles ganhar&atilde;o mais dinheiro, o que ir&aacute; ajudar a reduzir a pobreza.&quot;<\/p>\n<p>Braun acredita ser necess&aacute;rio mostrar aos agricultores africanos que h&aacute; um importante mercado para os seus produtos, sem ser preciso promover o trigo em &Aacute;frica ou entre os agricultores. &quot;O que importa &eacute; o que est&aacute; no bolso, e proporcionar-lhes um rendimento alternativo mais elevado.&quot;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adis Abeba, 05\/11\/2012 &ndash; &Aacute;frica pode garantir a sua seguran&ccedil;a alimentar atrav&eacute;s da produ&ccedil;&atilde;o de trigo. 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